Temos de assentir que Sarkozy, Cameron e Obama, com a cooperação do títere e “bunga-bunga” Berlusconi, conseguiram em Outubro de 2011 uma epopeia de insuperável valor humanitário: mataram Kadhafi.
O povo libertado de um tirano, umas vezes amigo e em outras inimigo até à morte, pensou-se, passara a conhecer a felicidade e projectos de vida de ampla prosperidade – estes foram os argumentos de Sarkozy, Cameron e Obama. Ao nosso nível, até Paulo Portas se regozijou, pela frequência de deslocações e conversações com os novos líderes líbios. Pudera! 2 mil milhões de depósitos, titulados pelo governo de Kadhafi, na CGD não é coisa de somenos.
Kadhafi era um déspota. Ninguém tem dúvidas do estilo e da nefasta prepotência. Todavia, o autoritarismo até certa altura não constituiu motivo de preocupação da defesa de direitos humanos na Líbia, para os dirigentes ocidentais que o perdoaram (Lockerbie) e lhes prestaram vassalagem, incluindo uma presença histórica na ONU.
As reverências e salamaleques dos principais líderes ocidentais foram, como veio a provar-se, actos de hipocrisia; hipocrisia tão grande, ou tão grave como as falsas manifestações de solidariedade com o povo líbio.
Verdade, verdade pura, é que a motivação de Sarkozy (Elf Aquitaine), Cameron (BP) e Obama (Chevron e outras) residia no acesso ao petróleo líbio. Tratou-se, pois, de uma cobiça do ouro negro o objectivo da acção realizada em nome da NATO; longínqua da defesa dos interesses e da justiça em termos de direitos humanos dos cidadãos líbios.
A Líbia é um mosaico de 42 etnias (pouco abaixo de 6,5 milhões de cidadãos). O que hoje se passa na Líbia, confrontos, atentados e mortes entre milícias, é o decalque do que sucede desde a intervenção norte-americana no Iraque; tudo em nome do petróleo e do ‘money’ – este fim-de-semana já morreram 46 líbios e 400 ficaram feridos.
Quando o secretário de estado dos EUA, Kerry, afirma: “os líbios não arriscaram as suas vidas na revolução de 2011 para que a violência continuasse”. Quando o mesmo Kerry acrescenta o falhado objectivo de “o estabelecimento de um sistema democrático, em que as vozes do povo líbio pudessem ser ouvidas através de meios pacíficos”, das duas, uma: ou está a zombar com quem pensa e sabe, ou é, de facto, um incapaz ignorante, versão em que não acredito.
Sem hesitação, conclui-se que “a primavera árabe’ na Líbia é uma espécie de triunfo dos porcos. Orwell certamente aplicaria a tese a este trajecto histórico.






Foi booom abrir o Aventar e ver:
Um post do Carlos Fonseca! Tenho mais
um motivo para andar por aqui.
Sobre o conteúdo a confirmação que o petróleo faz milhões de vitimas.
Adelino, obrigado. Também não exageremos 🙂
Pois sim, mas teve cá um glamour, o Kadáfi, de tenda montada à beira Tejo, e o Sócrates, a fumar o narguilé com ele!!!
O melhor….
E é uma opinião tão certeira.
com os depósitos na cgd se fosse vivo tinha passaporte dourado
A zanga de Kafafi que levou aos depósitos na CGD é simples de explicar. Um dos seus filhos hospedou-se em Hotel Suíço e fez um escândalo quando se embebedou. Destruiu mobiliário e agrediu empregados. Veio a polícia e prendeu-o… Quando soube, o pai mandou verificar qual o suíço mais a jeito que existia na Líbia e mandou-o prender sob acusação de espionagem.. Depois, foi troca por troca. No fim de tudo, mandou retirar todos os depósitos que o Estado Líbio tinha em bancos Suíços. Os governos e bancos europeus acotovelaram-se para captá-los. Sócrates conseguiu (e bem) trazer esses milhões para a CGD.