Domingo no campo

O caçador entra no restaurante com o cinto de munições a reluzir e a espingarda ao ombro. Tem bigodes compridos, um caminhar marcial. Saúda a empregada com um olá que ela ignora e, para chamar-lhe a atenção, estende a arma e toca-lhe com ela, ao de leve, no ombro. Ah, olá – diz ela. E volta-se outra vez de costas, continua a dobrar os guardanapos de pano como quem assim vinca os planos que tem para a vida e que nunca mais chegam. Ele deixa cair os olhos nos quadris largos dela e recolhe, espingarda caída, à mesa do canto.

Comments

  1. j. manuel cordeiro says:

    “continua a dobrar os guardanapos de pano como quem assim vinca os planos que tem para a vida e que nunca mais chegam”

    Belo!

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