A máquina de fazer vilacondenses (cinco tostões sobre Valter Hugo Mãe)

Rosa Mota referiu-se, na semana que passou, a Rui Rio como “nazizinho”, pela sua acção na CM do Porto.

Entre várias condenações e várias tentativas de escusa, uma das pessoas que veio, imediatamente, a público defender Rosa Mota foi o escritor Valter Hugo Mãe. Escreveu o meu conterrâneo, no Facebook, que a frase da antiga atleta olímpica tinha sido dita num clima de “nervosismo, sem tempo e de forma imediata”, ou qualquer coisa do género.

Como somos conterrâneos e, em Vila do Conde, frequentamos o mesmo espaço cultural (O Pátio), atrevi-me a responder ao virtuoso Valter. Disse-lhe:

“Ainda que tenha sido infeliz, quem viveu no Porto durante a governação de Rio, sabe o que quis dizer Rosa Mota. Mas convenhamos, o Valter apoiou Elisa Ferraz, outra ‘nazizinha’, para a CM de Vila do Conde”. [Read more…]

A máquina de fazer parvos

Ana Cristina Pereira Leonardo

A recente controvérsia a propósito da «linguagem inapropriada» de um livro incluído no Plano Nacional de Leitura, recomendado por professores de Português a alunos do 8º ano, veio recordar a falta que faz a inteligência. Ao escrever inteligência, refiro-me ao médico, pedopsiquiatra, psicanalista e educador João dos Santos, homem cuja sensibilidade, sustentada na firme aliança entre teoria e prática, jamais lhe permitiu abandonar a árvore a troco da floresta. As suas conversas com João Sousa Monteiro, reunidas no livro Se Não Sabe Porque É que Pergunta?, continuam a ser um manancial de sabedoria e encantamento e é nele que vem relatado este pitoresco episódio que versa precisamente sobre vida sexual. [Read more…]

Dos livros, das listas, das crianças

Gustave Doré, ilustração para «O Pequeno Polegar»

Gustave Doré, ilustração para «O Pequeno Polegar»

Continuam, ainda hoje, as variações sobre o livro do Valter Hugo Mãe. Parece que a Comissão de especialistas veio dizer que a selecção da obra foi um lapso. Pior a emenda que o soneto.

Pessoalmente, não sendo admirador da escrita do autor, acho toda esta história caricata. Na verdade, a obra consta de uma lista de centenas de livros de leitura não obrigatória, apenas sugerida, e foi atacada por argumentos surpreendentes, quando se lêem as várias listas propostas.

Pergunto-me mesmo – desculpem-me os “especialistas – se os seus autores leram os livros que recomendam e ainda mais me pergunto sobre que diabo de critérios alinham aquela salada sem sentido. Como declaração de interesses, aqui garanto que não saberia fazer uma tal lista nem, valha a verdade, lhe vejo qualquer valor. Quando muito saberia fazer uma curta lista de obras sem as quais “não sois nada neste mundo”, como no dito popular. Pessoal, claro, mas pela qual saberia responder. [Read more…]