Demência moral


a espera

Alguém que tenha a caridade de explicar ao responsável pela governação do país durante 348 dos 365 dias de 2015 que ele até poderia ter tido ausência de défice se tivesse adiado despesa qb mais um mês.

Varrer o BANIF para debaixo do tapete, até ter rebentado nas mãos do inquilino seguinte, não serve de argumento para fazer de conta que não foi nada com ele.

Passos Coelho insistiu que Portugal teve um défice de 3% em 2015, se se descontar a despesa com o Banif.

Não é por se insistir na mentira que esta passa a verdade. Mesmo com as vozes do dono a fazerem de caixa de ressonância na comunicação social.

A demência, no entanto, não fica por aqui. Mandam recados para Bruxelas a pedir que Portugal não seja castigado por défice excessivo. Há logo a questão da linguagem, tão ao gosto católico, do pecado e penitência. O irónico é que, como vimos, o pecador estava a pedir, nem mais, nem menos, do que absolvição para si mesmo.

E a loucura continua via os eurodeputados da direita portuguesa, que vêm o seu euro-chefe apelar às pragas do Egipto, sem se demarcarem dessas posições abomináveis. Não sejamos inocentes, pois a estratégia de fundo é clara. A direita portuguesa, com o apoio da direita europeia, procura levantar todos os obstáculos, até que tudo piore em Portugal. O seu sonho húmido é virem a vender à China  as cinzas do país que se entretêm a queimar.

Por fim, há ainda a declaração fantástica do Coelho sobre o efeito negativo devido aos estados, como a China, palavras dele, interferirem na economia. Isto depois de ter oferecido a REN e a EDP ao governo chinês. Ou, ainda, pronunciar-se a favor da criminalização dos políticos que não cumpram as suas obrigações tributárias, depois de, com grande lata, não ter pago a sua contribuição para a segurança social.

Que haja um deslavado sem vergonha na cara, que pouco se importe com o nulo valor da sua palavra, não me surpreende. Afinal de contas, há quem tudo faça pelo poder. Mas que tal ser tenha apoiantes já é preocupante, pois demonstra até onde chegou a pior das corrupções, a dos princípios.

Comments

  1. fleitao says:

    Mais do que demência moral, é a ausência de moral de que sofre Passos Coelho, toda a corja governamental que esteve com ele e os salafrários que o apoiam, no país e na UE. E como se a miséria fosse pouco, sofrem ainda de indigência intlectual. Não há que ter paninhos quentes com esta gentalha, precisam de ser desmascarados um a um e entregues ao tribunal da rua de que tanto gostam para os outros. Pelo tanto mal que já fizeram a Portugal e aos portugueses, serão malditos. É assim que ficarão na História.

  2. mario pinto says:

    Passos pode ter varrido para debaixo do tapete o problema do Banif, mas Costa é o primeiro responsável (a par do governador do BdP) pela resolução daquele banco. Afinal, quem quis salvar um banco (e os accionistas) foi AC!!! É isto um tempo novo?!

    • joão lopes says:

      pior,Passos recusou-se a resolver um problema,deixando a batata quente para o governo seguinte….um PM(seja quem for,e seja qual for a cor politica) descurar as suas obrigações é um acto muito grave,diria quase um acto de traição aos seus proprios concidadãos.

    • j. manuel cordeiro says:

      “Passos pode ter varrido para debaixo do tapete o problema do Banif, mas Costa é o primeiro responsável (a par do governador do BdP) pela resolução daquele banco. Afinal, quem quis salvar um banco (e os accionistas) foi AC!!! É isto um tempo novo?!”

      Está a referir-se à solução que a comissária europeia disse, ainda no governo de PPC, que era para ser considerada e que já estava acordada?

      Haja alguma honestidade mental. Ambos sabemos que a decisão não foi de António Costa. Eventualmente, poderá ter tido uma pitada da parte do Costa do BdP. Mas foi o diktat europeu quem decidiu.

      E PPC também o sabe. Lavar as mãos daí, como Pilatos, é desonesto. Ele teve todo o tempo para resolver a questão. Só não lhe deu jeito porque, afinal, havia eleições. Por isso, num mês e depois de notícias cirurgicamente plantadas na TVI, foi preciso apagar um fogo. Decisões tomadas à pressa são sempre piores do que as que são tomadas de forma ponderada. E nisso, é imperdoável o que PPC fez. Tal como é imperdoável agora fazer-se de sonso, como se nada tivesse a ver com o assunto.

  3. Martinhopm says:

    Mas o valdevinos do Passos Coelho ainda tem a pouca vergonha de vir com esta tanga?! Deveria era ser responsabilizado criminalmente, julgado e e engaiolado por esta e por muitas mais, como aliás defendia o Duartinho Marques só que em relação a Sócrates. Arre porra que já é demais! Quando é que este gajo se cala?

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