Os ziguezagues vergonhosos do Ministério da Educação

Santana Castilho*

“Sim, estamos a falar de gente que vive bem explorando os novos escravos”. Esta frase é do director do Público. Escreveu-a no dia 20, elogiando uma denúncia de Manuel Narra, autarca da Vidigueira, a quem pertence a expressão “novos escravos”. Substituamos “gente” por Ministério da Educação e trabalhadores agrícolas por professores e a afirmação redobra exponencialmente de legitimidade. Porque o Ministério da Educação tem vivido bem, sem escrúpulos, há décadas, escravizando os professores contratados. Ou terá escrúpulos quem obriga terceiros a contratar ao fim de três anos de trabalho instável, mas mantém, por décadas, a precariedade dos seus?

Um observador atento e informado só pode considerar vergonhosos os ziguezagues do ME nas negociações sobre o processo de vinculação dos professores aos quadros. A 20 de Dezembro, na AR, a secretária de Estado Alexandra Leitão foi assertiva e clara quando afirmou que os professores da rede privada não podiam concorrer em paridade com os da rede pública. Há dias fez uma pirueta inteira e proclamou o contrário. Num dia os contratos exigidos têm que ser no mesmo grupo de recrutamento. Noutro dia já podem ser em grupos diferentes. Num dia só conta o tempo de serviço após a profissionalização. Noutro dia já vale o tempo antes e depois da dita. Num dia só ascenderão ao céu os que estiverem colocados em horários completos e anuais neste ano-lectivo. Noutro dia a aberração cai e a dança macabra continua, iludindo uns e desiludindo outros, todos escravos de uma vida, que o ME trata como lixo descartável.   [Read more…]

Os lesados do BES e os lesados do ME

Santana Castilho*

Sem direito a perguntas, logo sem a maçada de dizer quem paga, quem assume as garantias e se o milagre agrava ou não as contas públicas, António Costa anunciou, em conferência de imprensa, a solução do decantado problema dos lesados do BES. Perito que é em dar boas novas e virar páginas, quando o vi numa escolinha, pronto para a mensagem de Natal, admiti, por momentos, que ia anunciar a solução para os lesados do ME. Qual quê!
Em 30 de Novembro último, o Ministério da Educação tornou pública a intenção de abrir um concurso para integrar nos quadros os docentes com um mínimo de vinte anos de serviço e cinco ou mais contratos a termo resolutivo, celebrados nos últimos seis anos. São estes e muitos outros, precários de uma vida, os lesados do ME, um ministério que vive há anos fora da lei, explorando miseravelmente quem o serve e concebendo maliciosamente soluções que iludem, sem resolver. É disto que trata a proposta, glosada com as coreografias governamentais e sindicais habituais e o pesadelo de sempre.
São duros os meus qualificativos? Que é, senão déspota, quem exige aos outros um contrato estável ao cabo de três anos de serviço, mas permite vinte para si e, ainda assim, os armadilha com requisitos desprezíveis? Que é, senão desprezível, a subtileza de persistir em considerar que os contratos anuais e sucessivos tenham que ser no mesmo grupo de recrutamento? Que é, senão iníquo, ardiloso e inconstitucional, deixar para trás docentes com maior antiguidade, só porque já foram vítimas de injustiças anteriores? Que é, senão inaceitável, a utilização abusiva de milhares de contratos de serviço de duração temporária, ano após ano, que violam o Direito da União Europeia (Diretiva 1999/70/CE), como, aliás, foi reconhecido pelo respectivo Tribunal de Justiça?
Desde há muito que os concursos de professores geram injustiças e criam castas, por via de sucessivas mudanças de regras, donde a ponderação da iniquidade desapareceu. Tudo indica que assim será, uma vez mais, com alguma coisa a mudar para que tudo continue na mesma, tónica aliás dominante da actual aposta na Educação. [Read more…]

Desigualdades socioeconómicas e sucesso educativo ou a descoberta da pólvora

Saiu um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, intitulado Desigualdades socioeconómicas e resultados escolares – 3.º Ciclo do Ensino Público Geral.

Na p. 2, podemos ler: “Em termos de resultados e conclusões, o estudo sugere que em Portugal há uma relação muito forte entre o desempenho escolar dos alunos e o meio socioeconómico dos seus agregados familiares. Por exemplo, entre os alunos cujas mães têm licenciatura ou bacharelato, a percentagem de “percursos de sucesso” 2 no 3.º ciclo é de 71%, enquanto entre os alunos cujas mães têm habilitação escolar mais baixa, equivalente ao 4.º ano, a mesma percentagem de percursos de sucesso é de apenas 19%.” Leia-se, a propósito, a notícia do Público: “Quando a mãe tem a 4.ª classe, só 19% das crianças têm um percurso limpo na escola”.

Não nego a importância destes estudos, mas a verdade é que a correlação entre o desempenho dos alunos e o meio socioeconómico/sociocultural em que vivem é conhecida e reconhecida há vários anos, porque o assunto está estudado e porque os professores confirmam isso todos os dias.

Curiosamente, no mesmo estudo, há uma preocupação em repetir a ideia de que isso não equivale a destino:

as estatísticas apresentadas no estudo sugerem também que o nível socioeconómico não equivale a destino, ou seja, não determina de forma inapelável o desempenho escolar dos alunos. (p. 3)

Apesar de estas disparidades muito acentuadas mostrarem que as condições socioeconómicas das famílias têm um impacto elevado nos resultados escolares dos alunos, um impacto porventura maior do que o desejável, ao mesmo tempo é necessário salientar que as condições socioeconómicas não equivalem a um destino traçado, pois existem outras influências e fatores importantes em jogo. (p. 13)

Dos resultados da nossa análise subsiste, todavia, a importante mensagem de que o nível socioeconómico não equivale a destino, ou seja, não determina de forma inapelável os resultados dos alunos, escolas e regiões.

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O orçamento do Estado e a “circulatura” do quadrado: As 50 sombras que David Justino não tem

Por Santana Castilho

  1. Para titular este artigo apropriei-me de um neologismo feliz que Bagão Félix criou, porque exprime bem o processo técnico (não teria sido melhor que António Costa o assumisse como político?) que nos trouxe ao orçamento de 2016.

O plano macroeconómico do PS não contemplava o aumento de impostos. O aumento previsto era o dos rendimentos líquidos dos portugueses, designadamente por via da redução da TSU. Podíamos questionar a viabilidade de êxito da proposta, mas não podíamos deixar de lhe reconhecer coerência. Porém, essa coerência esfumou-se entre os acordos com a esquerda parlamentar e as negociações com Bruxelas, dando lugar a um caminho de fraco norte e forte risco.

Os benefícios deste orçamento resumem-se à função pública e à restauração e são parcos para virar a página da austeridade, quando o aumento líquido da receita fiscal e contributiva ultrapassa os 2.600 milhões de euros. Este é um orçamento simplesmente menos servil, com execução no fio da navalha e sem dinheiro, como serão todos, não importa de que governo, enquanto não for reduzido o peso e o custo da dívida. Porque a “circulatura” do quadrado só se consegue no domínio da mistificação política.

Todavia, devemos reconhecê-lo, António Costa venceu o dramatismo ridículo de certa comunicação social, o discurso caceteiro da direita, o teatro majestaticamente rasteiro da Comissão Europeia e conseguiu valorizar o Estado e os seus servidores e promover alguma justiça social, de que o fim das benesses fiscais aos fundos imobiliários em sede de IMI e a extensão da tarifa social da energia são os melhores exemplos.

Se lhe concedo, portanto, um sinal débil de virar de página, quando chegamos à Educação a página vira para trás e a desilusão tem, para quem se iludiu, o exacto tamanho da ilusão. [Read more…]

O lodaçal

Santana Castilho *

Em sentido figurado, um lodaçal é um ambiente de vida desregrada, um lugar aviltante. Literalmente, o vocábulo expressa um lugar onde há muito lodo, um atoleiro. O escândalo BES, com responsáveis evidentes e nenhum preso, o roubo legal de milhares de milhões de dólares operado pelo Luxemburgo às economias dos países europeus e a recente hecatombe que se abateu sobre o Governo e as cúpulas da administração pública portuguesa mostram que é lá, num lodaçal, que vivemos.

Estes três escândalos, de tantos que tornam desesperada a vida cívica, têm uma génese: a desagregação do Estado, com a consequente anulação do seu poder fiscalizador e regulador sobre o mundo financeiro. Contrariamente ao discurso das maiorias, nacional e europeia, o nosso problema não é o excesso de Estado mas o seu constante e progressivo aniquilamento. O nosso problema consiste em encontrar meios políticos para devolver ao Estado instrumentos de fiscalização e regulação que protejam o interesse geral. [Read more…]

A direcção certa do ministro, o bloqueio à portuguesa e o multilinguismo à luxemburguesa

Santana Castilho *

1. A UGT fez 36 anos. Crato passou por lá, disse que a educação ia na direcção certa e ofereceu-nos um discurso absurdo, próprio do condutor que entra na autoestrada em contramão e se queixa dos outros, todos, que acusa de estarem na faixa errada. Pareceu aquele desequilibrado fundamentalista carnívoro que, da maçã, só aproveitava o bichinho.

Vejamos, em síntese, o despudor com que se elogiou.

Reforçou os conhecimentos essenciais dos alunos? Que são conhecimentos essenciais? Em que evidências se apoia para dizer isso? Há uma evidência, sim: queimou tudo o que é de raiz personalista e pública e promoveu a educação-mercadoria e privada.

Reforçou a avaliação externa? Fez os piores e mais iníquos exames de sempre, cujos resultados desmentem o que disse.

Valorizou o ensino profissionalizante? Eu digo de outro modo: elitizou o ensino, mandando crianças de 12 anos, com dificuldades, aprenderem uma profissão que não lhes dará emprego.

Aumentou o acompanhamento dos alunos com dificuldades? Como? Reduzindo professores de apoio, disciplinas, financiamento, todo o tipo de auxílios e complementos? Mesmo para a mentira há uma “ética”. Respeite-a, quando mente com tal despudor!

Valorizou a qualidade da docência? Varrendo a formação contínua? Instituindo a sinistra PACC? Despedindo em massa? Promovendo um concurso de vergonha sem fim? Tratando os professores como peças de um sistema acéfalo? [Read more…]

Orçamento de Estado para 2015: Crato glosa Bocage

Santana Castilho *

Todo o dinheiro que a austeridade da troika e deste governo retirou ao funcionamento da economia, à saúde, à educação e ao bolso dos portugueses, 28.000 milhões de euros, foi, quase na íntegra, para pagar o serviço da dívida, numa evidência gritante de que a austeridade nada resolveu do problema que queria resolver. Dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal mostram que, entre 2010 e 2014, a dívida conjunta, pública mais privada, cresceu 46,1 pontos percentuais por referência ao PIB, cifrando-se agora na assustadora expressão de 767.226 milhões de euros. A dependência de Portugal relativamente ao estrangeiro aumentou drasticamente pela mão da troika e de Passos, o mercador dos nossos anéis. Entre o que Portugal já vendeu ou vai vender a preços de saldo, recordo: Espírito Santo Saúde, HPP Saúde da CGD, Tranquilidade, Fidelidade, BPN, Banco Espírito Santo, agora Novo Banco, Cimpor, EDP, REN, ANA, CTT, TAP e PT. [Read more…]

OE 2015: desinvestimento

de mais 700 milhões de euros na Educação. Isto já não é avariar o Estado: é negar o próprio desenvolvimento.

O manicómio

Santana Castilho *

O grotesco do caos em que o início do ano lectivo se transformou vai do cómico ao dramático. Sob a tónica da insensatez do desvairado que o dirige, o Ministério da Educação e Ciência assemelha-se a um manicómio gerido pelos doentes. A última paciente, a directora-geral da Administração Escolar, decidiu sambar na cara de milhares de alunos, pais e professores: com a coragem própria dos cobardes, mandou os directores despedirem os professores anteriormente contratados. Sim, esses mesmos em que o leitor está a pensar. Aqueles a quem o ministro Crato (entretanto desaparecido atrás da palavra que não tem) garantiu, na casa da democracia, que não teriam qualquer espécie de prejuízo quando ele, ministro incompetente, corrigisse o enorme disparate para que acabava de pedir a desculpa da nação.

Leio que são 150 nestas condições. Contratos antes assinados, agora rasgados. Como o daquela colega de Bragança, colocada em Constância a 12 de Setembro e reenviada para Vila Real de Santo António a 3 de Outubro. Casa alugada com caução perdida. Filha a mudar de escola outra vez. Confiança no Estado caída na lama, a reclamar, pelo menos em nome da decência mínima e última, que algo aconteça. Porque não se trata da consciência que o ministro não tem. Trata-se da obrigação republicana de quem o nomeou. [Read more…]

Grau zero de um governo

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O que se passa na educação é o último patamar do que se pode esperar descendo a escadaria da qualidade governativa. Erros não assumidos, mitigação da realidade, ausência de responsabilização e tratar 150 pessoas como danos residuais. Acresce alunos sem aulas e professores que estavam ali e vão para acolá.

Para que serve o ministério da educação, com as suas diversas delegações regionais e direcções gerais? Potes para nomeação política. Entrave ao acto de educar. Fonte de infindável burocracia usurpadora de tempo que deveria ser lectivo.

O caos poderá ter interesse para um matemático, como Crato, ou não houvesse até uma teoria para este. Mas nada traz à educação. Feche-se então o ministério da educação, com ganhos para todos. Menos para os tadinhos do pote. Tadinhos.

Crato pérfido

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Um governo de truques

A história mais recente e que me fez escrever este artigo foi a desfaçatez do truque que o Ministério da Educação usou para marcar os exames aos professores com três dias úteis de pré-aviso, caindo do céu da surpresa no fim de Julho, com grande estrondo. Na verdade, são teoricamente cinco dias, o mínimo exigido por lei, mas só teoricamente. O truque foi pré-assinar um despacho em segredo, no quinto dia divulgá-lo no Diário da República a contar do dia da sua assinatura, para que na prática faltassem, após o anúncio ser conhecido, apenas três dias úteis até ao exame, 17, 18, e 21 de Julho. Professores que já estavam a receber o subsídio de desemprego, que já estavam de férias, e que não sabiam que iam ter um exame para que é suposto prepararem-se, cai-lhes em cima uma data que é já praticamente amanhã. Nem o gado é suposto ser tratado assim, mesmo quando vai para o abate.

Porquê esta rapidez? A resposta é muito simples: para evitar que os sindicatos pudessem apresentar um pré-aviso de greve no prazo exigido pela lei – ou seja, o Governo faz um truque descarado e sem vergonha para contornar uma lei da República, que permite o exercício de um direito. [Pacheco Pereira, no Público]

O “factor de eficiência” de Nuno Crato

Fernando Guimarães

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Os juízes também não correm risco irremediável de desemprego

Podem sempre desenvolver outras actividades. Ir dar o cu, por exemplo.

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Peço desculpa por querer defender o meu emprego

Sou professor há quase 20 anos e ganho 1300 euros por mês. Não me queixo, há quem ganhe muito menos. A minha mulher, também professora, está desempregada. O seu subsídio de desemprego, que está quase a acabar, é de 380 euros. Pago casa ao Banco e tenho duas filhas pequeninas.
Tenho mais de 40 anos. Se neste momento for despedido pelo Ministério da Educação e ficar sem emprego, não sei como vou sobreviver. Eu e as minhas filhas. Com esta idade, quem é que me dá trabalho?
É por isso que vou fazer greve no dia 17 de Junho e nos outros dias. Porque estou a lutar pelo meu emprego, pela minha sobrevivência.
No fundo, resume-se a isto. Podia apresentar mil argumentos, mas o principal é este. E não venham falar dos alunos e de como vão ser prejudicados. Adoro os meus alunos. São muitíssimo importantes para mim, mas as minhas filhas são mais importantes do que eles. E são as minhas filhas e o seu futuro que estão em causa neste momento. [Read more…]

Nuno Crato, o demolidor

predioÉ célebre a frase atribuída a Goebbels: “Quando ouço falar de cultura, levo logo a mão à pistola”. Nuno Crato partilha, em grande parte, desta filosofia: sempre que pensa em Educação, dedica-se ao lançamento indiscriminado de cartuchos de dinamite. Talvez devido a um nefelibatismo alegadamente típico dos matemáticos, ao querer implodir o Ministério da Educação (MEC), limitou-se a rebentar com as escolas, naquilo que se poderá designar como explosão por simpatia, facto, afinal, pouco simpático.

Efectivamente, uma breve passagem pelas notícias sobre Educação permite-nos descobrir que o MEC tem uma estranha propensão para descobrir minhocas em todas as cavadelas. Esta ligação do Correio da Manhã dá acesso a três notícias esclarecedoras. [Read more…]

Ai aguentamos, aguentamos! Resta saber até quando!

Santana Castilho *

Primeiro foi Vítor Gaspar, afirmando que “existe um desvio entre aquilo que os portugueses querem que o Estado social lhes forneça e os impostos que estão dispostos a pagar por esses serviços”. Depois foi Passos Coelho, com mais uma das suas eloquentes trapalhadas, falando da impossibilidade de adiar uma “reforma mais profunda” do Estado (como se já tivesse feito alguma!), caldeando-a com uma coisa que o país inteiro procura agora saber o que significa: “uma refundação do nosso programa de ajustamento”. Fechou o triângulo das trivialidades a boçalidade de um banqueiro, com o “ai aguentam, aguentam!”. Três figurões, com um considerável currículo de asneiras recentes nos negócios que dirigem, inquinaram maliciosamente uma questão essencial para todos. Não a de saber como conseguir o impossível, isto é, pagar em escassos anos uma dívida contraída pelo desgoverno de décadas e onerada por juros agiotas. Mas a de saber o que fazer para pôr a economia a crescer e nos aproximarmos de países que, não tendo mais recursos que o nosso, oferecem aos seus concidadãos um Estado social que os servos da senhora Merkel dizem não ser possível manter. [Read more…]

Castigar os filhos pelas culpas dos pais

O caso da criança punida com um almoço de sandes e leite porque os respectivos pais não pagaram uma dívida de 30 euros passou para a secção ideologia.

Como a noção de serviço público não existe na cabecinha de quem odeia o estado, esse ogre, passámos às acusações aos pais, tentando defender o que qualquer dirigente escolar com um mínimo de profissionalismo condena, mas um organismo do Ministério da Educação se apressa em defender.

Calma, recomenda-se. Há uma fronteira que em política e opinião geral separa quem pensa os problemas dos seus semelhantes do lado das vítimas ou ergue sempre um dedo acusador contra os outros. A mesma que separa quem se preocupa com os credores de juros usurários, dos que se preocupam com os portugueses, e em primeiro lugar com os mais frágeis.

Nestas cabecinhas, que hoje andam aos pulinhos nas caixas de comentários, o facto de uma criança ter sido punida pelo que até pode ser um desmazelo materno, e eles existem e não são poucos, é perfeitamente natural. Vale tudo para cobrar uma dívida. O caso da directora do Agrupamento de Escolas Laura Ayres é agora uma perfeita parábola de um país e daquilo que o divide quanto à vida e quanto à crise.

Sou Contra a Justiça Popular

… mas sou permissivo à abertura de excepções.

A directora Conceição Bernardes é um tumor do ensino em Portugal

A directora do Agrupamento Dr.ª Laura Ayres, Quarteira, decidiu cobrar o pagamento de refeições em atraso suspendendo o almoço de crianças e deixando-as assistir ao almoço dos colegas. Por uma dívida de 30 euros falamos da completa violação de tudo a que um professor está obrigado pelos seus deveres profissionais, já não falando nos mínimos da cidadania.

Se ainda existe Ministério da Educação (o que com os cortes reais no orçamento é duvidoso), ainda hoje Conceição Bernardes terá um processo disciplinar e em breve engrossará a fila dos desempregados. Não me peçam razões jurídicas para o fazer, é um dos casos em que se não as há que se inventem, as pedagógicas chegam-me perfeitamente. Um país que tem uma Conceição Bernardes à frente de estabelecimentos de ensino bateu no fundo.

Quanto vale um professor?

No dia em que será apresentado o orçamento que empobrecerá os remediados e levará os pobres à miséria, deixo aqui um texto aparentemente corporativista, sendo que as aparências nem sempre iludem, não sendo menos certo que são insuficientes.

Os aprendizes de economista que parasitam o governo do país têm o hábito de confundir os rendimentos que os professores auferem com despesa, enchendo a boca com a necessidade de reduzir custos. Os referidos aprendizes olham para o professor e perguntam “Quanto custa?” Depois, pressionados pela necessidade de reduzir um défice e incapazes de o fazer pelo lado das PPPs ou da nacionalização dos prejuízos bancários, pegam no salário do professor e cortam, porque é despesa.

Mesmo em tempos de crise, todos conseguimos reconhecer quando um produto está a preço de saldo. Sabemos isso, quando somos capazes de dizer “Isto está muito barato!” Nessa ocasião, sempre que podemos, compramos, aproveitando o facto de que o objecto da compra custa menos do que aquilo que vale. [Read more…]

Crato a brincar com a vida dos outros

Ministério da Educação recua na questão dos exames do 12.º ano.

Deve ter percebido que ia perder em tribunal.

Podem sempre pedir um parecer à Sérvulo & associados

Supremo confirma que nota de cobrança de IMI não cumpre a lei

Roubar no ensino público para dar ao privado

Este é o bom governo de Portugal:

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) vai continuar a pagar 85 mil euros por turma às escolas do ensino particular e cooperativo com as quais tem contrato de associação.

Palavras para quê? Os donos dos colégios são pobres, precisam da solidariedade do estado, e Nuno Crato é um homem de bom coração. Tão bom que ainda dá um bónus, depois de ter aumentado esta verba o ano passado. Tão caridoso que esquece o que está no memorando da troika.

Já agora sempre gostava de saber qual o número mínimo de alunos destas turmas…

José Hermano Saraiva

Morreu o historiador. Uma oportunidade de o conhecer melhor, não obstante os «baldes de àgua fria» que às vezes apanhamos por sermos novos e não sabermos «da missa metade».

Aqui fica um exemplo de como sabemos muito pouco da nossa História (admito, mas quero aprender, com humildade).

Foi também advogado, professor do ensino liceal e ministro da Educação. É sobre este cargo que fui à procura de informação na História do Ensino em Portugal de Rómulo de Carvalho (António Gedeão), editada pela F.C.G., obra de referência: J. H. Saraiva esteve no poder enquanto ministro da Educação durante ano e meio, sucedendo a Galvão Teles.  Segundo Carvalho, Saraiva viu-se envolvido numa luta incómoda com a Academia de Coimbra:”É uma história quase anedótica mas que merece ser citada, pois teve papel preponderante no processo de renovação do ensino que então se pretendia executar.”

Um episódio triste, uma vez que foram feitas detenções a estudantes (Alberto Martins – ex-Ministro da Justiça entre 2009 e 2011-, o estudante que contestou publicamente o Governo de que José Hermano Saraiva fazia parte), violências foram praticadas, proibições aos estudantes de continuarem a estudar na Universidade, etc.

Por aquilo que me deu conhecer, J.H.S. terá, em Abril de 1969, reorganizado o Instituto de Meios Audiovisuais, de que fazia parte a Telescola. Não me consta nada mais de significativo, a partir da leitura daquela obra.

Apesar do episódio que Rómulo de Carvalho refere, não deixo de admirar o comunicador e o amante da nossa História, que foi José Hermano Saraiva. Isso ainda não vi em mais ninguém…Teremos outro?

Um homem não é só o seu passado!

Se o Ministério da Educação fosse uma pessoa, seria viciado em drogas duras

O João Paulo, recentemente, chamou a atenção para o facto de que não é aceitável ou compreensível uma empresa da dimensão do Ministério da Educação não ter, ainda, o próximo ano lectivo completamente organizado.

O Paulo Prudêncio, nas centenas de textos que já escreveu sobre gestão escolar, ainda não se cansou de repetir que um ano lectivo tem de estar preparado com vários meses de antecedência, continuando, ainda, a insistir na importância de um valor como a estabilidade, nomeadamente no que se refere à produção legislativa. [Read more…]

Alguém no Ministério da Educação não está a ver bem a coisa

Alertado pelo Arlindo, fiz umas perguntas durante a tarde, e passo a explicar: hoje sem mais nem ontem o Ministério da Educação avisou os Directores das escolas de que têm até sexta-feira para declararem quantos professores não vão ter horário no próximo ano.

Ora sei de escolas que começaram as matriculas hoje e as têm marcadas até 6ª feira, novos agrupamentos que ainda não têm Comissão Administrativa Provisórias, isto já para não falar de escolas onde ainda não está decidido se as aulas vão ser de 45 ou 50 minutos, de este ano as matrículas não serem obrigatoriamente na escola de residência (o que em algumas cidades levará a muita mudança), e ainda arranjava aqui uns etceteras, mas chega.

Note-se que no caso dos novos agrupamentos ainda sem CAP o que este prazo provoca vira-se contra a intenção de através dos muito mega agrupamentos se pouparem horários…

Donde e há falta de melhor argumento o melhor é o Gaspar das finanças meter esta gente na ordem e mandar prolongar o prazo. É certo que pessoalmente me dá jeito, mas a poupança da pátria acima de tudo.

Não mudaram de assessores jurídicos

no Ministério da Educação. Ou então agora o estado é o Crato.

O despacho revogado antes de feito

Acabada de publicar a revogação de uma coisa que sairá em Agosto. No Ministério da Educação não se brinca em serviço; prepara-se o futuro com rigor e perfeição.

Nos próximos dias os professores portugueses vão revogar mentalmente o governo (tirando os adesivos do costume). É que isto de ganhar menos e trabalhar mais, sendo certo que já estamos habituados, tem limites. Quero ver as sondagens, quando isto for percebido, engolido e digerido pelas vítimas.

Para quem está de fora ter uma ideia, soube disto por mail sindical só uma hora depois de circular nos blogues dos zecos. Um fenómeno.

Detalhe via Ricardo Montes.

Honra aos Conselhos Gerais das Escolas de Gaia!

Gaia: DREN acusada de violar lei na agregação de escolas, visada nega

Comunicado Dos Presidentes Dos Conselhos Gerais Das Escolas Agrupadas E Não Agrupadas Do Concelho De Vila Nova de Gaia

A simples ideia de fundir escolas, sempre com intuitos meramente financeiros, é, em si mesma, vergonhosa, contrária à proximidade que a comunidade escolar deve cultivar entre aqueles que a constituem. Como se isso não bastasse, o processo fingidamente democrático imposto pelo Ministério da Educação acrescenta vergonha à vergonha.

O Conselho Geral foi um dos muitos monstros criados por Maria de Lurdes Rodrigues para retirar poder aos professores. Ainda assim, como muitas más ideias, há quem saiba utilizá-lo em defesa da comunidade.

Estão de parabéns os conselhos gerais das escolas de Vila Nova de Gaia, porque souberam transformar-se em instrumentos a favor da Educação. Esta atitude torna ainda mais escandaloso o silêncio cúmplice dos conselhos gerais do resto do país.

Insisto: um dos grande problemas da Educação em Portugal é a abstenção quotidiana. Quando os cidadãos deixarem de se abster, em favor do bem comum, os governos serão obrigados a mudar.