A praxe é singular. Pode acabar.*


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«O que vemos é uma sucessão de humilhações consentidas – ou toleradas por quem, estando fora do seu meio, não tem coragem de dizer que não. A boçalidade atinge níveis abjectos. Os gritos alarves , a exibição de simulações forçadas de atos sexuais, o exercício engraçadinho do poder arbitrário de quem, por uns dias, não conhece qualquer limite. Tudo isso impressiona quem tenha algum amor próprio e respeito pela sua autonomia, liberdade e dignidade. Mas a questão é mais profunda do que a susceptibilidade de cada um. É o que aquilo quer dizer» (Daniel Oliveira, 19/10/2011)

É preciso dizer isto muitas vezes e não é preciso dizer muito mais que isto. A praxe é também, ou sobretudo, a reprodução de hierarquias bacocas e balofas, as mesmas hierarquias que os estudantes, tantas vezes, contestam baixinho nas salas de aula e nos órgãos das universidades. As práticas de praxe configuram rituais de passagem para lugar nenhum ou, pelo menos, não para o lugar que interessa – aquele onde aprender os elementares princípios de cidadania, de liberdade de pensamento e de expressão, de espírito criativo e crítico. Esse lugar a que, a quase todos nós portugueses, ainda nos falta chegar, fruto da história, do ‘jeitinho’, da ‘esperteza saloia’ e, no limite, da cobardia.

Os meus alunos ouvem-me frequentemente criticar a praxe ou o traje académico. Contestam-me, muitas vezes sem ser baixinho (e ainda bem), argumentando a integração, a tradição, o convívio. Eu pergunto(me) com frequência, especialmente nesta época em que o campus da Universidade de Aveiro (como outros, por todo o país) se cobre de negro, de mandões e mandados, de pessoas que são passeadas atadas por uma corda, enroladas em papel higiénico, que se ajoelham, de cabeça no chão, que entoam cânticos com músicas militaristas e letras inqualificáveis, como podem estas práticas estimular a integração, promover o convívio entre as pessoas, apelar à tradição de aprender, de ensinar, de debater, de criticar.

Há uns tempos, depois de uma aula em que mais de metade dos alunos envergavam o traje académico, passei pelo bar do meu departamento. A uma mesa estavam alguns daqueles alunos e outros vestidos de igual modo e discutiam animadamente o ‘baptismo’ dos ‘caloiros’ (oh a importância da dimensão simbólico-alegórica! Oh as grandes referências ideológicas destes estudantes!). Percebi que registavam quem, desses caloiros, tinha ido a todas as ‘sessões’ de praxe (chamemos-lhe assim que, honestamente, não estou, nunca estive, nem estarei para aprender todas as normas e conceitos do regulamento de praxe (regulamento de praxe?)) e, consequentemente, poderia ser ‘baptizado’. Os faltosos a umas quantas dessas ‘sessões de integração’ não podiam receber tal ‘honra’ e ter, assim, padrinhos. Fiquei perplexa. E perguntei a um deles qual era a sensação de reproduzir exactamente aquilo que tanto contestavam (e bem) nessa época – o regime de faltas às aulas. Penso que a minha pergunta não foi bem compreendida. Talvez o significado de reprodução social lhes escapasse como, lamentavelmente e de forma crescente de ano lectivo para ano lectivo, acontece com muitas outras noções. Mas eu fiquei a pensar naquilo. Neles. Nestes estudantes, engravatados, trajados ‘a rigor’ que exercem sobre os outros um poder que ainda não percebi exactamente de onde vem e como lhes é conferido. Uma parte da legitimação desse poder vem das próprias instituições universitárias, outra vem seguramente dos outros, os que acabam de entrar na Universidade e que acatam – sem contestar e sem questionar, por várias razões (é também preciso dizer isto) – as ordens que lhes dão, sejam elas comer palha, mergulhar numa fonte ou simular qualquer ato sexual, para dizer o mínimo. Vem desses outros, que uma vez iniciados nestes rituais arcaicos, hierarquizantes, desiguais e humilhantes, esperam ansiosamente a oportunidade de se cobrirem eles próprios de negro e exercer sobre outros o poder e o prazer cobarde e idiota de humilhar. De ‘integrar’ alguém, como eles dizem, fazendo recurso de conteúdos que os conceitos não contemplam, mesmo numa interpretação muito livre.

Mas liberdade é noção que não cabe na praxe.

Reproduzi-vos, pois, uns aos outros, estudantes universitários nacionais. Reproduzi-vos uns aos outros e aos velhos hábitos da sereníssima e santíssima carneirada até à exaustão e tudo continuará na mesma.
Não deve ser à toa que, ao mesmo tempo, que as práticas de praxe se ampliam e se multiplicam, parece diminuir a capacidade de intervenção social e política dos estudantes. Integrar pessoas devia ser muito mais (e não devia sequer ser isto) que promover práticas indignas e humilhantes. O caricato (ou não, atendendo ao exposto) é que os próprios humilhados gostam de assim ser ‘integrados’ e as próprias instituições integram, sem questionar e, muitas vezes, sem propor alternativas de integração dos novos alunos, estes rituais de ‘integração’. Isto deve querer dizer alguma coisa a respeito do que vamos sendo (ou não sendo) como povo. Mas isto já disse o Daniel Oliveira em 2011. Destes gestos simbólicos (mas que se materializam). Desta iniciação numa «longa carreira de cobardia» e na «indignidade quotidiana» que se lhe seguirá em todos os contextos onde, em vez de cidadãos, serão subservientes e servos. Portuguesinhos, pois.

*A praxe é uma aventura

Comments

  1. coimbrão diz:

    A praxe finou-se com o luto académico em 1969. Um bando de alarves e energúmenos conseguiram ressuscitar essa prática criminosa e imbecil, própria de invertebrados. Impõe-se, pois, pelas suas práticas vexatórias e delituosas que seja, sem mais, proibida. É lamentável que as instituições do conhecimento promovam e até subsidiem este entretenimento de cariz pré-histórico, atentatório da dignidade humana.As imagens são demasiadamente sugestivas…E são eles estudantes universitários!!!!

    • muitos ou a grande maioria ainda não são pai e ainda bem pois , a imaturidade de princípios morais ainda deixa a desejar e no futuro muitos filhos destes chegaram a universidades lembraram das fotos dos pais no praxe e faram igual ou pior pois é comum pelo o exemplo dos pais , reflexão sobre o respeito deve ser mutuo , pois quebrar os costumes arcaicos de quem já chegou em algum tipo de poder a humilhar o teu semelhante que está querendo decolar em alguma direção de progresso pessoal diante da sociedade é divulgar sempre que possível a cara dele diante da opinião publica !

  2. António Correia diz:

    Não podia estar mais de acordo, Parabens.

  3. Mais um belo postal da Elisabete.
    “Não deve ser à toa…” explica uma boa parte do país que vamos tendo!

  4. subscrevo quase tudo, coimbrão.

  5. obrigada António

  6. motta, pois,de certa maneira isto é um postalzito, eu só sei escrever postais :)

  7. Maquiavel diz:

    Qual é a sanha contra o traje académico? Alguém mo pode explicar?
    O meu enverguei-o com muito orgulho, pagou-mo a minha querida avó, que finalmente teve a satisfaçäo de ver um descendente no Ensino Superior.

    Ah, pois, é que eu venho de uma família de trabalhadores, em que embora se quisesse estudar porque haviam notas de escola, como näo haviam notas do banco só chegando à minha geraçäo é que pôde haver alguém na Universidade.

    E sim, estudei na Universidade Pública.

    • O que tem exactamente a ver o “orgulho por estudar na universidade” e o “orgulho de envergar o traje académico”? Não sei se sabes, mas é possível ser estudante sem fazer parte da praxe. Acho que a tua avó pode ficar muito satisfeita pelos teus feitos “académicos” (= Estudos), mas se apenas ficou satisfeita por usares uma capa preta que nada tem a ver com estudo mas sim práticas obsoletas de humilhação e falso poder…então tenho pena de ti. (PS. Tens de “mo” explicar esse teu português. Foi isso que aprendeste nos tempos livres da praxe? aqueles poucos momentos em que ias às aulas… )

      • Maquiavel diz:

        Ora bem, “mo” é contracção de “me” e “o”.
        Não sabia? Tivesse mais atenção nas aulas de Línqua Portuguesa.

        A minha avó ficou satisfeita por me ver na Universidade, do qual o traje académico é um símbolo.
        Não entendeu? Aprenda a entender o que lê ou, antes de tudo, a ler o que está escrito.

        Não escrevi em lado nenhum que fiz parte de praxes. Aliás, 90% dos meus colegas compraram o traje académico só para a Bênção das Fitas.
        Portanto, além de não saber Português, não entende o que lê, e entende o que não lê. O Xico é mais uma caso de analfabetismo funcional, essa praga que grassa em Portugal…

    • Realmente a Gramática Portuguesa não é o teu forte e o traje académico não interessa nada, só há relativamente poucos anos se começou a banalizar, pois só o havia em Coimbra; depois os meninos passaram a achar que não se conseguia ter um “canudo” sem ter uma capa e uma batina.
      SOU ABSOLUTAMENTE CONTRA A PRAXE.
      Tenho 5 netos (3 já formados, 1 no 1º ano e outro neste momento a fazer Erasmus no Vietname) e nenhum usou traje académico (não há dinheiro para palhaçadas). Para grande alegria dos Pais e Avó nunca chumbaram! Isto sim é para se orgulharem!

      • Maquiavel diz:

        Que bom para si. Quer uma medalha?

        Não sabia que os trajes estavam assim tão caros. Com uma reforma bem pequena a minha avó já pagou 4, este ano pagará o 5.o ao neto que se anda a divertir à brava a ser praxado na Univ. do Algarve, e se tudo correr bem daqui a uns anos pagará o 6.o, que ela faz questão disso!
        É que a minha avó é uma mulher rija que nos ensinou a gerir orçamentos familiares parcos de modo a parecer muito, e a fazer esforços pelos filhos e netos. Por isso é o orgulho de toda a família, e respeitamos tudo o que ela pede!

    • Maquiavel
      eu também venho de uma família de trabalhadores. Acho que fui a primeira pessoa licenciada na minha família alargada e fui a primeira (e única até ver, espero que não a última) pessoa doutorada na minha família. Sempre, desde a primária até ao doutoramento estudei em escolas públicas. Ensino numa universidade pública há 23 anos (recentemente passou a fundação pública de direito privado, mas continua a ser uma universidade pública, evidentemente)… Temos contextos familiares e backgrounds socioeconómicos idênticos e pensamos de maneira muito diferente….e a mim nunca ninguém na minha família me pediu que parecesse o que quer que fosse. Mas que fosse sempre o que era. Nunca ninguém me pediu que usasse traje, que fosse abençoada, essas coisas. De qualquer modo e como lá em casa não éramos (nem somos) ricos, sempre teria preferido (mesmo que alguém fizesse gosto em me oferecer o traje) gastar o dinheiro que aquilo custa noutra coisa qualquer. em livros. ou em viagens. O posto não teve como intenção (e confesso-me surpreendida com tanta ‘agitação’) defender o fim da praxe ou do traje, apenas expressar um ponto de vista, sobre a praxe particularmente, que é o meu desde que me conheço como universitária (primeiro como estudante, agora como professora). Evidentemente cada um continuará a fazer o que bem entender e a ser o que bem entender e também a parecer o que bem entender.

      • Maquiavel diz:

        Cara Elisabete, temos contextos familiares e backgrounds socioeconómicos idênticos e se calhar até pensamos de maneira muito parecida. Mas näo igual!

        Eu era täo anti-praxe e täo tradiçöes académicas que nunca quis traje. Mas o traje era uma coisa que “dava ilusäo” à minha avó (que por acaso sempre foi bem progressista, deve ser das poucas coisas em que ela é tradicionalista), e só mesmo por isso anuí ao pedido.
        Pois, eu também preferiria gastar o dinheiro que aquilo custa noutra coisa qualquer. Mas o dinheiro era dela, ganho com o seu suor, e também o traje näo custou assim tanto que desse para algo mais, enfim, sumarento.
        E pronto, mais nada.

        A minha pergunta punha-se, apenas e só, com o ênfase metido especialmente nos comentário contra o traje académico, como se fosse uma capa mágica que transforma gente normal em psicopatas… como perguntei directamente ao presidente da AE ISCTE na altura, ele sim, todo extrema-esquerda com penteado e barba a emular Che Guevara, como se fosse isso a defini-lo, e näo o que ele dizia e fazia.

        Acaso este pessoal näo sabe que “o hábito näo faz o monge”???

  8. E de facto uma pratica decadente possivelmente marcante, nunca deixarei que isso aconteça aos meus filhos, a humilhação não serve de construção, mas sim de destruição.

  9. Portuguesinha diz:

    Minha Cara, convido-a a voltar à sua vida académica e a integrar o mundo praxístico antes de se ridicularizar a este ponto postando um texto alarde como este. Talvez o que a incomode é que a praxe não se incomode consigo como a senhora se incomoda com a praxe. Há toda uma dinâmica dolorosa em amores não correspondidos. Deixo-a na sua ilusão de responsabilidade social mas relembro-a que os troianos perderam a cidade porque julgaram o cavalo pelo que viam de fora. Passe bem.

    • Carlos Afonso diz:

      Este post da Portuguesinha revela bem a imbecilidade que a faz defender a praxe. Preocupou-se tanto com ela que não conseguiu aprender minimamente a Lingua Portuguesa, e então escreve “um texto alarde como este”. Para alarve, basta a Portuguesinha!

    • Prova de que a praxe se incomoda com a opinião pública é a sua resposta e o facto de vários amigos meus “praxistas” (lol) partilharem este artigo no facebook, mais do que indignados. Existem coisas melhores e mais relevantes na universidade. Eu saí da praxe quando me apercebi que não precisava de lá estar para fazer amigos e ser popular.

    • Portuguesinha
      eu desde os 18 anos que estou na vida académica. tenho 46. Mas claro que temos conceções radicalmente diversas do que é a ‘vida académica’. Enquanto estudante passei a minha vida académica a socializar com os meus colegas (nenhum de nós praxou ninguém ou foi praxado), a estudar e a beber copos e a fazer muitas outras coisas. Agora continuo a estudar, a aprender e a ensinar. Ainda bebo copos, algumas vezes até com os meus alunos (veja bem). Ainda faço muitas outras coisas. Para nenhuma delas fui praxada ou praxei ninguém.
      Ridicularizar-me por expressar uma opinião ‘alarde’ (alarde? terá talvez querido dizer ‘alarve’), não me parece que o tenha feito.
      A mim incomodam-me imensas coisas na praxe e na vida mas confesso que me incomoda muito, além dessas coisas, que um estudante universitário desconheça o significado de palavras corriqueiras.
      Lamentavelmente (para mim) não vejo a praxe tão de fora como gostaria, ou a tanta distância como a que gostaria. Vejo-a no sítio onde trabalho todos os dias. E todos os dias lamento aquele espetáculo. E sim, costumo passar muito bem habitualmente. Muito obrigada.

    • Coimbra E Anti-Praxe E Com Orgulho!! diz:

      O «Doutor» de Coimbra mente com quantos dentes tem e faria melhor em investigar a História da sua própria Universidade (meu caro, as pseudoregras como as do toque da cabra e de tudo ser pacífico existiriam bem num mundo de unicórnios, mas não existem nem em Coimbra… já no século XIX provocavam mortes e incêndios na cidade, vá estudar), incluindo personalidades contra a Praxe desde o século XIX, períodos em que ela esteve suspensa e porquê (!!!). Além de NÃO desvalorizar agressões a colegas seus.
      Uma ex-aluna da Fac. de Psicologia de Coimbra

      • Coimbra E Anti-Praxe E Com Orgulho!! diz:

        Mais: a Praxe é sexista mas não disse tudo… já que se esqueceu também dos vários casos de violação a ela associados, que são bem conhecidos na cidade. Claramente, as regras da separação de sexos foram quebradas pelo menos nesses casos!! E é mentira: eu pp. assisti muitas vezes a Praxes mistas. Mais: mulheres nunca entraram sequer em Praxes (a sua tradição de merda) até meados da década de 50 do século XX, apesar de há muito estudarem em Coimbra e poderem até viver em Repúblicas desde os anos ’20. Seja honesto. Mais: esqueceu-se da posição da maioria das Repúblicas em relação a isto e seria interessante. Ou das fricções graves entre Conselho de Veteranos e Conselho de Repúblicas. Vá passear. Com um livro de História.

  10. ando na Universidade, no último ano da licenciatura. quero deixar bem claro que o traje não é praxístico, mas sim académico: qualquer estudante pode usá-lo por ser estudante, não por pertencer a qualquer praxe.
    queria ainda dizer que existem alternativas à praxe: no meu curso foi criada uma alternativa, da qual faço parte. o nosso grupo académico tem, sim, o objetivo de integrar alunos do primeiro ano no mundo académico. não há qualquer falta de respeito, “abuso de poder” (mas que poder temos nós uns sobre os outros?), ou abuso físico e psicológico. Fazemos jogos, atividades no exterior, almoços e jantares, saídas e reuniões. Reunimo-nos, normalmente, uma vez por semana. fazemos o batismo, temos padrinhos, vamos às serenatas e ao cortejo. e tudo tem muito significado para nós. não gosto de nos comparar à praxe. não temos nada a ver com eles! temos os nossos valores e princípios. sem faltar ao respeito a ninguém.
    subscrevo tudo que disse. o grande problema é que não são só os alunos os responsáveis por estes atos. há praxes totalmente horrendas, com atividade como atirar pedras ou calcar mãos.
    é uma cobardia.

  11. Rui Sancho diz:

    Adoro o quanto a nova esquerda é igual á extrema direita. Tudo aquilo com que não concordam ou não entendem deve ser destruído. Isso, caros amigos, é autoritarismo, preconceito e ódio derivado da ignorância.
    Sou estudante em Coimbra já há alguns anos. Praxei e fui praxado. Nos últimos tempos tomei a decisão de deixar isso para os mais novos, no entanto, o meu amor pela academia, pela convivência e pela transmissão do espírito académico faz com que mantenha uma postura atenta. Deixem-me agora elucidar-vos, espíritos obscuros.

    Em primeiro lugar, o Traje Académico. Ou como se diz em Coimbra, a Capa e a Batina. É curioso o quão a sua história já foi deturpada por anarquistas fanáticos, extremistas quer de um lado quer de outro, enfim, cabeças aos quais a erva já fritou uns poucos neurónios e deturpam completamente o conceito de liberdade, para além de simplesmente desconhecerem o termo “responsabilidade”. O traje académico é um símbolo de igualdade! A “uniformização” que mentes doentes alegam tem até um fundo de verdade: chamem-lhe formatação, chamem-lhe carneirismo, chamem-lhe o que quiserem. Eu chamo-lhe união. União em torno de um ideal. Ideal esse que levou Alberto Martins a pedir a palavra em 69.
    Seja como for, e para evitar mais controvérsias deixo aqui um ponto assente: A Capa e Batina pode ser usada por qualquer estudante. Quer ele seja a favor da praxe ou não. As regras que a praxe impõe sobre o traje académico são para ser seguidas em actos da praxe, e simbolizam o respeito pela história e tradição Coimbrã. Se me perguntarem se um caloiro pode usar o Traje eu respondo que sim. Aliás é comum até certo ponto, nas condições certas.

    Agora a praxe propriamente dita. Tenho de mostrar a minha surpresa. É comum ver textos anti-praxe espalhados pela blogosfera, assinados por um qualquer “fazedor de opinião”. Continua-me a fazer confusão ver professores universitários a fazê-lo. Pela minha experiência, professores universitários estão um nível acima do comum mortal. São de uma agilidade mental e uma sapiência capaz de desarmar o típico cidadão numa questão de segundos. Normalmente isso acontece porque são especialistas na área. Ora aqui não é o caso. A autora demonstra profundo desconhecimento sobre as práticas da praxe, apresenta-a como se fosse o papão e a raiz de todos os males do país.
    Não sendo um especialista no tema, tenho conhecimentos necessários para dar alguma luz sobre o assunto. O meu e-mail será tornado público, por isso disponho-me desde já para responder a qualquer duvida que surja. Porque essa é a abertura que qualquer praxísta consciente tem.

    Algumas considerações gerais sobre a praxe: A praxe é opcional. O novo estudante pode optar por se declarar anti-praxe. Depois, a praxe tem regras. A título de exemplo, praxes de teor sexual são explicitamente proibidas pelo Código da praxe de Coimbra. Por ultimo, a hierarquia existe exactamente para cobrir as lacunas do código e controlar as mentes mais rebeldes. Os mais velhos têm a responsabilidade de controlar os impulsos normais que advém da “autoridade”. Convém ainda deixar claro que a praxe é consentida e que nenhum caloiro é obrigado a fazer nada. Não ignoro que existe pressão social nesse sentido, mas convém que também se tenha presente que por cada “doutor” que manda, existem outros que fiscalizam.
    Como é óbvio, o sistema não é perfeito. Existem transgressões e abusos. Esses casos no entanto não derivam da praxe. A praxe não permite nem incita á violência, ao bullying, ou á perversão sexual. Esses elementos advém da educação de cada um e estão presentes na sociedade independentemente das nossas vontades.

    • Doutor*, ouso solicitar-lhe, que ilumine alguns recantos de obscuridade mais renitentes que resistem ainda ao brilhantismo das suas elucidações. Você diz que “a praxe é opcional”… que “O novo estudante pode optar por se declarar anti-praxe” …reforça ainda que “Convém ainda deixar claro que a praxe é consentida e que nenhum caloiro é obrigado a fazer nada.” poderia então o Doutor explicar a noticia publicado no JN em 2012-03-31 e que se reporta a fatos ocorridos precisamente em Coimbra com duas alunas de Psicologia:

      “Segundo apurámos, o caso ocorreu na madrugada de quinta-feira da passada semana. As alunas terão passado pelo local onde decorria a praxe e recusaram participar nela por ser tarde.

      O “doutor da praxe” – título dado a todos os estudantes universitários com duas ou mais matrículas – não aceitou a recusa e terá obrigado as colegas a assinar um documento de recusa na participação. Dessa forma, as alunas seriam excluídas da possibilidade de participarem em atividades académicas nos próximos anos.

      Como se tivessem recusado a fazê-lo, o “doutor” terá desferido bofetadas e cabeçadas nas jovens, de acordo com o testemunho ao JN de alunos que solicitaram o anonimato de forma a evitar futuras retaliações.”

      * Trata-o por Doutor partindo do pressuposto que possui duas ou mais matriculas.

      • Rui Sancho diz:

        Com todo o gosto.

        Estou perfeitamente ao corrente do que se passou nessa altura. Posso inclusivamente dizer que as informações passadas na reportagem estão erradas, qualquer um que saiba meia dúzia de regras da praxe consegue apontar outras tantas falhas na peça. Comecemos.

        A praxe tem horários. Está compreendida entre a primeira e a ultima badalada da “Cabra”. Logo tais actividades que pudessem estar a passar-se há hora da ocorrência seriam tudo menos praxe.

        A praxe é sexista. Ou seja, homens praxam homens e mulheres praxam mulheres.

        A passagem do “recibo” está ligada a outro tipo de actividades: As trupes. E não tem nada a ver com a situação aqui descrita.

        Ora bem, como me pediu de forma tão educada, eu ilumino-lhe o caminho e digo-lhe exactamente o que aconteceu nessa noite.

        O que aconteceu nessa noite foi que dois indivíduos indignos de envergarem a Capa e Batina, provavelmente já com uns copos a mais, viram duas “caloiras” jeitosas a passar e ficaram com ideias menos puras, certamente. Provavelmente querendo aproveitar-se da ignorância normal de quem acabou de chegar “convidaram-nas” para um acto de praxe (que obviamente nunca existiu). As caloiras, bem ensinadas defenderam-se, esgrimindo os argumentos que eu dei acima, neste mesmo texto. Os “doutores” não gostaram da nega e partiram para a violência.

        Vou-lhe contar agora o resto da história, caro amigo, aquela que não vem nos jornais.

        As raparigas fizeram queixa na judiciária e no Conselho de Veteranos, o órgão máximo da Praxe em Coimbra. As consequências foram imediatas. A praxe foi suspensa por tempo indefinido e a própria Festa das Latas ou Latada, como quiser, esteve em risco de não se realizar. Pior que isso foi o movimento social que se formou em Coimbra por essa altura. Nas redes sociais haviam grupos com mais de 3000 pessoas com um único objectivo: descobrir quem tinha desonrado a Capa e Batina de tal forma. Devem ter sido dias de terror para os criminosos. Felizmente para eles, o Conselho de Veteranos e a Judiciária protegeram a sua identidade, para evitar linchamento público. Não me lembro das sanções aplicadas, mas algo me diz que os ditos cujos nunca mais envergarão a Capa e a Batina.

        Aqui tem RX, espero ter estado dentro das expectativas.

        Saudações Académicas.

        • Obrigado pelos esclarecimentos.

          Tratavam-se então de indivíduos trajados, alcoolizados, dominados por maus instintos e violentos que diziam agir (indevidamente segundo elucida) em nome da praxe…

          Mas, se mesmo em Coimbra se torna por vezes difícil distinguir entre doutores e “doutores” como se viu neste caso (e haveria outros, como aquele aluno a quem cortaram o escroto num tribunal da praxe… está ao corrente Doutor?) noutros lados a distinção parece ser ainda mais difícil. Recordamo-nos assim de repente de queixas de extorsão, tortura e infelizmente até de mortes…

          Claro que os jornais só reproduzem as situações que fogem á normalidade, e nem é disso que parece tratar o post, mas sobre a normalidade que não chega a ser noticia. Ou será “normalidade” ?

          • Rui Sancho diz:

            RX, vou tentar explicar-lhe da forma mais simples possível. Os comportamentos delinquentes e inconscientes são os mesmos quer estejamos ou não em praxe. A praxe não é o papão, a praxe não forma delinquentes. Quando lá chegam , já o aprenderam a ser nalgum lado.

          • Tanta mentira junta, Rui Sancho. Alguma pode ser ignorância de puto (não, não me refiro à descategoria praxista), outras nem por isso. E nem a propósito tem aqui um texto do meu amigo Hugo Ferreira:
            http://aventar.eu/2013/09/22/ha-sempre-alguem-que-resiste-ha-sempre-alguem-que-diz-nao/
            Ou as coisas como elas são. Voluntária a praxe? pode vestir a farda quem quiser? tretas.

          • Rui Sancho diz:

            Deixe-me dizer-lhe uma coisa João. Eu estava lá no dia em que essa foto foi tirada e conheço pessoalmente a maior parte das pessoas da foto. Eu não entrei muito depois do Hugo. Quer que lhe diga uma coisa? Balelas. Cada um acredita no que quer, mas lhe garanto que a mim nunca me disseram tais alarvidades. Muito menos na Faculdade de Direito.

    • O texto não sugere que se acabe ou se proíba a praxe. por mim podia acabar amanhã, mas obviamente que não sugeri ou sugerirei que exista legislação que proíba a praxe. Para as situações abusivas, para as mortes, as violações, os ferimentos de maior ou menor gravidade que acontecem de vez em quando no contexto do ‘salutar convívio académico que a praxe proporciona’, existe o código penal. Para as humilhações e as indignidades existe o que cada um espera de si próprio e é como pessoa e cidadão. Não confunda o expressar uma opinião e tomar uma posição relativamente a um assunto com querer instaurar uma qualquer proibição.

      • Rui Sancho diz:

        Doutora, creio que existe aqui alguma confusão. Nem a Doutora nem eu falámos em momento algum de legislação proibitiva. O meu comentário teve como único objectivo criticar a sua postura perante uma realidade que desconhece. A Doutora não será de todo ignorante do que é a Praxe, mas vê de fora. Só vê as alarvidades, os cânticos obscenos, etc etc. Resumindo, vê a ponta do iceberg. A minha presença neste espaço (devo dizer que foi completamente acidental) tem como única justificação o meu entendimento do que é a Praxe e de tudo o que de bom ela trás.
        O segredo para entender a praxe está precisamente no saber distinguir o que é a praxe do que não o é. Para quem está de fora, parece que a praxe é uma enorme redoma invisível, dentro da qual as transgressões de que fala são aceitáveis. Não é nada disto! A praxe é constituída de pessoas perfeitamente normais e tão distintas como a Doutora e eu! Não é um universo de violadores e assassinos engravatados em liberdade, irra!

        Entristece-me de certo modo que uma eterna estudante, na verdadeira acepção da expressão, não só emita opinião sobre um assunto que ignora, como um qualquer treinador de sofá que atrás da televisão vocifera uma opção táctica a ver se o Mourinho ouve, como ainda professe com aparente orgulho que não sabe nem quer saber.

        • mas onde é que no meu texto que se trata de um universo de violadores& etc? Não vejo isso em lado nenhum, no post. Vejo outras coisas que me levam a repudiar a praxe.

          • Rui Sancho diz:

            “Para as situações abusivas, para as mortes, as violações, os ferimentos de maior ou menor gravidade que acontecem de vez em quando no contexto do ‘salutar convívio académico que a praxe proporciona’, existe o código penal.”

            Desculpe lá mas se não é essa a ideia que quer fazer passar então parece.

            Seja como for, já percebi que estou para aqui a pregar aos peixes. Sejam todos muito felizes nesses vossos ódios então.

          • como não consigo responde-lhe ali em resposta à sua resposta seguinte… respondo aqui, em resposta à minha própria resposta. Leia de novo o post, por favor. Em nenhum momento está lá escrito que eu acho que o universo da praxe é constituído por assassinos, violadores e outros criminosos. Nem está espelhado qualquer ódio. Todas essas interpretações que faz serão convenientes, mas não são – evidentemente – verdadeiras para quem leu o post. Este é tão somente uma tomada de posição sobre um assunto que me é familiar. E mesmo que não fosse, é uma tomada de posição. Não evidencia ódio, apenas repúdio. Não é a mesma coisa. Acho eu.

    • Tiago V diz:

      Gostei de ler o artigo e tenho gostado de ler os diversos comentários, a favor e contra a praxe. Conheço alguns relatos de pessoas que dizem não ter sido humilhados durante as praxes mas, na generalidade dos casos, nao foi assim.

      Quando ingressei pela primeira vez no ensino superior, no ISCAP, resolvi experimentar o primeiro dia de praxe. Aguentei das 8:00 às 11:45 os insultos, as ordens que nos causavam desconforto e dor física, a falta de sentido daquilo tudo… depois optei por desobedecer à ordem de olhar para o chão, porque os caloiros não podem olhar os “doutores” nos olhos.

      Fui mandado embora tendo-me sido solicitado a meio do caminho que falasse primeiro com o colher-de-pau. Devo dizer que me pareceu um rapaz simpático. Tirou a capa do traje para criar um ambiente mais informal para a conversa e mostrou disponibilidade para falar comigo, preocupado com as consequências da minha decisão, que me explicou: permaneceria para sempre no fundo da hierarquia académica, não poderia envergar o traje e seria impedido de participar nas actividades da vida académica.

      A minha decisão manteve-se e eu vim-me embora. Aceitei que seriam aquelas as consequências. Estive pouco tempo mais naquela escola. Não sei se este episódio foi ou não determinante para que isso acontecesse porque a verdade é que me faltava maturidade e fui para o Ensino Superior com demasiadas incertezas… mas pelo menos estou certo de que a praxe (ou aquela praxe) não me favoreceu em nada.

      Não sei como é a praxe em Coimbra mas no Porto, pelo vejo e ouço, penso que está mais próxima do que descrevi.

    • Carlos Afonso diz:

      “Derivado da ignorância” só diz foleirices. Não sabe que ser sintético é uma demonstração de inteligência. Então, escreve quase uma bíblia para dizer…nada. Aqui o Sancho só sabe falar em “derivado”. Deve ter a ver com o petróleo. Chumbou e foi trabalhar para a Petrogal!

  12. ainda bem que eu nunca frequentei nenhuma universidade portuguesa onde se praticam esses actos abominaveis ao qual dão o nome de praxes, embora eu tenha mais ou menos a noção de que isso se passa em outras partes do Globo terrestre, mas acho que se alguma vez um estafermo desses me tenta-se fazer algo nesse genero arriscar-se-ia a levar um tiro pelos cornos

    • Rui Sancho diz:

      A típica resposta de quem não sabe do que fala.

      • Carlos Afonso diz:

        Só tu é que sabes, ó Sancho! Derivado….

        • Rui Sancho diz:

          Pois sei. Estou lá. Vejo e partiçipo. posso falar. E tu, oh Afonso? Sabes?

          • É mais que óbvio que esta pessoa sabe muito sobre as praxes como ele disse ja anda a alguns anos na universidade. O que só me indica, gosta tanto que nem quer sair de lá :D

          • Rui Sancho diz:

            É um bocado isso. Aquilo é como diz o ditado, quanto mais me bates mais eu gosto de ti! Mas está quase, obrigado!

          • Carlos Afonso diz:

            Ó Sancho. Essa de escreveres “participo” com cedilha, é a cereja em cima do bolo. Praxa mais que acabas a puxar uma carroça…

          • Rui Sancho diz:

            Fazemos assim, o senhor dá-me uma lição de ortografia, já que é tão obcecado por ela, e eu dou-lhe uma lição de respeito e boas maneiras. Temos negócio?

      • Coimbra E Anti-Praxe E Com Orgulho!! diz:

        Caro Rui Sancho: não sei se sabe, mas uma vez um estudante em Coimbra a quem cortaram o cabelo e muito mais por certo fizeram, matou quem o praxou. Passe bem e sonhe com trupes.

  13. Mas já há Universidade em aveiro?

  14. Quantos são os pais que só Deus sabes o sacrifiçio que fazem para trazer os filhos na universidade, quando no meio de tudo anda por lá uma corga que nem o que é dignidade sabem e mais nem digo, mas julgam-se os maiores……

  15. Eduardo diz:

    A julgar pelo teor deste artigo, o título do blogue contém um erro de ortografia: “INventar” não se escreve com “a”.

    Lamentavelmente, muitos dos que se dizem “praxistas” começam logo por cometer o mesmo erro que a autora do artigo: reduzir a noção de “Praxe” às “brincadeiras” (muitas de péssimo gosto) que se fazem no âmbito da recepção ao caloiro. Chamar a isto “praxe” ou “praxes” é um erro de perspectiva tão grosseiro como o de chamar “s. joão” às fogueiras – ou dizer que o S. João incentiva à piromania porque nesse dia as pessoas fazem fogueiras.

    Serenata é praxe. Cartolas, bengalas e fitas de cores codificadas de acordo com cada curso é praxe. Fazer um peditório público e entregar o produto a uma obra de assistência social é praxe. Tantos outros aspectos são praxe.

    Há exageros? Claro. Há muita burrice e boçalidade à mistura? Certamente. O nível de submissão dos “caloiros” a pretensos “doutores” raia o absurdo? Concordo.

    Mas não se deve tomar a nuvem por Juno.

    O facto de os aspectos que mencionei (e porventura mais simpáticos ou menos chocantes) serem praxe não ilude os atentados aos direitos humanos que tantas vezes se cometem com o nome de praxe e à sombra dela. Inversamente, o contrário não pode ser verdadeiro: isto é, reduzir a praxe aos absurdos que vemos (com grande pena minha) na altura da recepção ao caloiro.

    É o mesmo que dizer que o Marxismo-Leninismo consiste na existência de campos de concentração na Sibéria.

    Acharia aceitável do ponto de vista científico, Senhora Doutora?

    Eu sei a resposta, e V. Ex.ª também. Opinar sobre o que se não conhece nem expressamente se quer conhecer – foi V. Ex.ª quem o disse no seu artigo – nunca é boa ideia. No entanto, é quase sempre um expediente fácil de capitalização de simpatias. Infelizmente, é uma postura intelectual pouco condizente com a condição de professora e investigadora universitária. Na cadeira que V. Ex.ª rege, daria reprovação certa.

    Será melhor voltar cá para o ano com a matéria mais bem sabida…

    Cordiais cumprimentos.

    • Está enganado. Não reduzo a praxe apenas a estas questões. Conheço as outras dimensões e penso, aproximadamente, o mesmo que escrevi a respeito destas. Não sou investigadora na área dos ‘rituais académicos’ (ou outros) e considero que como cidadã posso ter opiniões sobre assuntos acerca dos quais não investigo. É o caso.

      • Quem sou eu para querer retirar direitos seja a quem for? Para desrespeitar a Constituição já temos Governo que chegue.

        Já se tinha percebido que não é investigadora desta área. Qualquer manual de filosofia do 10.º ano ensina que de uma premissa errada não se pode extrair uma conclusão verdadeira.

        Opinar sobre o que se desconhece é um direito, assistindo aos restantes cidadãos o direito de opinarem sobre “algo” que desconhecem – neste caso, opinar sobre V. Ex.ª e o conhecimento que diz ter.

        Tal como eu posso estar errado opinando sobre V. Ex.ª, a probabilidade de V. Ex.ª estar errada sobre este assunto é igualmente elevada.

        Cordiais cumprimentos.

    • Pois… há muita falta de bom Português, especialmente gramática, por ex: os “à” substituídos por “há” do verbo haver! Não são lições de Caligrafia (caligrafia é a forma da letra) que grande parte precisa mas sim de não assassinar a LÍNGUA PORTUGUESA!

  16. Deixo uma pergunta que considero pertinente a quem escreveu estes textos e comentários: alguma vez viveram a praxe? Acredito que não, pois se algum de vocês o tivesse feito não escrevia tais barbaridades. Outro ponto que me deixa confusa é este: como é que alguém pode falar de algo que não conhece?

    • Viva Rafaela
      não sei em que país vive, não deve ser no mesmo em que vivo eu. É que em Portugal isso é muito comum: escrever-se e falar-se sobre o que não se conhece. Mas eu conheço a praxe o suficiente para a repudiar.

      • Elisabete eu conheço a praxe, aliás estou em praxe desde o inicio da minha vida académica, e como em qualquer outro lugar como no trabalho, na sala de aula, seja onde for existem pessoas sem carácter e sem personalidade. Tanto por mandar fazer como por fazer tudo o que lhes mandam. A praxe não magoa ninguém, apoia. A praxe não humilha ninguém. diverte! Eu sempre fui respeitada em praxe quer em caloira quer quando enverguei o negro até hoje posso dizer que é dos sítios onde estive que mais respeito existe.

        • Carlos Afonso diz:

          Nota-se que há aqui uma dose anormal de masoquismo. Mas…vem nos livros. Há que lidar com ele…

  17. Coimbrão2 diz:

    CÓDIGO
    DA
    PRAXE ACADÉMICA PRAXE ACADÉMICA
    DA
    UNIVERSIDADE DE COIMBRA

    SECÇÃO I
    TITULO I
    Da noção da praxe
    Artigo 1º
    PRAXE ACADÉMICA é o conjunto de usos e costumes tradicionalmente existentes entre os estudantes da Universidade de
    Coimbra e os que forem decretados pelo Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra.

    (Caros leitores, aqui muitos de vós obterão respostas). Permitam que vos diga que é com consideração e muita atenção, que leio o que aqui escrevem, mas permitam que discorde das mais diversas barbaridades que, por aqui, tive oportunidade de ler. A Universidade de Coimbra tem ,hoje em dia, 723 anos de História e a praxe, para quem não sabe, existe desde o tempo do nosso Rei Dom Dinis e, curiosamente, era bem mais severa. Na altura, o caloiro chegava a ser agredido e até mesmo cuspido. Para os menos informados convido-os a vir até Coimbra e tudo isto ser-vos-á contado com todo o pormenor.
    Alguns séculos depois, por Coimbra passaram escritores e pensadores como Eça de Queiróz, Antero de Quental, José Afonso, Luiz Goes (fadista), entre outros, e todos eles escreveram, cantaram e relembraram Coimbra com muito carinho. Como já foi falado e explicado no final da década de 60, Coimbra sofreu um interregno no que toca aos costumes académicos, mas em 1980 tudo volta e em grande força. É precisamente na década de 80 que Universidades como as de Lisboa, Porto e muitas outras a nível nacional, fazem uma adaptação, que na minha opinião é uma cópia completa, da tradição de Coimbra. O que muita gente se esquece é que o que chegou a estas Universidades foi apenas uma mera porção do historial académico coimbrão, nomeadamente a dura praxe. Praxe esta, à qual muitos aqui se referem como sendo uma “sucessão de humilhações consentidas”, “Os gritos alarves , a exibição de simulações forçadas de atos sexuais, o exercício engraçadinho do poder arbitrário de quem, por uns dias, não conhece qualquer limite.”
    Desta forma compreendo inteiramente o teor destes comentários relativos ás praxes académicas a nível nacional , mas também é com muito orgulho que digo que sou Estudante de Coimbra e nunca na minha vida académica fui humilhado ou levado a qualquer extremo que colocasse em risco a minha integridade física. A minha praxe era e é ouvir e cantar o Fado de Coimbra, beber o traçadinho, a ginga, o moscatel, a jeropiga, é vestir CAPA E BATINA com muito orgulho, passeando pelas tascas da baixa coimbrã, ser activo, combatendo o aumento consecutivo das propinas na minha Universidade. Digo também que não faz mal a ninguém um pouco de Dura Praxe, mas cabe aos mais velhos transmitir todo este culto aos mais novos.
    Não querendo ser aborrecido e em jeito de conclusão, gostaria de congratular todas as Universidades do pais, mas é meu objectivo proteger os interesses da minha, pois aqui é que se aprende e se cultiva a verdadeira tradição académica. Cumprimentos!

    • bom, eu gosto de pensar que em todas as universidades se aprende e se cultiva a tradição académica… que é muito mais que a praxe.

    • És um um aldrabão de factos. Porque factualmente falando a praxe em Coimbra está suspensa desde 1969, pelo único órgão que pode levantar essa mesma suspensão: o CR. Uma chatice. Esse pseudo-código da praxe tem o valor formal de uma amiba do tamanho intelectual de quem mistura praxe com Zeca, e pior ainda, remonta a UC ao tempo do Dinis, como se isso fizesse algum sentido, escultura à parte.
      Acresce que coimbrão, ou coimbrinhas, que se preze tem nome, não se mete atrás de um pseudónimo. Identifica-te e depois falamos.

      • Rui Sancho diz:

        Agora fiquei interessado. Conte-me a sua versão, João José Cardoso. E já agora o que é o CR?

        • Conselho das Repúblicas. Convém saber do que falamos quando falamos.

          • Rui Sancho diz:

            Desculpe lá João, mas as repúblicas não têm esse poder perante a praxe.

          • Depois de mudarem o código, claro que deixaram de ter. A anedota é que nem sequer o poderiam ter mudado sem o acordo do CR. Mas se lhe apetece que assim não seja, esteja à vontade. Isto é como as cerejas, cada um come as que quer.

          • Rui Sancho diz:

            Então e sabe dizer-me qual é a postura do CR hoje em dia em relação ás praxes? Então e se a praxe se finou como disse, porque é que existe uma praxe própria dentro das repúblicas, que nada tem a ver com a outra?

  18. Eduardo Maia diz:

    Qual o problema da praxe! Já vi que já nasceu adulta! São brincadeiras próprias da idade que acontecem neste momento porque é momento de festa e aconteceriam em outros momentos de festa. Não acho que sejam rituais de iniciação porque isso é para os Opus Dei ou coisa dessa. São momentos de divertimento em que os praxados participam porque querem. Aqui ninguém defende abusos mas minha senhora entenda que a vida tem destas coisas: coisas em que toda a gente se diverte, até os praxados. O que é preciso é bom humor e capacidade para distinguir o que são brincadeiras e coisas sérias. Tenho pena de não ter gozado os momentos hilariantes de uma boa praxe: Assim, nunca cresceu tudo! Cumprimentos.

    • portanto, na sua opinião quem não foi ou é praxado é uma pessoa triste que jamais conhecerá a verdadeira essência da vida e as suas alegrias, hum? Boh… eu cá gosto muito de me divertir e de me rir às gargalhadas e de me divertir e faço-o imensas vezes, embora nunca tenha precisado de praxes para isso… são vidas, suponho.

  19. A praxe é opcional. Só participa quem quer. Quem não concorda vê de fora. Falta de carácter e abuso do poder é o que mais se verifica na cidadania actual. Existem os superiores, como referido anteriormente, que têm a função de certificar-se que não existe abuso de poder. É óbvio que por mais fiscalização que haja situações obscenas vão acontecer. No nosso quotidiano quantas vezes somos enganados? Quantas pessoas fogem ao fisco? Na universidade existem de todo o tipo de pessoas, desde as com formosos princípios a uma intensa falta de moral. Cabe a cada um de nós avaliar as demais situações e agir de acordo com os princípios por nos fomentados.
    Fui praxada e muito. Claro que não gostei de determinadas situações, mas o facto é que me ensinaram, fizeram me crescer, aprendi a defender me e fiz imensas amizades para a vida graças a estas tradições.
    Relativamente à situação destacada na foto, independentemente das circunstancias, nunca me sujeitaria a tal represália.

  20. Maquiavel diz:

    Que bom para si. Quer uma medalha?

    Não sabia que os trajes estavam assim tão caros. Com uma reforma bem pequena a minha avó já pagou 4, este ano pagará o 5.o ao neto que se anda a divertir à brava a ser praxado na Univ. do Algarve, e se tudo correr bem daqui a uns anos pagará o 6.o, que ela faz questão disso!
    É que a minha avó é uma mulher rija que nos ensinou a gerir orçamentos familiares parcos de modo a parecer muito, e a fazer esforços pelos filhos e netos. Por isso é o orgulho de toda a família, e respeitamos tudo o que ela pede!

    • Maquiavel diz:

      Esta resposta apareceu no sítio errado.
      Peço à Elisabete que a apague, obrigado!

      • Maquiavel, lamentavelmente não sei/ não consigo apagar comentários… mas também, já se disse para aí tanta coisa que, olhe, deixe lá estar o seu comentário…. se entretanto algum dos outros aventadores souber como se faz (é que eu sou ‘caloira’ e não fui à praxe do Aventar ;-P) e quiser apagar….

  21. maria teresa diz:

    Frequentei a Universidade de Coimbra até 1970. Também usei capa e batina que me foi dada pelo meu avô. No meu tempo os estudantes com menos recursos usavam-na com muita frequência. Era uma forma de estar “na moda” vestindo sempre a mesma coisa. Tenho de dizer que precisei de dois fatos de saia e casaco para os 5 anos. Quanto á praxe, é claro que, repudio todas as que põem em causa a dignidade humana, mas a minha vida académica não teria tido o mesmo gosto sem ela.
    Saudações académicas.

    • Comparar a praxe dos anos sessenta com a “restabelecida” em 79, e sobretudo a praticada nos dias de hoje, não faz qualquer sentido, nem sequer no traje. Uma e outra coisa só tem em comum o eferrá (que por acaso até nasceu como grito republicano).

      • Maria Teresa :
        PRAXES NA ULHT.

        A ignorância muitas vezes sobrepõe-se á realidade. A praxe académica surgiu na Universidade de Coimbra e é claro que muitas vezes era violenta tendo sido proibida por João V por causa da morte de um aluno. Mais tarde esta tradição foi retomada. Actualmente na ULHT a praxe não é obrigatória e pode haver desistência da mesma em qualquer altura. O praxado (Caloiro também tem direito, desde que comunique aos veteranos, a negar-se a rituais que não aceita (alergias e outros) desde que informe antecipadamente. Os alunos não praxados, na ULHT não são” escorraçados” e confraternizam com os praxados com amizade, executando com os mesmos os respectivos trabalhos de grupo sem qualquer problema. Na ULHT é o que se passa na actualidade. Repito que a ignorância se sobrepõe á realidade. Não generalizem! Já dizia Napoleão que pior que a crueldade é a ignorância. Sabemos de antemão que querem acabar com as tradições deste nosso Portugal. Acrescento que nesta nossa Universidade existem estrangeiros que querem ser praxados. E são por livre iniciativa, não me lembrando ter existido nenhuma queixa de abuso em qualquer Embaixada. Acrescento que na Lusófona não existe bullying, na medida em que os caloiros têm padrinhos que os protegem com amizade. PERGUNTEM AOS CALOIROS! Os abusos não são Praxe! Mas situações passivas de ser punidas judicialmente. Não misturem, sejam coerentes. Não acabem com as tradições. Há muito tempo houve a tentativa.de alguns “fanáticos religiosos” de acabar com o Fado em virtude do grosseirismo; diriam “eles “que se ouvia nos locais onde era cantado. Hoje o Fado é património imaterial da humanidade. As opiniões negativas sobre as Praxes tentando operar como factores de fractura e destruição propositada desta secular tradição somente contribuem para a cimentação das mesmas e possivelmente uma maior união entre os estudantes praxados e colegas amigos não praxados de todas as Escolas e Universidades portuguesas que vão manter esta tradição! A união faz força. (KRUPP).
        leopoldoasantos@sapo.pt

    • Maria Teresa mas nessa altura, como bem disse, o traje servia exatamente para minimizar as desigualdades económicas. Hoje em dia parece-me o contrário e talvez fosse interessante estudar comparativamente a questão. Seja como for, o post não é sobre o traje académico, mas sobre a praxe. estão relacionados, claro, mas não são exatamente a mesma coisa.

  22. carlos diz:

    isto é o que eles andão aprender na escola a serem estupidos julgando-se de espertalhões , viva a Portugal com pouca esperanca na mais bonita lingua de camões :-(

  23. Manuel Pontes diz:

    Sou a favor da praxe desde que ela seja feita de um modo inteligente, que seja mesmo uma forma de integração.
    Infelizmente a imaginação dos praxistas anda pelas ruas da amargura e servem-se da praxe para exercerem um poder que nunca o poderiam ter. É humilhante as atitudes levadas a cabo por esses índividuos que indevidamente usam um trage académico.
    Este ano na monumental serenata do Porto assisti a situações perfeitamente deploráveis, barulho e falta de educação de estudantes universitários foi simplesmente deplorável.Que me desculpem todos os estudantes que não se inserem neste grupo e que felizmente ainda há muitos.

  24. Elisa,

    Engraçado «encontrar-te» aqui tantos anos depois de te ter perdido o rasto. Deixo estas notas tardias (só hoje li o que escreveste) ao teu texto e ao brado que deu.

    1 – Não se deve desligar a praxe do entorno académico que a forma. A praxe é só o «ground zero» (ou abaixo de zero, se houver subterrâneo), o exaspero da mediocridade, mas esta está por todo o lado que seja académico e português, como bem sabes, até no plano docente. A universidade portuguesa raro passa de um conjunto de pequenos rituais, hábitos, capelinhas e iterações indolentes, e é ela o modelo dos «doutores» (quando o outro falava no “país de asnos e doutores” ainda não tinha visto da missa a metade, e talvez retirasse da frase a conjunção…) que a emulam (do verbo emular, e não de mulas, embora também não ficasse mal). Tudo na lusa academia convida ao lugar comum, ao espírito e ao pensamento acríticos, à repetição preguiçosa de tipos, à demissão individual e à resignação, quando não mesmo à subserviência, patente até na relação entre os próprio docentes (catedrático>assistente). E é errado imaginar que as coisas pioraram, porque sempre foram assim: já no tempo dos «lentes» e das sebentas, tão ridicularizados pelo Camilo na conhecida polémica, o eram, e ainda mais. Hoje, apesar de tudo, sempre vai havendo quem puxe pela cabeça. Mas, em todo o caso, professores como tu são uma excepção, algo que só por forçada modéstia podes fingir ignorar.
    Por outro lado, convirá reparar que não é só a praxe a medíocre na academia discente. Tudo o é. Mais uma vez, a praxe é o nível abaixo de cão, mas a mediocridade está em tudo: nos cortejos académicos (infantilidade exibicionista que a tua sociologia sabe decerto explicar, a mesma do uso do traje e mentalmente baseada na mesma aspiração de «upgrade» enformadora da relação caloiro/«doutor» e num raciocínio, consciente ou inconsciente, também ele dualista primário, de acordo com o qual na sociedade há os licenciados e os não-licenciados, também ele próprio de quem não enxerga mais do que o preto e o branco na paleta de cores e só sabe de facto «raciocinar» assim, o que aliás bem se vê nos comentários que aqui estão ao teu texto); nas festas (o «prime-day» da semana dos concertos é quase sempre dedicado a Quim Barreiros ou a outras pérolas-pimba semelhantes, o que dispensa mais palavras quanto ao gosto e ao nível daquela gente, que se embebeda e grunhe, basicamente); nas «garraiadas» (se falares em cultura ao Rui Rio, felizmente de saída daqui e não por acaso muito adepto destas coisas, ele puxa “logo da calculadora”, se falares a estudantes academizados eles puxam-te de praças de touros e «saraus» e tunas, o melhor que conseguem); nos rituais («benção» de pastas, «baptismos», tudo, como sempre, emulado e sem um pingo de criatividade ou qualquer coisa que exija algum esforço intelectual); etc. Claro que na praxe isto pia mais fino, porque além da mediocridade – aqui, o modelo-extra são as claques de futebol, das quais se importam os cânticos para imbecilizar ainda mais as respectivas letras – estão em causa assuntos importantes como a dignidade da pessoa humana e a corda bamba sobre o plano criminoso, coisas que, num país normal, o Estado não pode ignorar. É só por isso que se diz que as praxes devem ser proibidas. Não é para impedir as pessoas de fazerem figuras cretinas e se portarem como atrasadas mentais, o que aliás podem conseguir, e conseguem todos os dias, de mil outras maneiras; é só porque a tutela penal e de valores jurídicos essenciais, aliás, neste caso, irrenunciáveis, como a dignidade da pessoa humana, cabe ao Estado e não é, ou não deve ser, abdicável. Ponto.

    2 – Por regra, a linha de defesa pró-praxista e pró-«tradição» académica (tradição, à falta de melhor termo, existiu apenas em Coimbra, com uma alarvidade mais bruta mas menos grunha, diga-se, e terminou com os primeiros tempos de oposição estudantil organizada ao Estado Novo, regime que, também não por acaso, não faz grande aflição a grande parte desta gente, antes pelo contrário) repete sempre os mesmos fraquíssimos argumentos. Os mais típicos são dois. Um, o de que quem está de fora não pode falar (como se não houvesse tanta gente que esteve dentro a dar os melhores testemunhos). Alguma boa alma que lhes explicasse que, por essa lógica, eu não posso dizer que a Terra é redonda e gira à volta do Sol, o Homem foi à Lua (não estive no foguetão), não gosto de estrume (nunca provei, e se provasse não seria por algum energúmeno trajado, de negro ou de cor-de-rosa, mo «mandar»). Vejo um tipo a matar outro e não posso sequer dizer que me parece mal, porque “não estou por dentro” do assunto. Por aí fora, numa espiral da habitual inteligência. (Quanto ao exemplo do Cavalo de Tróia, única referência cultural que ainda conseguiram invocar, embora talvez em versão-Wolfgang-Petersen-quem-é-esse-Virgílio?. O problema dos troianos não foi julgarem por fora a construção, foi não a terem destruído logo, como estaria em discussão, por sugestão, se não se me confunde a memória, de Laocoonte. Nem de propósito, vem mesmo a calhar, a analogia. O melhor a fazer a cavalos de tróia e a praxes da lusitânia é mesmo isso, destruí-los, acabar com eles enquanto é tempo).
    O outro argumento velho é o de que as praxes servem só a «integração» dos estudantes. Pois sim, pois claro. Aqui, como em qualquer lado, «integrar» uma pessoa é pô-la de joelhos para os mais diversos fins. Bem entendido.

    3 – A nota que vai parecer mais pedante, mas a que não resisto. É que não me lembro de uma única vez para amostra ter lido algum texto pró-praxes ou pró-academias que não contivesse pelo menos um disparate linguístico de bradar aos céus, o que quase me confirma o eventual preconceito de que quem gosta de praxes não sabe sequer, por exemplo, escrever. Ainda a isto respondem sempre o mesmo: o que importa é o fundo e não a forma, quem vem com minudências gramaticais é porque não tem resposta aos argumentos (brilhantes, brilhantes), etc. Chamo outra vez pela mesma alma caridosa que lhes explique os estudos de teoria da linguagem mais elementares e que lhes faça perceber que aqui, como em política (outra vez o Estado Novo e os modelos autoritário-conservadores de que tanto gostam e de que provêm), forma e conteúdo se equivalem, mesmo que não se subsumam. O pensamento é a sua própria expressão. Não existe sem a forma. «Dah»…

    Agrada-me ver que continuas com a cabeça, boa, no sítio.

    Um beijo

    • Carlos Afonso diz:

      Brilhante! Obrigado pelo contributo.

    • … não concordo com algumas coisas, tipo a mediocridade generalizada do corpo discente. há muitos estudantes universitários brilhantes. Eu conheço – felizmente – alguns! E tu podes ter-me encontrado, mas eu não faço a minima ideia de quem sejas. Assinar os textos não? G? Gonçalo? Guilhermina? Gunegundes? (a cabeça está boazinha está, obrigada :).

  25. Pedro S diz:

    Pena não entrevistarem pessoas que sabem de Praxe e sabem diferenciar praxes de Praxe especialmente as que nem praxes são sequer.
    Pena não lerem o blog Notas&Melodias porque deve ser a pessoa que mais sabe do assunto e que apresenta as coisas sem ser parcial.
    Andam a entrevistar muita gente que tem opinião mas que sabe pouco em vez de ouvirem quem tem algo a dizer de jeito sobre estas matérias.

  26. Elisa,

    Haver muitos estudantes universitários brilhantes não invalida a mediocridade generalizada. Claro que os há. A proporção é que é cada vez menor, efeito da universalidade no acesso ao ensino superior (a parte que agrada a uma alma reaccionária) e da degradação do ensino – primário, secundário – que lhe é prévio (a parte com que se fica uma alma de esquerda). Goste-se ou não, seja ou não inevitável, comparas as gerações académicas do tempo dos nossos pais com as nossas e o quadro fica, digamos, feio. Se teria ou não de ser assim, não sei. Mas, como tenho o coração à esquerda (é anatómico), nem por sombras me passa pela cabeça contestar o princípio da universalidade que já nem verdadeiramente se respeita há muito (propinas, etc.) e o que ponho em causa é a degradação, começada há mais tempo ainda mas agora erigida (às ocultas, como o resto) em princípio ideológico oposto, da escola pública.

    (Textos propriamente ditos, assino sempre. Notas rápidas em cima do joelho, como estas e as anteriores, é que nem merecem um nome. A que tu já chegaste, em todo o caso)

    (Continuas a usar o e-mail inquieto?)

    • hum… se cheguei só podes ser o Gonçalo :) (estás bonzinho rapaz?). Já não uso esse email, não… quer dizer ainda deve existir, cheio de lixo, que já não o vejo há anos… uso o da UA, é só procurares :) beijinhos

  27. coimbrinhapravida diz:

    Praxe é em Coimbra e tudo o resto são imitações baratas! Tenho orgulho de estudar em Coimbra e fazer parte de PATRIMÓNIO MUNDIAL! Porto, Lisboa, interiores querem imitar algo que já existe há anos, anos e anos na nossa Universidade. E fazem-no de maneira ignorante e ridícula. A praxe deveria acabar, sim, mas em sítios onde não se justifica que ela exista. Qual é o sentido de existir praxe em qualquer Universidade que não seja Coimbra? Tentar ser igual?

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