O argumento falacioso de RMD

Lê-se aquilo e talvez se pense que faz sentido. Até que se repara nos pressupostos.

Não sou professor, logo a mensagem não me é dirigida, mas permito-me imiscuir-me. Afinal de contas, se RMD está qualificado para mandar bitaites sobre educação, porque não o hei-de fazer também, até porque todos tivemos aulas – logo somos especialistas em educação.

No textículo de RMD comparam-se escolas secundárias com universidades. O argumento é que as segundas são óptimas, apesar de públicas, enquanto que as primeiras são uma porcaria, excepto se forem privadas. Logo, os professores do secundário só podem ser fraquinhos, acrescento eu.

A questão é que a comparação é inválida por várias razões.
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Falta liberdade de escolha na escola…

Todos querem o seu problema resolvido sem atacar questões de fundo ou colocar dogmas em causa, em particular o politicamente correcto. Quem reside junto de uma boa escola tende a reivindicar o direito de proximidade para matricular os filhos perto de casa. Quem tem perto uma escola de reputação duvidosa, argumenta com o direito de matricular filhos onde quer. Se necessário, uns e outros recorrem a vários expedientes, da cunha ao suborno tudo vale para conseguir levar por diante as suas pretensões. [Read more…]

A municipalização do ensino

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Dá conta a comunicação social que uma escola de Gaia inventou um “projecto” a que deu o nome de Saber, pelo qual terá sido “distinguida” nos EUA – o jornal não diz por quem* – e que recebeu também a benção da autarquia, que publicita o feito através de meios institucionais. Ora, consiste esse original “projecto”, segundo a bizarra notícia, em pôr alunos do secundário a ensinar os seus colegas mais novos.
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O caso dramático do Liceu José Falcão em Coimbra

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Crateras na parede, fileiras de moisaco partido, fios eléctricos descarnados saídos das paredes da escola, vidros partidos, humidade por todo o lado, o piso do ginásio com falhas perigosas que podem provocar lesões aos jovens no decorrer das aulas de educação física, baldes em todos os cantos para recolher a água da chuva, em todos os cantos, inclusive nas salas de aulas, onde os alunos já são obrigados a levar mantas para se poderem aquecer. Este poderia ser o exemplo de uma escola num país de terceiro mundo ou a passar por uma guerra, mas não, é a realidade de uma escola quase bicentenária situada em pleno coração da cidade de Coimbra, onde estudaram personalidades ilustres da história deste país como Teófilo Braga, Almada Negreiros, Eça de Queirós, António Almeida Santos, Jaime Cortesão, Zeca Afonso, Eugénio de Castro, Carlos Da Mota Pinto, Bissaya Barreto, Vitorino Nemésio, Miguel Torga ou Rómulo de Carvalho.

Uma autêntica vergonha, escondida pelo Parque Escolar, com todas as suas virtudes e fracassos, que ameaça seriamente o ensino público na cidade de Coimbra e que não é mais do que, possivelmente, um pretexto para se fechar de uma vez por todas a escola e obrigar os cidadãos a procurar a vasta oferta privada que existe na cidade.

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Números duros, políticas moles

Santana Castilho*

Há dias, foi tornado público que, durante o ano lectivo de 2015/2016, se registaram 5.051 ocorrências do foro criminal nas escolas portuguesas, isto é, 500 por mês, em média. No ano anterior haviam sido registadas 3.930. Sublinho que não se trata de incidentes disciplinares. Foram ocorrências que caem sob a alçada do Código Penal. Cumulativamente, a PSP teve ainda que intervir em mais 2.001 situações de outro tipo. Estes números são preocupantes e apelam à reflexão.
Aquando de casos mais graves de violência em meio escolar, verifica-se, por parte das autoridades respectivas, uma propensão para dissimular os acontecimentos. Mas se por um lado sabemos que a tendência para iludir o óbvio foi classificada por Freud como a primeira paixão da humanidade, por outro também sabemos que ignorar a realidade nunca nos salva. Aceitemos, então, que a indisciplina é hoje um dos maiores, senão o maior, problema do sistema de ensino e que há uma evidente crise de autoridade na Escola. Quando a estudamos, são esmagadoras duas situações responsáveis: do ponto de vista interno, a falta de coragem para adoptar políticas adequadas à solução dos problemas, materializada pela manutenção de uma lei inadequada, que introduziu no processo disciplinar o método processual penal, com um cortejo de prazos, audições e garantias pedagogicamente desadequadas, tudo permitindo a proliferação de pequenos marginais; do ponto de vista externo, a crescente demissão dos pais para imporem disciplina aos filhos.
A maioria dos pais de filhos indisciplinados não gostaria de ter filhos indisciplinados. Mas não sabe ou não pode discipliná-los. Os restantes são negligentes, que não se interessam pelos filhos e são, eles próprios, quantas vezes, marginais. [Read more…]

Pandora e a Escola Pública

A Caixa de Pandora

A Caixa de Pandora

 

A solução política para o governo de Portugal resultante das últimas eleições legislativas, expressa nos acordos firmados entre o Partido Socialista, o Partido Comunista, o Partido Ecologista “Os Verdes” e o Bloco de Esquerda, referida hoje como sendo uma “Geringonça”, tem como património cívico e político a história da intervenção social dessas organizações e os princípios ideológicos nos quais assenta essa intervenção. Todos subjectivamente comungam valores e posições doutrinárias significativamente conciliáveis, muitas sobre questões políticas e sociais da maior relevância, como a pobreza, a exclusão e a justiça social, temas hoje prementes na sociedade portuguesa, que apresenta uma realidade concreta muito preocupante nesse contexto.

No caso particular do Partido Socialista, parece mostrar-se, no presente, a oportunidade de afirmar a matriz de ideais emergentes da chamada Ética Republicana e da sua Declaração de Princípios, suportes fundamentais na resposta aos dramáticos problemas que afectam as pessoas, as pessoas verdadeiras, de carne e osso, e não meramente os números em que elas aparecem transformadas nas folhas de estatística, num processo involutivo de desumanização do exercício administrativo do poder público que urge estancar e inverter.

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Pela Escola Pública, estamos juntos?

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Continua…