um homem morreu. mas não era só um homem. era poesia. ainda é.

O A. Pedro Correia já deu a notícia aqui, mas quando morre um poeta, é preciso escrever em toda a parte e infinitamente que a poesia não morre nunca. Morreu um homem. Chamava-se António. Era poesia. Ainda é. Está vivo. E escreve sol. 

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«Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em frios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol

Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever sol

A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram as suas faces
e na minha língua o sol trepida

melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maravilha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde»

(António Ramos Rosa, ‘estou vivo e escrevo sol’)

 

Fotografia roubada ao Artigo 21.º

Em matéria de ir ao cu

Nunca foste enrabado por um político de esquerda, Joaquim.  Não, o PS não conta, são a fingir.

António Ramos Rosa 1924/2013

Morreu um poeta. Chamado Rosa, Ramos Rosa. António.

 

Viste o cavalo varado a uma varanda?

 

Viste o cavalo varado a uma varanda?

Era verde, azul e negro e sobretudo negro.

Sem assombro, vivo da cor, arco-íris quase.

E o aroma do estábulo penetrando a noite.

Do outro lado da margem ascendia outro astro

como uma lua nua ou como um sol suave

e o cavalo varado abria a noite inteira

ao aroma de Junho, aos cravos e aos dentes.

Uma língua de sabor para ficar na sombra

de todo um verão feliz e de uma sombra de água.

Viste o cavalo varado e toda a noite ouviste

o tambor do silêncio marcar a tua força

e tudo em ti jazia na noite do cavalo.

Lista de Sócio-Enrabadores

O combate político é fodido. Vem um motociclo pela Esquerda e garante-nos que quem nos enraba é a Direita. Vem um Autocarro pela Direita e diz, não, senhor, quem nos enraba em Portugal, desde há décadas, é uma cultura de Esquerda em contraciclo com o resto do Mundo, uma cultura que petrificou a sua Constituição recozida, uma cultura de garantismo de direitos sem dinheiro para os garantir de facto, uma cultura e a sua petrificação mental. Não sei. Na minha lista de sócio-enrabadores há muitos cromos. Refuto, porém que a vocação nacional seja aturar sucessivas enrabadelas governamentais, num País onde a compita pelos orçamentos dita que muitos se comam vivos no grande balde de caranguejos. Só? É discutível. Para os mercados, o Tribunal Constitucional tem sido sado-masoquista e colocado Portugal sob risco ao obstaculizar a premência de reduzir a despesa, der por onde der, antes que as coisas piorem. Odeio a Troyka. Mas odeio ainda mais um caminho covarde e demagógico de a recambiar. O caminho dos seguros, dos semedos, das catarinas, e do diabo a quatro. Na minha lista de caramelos enrabadores cabe um Relvas, dois ou três isaltinos, mas nunca nos esqueçamos dos varas, dos sócrates, dos oliveira e costa, dos lima. A lista de enrabadores é enorme. Para que a havemos de resumir?!

Apple e Nós

Apple faz rios de dinheiro em apenas três. Nós perdemos Poetas Absolutos com 32120 dias. A Maça e a Rosa.

A praxe da praxe

Embora me tenha oposto, e muito,  à restauração da praxe (a de Coimbra, é claro, fotocópias bem ou mal tiradas não merecem nem uma linha) devo dizer que deixei de o fazer com grande empenho. Posso agora gozar com os meus amigos então praxistas, com o clássico “estás a ver o que vocês arranjaram?” de preferência quando eles e elas passam assegurando aos gritos que querem é foder. O deprimente espectáculo da Queima das Fitas também serve, para qualquer humano que tenha bebido menos de duas cervejas antes e a quem reste o mínimo de bom senso. Em segundo porque tenho coisas mais importantes para fazer.

Se calhar é altura de fazer esse história. A da ilegal restauração do que formalmente continua suspenso, do empenhamento na altura do comércio local hoje em vias de extinção, das forças vivas da direita conservadora, que hoje coram ao verem passar o vómito generalizado e a queca pública.

Há um aspecto que  não mudou na praxe, e no fundo é a sua essência: a divisão de um universo de iguais entre mais velhos e mais novos, a iniciação voluntária ou constrangida  à submissão pública, a penitência vá-se lá saber de quê pela humilhação, e o treino para um grupo, neste caso um curso, que se julga superior aos outros.  Essa é a verdadeira questão, foi isso que se criticou ao longo de séculos (sim, séculos, sempre houve por um motivo ou outro quem se opusesse a esta barbárie) e é isso que continua para mim em causa, embora pouco empenho.

Com o tempo entendi e compreendi que a vocação nacional de muitos para serem enrabados pelos governantes e outros poderes tem direito a treino. O sado-masoquismo necessita de uma certa aprendizagem. Se gostam das troikas, dos Relvas, dos isaltinos (não é por acaso, é por isto mesmo que Oeiras é o concelho com mais licenciados), merecem o meu respeito. Praxem-se uns aos outros. Mas não se queixem depois do desemprego jovem, da emigração, e outras cenas assim. Desamparem a loja e não chateiem.

Aviso à navegação: pensem bem antes de comentarem. Mentirosos serão tratados abaixo de caloiro, estado que como é sabido está uns graus abaixo do de polícia e outros tantos abaixo do de cão.

Saiu a reserva de recrutamento 2

apesar de Nuno Crato continuar a dizer que está tudo colocado. Afinal havia outra verdade

Escrita portuguesa na vertente brasileira ― não há polémica

[O] projecto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa (…) constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional

Resolução da Assembleia da República n.º 26/91

A exigência de ‘escrita portuguesa na vertente brasileira‘ (repito e saliento, para quem não tiver lido com atenção: escrita) impedirá qualquer candidato a director do CCBM de grafar coisas estranhas como ‘receção’, ‘aceção’, ‘confeção’, ‘interceção’, ‘perceção’, ‘perentório’ ou ‘rutura’. Isto é, um candidato a director do CCBM que tenha a ousadia de grafar, por exemplo, ‘recepção’, ‘acepção’, ‘confecção’, ‘intercepção’, ‘percepção’, ‘peremptório’ ou ‘ruptura’ demonstrará um “desejável conhecimento da escrita portuguesa na vertente brasileira”. Sim: brasileira.

Ou seja, qualquer português que adopte o AO90 encontrar-se-á automaticamente excluído do rol de candidatos a director do CCBM, independentemente das ‘ações’, dos ‘diretores’ e de grafias afins ― incluindo ‘fatos’, ‘contatos’ e ‘seções‘. Bem-vindos ao mundo da “ortografia unificada de língua portuguesa”.

Felizmente, já tudo se resolveu, uma vez que «a Embaixada do Brasil em Maputo declinou pronunciar-se sobre a matéria por entender que “não há polémica no concurso”».

Portanto, não há polémica, está tudo bem. Antes isso.

Ana ina não

ficas tu eu não.

Hoje é dia de querer inglês.

Amanhã logo se verá.

Nota: se esta merda continua assim, chamo o Jesus para resolver isto!

Diz-se na Net mas Muito a Medo

Diz-se pela net, mas pouco e muito a medo que o regresso aos mercados é mesmo hoje porque vence-se hoje uma dívida de 5,746 mil milhões de euros, a que acresce cerca de 300 milhões de juros, emitida há 15 anos: ora, pela dimensão do montante a amortizar, este é mesmo o dia do regresso de Portugal aos mercados, mas o Estado já realizou duas emissões de dívida a longo prazo, uma a 23 de Janeiro de 2013, de 2,5 mil milhões de euros em dívida a cinco anos e outra a 7 de Maio, de três mil milhões de euros em dívida a dez anos. Diz-se na net, mas muito a medo e pouco, que com a amortização da dívida hoje efectuada o montante total da dívida diminui em cerca de 3,3% do PIB, baixando dos tais 130% do PIB. Diz-se por aí, na Net, mas muito a medo. Quase não se ouve.

Votar à Esquerda

Só há um dia em que somos todos iguais – o dia das eleições. Seja o CR7, o Passos Coelho, o Belmiro de Azevdo ou o sr. Carvalho, que vive aqui na rua, todos iguais no momento do voto.

Esta marca da Democracia também nos transporta para um outro sentimento de justiça, na medida em que podemos penalizar o mau Presidente, o péssimo governo ou as políticas erradas ou, continuar a votar em quem governa bem.

Tal como o meu camarada de escrita, parece-me que a solução nas nossas terras ou no nosso país passa pela esquerda, enquanto espaço de resistência às políticas que nos têm desgraçado nos últimos dois anos. Mas, a Esquerda tem tido (sido) um problema – não consegue encontrar um espaço para o que têm em comum. PCP, Bloco e PS, tal como a CGTP, têm sido actores políticos que sublinham sempre as diferenças entre si, quando há tanto que os une.

No que diz respeito ao sistema nacional de saúde, o BE, o PC e o PS não tem mais coincidências do que divergências?

E quanto à segurança social? Ou nos apoios sociais?

E, de forma ainda mais clara – a Escola Pública?  É ou não parte comum do património das Esquerdas? Será que o PS, o BE e o PCP não conseguem encontrar pontos comuns em torno deste pilar da nossa Democracia?

Tem que ser possível e aqui em Gaia há práticas nesse sentido.

Uva moscatel – solilóquio

Uvas moscatel. Conheço-as bem. Pequenas, de aparência humilde são, no entanto, ricas e deliciosas. Como tantas coisas na vida. Mais raras que as outras variedades, há lugares onde dificilmente se encontram – embora, quando existam, sejam resistentes, persistentes, confiáveis –, já que o vulgo prefere as uvas mais vistosas, grandes, bem apresentadas, mas que, a maior parte das vezes, não sabem a nada, nada cumprem do que o seu aspecto promete. Como tantas coisas na vida.

As uvas moscatel têm, entre outras virtudes, a de serem as únicas que produzem um vinho em que o sabor equivale ao da uva. Cumprem o que prometem. Todavia, lá está, a maioria tem preferido – e, pelos vistos, preferirá durante mais algum tempo – repetir a frustração de experimentar as que seduzem pela aparência, embora traiam quase sempre o que o anunciam e desgostem, repetidamente, quem as prova. Como tantas coisas na vida.

uva moscatel

Geralmente, quem prova as verdadeiras moscatéis fica-lhes fiel, não quer outra coisa. Estou a falar das verdadeiras, das que abundam no distrito de Setúbal, por exemplo, e não as fraudes de importação. As que foram criadas por nós, com as nossas mãos, com o nosso talento, com o nosso trabalho, são as que melhor nos servem. Como tantas coisas na vida.
Como vêem, consegui, apesar dos tempos eleitorais que vivemos, escrever um texto que não fala de política. Acho eu…

Em Gondomar

está resolvido – adeus Major!

Teikinize!… uí eve an exame…

200913a

Paxá Machete

Quando é que o nababo Machete paxá se reforma douradamente?

Acima de Qualquer Suspeita

Diz-me com quem andas!

A direita assalta as ciências sociais

A mediocridade triunfa por decreto,  nepotismo e puro banditismo ideológico. A ler.

Inglês II – aprender francês dá para ser porteiro

Isto nas políticas daquele sujeito com traços de javali.

A Mulher Merkel ist Stark

MerkelPodem muitos e muitas não gostar das opções tomadas pela democracia alemã que escolheu repetir Merkel, a Nua e Crua, e ainda com mais respaldo; pode António José Seguro dizer que não aceita mais cortes aos quais o Estado Português está forçado pelas lógicas disciplina orçamental da Merkel; pode a Esquerda Portuguesa alardear outro caminho nunca dantes percorrido para enfrentar Credores, mesmo com o reforço democrático de poderes concedidos à Merkel, nossa Credora por excelência, o certo é que terem os alemães votado tão massivamente nessa mulher corresponde à caução esmagadora das políticas dessa mulher, no plano interno e no plano mais alargado europeu. Doravante, pode a nossa Esquerda e até o nosso bom senso ter argumentos anti-Merda-Merkel, argumentos anti-austeridade e anti-correcção abrupta do défice, a democracia alemã disse que assim é que está bem e que já passaram pelo mesmo sob Gerhard Fritz Kurt Schröder. Ad augusta per angusta, portugueses. Como eles. O que é que podemos fazer para ter uma economia forte e à prova de corruptos e demagogos como a economia stark tutelada pela chancelerina Merkel?! Ter paciência. Não há nada a fazer. Primeiro a solvabilidade do nosso País; primeiro o equilíbrio orçamental em simultâneo com algum crescimento. Depois, só depois, alguma folga no baraço que nos enforca. Mais economia. Menos Estado-Corrupto. Como eles.

A resistência em construção

Quem pensa que podemos sair do buraco onde nos meteram sem os partidos de esquerda está muito enganado. Os partidos de esquerda que pensam chegar a algum lado sem a mobilização dos que estão fartos de partidos e se querem manter independentes não vão longe.

Como se conjuga uma e outra coisa tem sido o problema.

Começou por se fazer na rua, em manifestações que, melhor ou pior geridas, colocaram a mobilização noutro patamar. Estas eleições permitiram ensaiar outro degrau. Falo dos movimentos de cidadãos independentes com ou sem apoio de partidos, e em particular daquele onde estou, o dos Cidadãos por Coimbra.

Juntar organicamente as mais diversas e pessoais vivências de esquerda é complicado. Inclui paciência, tolerância, e naturalmente conflitos, mal-entendidos, chatices: faz parte do fazer política. Só os que se fazem com a política não sabem o que isso é. Procurar consensos, e eles não sendo obrigatórios ajudam ao caminho, dá trabalho.

A transparência, a participação, o combate aos negócios autárquicos de todos os dias, unem. Como o pensarmos os vizinhos como a medida da cidade, aquilo a que sempre se chamou e tem de voltar a ser orgulho, o sermos progressistas.

Falta muita gente, organizada ou não? falta. Lá chegaremos.

Aquilo que já foi feito, a uma semana dos resultados, é promissor. Vários percursos na esquerda, várias correntes, muitas já históricas, e sobretudo quem nunca teve nada que ver com isso, todos sabendo que acima está aquilo que nos une, muito mais forte do que os divididos. Nada como amar a cidade e concelho onde vivemos para nos facilitar a vida:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=ZMwuZaoDxWQ]
Vídeo do Tiago Cravidão, digamos que a produção foi minha.

É hoje

As saudades que eu já tinha da vozinha do Vítor Gaspar.

O que dizem os emigrantes

Já saímos do fundo e já não voltamos ao fundo.

Jesus é todo-poderoso

Quero dar os parabéns ao Jorge Jesus, que conseguiu jogar em três campos. 

Uma Vergonha Comenta Outra

Quando o ex-primeiro-ministro José Sócrates defende que se fosse líder do Executivo demitiria o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, devido às informações falsas prestadas ao Parlamento acerca das acções do BPN, isso quer dizer que também se teria demitido de Primeiro-Ministro por ter feito da mentira uma forma de vida?! A Mentira da Licenciatura. A Mentira do Freeport. A Mentira da Mentira. A Mentira por grosso. A Mentira por atacado. A Mentira em Promoção. A Mentira em Saldos. O Espectáculo Demagógico da Mentira e da Conspiração Anti-Portugal Travestida de Comentário. E agora um Livro Mentiroso que se escreve a si mesmo. É o que dá um pluralismo cor-de-merda quando foge para Paris.

Pode começar o fogo

Não sei de que lado do rio. Mas tem que haver fogo! Aí está o regresso aos mercados!!!