Beija-me… beija-me… beija-me!


Por Noémia Pinto

Há uns anos largos, muito largos, ainda trabalhava eu no meu primeiro emprego, a empresa entrou em dificuldades económicas. Começaram os salários em atraso, começaram as greves, começaram as interrupções de rua, começaram os discursos dos patrões cheios de promessas, para acalmar os ânimos e para que as pessoas voltassem ao trabalho.
Lembro-me perfeitamente: durante uma dessas pausas para ouvir o patrão falar, uma colega, a Maria Augusta do corte, dizia sempre «beija-me… beija-me… beija-me!» E isto sempre que o patrão abria a boca.
No final do discurso, quando já todos os trabalhadores voltavam aos seus postos de trabalho, perguntei à Maria Augusta por que motivo dizia aquela palavra. A resposta dela deixou-me sem palavras, de sorriso na boca e com uma memória que ainda hoje me assola em momentos de falas enganadoras. Algumas pessoas certamente já saberão, por esta altura, qual a resposta que recebi. Eu nunca a tinha ouvido e fiquei estupefacta com a sua pontaria.
E é isso que hoje me apetece dizer. À Frau Merkel, à sua comitiva de Fraus e Herrs que hoje visitam Portugal, que assim nos espezinham e mostram como nada valemos nesta Europa germanizada. Ao sr. PPC, ao sr. PP, ao sr. Gaspar, ao sr. Relvas, e a todos os outros, que assim se mostram subservientes, lacaios de uma mulher que defende uma ideologia de destruição na qual eu não acredito. Ao sr. Seguro que se limita a falar, mas nada apresenta de positivo. A todos quantos até agora só falam, falam e não dizem nada. Apenas destroem mais este nosso frágil país.
Beija-me… Beija-me… Beija-me!
«É que eu gosto que me beijem quando me estão a foder!»

Faltam 17 dias para a visita do Papa a Portugal

E eu, esquecendo deliberadamente milhões de católicos deste país, associo-me a esse lamentável episódio da história deste charco.

«Tarde de chuva, a península inteira a chorar
Entro numa igreja fria com um círio cintilante
Sentada, imóvel, fumando em frente ao altar
Silhueta, esboço, a esfinge de um anjo fumegante

Há em mim um profano desejo a crescer
Sinto a língua morta e o latim vai mudar
Os santos do altar devem tentar compreender
O que ela faz aqui fumando
Estará a meditar?

Ai, ui, atirem-me água benta
Ajoelho-me, benzo-me, arrependo-me, esconjuro-a
Atirem-me água fria
Por ela assalto a caixa de esmolas
Atirem-me água benta
Com ela eu desço ao inferno de Dante
Atirem-me água fria

Ai, ui, atirem-me água benta
Por parecer latina suponho que o nome dela
É Maria
É casta, eu sei, se é virgem ou não depende
Da nossa fantasia.»

Video Maria, dos GNR, esteve durante muitos anos (não sei se ainda está) na lista de músicas proibidas da Rádio Renascença – Emissora Católica Portuguesa.

Faltam 18 dias para a visita do Papa a Portugal


E eu, via Aventar, não posso deixar de me associar a este brilhante momento da história de Portugal.