Da garrafa para o brinquedo

Verdadeiramente brutal porque nos confronta com as nossas práticas que são solidárias com esta violência!

Domingo no campo

O caçador entra no restaurante com o cinto de munições a reluzir e a espingarda ao ombro. Tem bigodes compridos, um caminhar marcial. Saúda a empregada com um olá que ela ignora e, para chamar-lhe a atenção, estende a arma e toca-lhe com ela, ao de leve, no ombro. Ah, olá – diz ela. E volta-se outra vez de costas, continua a dobrar os guardanapos de pano como quem assim vinca os planos que tem para a vida e que nunca mais chegam. Ele deixa cair os olhos nos quadris largos dela e recolhe, espingarda caída, à mesa do canto.

Um campo de concentração

bandeira-de-portugal-em-luto.jpg?w=460

É bem sabido o que é um campo de concentração: os prisioneiros de uma guerra injusta, são fechados num recinto em que são torturados, a electricidade é aplicada como parte do tormento, uma comida apenas por dia, podre e seca. A ameaça sistemática da vida, a sobrevivência se formos aguerridos, o inimigo sempre a guardar o prisioneiro para não fugir, as simulações de fuzilamento se 40 carabinas são endereçadas para o corpo do prisioneiro, que acabam por disparar ao ar, o pior dos tormentos: nunca se sabe se é hoje o dia da morte, ou amanhã, um dia qualquer, estar sempre em pé sem mexer nem desmaiar. Lentamente a fraqueza da fome aparecesse, retirando as forças do corpo. Há quem resista, há quem acaba mal, há quem morre nos tormentos. O meu Catedrático britânico sobreviveu quatro anos de Auschwitz,

[Read more…]

ruralidades

O título não é meu. Pertence a uma equipa de intelectuais  que criou um espaço de debate, para debater a crise económica e política que nos afecta. Como a toda a Europa, excepto aos países precavidos que sabem investir o seu dinheiro em bens que rendem lucro.

Temos herdado, desde os tempos em que o nosso país entrou na então Comunidade Europeia, um deficit de moeda para investir, lucrar e obter mais-valia dos bens que o nosso mercado pode criar e vender. No entanto, Portugal foi sempre um país pobre. Em 1984, foi aceite na União Europeia, o dinheiro que entrou foi usado em construção de estradas, que não havia, em melhorar as comunicações dentro do país, modernizar os paços mais antigos, para servir de habitação de férias de Verão para que cidadãos de outros países visitassem a nossa Nação. Nação que tem tido como a sua melhor riqueza, essa rica geografia da que foi dotada na criação do mundo, com casas lindas nascidas do imaginário fértil da mente lusa. [Read more…]

Apontamentos do campo (14)

(Por terras de Chaves)

Apontamentos do campo (13)

(Parque Natural Baixa Limia, Serra do Xurés, Galiza)

Apontamentos do campo (12)

(Lindoso)

Apontamentos do campo (11)

(Idanha-a-Nova, a caminho da Barragem Marechal Carmona)

Apontamentos do campo (10)

(Por terras de Miranda do Douro)

Apontamentos do campo (9)

(Alfandega da Fé (2))

Apontamentos do campo (8)

(Alfândega da Fé)

Apontamentos do campo (7)

(Ponte de Lima)

Apontamentos do campo (6)

(Quinta pedagógica de Pentieiros, Ponte de lima)

Apontamentos do campo (5)

(Alto Rabagão, Montalegre, a caminho de Boticas (2))

Apontamentos do campo (4)

(Alto Rabagão, Montalegre, a caminho de Boticas)

Apontamentos do campo (3)

(Murça (3))

Apontamentos do campo (2)

(Murça (2))

Apontamentos do campo (1)

(Murça (1))

Who’s afraid of the big, bad wolf?

Recentemente fui passar um fim-de-semana ao campo. Fiquei naquilo a que se chama uma “casa de hóspedes”, destas em que a estada decorre num ambiente familiar, e que funciona às mil maravilhas se calha a gente de gostar da família que lá vive. Da família, felizmente, pouco vi, porque os seus amáveis membros rapidamente deixaram os hóspedes com a empregada e fugiram para os seus divertimentos equestres. Chegámos já de noite e não foi nada fácil descobrir o monte no qual se erguera a casa que nos receberia. Caminhos enlameados, nem uma única placa informativa, escuro como breu numa noite sem estrelas.

“Porque está tão escuro?”, perguntava esta citadina acagaçada. “Porque estamos no campo”, respondia o meu companheiro, que, como todos os que cresceram no campo, tem um gosto especial por me fazer sentir inapta sempre que deixamos a cidade para trás.

É verdade, no campo não há luz. E a escuridão, como sabem todas as crianças, é um território alarmante porque nele há espaço para que tomem corpo todos os nossos temores. Pousei o inútil GPS e fiquei a olhar pela janela do carro, enquanto o carro avançava a custo sobre trilhos de lama. Vi bandos de homens brandindo garrafas partidas, alcateias de lobos esfomeados, reuniões de feiticeiras aborrecidas com a interrupção, vi tudo isto e mais alguma coisa até que ao meu lado ouvi uma voz tranquilizadora: “É ali, já a vejo”.

[Read more…]