Roubado ao João Roque Dias
Acordo Ortográfico: erro no “dictado”
O texto comentado já tem uns anos, mas serve para ilustrar alguns dos mitos criados pelo Acordo Ortográfico, que continuam em vigor.
Em declarações a este portal, Carlos Alberto Xavier, então assessor especial do ministro da Educação do Brasil, defendeu o Acordo Ortográfico:
Para facilitar a cooperação na África e no Timor, por exemplo, é fundamental essa ‘universalização’. Não dá para uma professora dizer ‘dictado’, seguindo um livro de Portugal e ‘ditado’ quando utilizar um livro do Brasil.
Não comento a possível insinuação machista ou feminista que reserva a docência às mulheres, mas a verdade é que um assessor especial de um ministro da Educação que queira pronunciar-se sobre as diferenças ortográficas não pode cair no erro de afirmar que em Portugal se escreva “dictado”.
Para além disso, seria interessante que o mesmo assessor especial do ministro da Educação explicasse o que deve fazer “uma professora” quando, após a aplicação do AO, deparar com diferenças como antônimo (Brasil)/antónimo (Portugal) ou recepção (Brasil)/receção (Portugal). Aproveitando, ainda, o texto do portal em que surgem estas declarações, o que deverá a mesma professora quando tiver de escolher entre registro (Brasil) e registo (Portugal)? Finalmente, como é possível uma professora conviver com expressões como “no Timor” (Brasil) e “em Timor” (Portugal)?
Quanto à afirmação de que “a existência de duas ortografias oficiais dificulta sua capacidade de difusão internacional.” seria importante que o assessor especial do ministro da Educação tivesse explicado como conseguiu o Inglês atingir essa mesma capacidade, tendo em conta tantas diferenças também ortográficas.
É, ainda, curioso confirmar, no mesmo texto, que o AO deveria ter sido ratificado por oito países, mas, para “agilizar a aprovação”, permitiu-se que o número passasse para três, o que não é mais do que a universalização do chico-espertismo, essa característica tão portuguesa.
Contra o Acordo Ortográfico: não há uniformização ortográfica
A tese deste texto é a de que o AO90 não produz uniformização ortográfica, e isso, de certo modo, já ficou demonstrado no texto anterior e é reconhecido, aliás, na Nota Explicativa do Acordo Ortográfico, 4.4. (acerca dos casos de dupla grafia). Ora, a verdade é que um dos objectivos do AO90 consistia em criar uma ortografia comum, para que todos os falantes lusófonos pudessem escrever a uma só ortografia.
Em primeiro lugar, é curioso notar que o próprio texto do AO90 contém a demonstração cabal desse falhanço, quando se verifica que são utilizadas duplas grafias como “antropónimos/antropônimos” ou “fónico/fônico”, de modo a respeitar ortografias que continuarão a ser diferentes. Leia-se o seguinte exemplo retirado da Base I:
2.º As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais:
a) Em antropónimos/antropônimos [sic] originários de outras línguas e seus derivados: Franklin, frankliniano; Kant, kantismo, Darwin, darwinismo; Wagner, wagneriano; Byron, byroniano; Taylor, taylorista;









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