Noite de PISA

pizzaQuando começam a sair os resultados dos testes internacionais, especialmente por serem internacionais, os políticos, já se sabe, aparecem logo a reclamar paternidades e maternidades (porque também há políticas) ou a rejeitar crianças, se forem defeituosas.

Há poucos dias, foi o TIMSS. Ontem, foi o PISA. Apesar de este teste ser feito para avaliar uma parte do percurso de alguns alunos de 15 anos, não há quem não queria reclamar méritos, mesmo que não tenha estado no ministério nos últimos nove anos, ou seja, desde que os alunos em causa entraram para o Primeiro Ciclo. Tudo muito socrático, ou seja, portuguesinho.

O actual ministro, justiça lhe seja feita, deu os parabéns aos alunos e aos professores, essa gente habitualmente menorizada, face aos grandes ideólogos que julgam perceber mais disto a ressonar em gabinetes do qualquer professorzeco a suar numa sala de aula.

No meio de tudo isto, há, a propósito de professorezecos, uma novidade, incluída num relatório que acompanha o PISA: considera-se que os professores portugueses revelam uma estranha capacidade de adaptar o conteúdo e a estrutura das aulas aos alunos. Estranha? Sim, porque é uma ideia contrária às conclusões dos pedagogos de sofá que acusam tudo o que é docência lusa de imobilismos, conservadorismos e outras caturrices que tornariam impossível a boa aprendizagem da juventude. O Paulo Guinote deixa escapar um “In your face” e tem razão. Há alguns meses, abordei lateralmente o assunto.

Como não sou político, não estou prisioneiro do curto prazo no que se refere a análises de resultados: repita-se que somos uma democracia muito jovem, acabada de sair do analfabetismo salazarento, e que, portanto, ainda tem uma grande caminhada pela frente. Não houve crise por termos estado na metade inferior de vários testes internacionais e não devemos deitar foguetes hoje, porque há muitas medições que continuam por fazer e porque seria importante reverter muita coisa que se vai impondo como facto consumado. O problema da Educação continua no mesmo sítio: um laboratório, em Lisboa, na 5 de Outubro, onde, independentemente do nome que estiver no gabinete, há sempre cientistas loucos a fazer experiências causadoras de explosões e de implosões.

Comments

  1. Luís says:

    Lamento que o citado professor Paulo Guinote trate alguns participantes do seu blog como imbecis, partidários blogosféricos, trolls, estúpidos, ignorantes, pedaços fecais com olhos, etc…..

    Convive muito mal com o contraditório e ler estas suas respostas deixa qualquer um aborrecido, a menos que se aplauda sempre o que escreve e como pensa.

    Lamentável.

  2. Luís says:

Trackbacks


  1. […] não passaram do morno à conta de todos quererem reivindicarem a paternidade quanto ao banquete da Noite de PISA, como apropriadamente lhe chamou o Nabais. Da direita, uns vieram logo dar louvores a Crato, […]


  2. […] Pronto. Agora que fiz uma pausa para limpar as lágrimas de riso, li o texto em cima da imagem e perdi-me a rir de novo.  Então os resultados do PISA e do TIMSS “demonstram o acerto das políticas seguidas pelos governos anteriores”? Ó Adolfo, vai pr’a escola, pá. […]

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