Avatar, um filme de cowboys

Habitualmente chego tarde a tudo o que está na moda. Quando já não é novidade para ninguém, quando já é notícia requentada, chego eu. Aconteceu justamente isso com o “Avatar”, de James Cameron, que só agora fui ver.

E fiquei muito surpreendida ao descobrir que, afinal, o “Avatar” é um western. Um western altamente sofisticado, visualmente estonteante, um western no qual os cavalos são pterodáctilos e tudo vem por cima de nós, mas um western.

Daqueles tocados pela veia sensível, em que os índios são seres humanos e os cowboys bons se juntam a eles para derrotar os cowboys maus, e apesar de se saber que os terrenos escondem petróleo, não se viola o cemitério sagrado para os nativos.

Tão western que, no momento mais difícil da batalha, quando tudo parece perdido, eis que irrompe, milagrosamente, a cavalaria, sendo que, neste caso, a cavalaria consiste em criaturas aparentadas com as que existiram no nosso planeta algures no Jurássico. [Read more…]

Natal sem John Ford nem parece Natal

The man who shot Liberty Valance

Tarde de Natal, tédio e rabanadas, sofá e manta. Constipação interminável faz aborrecer qualquer tentativa de leitura. Comando da televisão: Disney e quejandos, Mr. Bean, patinagem artística, bocejo. Subitamente, um milagre. Paramount Pictures, preto e branco: “O Homem Que Matou Liberty Valance”. Mestre John Ford dirige James Stewart e John Wayne. O mau da fita é Lee Marvin.

A história é simples: um pistoleiro sem escrúpulos aterroriza uma cidadezinha do velho Oeste, num tempo em que os rancheiros poderosos tentam impedir que o território se transforme num Estado e assim possa fazer parte da Confederação.

Ser um Estado da Confederação significa cumprir a Constituição e respeitar os direitos que ela institui. O fim da lei da bala.
A democracia é algo de vago e nebuloso, muitos homens nunca votaram, desconhecem esse novo poder. Os poderosos persuadem com pistoleiros contratados, como o famigerado Liberty Valance. [Read more…]