O Belo e os Monstros

“Mandela não era propriamente um líder político” – opinou o pivô da RTP. Estava dado o tom. As televisões, nos seus noticiários, empenham-se em fazer uma espécie de esterilização da memória de Nelson Mandela. Como se para homenagear o homem fosse necessário negá-lo previamente.

O despudor o a hipocrisia estão, hoje, à solta. Já vi e ouvi os ditirambicos elogios feitos por três ministros de Cavaco Silva – com duas intervenções de Deus Pinheiro, ministro dos negócios estrangeiros da altura! -, o mesmíssimo governo que considerava Mandela terrorista e um dos três que, na ONU, juntamente com os EUA e o RU, votou contra a sua libertação da infindável prisão a que esteve sujeito. Tal como votou em todas as organizações internacionais sempre que se discutiam moções e deliberações, mesmo de carácter humanitário, sobre este tema.

Esta repugnante herança não pode ser esquecida nem apagada e os seus protagonistas só ganham o direito a admirar Mandela se forem capazes de um reconhecimento auto-crítico da sua prática ao tempo. Sejamos claros: Mandela não foi um mártir, nem um santo. Foi um herói, um homem à altura das suas circunstâncias. Foi – e de que maneira – um grande líder político e revolucionário. A sua obra tem as grandezas e imperfeições do que é humano. A África do Sul não foi transformada num paraíso, longe disso; foi libertada. Faz o seu caminho. Esperemos que esteja à altura do caminho de Mandela. Que era um homem de paz, mas não um pacifista; que lutou com todos os meios para que o seu povo tivesse direito a construir uma nação igualitária. Tendo sempre presente: “Se tu queres fazer as pazes com o teu inimigo, tens que trabalhar com o teu inimigo. E então ele torna-se o teu parceiro.”

Pergunta à NSA

Muito directa e apimentada: detectaram que há 3 dias usei o telemóvel a “arrear o calhau” num café em Boidobra?

Nelson Mandela, 1918-2013. RIP

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Morreu um dos grandes da História da Humanidade. Livre,  sempre livre entre ou fora de grades.
Agora um invertebrado de nome Cavaco Silva enviará condolências e louvores ao homem cuja prisão mandou votar na ONU. O tempo está bom para canalhas.

Morreu Nelson Mandela

Descansa em PAZ, Homem BOM!

Obama, Draghi e a pobreza explosiva na Europa

Exclusão de Pobreza e Exclusão Social (% da população total, 2012)

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Tenho criticado o presidente Obama. A meu ver, relativamente a determinadas expectativas – acção decidida e exemplar contra os ‘paraísos fiscais’, por exemplo – o presidente norte-americano revelou-se mais do que ineficiente. Errou, ao integrar no governo Timothy Geithner (2009-2013), ex-CEO da poderosa e sinistra Goldman Sachs, e outras figuras hediondas que causaram a gravíssima crise financeira e social de dimensão global. [Read more…]

Afinal, há facções e fações

FSP

Hoje, através da Folha de S. Paulo, ficámos a conhecer esta extraordinária ocorrência:

Nova facção mais violenta se organiza em presídios de SP

Decerto, neste preciso momento, alguns defensores do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 terão ficado estupefactos com tamanha heresia no título de um jornal de referência.

Próclise (‘se organiza’) e ênclise (‘organiza-se’) à parte, eis mais um exemplo da “unidade essencial da língua portuguesa” conseguida através do AO90.

A ocorrência da palavra ‘facção’ na Folha de S. Paulo, como acontece com ‘recepção’, ‘acepção’, ‘confecção’, ‘intercepção’, ‘percepção’, ‘peremptório’ ou ‘ruptura’, demonstra que a aplicação de critérios tecnicamente inválidos, além de afectar a tal “unidade essencial“, é claramente prejudicial para quem não adopta a norma brasileira.

Existem razões para o c de ‘facção’. Aquilo que não existe é motivo para se insistir no absurdo Acordo Ortográfico de 1990.

Uma curte

O ópio em forma de negação da realidade.

Os incendiários actuaram e o sino repicou

CTTParte substancial do meu tempo é vivida em aldeia do Alto Alentejo, região ocupada por terras inóspitas, searas, chaparrrais e localidades habitadas predominantemente por gente idosa; localidades às quais, na maioria dos casos, já tinham sido retirados ‘centros de saúde’ e outros equipamentos sociais.

Em parte considerável das vilas que se dispersam até à raia com Espanha, é conhecido, desde que se propagou a loucura da privatização, o propósito de encerrar estações dos CTT, no distrito de Portalegre; como, de resto, em outras zonas do interior.

A fim de cumprir objectivos económico-financeiros, na lógica do neoliberalismo, o governo aliena segmentos lucrativos do património nacional – ANA, EDP, CTT, por exemplo – e lesa, sem pudor nem respeito, o interesse público. [Read more…]

Parabéns, António Damásio!

Prémio Grawemeyer (Psicologia) 2014

A foto do dia (National Geographic)

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A huge ocean storm, Porto, Portugal © Veselin Malinov/National Geographic

Quando um bom gráfico estraga uma má história

Tenho uma enorme admiração, um verdadeiro espanto, pela relação do Vítor Cunha com os gráficos em particular e a estatística em geral. Deixando para outra oportunidade explicar porquê, é uma cena poética, vejamos a sua última obra de arte:

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O Vítor Cunha desenvolveu uma tese: os maus resultados da Suécia no PISA seriam uma consequência da imigração que por ali grassa, uma boa forma de contornar a realidade: os testes PISA demonstram que as coisas correm muito mal onde se privatizou o ensino.

Tal imigração, proveniente de países com um baixo nível sócio-cultural é que lhes anda a dar cabo dos resultados, uns suicidas, os suecos. Ora vamos lá ver quem de onde vêm os imigrantes na Suécia (dados de 2010): [Read more…]

Dieta Mediterrânica

dieta_mediterranicaPatrimónio (i)material de Portugal

A dieta mediterrânica faz bem à saúde

dieta mediterrânica
Os números falam por si.

Porque o que é Justo é Justo

Relação das duas dinastias de Correios-Mores do Reino[4]

Pedro Passos Coelho preside a um governo singular. Um governo que transporta a bandeira na lapela. Um governo que descartou o 1º de Dezembro. Um governo que clama pela nossa situação de protectorado. E, para não entediar com mais «pormenores», um governo que privatizou o serviço de Correios. Mas, o serviço postal, criado como serviço público por D. Manuel I, já passou por uma fase privada, até ser «re-estatizado» por D. Maria I. E quem foi o governante que procedeu à sua privatização? Filipe III (sim, III, de Espanha, claro!). Ora que surpresa tão esclarecedora… faz sentido agora toda a actuação deste governo. Tem como Musa Inspiradora a Infame Dinastia. Mas, nisto espero congregar a acção dos justos, não precisamos de concordar com os nossos adversários para exigir que lhes seja feita justiça. Como tal urge premiar toda uma coerência de actuação (mesmo não concordando).

Petição Prémio Filipe III para Passos Coelho (em espanholês/portunhol) [Read more…]

Dieta

Passei hoje pelo supermercado. E ao olhar a banca do peixe – onde o mais barato estava a 15 euros/kg – percebi porque a classificaram como “património imaterial”…

Vantagens de o SCP estar no primeiro lugar:

O William Carvalho, perdão, o maradona escreveu um post.