Uma inconstitucionalidade e um buraco, as prendas do Rosalino

Hélder Rosalino, hoje, porventura estará mais aliviado. Sai do governo e regressa ao Banco de Portugal, esse albergue de trabalhadores ‘barões’, beneficiários de condições de remuneração imunes a sacrifícios, reforçadas de privilégios adicionais. Usufruem de regime de relações contratuais de trabalho próprio, sob protecção do BCE.

O Banco de Portugal, de resto, é um albergue de luxo, por onde desfilaram figuras destacadas da política. Do PR a Silva Lopes, incluindo Oliveira e Costa e muitos, muitos outros amparados do regime e/ou incompetentes para supervisionar o ‘sistema financeiro nacional’, como Vítor Constâncio.

O caso do BPN é paradigmático – há outros, como o BCP e restante banca – e pequena-grande parte do fadário das ‘contas públicas’ nacionais que justificam as injustiças, umas vezes tentadas outras conseguidas, de castigar através da diminuição os rendimentos de reformados e pensionistas, o grupo etário mais envelhecido e indefeso da sociedade portuguesa.    Continuar a ler “Uma inconstitucionalidade e um buraco, as prendas do Rosalino”

“Não executivo” é turista?

working week

Depois de ter lido que Rui Rio “assumirá funções não executivas no BCP”, resolvi recuperar este meu projecto que ainda não obteve resposta positiva de nenhum banqueiro. Espero que, desta vez, algum deles se chegue à frente, carago! Será que nestas actividades os lugares são assim tipo companhia aérea? Ora, se o Rio foi nomeado para um lugar “não executivo”, vai para a classe turística, não é assim? E agora o meu projecto:

Decidi ser empreendedor. Então, dirigi-me ao banco mais próximo e apresentei a minha proposta: pretendo comprar 5% da Galp e, para isso, preciso de um empréstimo bancário. Como se compreende, é um empréstimo avultado, mas o meu projecto tem garantia de sucesso. Continuar a ler ““Não executivo” é turista?”

O rótulo que eu ando para escrever

Se tenho de comprar uma garrafa de vinho escolho-a, claro está, pela prosa do rótulo. Coisas como “mime-se a si próprio após um dia atarefado” fazem-me pousar logo a garrafa. Mas se me anunciarem “ginjas com matizes tostados” eu fico interessada, mais pela ginja, é certo, e pelo calorzinho nas faces que ela deve trazer. Se me confessarem que um vinho revela a presença de fruta “dando sinais de fadiga” imagino uvas pálidas, tombando sem ganas no cesto da vindima,  “ai filhas, que vida a nossa”.

Já “taninos firmes e redondos” soa-me a promessa de máquina para glúteos da tvshop, mas sempre traz algo de viço e juventude.

Se me dizem que as origens do que está na garrafa são “vinhas dramáticas de montanha” eu peço para me encherem o copo, que drama é comigo e dramas montanhosos, com a promessa de montes uivantes e acidentes trágicos pelas escarpas abaixo, deixam-me empolgada.

Um vinho que “na boca deixa um longo e persistente final” tem ecos de Philip Marlowe, logo imagino que será um pouco ácido, mas apenas nos primeiros sorvos. Continuar a ler “O rótulo que eu ando para escrever”