O banco de fomento e onde é que pára a oposição

O PSD e o CDS, por interpostas pessoas a que se chama governo, estão a criar um novo banco estatal que distribua o financiamento a empresas. Chamam-lhe banco de fomento e juram a pés juntos que isso não poderia ser realizado pela CGD. Apesar do banco público ter sido obrigado pelo governo a comprar o buraco chamado BPN.

A decisão, tomada na reunião de Conselho de Ministros de há duas semanas e publicada sexta-feira em Diário da República, determina que “no prazo de 120 dias sejam concluídos estudos técnicos de suporte à criação da Instituição Financeira de Desenvolvimento”. Estes estudos serão orientados secretários de Estado das Finanças, Manuel Rodrigues, do Desenvolvimento Regional, Castro Almeida e do Empreendedorismo, Franquelim Alves, que também ficam responsáveis por apresentar uma proposta de diploma dentro do mesmo prazo. [Económico, 17/06/13]

Quem conhece a CGD diz não perceber porque é que ela não pode ser esse banco de fomento.

Mas continua a subsistir uma dúvida para a qual não encontro explicação. Conheço a Caixa Geral de Depósitos (já fui membro do seu Conselho de Administração), conheço os seus estatutos, a composição do seu capital e o seu objecto social, e conheço, sobretudo, as formas e os meios fundamentais da sua actuação no mercado.

Talvez seja eu a estar errada. Admito! Não sou dada a ser “absoluta” nas minhas convicções. Mas a questão é inevitável (julgo, aliás, não estar sozinha nesta interrogação): porque é que a Caixa não pode ser o banco de fomento? Ou seja, o que é que falta à Caixa Geral de Depósitos para poder exercer esta actividade de apoio à nossa economia?

Fico a aguardar a explicação! [Celeste Cardona, no DN, 22/11/2012]

Para que é que serve este novo banco estatal?

O objectivo é que com a nova entidade seja possível “reduzir os custos das empresas, aumentar a liquidez disponível na economia e criar uma nova instituição de financiamento e capitalização” do tecido empresarial, afirmou ainda Pires de Lima.

O ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, sublinhou que a instituição ficará sedeada no Porto e terá como missão “corrigir as dificuldades de financiamento das PME” e que pretende que “sejam apenas os bons projectos a ser financiados pelo Estado“. [ionline, 15/11/2013 ]

Ficamos muito mais descansados. Os projectos maus não serão apoiados. Ufa. Mas quem é que decide se os projectos são bons ou maus? Citando Pedro Marques Lopes [TSF, minuto 48], os estatutos deste novo banco trarão um banco público que poderá entrar no capital social das empresas e que vai poder intervir na gestão das próprias empresas.Repare-se bem no potencial tentacular que este banco vai ter, desde as nomeações para boys do partido, ao condicionamento das decisões empresariais. Olhando para o passado dos negócios estado-empresas-financiamento partidário, percebe-se que daqui vai resultar uma nova máfia político-empresarial. Onde anda a oposição? E o Presidente da República?

E os liberais, o que dizem eles sobre isto? Desde que o governo anunciou que queria criar um banco de fomento (Outubro de 2012) até ao momento em que se passou da intenção ao acto (Novembro de 2013), o blog dos que se dizem liberais publicou dois posts sobre o assunto. Um a gozar com Seguro e outro a sublinhar a dicotomia esquizofrénica de Passos Coelho. Por outro lado, no mesmo período de um ano, saíram umas boas dezenas de posts sobre o cheque-ensino. Tanta preocupação com a interferência do estado na sociedade mas perante este ataque ao tecido empresarial, népias. Vamos lá cunhar uns gráficos sobre o terrível mal que a inexistência do cheque-ensino nos traz e viva a livre iniciativa.

Sejamos claros, este banco vai fazer aumentar consideravelmente a corrupção em Portugal, fazendo-nos piorar face ao presente. São momentos como estes que precisam de ser travados para que o potencial do erro não se concretize. Tivemos muitos no passado recente e este é mais um.

Comments

  1. AACM says:

    ” Apesar do banco público ter sido obrigado pelo governo a comprar o buraco chamado BPN. ” Qual governo ?


  2. Quem se lembra do Banco de Fomento que existia em 1958 na travessa – paralela à avª da Liberdade, onde fica a livraria Bucholz ?? que é isso de “novo Banco de Fomento ??


  3. Interessante o que este governo teve de esperar para aprender com o governo de Sócrates para ser o que era (???) – aprenderam depressa e bem – e com quem teria Sócrates aprendido – é autodidata ?? Não gosto de tudo o que diz António Barreto sociólogo eis ministro da agricultura – que se mete mais uma vez em territórios e conhecimento de que não sabe grande coisa – atreve-se, também – ir à TV dá estatuto – dá ministros da educação – dá presidentes de CM – valiosa TV – é mesmo uma universidade universal e global – aliás outro sociólogo Jaime Silva foi o pior ministro da agricultura que acabou com o que restava e já está em Bruxelas, como tantos outros agrº mesmo, e ministros da agricultura que deram cabo de 78% de alimentos que aqui sempre se produziram – onde teriam estudado e permitem betão em terra agricola que levou centenas de anos a fertilizar – todos sabem tudo – até os jornalistas que agora sabem mais e metem-se em territórios até jornalismo – são universitários agora – de facto nunca gostei deste gajo – ou tenho de voltar às escolas onde estes senhores aprenderam
    Mas nem todos os jornalistas são atrevidos e sabem limitar-se ao seu território de conhecimento e mesmo que tenham ideias e opiniões e porque não ?’ não se sabam coibir – ai Barreto diz que o desastre diz que começou com o 2º governo socialista – não sr dr barreto – vem de longe a semente – a tal que não se vê mesmo que seja de árvore porque, escondida na terra, ninguém sabe que lá está enquanto não GERMINAR

  4. antonio pedro says:

    porque a cgd ja esta falida , e nao da para falir mais

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  1. […] interferência do estado na economia. Independentemente desse mal existir ou não, o facto é que a enorme intervenção que o futuro banco de fomento trará na economia não merece uma palavra por parte destes supostos liberais*. Nada. Só gráficos […]

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