As ex-SCUTs e o jumento

Lembram-se de, há uns bons anos, António Costa ter feito uma acção de campanha sobre o trânsito entre Lisboa e um concelho qualquer dos arredores ao qual era candidato à presidência da autarquia? Lembram-se que o agora autarca de Lisboa levou um jumento a competir com um Ferrari para ver quem chegava mais depressa à capital?

Ora, foi do jumento que lembrei nestes dias de debate sobre as portagens na SCUT. Não para fazer qualquer corrida comparativa mas apenas sobre o paradeiro do bicho. Acho que sei onde anda. E com a ajuda de uns cenários, todos vós irão descobrir também.

jumento

Cenário 1: Um gajo quer chegar ao aeroporto do Porto. A principal via para lá chegar é a A41. E, sim, adivinharam, deixou de ser SCUT ontem, 15 de Outubro. Alternativas: as ruas dentro das localidades entre qualquer ponto e a entrada da aerogare em Vila Nova da Telha; Ou utilizar a VRI, que continua a ser de borla. Ora, um gajo tem de ir a Matosinhos para poder chegar ao aeroporto sem pagar portagens.

Já consigo ver as orelhas e o focinho do jumento.

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Fim das SCUT igual a mais desemprego

José Sócrates foi peremptório na defesa das portagens antes das eleições. Os portugueses ao reelegerem-no, tinham por obrigação de saber isso. Pelo que o fim das SCUT, estava, pois anunciado, e foi aceite pela maioria que votou nas legislativas.

Eu sou contra o fim das SCUT por diversas razões de ordem económica e social, onde releva a falta de alternativas rodoviárias efectivas  na esmagadora maioria dos casos. Mas não irei debruçar-me sobre isso, agora.

Existe algo com que ninguém parece estar preocupado, e até os respectivos sindicatos parecem andar a dormir: a aplicação dos meios tecnológicos de  pagamentos das novas portagens – Via Verde ou o famoso “chip de matrícula” que será obrigatório para todos os veículos – irão, em pouco tempo tornar obsoleta a a manutenção do actual número de portageiros. Ou então acredita-se no Pai Natal, e vai-se crer que depois da vulgarização da Via verde – que já cobre mais de 50% da frota portuguesa – e do denominado “chip de matrícula” obrigatório, os concessionários vão continuar a gastar dinheiro em salários e em custos sociais laborais em portageiros, sem fazer reduções radicais.

Já agora, estou para ver como é que vai ser com os espanhóis, franceses e demais camaradas europeus? Como é que a coisa vai-se resolver com as novas portagens que só podem ser cobradas por meios electrónicos? Apenas um pequeno entrave num país que diz  apostar no turismo, ou então não pagam, e que se lixe a lógica utilizador/pagador.