É isto o que há a dizer quanto à escola privada vs. escola pública


(…) 3. É curiosa, surreal, a ideia da direita de que o tratamento dado pelo Estado à escola pública seria ilegítimo porque as privilegiaria face às escolas privadas. Os neoliberais defendem que a escola pública seja tratada em pé de igualdade com as escolas privadas (ou seja: que os impostos de todos nós alimentem as empresas privadas proprietárias de escolas). O que acontece, por muito que isso aborreça os neoliberais de serviço – e eles têm estado diligentemente de serviço –  é que o Estado democrático possui um estatuto diferente das empresas privadas não só porque lhe cabe defender o interesse público de todos os cidadãos sem excepção mas porque emana de uma vontade colectiva democraticamente definida, que decide os valores que a sociedade quer ver promovidos.


4. Finalmente, não tem o menor sentido justificar a defesa da escola pública com o seu custo inferior, porque o valor da escola pública não é o seu preço. A comparação pode ter interesse mas não pode ser a base de qualquer opção política. Mesmo que a escola pública custasse o dobro da privada ela deveria continuar a ser suportada pela comunidade. Porque a escola pública possui um caderno de encargos que nada tem a ver com a escola privada. A escola pública possui, antes de mais, o nobre objectivo de servir todos os cidadãos: os bons alunos, os maus, os péssimos, os indisciplinados, os imigrantes, os ciganos, os pobres, os filhos dos analfabetos, os toxicodependentes, os deficientes, os violentos, os doentes, os contestários. A escola privada é um negócio e tem o direito de o ser. A escola pública tem o dever de não o ser. A escola privada pode seleccionar os mais endinheirados, por exemplo. A escola pública aceita todos. A escola pública esforça-se por dar a todos uma oportunidade e por promover os menos afortunados. A escola privada gosta de campeões e escolhe os que o podem ser. A escola privada reproduz um sistema de castas que a escola pública tem como missão destruir. É por isso que, se existem sectores e momentos onde a escola privada pode tapar uns buracos da rede pública, nunca a poderá nem deverá substituir. (…) [José Vítor Malheiros, in Público, 30/05/2016]

Comments

  1. Os Cardeais Cerejeiras, Os Cónegos Melos e a Constituição

    Os crimes de tortura a idosos ou os crimes de abuso sexual a crianças e jovens perpetrados por membros da igreja, devem fazer meditar os católicos.
    Ainda assim, outras matérias devem merecer especial atenção, designadamente os interesses financeiros e a corrupção existente no seio da igreja católica.
    Ora vejamos.
    No princípio de Outubro de 2012 o então ministro das finanças Victor Gaspar, anunciava ao país um aumento da carga fiscal a que chamou “um enorme aumento de impostos”.
    Grande parte dos portugueses ficou em choque com o que ouviu, porque de imediato inferiu que a maioria dos cidadaõs ia ser submetida a grandes sacrifícios.
    Uns dias depois, em plenas cerimónias religiosas em Fátima, o então cardeal patriarca de Lisboa resolveu dar o apoio público da igreja católica às medidas do ministro Gaspar, do seu governo e à própria Troika.
    Afirmou o cardeal que só havia um caminho a seguir e não dois e, o sacrifício que era pedido aos portugueses ia levar a resultados positivos.
    Ninguém queria acreditar na gravidade de tal afirmação.
    “O cardeal a fazer política”. “Não se admite”. “Não vim cá para isso”, sussurravam algumas pessoas incrédulas.
    Mas, foi sem dúvida um verdadeiro apoio político ao governo e à austeridade.
    E, não contente com tamanha enormidade, o prelado continuou com o seu indecoroso e inadequado discurso, fazendo um forte ataque às manifestações, tendo afirmado que a contestação na rua não resolvia os problemas do país.
    Uma igreja a quem competia defender os desprotegidos e os mais pobres, foi, ao invés, o maior apoiante das políticas de austeridade impostas à maioria dos portugueses pelos governantes corruptos, mesmo sabendo que estava a condenar à morte muitos cidadãos, nomeadamente católicos.
    Já quando foi chamada a pagar IMI pelos imóveis que possuía, essa mesma igreja recusou cumprir com a sua obrigação fiscal.
    Algumas dezenas desses imóveis foram transformados em escolas e colégios privados e grande parte deles são financiados pelo Estado, ao abrigo dos contratos de associação previstos na Constituição da República, que garante o direito gratuito à Educação às crianças e jovens que não dispõem de oferta pública na sua área de residência.
    Mas, chegou-se à conclusão que esse financiamento já não se justifica em determinadas escolas privadas, pelo facto de haver na mesma localidade oferta pública de ensino.
    A igreja, sente-se acossada, sabe que vai perder milhões de euros e pela voz do actual cardeal patriarca de Lisboa envolve-se num caso meramente político e junta-se à direita reaccionária e ao grande capital no protesto contra o governo, argumentando com a liberdade de escolha.
    Desta vez, por achar estar a defender os seus interesses, a igreja, desonesta e desavergonhadamente, apoiou publicamente a manifestação contra o fim dos contratos de associação.
    Quer dizer, a igreja critica e despreza a contestação do pobre que é roubado, mas quando se trata dos seus interesses financeiros, a igreja mostra-se disponível para o protesto e para a manifestação de rua que outrora rejeitou.
    O cardeal está a marcar a sua posição e dá a entender que futuramente abraçará o projecto político da nova reaccionária, Assunção Cristas do CDS-PP e, a meu ver esta inopinada união vai gerar um desassossego constante nas hostes do PSD.
    Rui Rio e o presidente marcelista vão esfregando as mãos de contentamento.
    Como é sabido, foram poucos os membros da igreja portuguesa que se preocuparam com as liberdades e, o cardeal patriarca pretende apenas servir os filhos da classe média alta e os filhos dos ricos e poderosos, uma prática frequente da igreja católica que já vem de longe.
    Para alcançar o objectivo esta gente faz qualquer coisa, mesmo que isso signifique a instrumentalização, a coacção e a intimidação de crianças, obrigando-as a marcar presença em manifestações de rua.
    Por fim, duas notas.
    O pobre não é obrigado a pagar os luxos do rico e, entre recrutar crianças e jovens para o terrorismo jihadista e recrutar crianças e jovens para manifestações de rua, venha o diabo e escolha.
    Em ambos os casos, é crime.

    • joão lopes says:

      bastaria saber que imoveis da igreja são utilizados com fins comerciais(isto é,colegios privados) para perceber que do ponto de vista fiscal a igreja esta mais que beneficiada,diria mesmo,na situação actual de austeridade,a igreja vive literalmente no ceu(longe do inferno fiscal) sem nada contribuir para os portugueses em geral(tiranto os mais ricos)

  2. joão lopes says:

    mais uma:a dona crista meteu o pé na poça(“sacrificar a escola publica”) e esta fica para memoria futura,pessoas como ela e seus apoiantes só pensam mesmo no seu rico dinheirinho,são os “cristãos de portugal”

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