O homem que não usava teleponto

Passos Coelho encenou a sua oposição a Sócrates afirmando-se como alguém que nunca usara teleponto, tentando “passar a imagem de um político espontâneo que não necessita de preparar a sua forma de comunicar“.

Acabo de o ver no tempo de antena natalício do governo olhando o telespectador de frente, não sendo crível que o sarteano leitor da Fenomenologia do Ser tenha decorado o que disse. Deixando de lado o conteúdo, em Massamá ou onde quer que viva o idiota que lhe escreveu a mensagem alguém terá tido a visão de um país regressando à tona enquanto ele o empurra ainda mais para o fundo, fico-me por este detalhe: o homem que acabou de destruir a economia portuguesa rendeu-se à tecnologia promotora de um improvisador onde existe um mero leitor.

Um logro nem por isso muito relevante, mas com riscos: ainda lhe acontece o mesmo que a Sócrates, parte-se um vidro do teleponto e fica condenado a falar só para um lado. Espero que se lhe avarie o teleponto das traseiras, é pelas costas que melhor o veremos.

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