Ao Sair da Carruagem, a Puta da Ladroagem Roubou-me o Saco da Broa

metralhas

Era habitual na minha adolescência cantar-se isto. E foi o que me veio à cabeça quando me roubaram.

Não foi bem o saco da broa e não era bem uma carruagem, mas que a ladroagem me roubou, ai isso roubou!

Passo a explicar: Terça-feira de manhã cedo. Decidimos nesse dia não levar as crianças ao infantário e, em vez disso, levá-las a um local bem divertido. Tudo pronto para arrancarmos e o carro, velhinho, não pega. 

Entretanto, passa um senhor que, simpaticamente, se oferece para ajudar, esclarecendo que é mecânico numa marca de automóveis. Suspeita de que seja a bomba de gasolina e pede para se tirar as cadeirinhas de viagem das crianças, para poder ver a bomba de gasolina. As cadeirinhas são tiradas e colocadas no passeio, junto do qual o carro estava estacionado.

Depois de feita a sua análise, o senhor endireita o banco traseiro e quando o meu marido vai colocar as cadeiras na viatura, repara que elas simplesmente sumiram. Andaram ambos à procura das cadeiras e nada! Não se vê ninguém com cadeiras de carro na mão. Ninguém viu o que se passava. Ninguém sabe de nada.

Sendo elementos vitais para que as crianças viagem em segurança no carro, lá fomos nós, um casal composto por dois elementos da antiga classe média, gastar nas cadeirinhas o dinheiro que não temos. O dinheiro que faz falta para comprar comida, roupa  e calçado para as crianças.

Fiquei e continuo revoltada. A situação do país está má. Eu sei bem que está, mas roubarmo-nos uns aos outros?

Não basta todo o mal que os desgovernantes fazem, agora também o povo se divide? Numa altura em que devíamos todos ser protectores de todos os outros, esta situação, o roubo de má-fé e o ter que gastar o que faz falta para as despesas diárias, deixou-me descrente na humanidade. Pelo menos nos Portugueses.

Realmente, um povo assim merece todo o mal que um gang de um governo de idiotas lhe infligir.

Cá por casa, mais caricato do que isto, só aquela vez em que nos entraram em casa e roubaram apenas umas sete garrafas de azeite e um pequeno rádio da cozinha.

Comments

  1. Nightwish says:

    Recenteente entraram na casa dos meus falecidos avós para roubar fios e candeiros.
    É este o sonho molhado da direita radical.

  2. Carlos Fonseca says:

    Um País à deriva, sem governo capaz, de muita gente que objectivamente não presta e a classe média, como dizes, já se foi. Com os mais habilitados a partir, endividados, os portugueses tendem a viver numa sociedade descontrolada, do tipo do ‘Rio’, ‘S. Paulo’ que durante tantos anos criticámos. Muitas vezes com soberba.


  3. Não é só o governo que tem o direito de roubar, o povo também.

  4. Sarisa says:

    Em alturas de crise os roubos (entre a população) aumentam. Isso é um facto, infelizmente…

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