Um artigo deplorável de Pedro Carlos Bacelar de Vasconcelos


O problema deste mundo politicamente correto são sempre estas pessoas, ainda por cima deputados e com responsabilidades, que misturam tudo e, sem nenhuma ponta de bom-senso, ou vergonha na cara, cavalgam as ondas de populismo politicamente correto sem o menor pudor.

Sobre a atuação da CIG, a propósito dos livrinhos da Porto-Editora (editados em 2016) que a CIG, 1 ano depois e para acalmar as redes sociais, resolveu recomendar (sob orientação do Ministro Adjunto) que fossem retirados do mercado, muitos se manifestaram contra essa atitude que consideram muito infeliz. Pensaram esses muitos cidadãos que podiam exercer o seu direito de opinião. Registo imensas pessoas das artes, do jornalismo, das ciências, etc.

Pois hoje fiquei a saber, por este artigo do Pedro Carlos Bacelar de Vasconcelos, deputado e Professor de Direito Constitucional, que essas pessoas são tudo o que podem ler abaixo só porque, imaginem, exerceram o seu direito de opinião. Até apoiantes de Trump passaram a ser, na classificação deste senhor. O Ricardo Araújo Pereira, por exemplo, passou a ser, tal como muito outros, um perigoso ideólogo do mais perigoso que existe.

“O problema é que a utilização da liberdade de expressão como instrumento de propaganda da doutrina identitária de uma nova minoria, “branca, europeia e cristã”, faz o seu caminho na Europa e na América. Uma minoria que se diz oprimida e explorada e que se propõe restaurar privilégios históricos herdados do colonialismo e da escravatura. Curiosamente, imitam a narrativa multicultural que tanto deploravam no passado e desprezam os valores da universalidade e da igualdade perante a lei que as revoluções liberais tinham inscrito do centro do sistema político. Destaca-se nesta cruzada o presidente americano, Donald Trump, que recusou condenar as organizações racistas e xenófobas que promoveram uma manifestação violenta em Chalottesville de que resultou o assassínio de uma mulher, sob a alegação de que os terroristas do Ku Klux Klan e os supremacistas brancos que organizaram o protesto estavam, apenas, a exercer a sua liberdade de expressão!”

O que este senhor acabou de fazer foi justificar, sem mais necessidade, o perigo do populismo e do politicamente correto. De um momento para o outro, só porque se tem o tupete de exercer o direito de opinião, no uso da liberdade tão duramente conquistada, os cidadãos que o fazem passam a “ideólogos de direita”, “defensores de uma minoria branca, europeia e cristã”, defensores do “colonialismo e da escravatura”, defensores de Trump, defensores do “Ku Klux Klan” e outras barbaridades.

TENHAM MEDO.
MUITO MEDO.

Ao Pedro Bacelar de Vasconcelos não recomendo nada. Precisa de ajuda, mas eu não tenho competência para recomendar.

Comments

  1. ganda nóia says:

    texto falacioso do início ao fim. pressupostos falsos. enfim, já estou habituado. faltou voltar a insistir explicitamente na mentira de que houve censura.

  2. joão lopes says:

    perseguir brancos,cristãos e europeus???!!!! onde? mas onde é que eu fui perseguido aqui na europa?e por quem?!!!! o Tarantino que faça mas é filmes com brancos para acabar com esta palhaçada,bolas e rebolas…

  3. Paulo Marques says:

    Dói, não dói? Então continuem a defender o mesmo para doer mais.

  4. Nina Santos says:

    Deplorável será o seu texto.
    Ah…deixa-me opinar?

  5. JgMenos says:

    A canzoada pavloviana entra imediatamente em «modo de defesa e agressão» se lhe censuram um elemento da matilha.
    Pode ser um cretino mentiroso com um discurso desarticulado, mas uma vez identificado como sendo da matilha e enunciando, ainda que a esmo, os mantras do credo em vigor, não lhe faltam apoios.
    Cambada!

    • joão lopes says:

      cá esta,caro Norberto Pires,a conclusão do artigo deploravel:só os amigos da dona helena matos podem falar,o resto da cãozaoda comuna,esquerdalhada e até os vermelhos slb`s ,é tudo para a sarjeta.o povo é uma matilha pobres diabos,e é mesmo assim que lá por o Observador,eles falam.donde pensa que veio o “eu odeio o pobre”?

      • Não percebo que raio tem o que escrevi a ver com o Observador, com a Helena Matos, etc. Cumprimentos.

        • Pura técnica Marxista. Não tem argumentos ? Há que misturar tudo e causar confusão …

          Rui Silva

          • Ernesto says:

            “Pura técnica Marxista. Não tem argumentos”

            Pode enviar fontes que fundamentem a sua afirmação?

            Obrigado

          • As fontes encontram-se através da literatura disponível sobre a temática em qualquer biblioteca na República de Portugal; convém salientar que as bibliotecas públicas portuguesas para além de possuírem um excelente e vasto acervo literário, contam inclusive com um suporte técnico e de pessoal extremamente modernizado e competente, o que lhe dará todas as condições para esclarecer as dúvidas que traz sobre o assunto.

            Recomendo também que consulte os documentos oficiais da época relativos a este tema, e que seja fluente em vários idiomas para além do inglês, por forma a que a sua pesquisa não fique condicionada.

            E acima de tudo não seja preguiçoso(a).

            Créditos para-:
            Democrata says:
            29/08/2017 às 21:55
            🙂

            Rui Silva

          • Ernesto says:

            Embora esteja à vontade em várias línguas, consegui, em Inglês, perceber que não há nada que suporte a sua afirmação!

            Mas já agora, não seria mais fácil detectar uma “técnica marxista”, lendo Marx?!?
            Cabecinha pensadora…

            Bom fim de semana:)

  6. A.Silva says:

    texto deplorável deste Norberto, e acima de tudo MENTIROSO.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Once é que está a mentira? Ele transcreveu uma passagem do artigo referido. Fui lá ver, e está lá tudo. Por isso não é mentira. E como não é mentira, é deplorável, revelador de uma netalidade persecutória e que convive mal com a liberdade e a democracia. Como parece acontecer com muitos comentaristas que por aqui andam.

      Criticam o Observador (que eu também critico) mas o Aventar parece, cada vez mais, um Observador de sinal contrário. Delizmente, ainda vivemos num país onde podem existir (mesmo que se não tolerem mutuamente) o Aventar e o Observador. E eu posso criticar livremente num e noutro. Esperemos que a situação não se altere.

    • Tem direito à sua opinião e ainda bem. Pode, por favor, dizer-me onde é que o texto é mentiroso? Obrigado.

  7. maria isabel da silva e silva diniz de carvalho says:

    O Aventar transformado em albergue espanhol já me anda de há uns tempos a esta parte a causar vómitos.
    Ninguém, repito, ninguém pretendeu ou pretende coartar a liberdade de quem quer quer seja. Bacelar de Vasconcelos exerceu o seu direito de contraditório e a isso dá-se o nome de liberdade. Entendeu snr Pires?

    • Ernesto says:

      Cara Maria, ele entendeu isso antes mesmo de escrever o que escreveu 😉 Chama-se “desonestidade intelectual”, e sendo o seu líder, Passos Coelho, só está a replicar o dito!

      Cumprimentos

    • Exerceu o seu direito de opinião e eu tenho todo o direito de dizer o que penso sobre a opinião dele. Sim, chama-se a isso liberdade. Obrigado.

    • JgMenos says:

      A liberdade não valida a mentira idiota – ‘uma nova minoria, branca, europeia e cristã’; tem pelo menos dois mil anos.
      E até o Trump condenou os supremacistas; o que fez foi não os condenar pela violência que resultou de ter havido uma contra-manifestação.
      Mas para a esquerdalhada a verdade leva facilmente uns ajustes sempre que é preciso compor um mantra e fazer esquecer a sua congénita mediocridade funcional.

      • Antonio Vaz says:

        – “E até o Trump condenou os supremacistas; o que fez foi não os condenar pela violência que resultou de ter havido uma contra-manifestação.”
        Não, não os “condenou”… apenas se limitou a criar um “ambivalência moral”, como foi amplamente noticiado pelas “fake news” que, inclusive, apontavam várias figuras actuais e históricas, do Partido Republicano, entre os que marchavam pelo racismo, segregacionismo, supremacismo ou nazismo e, os que se barricaram contra isso – a violência apontada por ele à “alt-left” – algo que não existe para além da sua retórica demagógica e de um punhado de aderentes à mesma!
        A lei estado-unidense, assim como permite que um racista berre morte aos pretos e aos judeus, permite que, na mesma altura e no mesmo lugar, haja alguém a berrar pela morte aos racistas – e, para que isso possa funcionar, as autoridades policiais deveriam funcionar de modo a defender ambos grupos mas aparentemente, de acordo com organizações que se preocupam com as liberdades cívicas, as ditas autoridades aceitam tudo o que vem das hostes do “racismo, segregacionismo, supremacismo ou nazismo” (do uso de armas nas suas manifestações a virarem as costas as eles, preferindo concentrarem-se na “esquerdalhada”)…
        – “uma nova minoria, branca, europeia e cristã’; tem pelo menos dois mil anos” – de facto, considerá-la “nova” é como quem usa o prefixo “neo” ao nazismo… ou “allt” à “right”, é que nada há de novo nelas… ou como V. diz, elas sustentam-se em “pelo menos dois anos”! mas evidentemente, na História escrita por vocês… onde apagam que Cristo era judeu para fazer dele um louro cabeludo de olhos azuis, uma superioridade racial baseada em pressupostos biblícos quando pintam os mouros como esclavagistas ou o seu profeta, como um pedófilo sem se lembrarem da idade com que a virgem Maria foi emprenhada por…deus? José? Enfim… quem quiserem!

      • Paulo Marques says:

        “A liberdade não valida a mentira idiota ”

        Defende portanto a prisão de toda a bancada parlamentar do PSD, além da do CDS? Mentiras idiotas não lhes faltam, quanto mais não seja porque se contradizem dia sim dia não. Eu acho que é mais caso de doença mental.

  8. Ernesto says:

    Acho que o autor deve adorar esta frase do Clint Eastwood:

    “Há coisas que hoje se chamam racistas que no meu tempo ninguém chamava racista”

    Acontece que evoluímos, caro J. Norberto Pires, mesmo que a evolução não vá de acordo com o que acha que deveria ter ido. Por exemplo, pode achar que devíamos ter evoluído para considerar, de forma cada vez mais veemente, a mulher, o cigano, o preto,etc, como ser inferior, mas não é que estamos a evoluir, na essência da palavra, para que nos vejamos como simples seres humanos, iguais!!!

    E não, por muita popularidade que tenha, não pode andar na 5th avenue a dar tiros às pessoas, e não lhe acontecer nada!

    Mundo estranho este que vivemos, não é?

  9. Antonio Vaz says:

    Ninguém é obrigado a compreender o que outros escrevem e, em especial, quando não “gostamos” mesmo nada deles: sobe-nos os fornicoques à mioleira e, compreensivelmente, enquanto não descarregamos a bílis, não descansamos… invariavelmente também, o resultado é sair asneira pelo que se deveria evitar tudo isto, lutando primeiro para que os fornicoques não subissem à mioleira e, em último caso, optar por descarregar a bílis no local apropriado: a casa de banho!
    Muitas razões podem estar por detrás dessa incompreensão: de um dos quaisquer graus de analfabetismo funcional a uma simples e conveniente casmurrice, passando pela voluntária opção de não querer compreender o que o outro escreveu – “voluntária opção de não querer compreender”? Sim, aquela em que alguém diz vou “matar o bicho” (https://www.priberam.pt/dlpo/matar%20o%20bicho) e o outro telefona para a polícia a avisar de um crime prestes a ser cometido…
    Quando se começa um artigo de opinião com uma introdução tão primária e sem qualquer possível fundamentação, como a de «O problema deste mundo politicamente correto são sempre», a partir daí tudo fica inquinado: se o recurso à expressão “politicamente correcto” (PC) é apenas um sintoma porque, os que Hoje em dia recorrem a ela, apenas a vão usando de um modo pejorativo (https://academicalism.wordpress.com/2012/10/12/political-correctness-decoding-a-vicious-pernicious-code-word/) já o pressuposto de que o mundo é dominado pelo dito PC («mundo politicamente correto»), para além do seu carácter alucinatório, apenas confirma o estado de paranóia dos que se sentem “picados” com o que o, sic, «ainda por cima deputado(…) e com responsabilidades, que mistura(…) tudo e, sem nenhuma ponta de bom-senso, ou vergonha na cara, cavalga(…) as ondas de populismo politicamente correto sem o menor pudor» (ufa!) Pedro Carlos Bacelar de Vasconcelos, teve o desplante de dizer num outro artigo de opinião: «certos ideólogos de Direita não perderam a oportunidade para denunciar mais um suposto atentado contra a liberdade de expressão».
    Eu não vou cair na sobrestimação de o rotular, caro J. Norberto Pires, de um «ideólogo de Direita» – explico-me: ideólogo, excluindo o sentido “figurado” apontado pelo dicionário da Priberam (https://www.priberam.pt/dlpo/ide%C3%B3logo), exige algo mais que, pelo que li aqui, V. não só não consegue chegar lá como nunca o há-de conseguir… nem que se ponha em bicos de pé!
    PS. Não, o Ricardo Araújo Pereira (RAP) não «passou a ser, tal como muito outros, um perigoso ideólogo do mais perigoso que existe» mas apenas a ser um Ser Humano que quiçá, por estar lá, algures no topo, acaba por cometer algumas gafes… mal da política educativa pré-escolar de um estado, dito democrático e de direito, se ela tiver como “verdade” a ditada por um humorista e não por uma Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género… RAP – por enquanto! – não é um palhaço como Beppe Grillo(!) e, claro, também o que V. “leu” no outro artigo de opinião.
    Deixo aqui algumas ligações que julgo serem interessantes, em especial, para os que concordarem com a sua visão de que o mundo é controlado pelo politicamente correcto:
    – Uma entrevista da SIC à sra. Teresa Fragos, a presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género
    http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-08-24-Nao-e-de-menor-importancia-o-tipo-de-imagens-que-transmitimos-as-nossas-criancas-1
    – e alguns comentários em blogues sociais:
    * – https://capazes.pt/cronicas/cronica-pouco-humor/view-all/
    * – https://esqrever.com/2017/08/30/historico-de-uma-histeria-capaz-para-meninos-e-meninas/

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      “– Uma entrevista da SIC à sra. Teresa Fragos, a presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género
      http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-08-24-Nao-e-de-menor-importancia-o-tipo-de-imagens-que-transmitimos-as-nossas-criancas-1

      Esta entrevista é um aviar de lugares comuns, estereótipos e preconceitos. Vindo de quem tanto se preocupava em combater os estereótipos e os preconceitos, enfim..
      Começa logo por dizer que antes de 1974, os rapazes e as raparigas estudavam em turmas diferentes. Azar do caraças… Eu entrei para o Ciclo Preparatório (actual 5º ano) em 1971 e logo aí, e desde então, tive sempre turmas mistas. Lá está… preocupam-se sobretudo em “reescrever” a História.

      Depois vai por ali fora, explicando com um ar paternalista (como quem está a dar uma aula para mentecaptos -. neste caso, os pais que estiverem a assistir) que estes manuais têm implícita a ideia de que há actividades só para rapazes (não sem antes implicar com o termo rapazes) e outras só para meninas (que deviam ser raparigas). Porque passam a ideia de que os rapazes são mais activos, e as meninas mais atinadas e bem comportadas (blah, blah, blah… que grande menitra, não é?)

      Uma novidade, senhora dra. É que há mesmo actividades que, muito embora as raparigas possam participar nelas, são essencialmente para rapazes, e as meninas, por regra, não vêem nelas grande interesse, e há actividades essencialmente para meninas, e, por regra, os rapazes vêem nelas pouco interesse. E NÃO HÁ MAL NENHUM QUE ASSIM SEJA.

      Criei um rapaz e três raparigas. Nunca diferenciei a educação que dava a qualquer um deles, e as raparigas sempre tiveram acesso a tudo o que o irmão tinha e vice-versa. Curiosamente, nunca as vi interessadas nos brinquedos relacxionados com o espaço, ou com os piratas, os com os bichos, que eram os que ele gostava. Elas sempre preferiram os póneis, bonecas, tintas para pintar, etc. E não foi porque nós as empurrássemos para isso. Sempre vestiram todas calças e outro vestuário prático (porque era o mais fácil de tratar e cuidar de quatro não é tarefa fácil). As meninas sempre quiseram o cabelo comprido. Curiosamente, quem teve de ser condicionado (porque também queria deixar crescer o cabelo) foi o rapaz, porque a mãe não o queria com o cabelo comprido,

      Só alguém com grandes reservas mentais e um pensamento eivado de preconceitos, é que vê algum mal na diferenciação. Igualdade não é transformar raparigas em rapazes e vice-versa. Igualdade é permtir às raparigas ser raparigas e aos rapazes ser rapazes, sem que nenhum dos sexos se sinta inferiorizado.

      Por isso, quando falarem de preconceitos, olhem-se ao espelho.

      • Antonio Vaz says:

        «Igualdade não é transformar raparigas em rapazes e vice-versa. Igualdade é permtir às raparigas ser raparigas e aos rapazes ser rapazes, sem que nenhum dos sexos se sinta inferiorizado.»
        Estive para o deixar sem resposta… mas enfim, não achei que fosse muito educado da minha parte fazê-lo, até porque é a primeira vez que comento aqui.
        Sobre tudo o que diz, pouco haveria para dizer mas vou esforçar-me: V. é daqueles que não quer compreender o que os que têm ideias diferentes das suas dizem e, quando assim é, não adianta muito argumentar. Um exemplo flagrante, são essas duas frases que extraí do seu comentário – mas quem é que V. viu/ouviu a defender a transformação de rapazes em raparigas e/ou o contrário? É que isso nem chega a ser um argumento: é apenas uma simples “deturpação” – e eu até vou considerar que é por mero “descuido” seu – de tudo o que eu (e, neste caso, também a Teresa Fragos) possa(mos) ter defendido.
        Quer a entrevista à Teresa Fragos, quer o meu anterior comentário, têm como base os Blocos de Actividades para “meninas” e “rapazes”, respectivamente, o rosa e o azul… e nada têm a ver com o seu, sic, «que há mesmo actividades que, muito embora as raparigas possam participar nelas, são essencialmente para rapazes, e as meninas, por regra, não vêem nelas grande interesse, e há actividades essencialmente para meninas, e, por regra, os rapazes vêem nelas pouco interesse» – porquê? É simples, por um lado, levar a discussão para outros campos é como a levar para um deserto: nunca saberá o que ambos pensamos sobre isso porque não foi sobre outros assuntos que demos a nossa opinião; e, por outro, porque apenas nos pronunciamos sobre os livrinhos lançados pela Porto Editora que, segundo a mesma, «têm como objetivo desenvolver determinadas competências essenciais em idade pré-escolar, nomeadamente a atenção e a concentração» e isto, resumindo, quer dizer uma série de joguinhos inscritos em papel, em 2 livrinhos, destinados ao nível de desenvolvimento intelectual das crianças que estão prestes a entrar para a “escola” (4-6 anos de idade), em que a partir de uma exploração visual as desafiam a usar recursos como a atenção e a concentração, isto é, basicamente intelectuais! Não estamos a falar de pular e correr, que julgo que aceitará pacificamente que é comum a ambos os sexos, ou dar pontapés na bola e pentear Barbies, que julgo serão, para si, respectivamente “actividades essencialmente para rapazes (…) e actividades essencialmente para meninas”. São apenas 2 livrinhos que até poderiam ser apenas um, em que nele, a representação gráfica de 2 meninos dos 2 sexos, juntos, seriam os “aventureiros” de uma “descoberta” disto ou daquilo, de robots a sandes para o lanche, passando pelas idas a museus ou olhar para prédios na Brandoa… será isto pedir demais? Porquê? Porque insistir em transmitir uma mensagem (que é isso que fez a Porto Editora!) a essas crianças, de que a menina deve procurar a coroa de princesa e o menino (quero dizer, o rapaz porque, de facto, menino é um tanto ou quanto “larilas”!), o robot do futuro? Ou, na chalaça pretensamente ingénua mas suficientemente mordaz para que se descubra um “novo” Ricardo Araújo Pereira (basta ver como ele foi apreciado e enaltecido!), em que a menina até aparece como “intelectualmente superior” porque vai ao museu enquanto a “besta” do rapaz fica a olhar para um prédio?

        • Fernando Manuel Rodrigues says:

          Portanto, o seu problema é tão somente existirem dois livros, em vez de um só? Sim, concordo que um só livro seria a solução lógica (e até a mais económica). Também não vejo necessidade de haver dois cadernos de exercícios separados. Mas não foi essa a crítica que foi feita, nem a razão apontada para a “recomendação”. O que foi dito foi: “a editora, ao optar por lançar duas publicações com atividades que diferenciam cores, temas e grau de dificuldade para rapazes e raparigas, acentua estereótipos de género que estão na base de desigualdades profundas dos papéis sociais das mulheres e dos homens”.

          Conclusão que, como já foi demonstrado em diversos locais, é altamente questionável. E não acha então que é demasiado alarido para coisa tão pouca? Subscrevo sem problemas que poderia ser apenas um livro, mas repugna-me que o governo (que tem tanta sarna para se coçar) intervenha numa situação de lana caprina, apenas porque meia dúzia ergue a voz nas redes sociais. E ainda por cima com argumentos retirados de uma qualquer “cartilha feminista”.

          Porra, foram centenas de milhar que ergueram a voz contra o Acordo Ortográfico, e aí o governo fez (e continua a fazer) orelhas moucas. E a questão é bem mais grave, e de consequências bem mais graves, do que esta.

          Mas o meu comentário foi relativamente à entrevista da Dra. Teresa Fragoso, que eu não tinha visto (praticamente não vejo televisão, e quando vejo são apenas os canais de filmes e séries) cujo link V. Exa. colocou no seu comentário. Essa entrevista foi um exercício fútil, de uma vacuidade total, um aviar de lugares-comuns, um mero recitar da cassete – e ainda por cima com dados factualmente errados, como eu referi – eu frequentei a escola oficial em turmas mistas dede 1971. Também teceu uma série de considerações factualmente erradas ou imprecisas relativamente ás leis que regiam o casamento e a relação marido-mulher, que foram profundamente alteradas pelo código de 1966. Deixou de ser verdade, por exemplo, que o marido tinha de dar consentimento para a mulher trabalhar, como ela afirmou. Não era um mar-de-rosas para as mulheres, mas acontece que os pontos que a senhora focou na sua entrevista estavam errados. Concluo, portanto, pela nutilidade de uma comissão cuja presidente nem sequer conhece a História recente do país.

          De resto, a legislação publicada depois de 1974 coloca em pé de igualdade mulheres e homens. A proibição da discriminação em razão do sexo está consagrada desde logo na Constituição, aprovada e promulgada em 1976. As mulheres têm acesso à educação e a qualquer profissão, em pé de igualdade com os homens, e são iguais perante a lei. Qualquer situação de discriminação só tem de ser denunciada, e os tribunais lá estão para julgar. Deixemo-nos pois de “coitadismos”.

          Quanto às declarações de intenções da Porto Editora… Se enveredar por aí, então está mesmo a defender a censura. Vamos lá proibir (perdão – “recomendar que seja desligado”) o canal Panda, o Disney, os livros da Enid Blyton e da Anita, etc.

          Sim, porque os pais, esses mentecaptos, não têm qualquer discernimento, e por isso é preciso o governo, através de uma qualquer comissão, substituí-los e assumir a educação das crianças. Portanto, será melhor dar-se início à construção de grandes armazéns, onde as crianças, que serão retiradas aos aludidos pais mentecaptos e irresponsáveis, serão alojadas, a fim de ser devidamente educadas pelo Estado nos valores do “homem novo”… Hmm… Onde é que eu já vi isto?

          • Antonio Vaz says:

            Não, o meu “problema” não é o de «existirem dois livros, em vez de um só» mas sim o do que os 2 livrinhos significam, em termos pedagógicos, das suas capas às actividades propostas no seu interior. É daí que nasce o “problema”. A minha sugestão da existência de apenas 1 livro, tal como está descrito no meu anterior comentário, teria sido uma possível maneira da Porto Editora ter evitado toda esta confusão…
            Creio que a situação é muito simples: alguém deu de caras com os 2 livrinhos e iniciou uma campanha. Se tal não tivesse acontecido, os livros continuariam aí a ser vendidos. A Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género (CIG), que está a comemorar 40 anos de existência, não é propriamente uma comissão de censura e, por isso, depois ter analisado o conteúdo dos mesmos, deu um parecer e emitiu uma recomendação – tudo dentro das suas atribuições. Não me lembro de alguém se ter oposto à criação da CIG e das suas atribuições. Porquê então agora todo este alarido? Esperavam que ela existisse apenas no papel? A Porto Editora até aceitou voluntariamente o parecer e a oferta de colaboração da CIG – nunca ninguém da editora falou em censura, em tribunais, em tudo o que vi para aí em artigos de opinião/comentários de pessoal da direita e do “politicamente incorrecto”.
            A sua presidente, Teresa Fragoso, na entrevista à SIC, menciona em abstracto a situação da mulher num “antes-de-vivermos-em-democracia” e num “até-ao-25-de-abril”. Os exemplos que deu, por não ser uma aula de História, não têm qualquer relevância para a mensagem que pretendia transmitir, a de que o 25/4/1974 operou forçosamente uma mudança na maneira de o Estado encarar a questão da igualdade dos géneros. Sim, de facto, a mulher deixou oficialmente de precisar da autorização do marido para trabalhar, a partir de meados de 1967, quando entrou em vigor o Código Civil de 1966; sim, as turmas, no ensino oficial, deixaram de ser segregadas a partir do ano lectivo de 1973/74 (http://www.netprof.pt/netprof/servlet/getDocumento?id_versao=9060) . E não, o Código Civil de 1966 (código que vigorou durante cerca de 7 dos quase 48 anos de Estado Novo) não introduziu profundas alterações, como V. diz («leis que regiam o casamento e a relação marido-mulher, que foram profundamente alteradas»), no que toca à situação da mulher casada (http://www.fd.uc.pt/hrc/pdf/papers/chrystiane.pdf – leia a partir da página 13). Resumindo, ela foi à SIC para falar do parecer e da recomendação da CIG sobre os tais livrinhos e não para dar uma aula de História. A sua conclusão de «(i?)nutilidade de uma comissão cuja presidente nem sequer conhece a História recente do país» é típica de quem pretende trocar alhos por bugalhos – ela não é historiadora, não foi à SIC para dar uma aula de História da condição da mulher até ao 25/4/1974, e a CIG não tem qualquer atribuição na área da História.
            Na minha opinião, quem alertou a CIG fez bem porque os livrinhos, de facto, prolongam subtilmente estereótipos sexistas nas crianças-alvo a que se destinavam, a CIG cumpriu como devia o seu papel dentro do quadro das suas atribuições e a Porto Editora, por sua vez, demonstrou uma certa sensibilidade perante o problema existente… o resto, é ruído démodé e inútil ou como se costuma dizer: a montanha pariu um rato!
            Qualquer estado impõe uma educação – afirmar o contrário é pretender, fazendo dos outros tolos, que acabou de cair na Terra sabe-se lá vindo de que galáxia. Os manuais da escola que V. seguiu nessa sua escola mista, em 1971, foram aprovados pelo Estado da altura, o Estado Novo; os que os seus filhos usa(ra)m, pelo novo Estado, o saído do “25 de Abril” e, naturalmente, eles impõem novas visões do Mundo que definitivamente tendem a ser diferentes das que V. recebeu: mais abertas ao “outro”, às diferenças culturais e sociais, às raciais, às do género, às das tendências sexuais, etc, etc, e ainda bem que assim é. No processo de socialização das crianças, a Escola tem uma componente cada vez mais importante enquanto, proporcionalmente, a dos seus pais/ambiente familiar vai diminuindo, quer sejam «mentecaptos» ou não. É na Escola que as crianças aprendem grande parte dos modelos a seguir para o resto da sua vida e é por isso que a bem de uma Humanidade melhor (se quiser, de um “Homem Novo”!), o Estado num regime democrático deverá “ensinar” valores de tolerância e de solidariedade. O “Homem Novo” que menciona nada tem a ver com o “Homem Novo” de que falo – um estado democrático não retira crianças aos seus pais nem mesmo para os enviar para os santos seminários, não cria Mocidades Portuguesas ou Escuteiros como alternativa, não lhes ensina o ABC num quadro onde em cima estão as fotos do “querido líder” ao lado da cruz ambos vigilantes, não lhes diz por símbolos/representações gráficas o que uma Lei ignóbil dizia por palavras pomposas como, por exemplo, «O marido é o chefe da família, competindo-lhe nessa qualidade representá-la e decidir em todos os actos da vida conjugal comum, sem prejuízo no disposto nos artigos subsequentes.» (Arto. 1674 do Código Civil de 1966)… Não, um estado democrático deve isso sim, ensinar valores para que não se repita isto (http://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/morte-de-gisberta-fica-sem-culpados), isto (http://www.dn.pt/dossiers/sociedade/extrema-direita/noticias/interior/furia-racista-no-bairro-alto-1007002.html), isto (http://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/mulher-morta-a-tiro-pelo-marido) e isto (https://jpn.up.pt/2008/03/20/discriminacao-laboral-deram-me-a-escolher-entre-o-emprego-e-o-bebe/) e isso, essa tarefa social, ele só vai conseguir se as crianças não tiverem de se “descobrir” em imagens cor-de-rosa à procura de coroas de princesa, caso sejam meninas, e azuis a construírem robots, caso sejam meninos; se as crianças não forem obrigadas a seguir os estereótipos que os pais lhes querem impor porque lhes foram impostos: a mãe a esfalfar-se (porque para além de contribuir com o seu parco ordenado para a “economia doméstica”, a “casa” continua a ser obrigatoriamente da sua gerência… pelo menos até que haja um pedido de divórcio!) na sequência doméstica fazer compras-preparar o jantar-lavar a louça-engomar a roupa-preparar tudo de véspera porque amanhã é um novo dia, enquanto o melhor dos maridos, o que não vai à cervejaria da esquina ter com os amigos, fica em casa a escrever comentários sobre o quanto idiota é a luta de umas “histéricas” ou “feministas” (no fim, como sabemos, até nem há feministas que não sejam histéricas… bom, ou lésbicas!) para que a situação mude numa próxima futura geração. Sentem-se perseguidos, ofendidos, vítimas da falta de gratidão que “essas” insistem em demonstrar… por toda a generosidade concedida por eles, no embora diferentes somos todos iguais.

          • Antonio Vaz says:

            Caro Fernando Manuel Rodrigues, eu tive uns pais extraordinários… colocaram-me na suposta melhor escola privada de Luanda, o Colégio dos Maristas (uma escola com um ensino eficiente mas rigoroso e que, até tinha algumas turmas mistas: a minha era uma delas… andava lá uma miúda filha de uma das professoras! Não me lembro é dela perto de nós os “rapazes” porque, na altura e no colégio que era, as “meninas” deveriam estar longe. Nas restantes turmas mistas, as proporções eram idênticas!), Colégio que frequentei entre 1967 e 1974 e onde, para além do curriculum oficial imposto pelo Estado Novo, fui sujeito à doutrinação dos valores tradicionais da Igreja Católica. Sim, eu cresci no limite de me tornar um rato de sacristia – fiz tudo o que de “comunhões” havia para fazer sem levantar qualquer dúvida – mas a determinada altura aconteceu um qualquer clique que me fez despertar para uma nova realidade. Poderá ter sido provocado pela descoberta de toda a hipocrisia que sustentava a mais elitista escola local que, ao mesmo tempo que apregoava a igualdade dos Homens perante Cristo apenas recebia no seu seio os que tinham do suficiente vil metal para o fazer; pode ter sido pela violência que era apanágio dos seus métodos de ensino e servia para reprimir de um qualquer instinto mais rebelde dos seus alunos à apenas inocente simples manifestação do grave pecado de preguiça que era o não ter feito os trabalhos de casa (uma das vezes que me aconteceu cometer esse pecado, estive um intervalo de 10 minutos entre aulas, de joelhos sobre uma base feita de brita que usavam para asfaltar as estradas); ou à concreta falta de tolerância, mesmo que ensinada de acordo com os Evangelhos, que se verificava para com os “outros”, quer fossem indianos de outras religiões (islâmicos ou hindus) ou negros dos bairros de lata que não conseguiam deixar de dizer “carças” e “carinhas”, em vez de calças e galinhas; passando, inevitavelmente, pelos que não seguiam os caminhos de Deus no campo das normais tendências sexuais… que até podiam ser apenas crianças que não queriam tomar banho depois da aula de exercício físico, nos balneares comuns onde os “menos dotados” eram ridicularizados como “panel**ros”; ou a outros acontecimentos mais pessoais que me marcaram definitivamente e dos quais nem quero falar.
            Em Janeiro de 1975, de regresso a Luanda decidi não voltar aos Maristas – os meus pais, extraordinários como sempre, acataram a minha decisão e eu iniciei assim o meu processo de desconstrução da personalidade que a Educação tinha gradualmente construído – ainda hoje continuo a lutar contra ela e claro, tudo isso tem influenciado as minhas relações mais íntimas. É uma batalha que se arrasta há mais de 40 anos e que, para além de ser intimamente minha encontra, inevitavelmente, do outro lado, conhecidos, amigos e companheiras, com o mesmo problema.
            E embora hoje não culpe os meus pais, nem sempre isso aconteceu…

          • Fernando Manuel Rodrigues says:

            Caro António Vaz: Vou responder aos seus dois longos comentários, porque me parece que há nessa cabeça grande confusão. Em primeiro lugar, quero aqui apenas deixar registado que achei de muito mau gosto quando escreve que “a mãe a esfalfar-se (porque para além de contribuir com o seu parco ordenado para a “economia doméstica”, a “casa” continua a ser obrigatoriamente da sua gerência… pelo menos até que haja um pedido de divórcio!) na sequência doméstica fazer compras-preparar o jantar-lavar a louça-engomar a roupa-preparar tudo de véspera porque amanhã é um novo dia, enquanto o melhor dos maridos, o que não vai à cervejaria da esquina ter com os amigos, fica em casa a escrever comentários…”

            Não me revejo nesse retrato. Aliás, não é mais do que um chavão, um esboço a traço grosso, um estereótipo, aviado propositadamente para chocar e justificar o injustificável. Parece retirado de um qualquer manual do “feminismo”.

            Também não é verdade que a Porto Editora não tenha reagio à “recomendação” que acatou (pudera – era acatar ou afrontar o Estado que lhe tem apoiado o “negócio” – e está-se mesmo a ver quais seriam as consequências). Leia por exemplo aqui: https://eco.pt/2017/08/26/porto-editora-recusa-discriminacao-no-caso-dos-livros-para-criancas/ (há mais sítios, mas acho que este chega).

            Quanto ao link que me enviou, sobre o código de 1966, contraponho-lhe este, que me parece tecnicamente e intelectualmente muito mais bem elaborado (o que não é difícil tendo em conta que o trabalho que me enviou está “contaminado” por apriorismos bem evidentes): http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/32353-38887-1-PB.pdf

            Finalmente, sobre a sua infância, e os seus “traumas”, lamento que os seus “problemas de primeiro mundo” o tenham traumatizado tanto. Eu tive a “sorte” de nascer numa família remediada da classe média-baixa, e por isso andei SEMPRE em escolas públicas. Também sofri castigos corporais na Escola Primária. Na hora de optar entre o antigo Liceu ou a Escola Técnica, o meu pai “optou” por mim,e enviu-me para a Escola Técnica, porque o Liceu era só para quem ia para Universidade, e eu não ia, porque não havia dinheiro para mandar para a Universidade quatro irmãos – ponto assente.

            Lá fui, e aos 18 anos, já com o curso complementar concluído, comecei a trabalhar, e passei a prover ao meu próprio sustento. Todos os estudos a partir daí foram como trabalhador-extudante e custeados por mim mesmo. Talvez por isso, não tive “traumas” – não tinha tempo para isso.

            Também perdi a fé na adolescência (mais tarde recuperei-a), mas contrariamente a si, sempre distingui entre Jesus Cristo e a sua doutrina,e os homens ou instituições, e não confundo uma coisa com a outra. Também não culpo Jesus Cristo nem o Cristianismo pelos males da humanidade (mas eu não andei em colégios de Maristas, lá está).

            Por tudo isto, não me venha falar de intolerância, ainda mais quando defende os movimentos feministas. Se há gente intolerante é gente como Gloria Steinem e seguidoras (excepto se for sobre Maomé… aí, surpreendentemente, é infinitamente tolerante). Eu queria vê-la a lutar pelos direitos das mulheres mas nos países árabes, não nos Estados Unidos – aí, com franqueza, é de rir.

            Diz que “um estado democrático deve isso sim, ensinar valores para que não se repita isto (http://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/morte-de-gisberta-fica-sem-culpados), isto (http://www.dn.pt/dossiers/sociedade/extrema-direita/noticias/interior/furia-racista-no-bairro-alto-1007002.html), isto (http://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/mulher-morta-a-tiro-pelo-marido) e isto (https://jpn.up.pt/2008/03/20/discriminacao-laboral-deram-me-a-escolher-entre-o-emprego-e-o-bebe/)”

            Uma vez mais, estes argumentos deixam-me atónito. Ensinar valores para que não se repitam CRIMES? Acha mesmo que os crimes se previnem e evitam ensinado “valores”? Então e a corrupção, o compadrio, o olhar para o lado, etc.? Também se devem ao machismo, ao racismo ou à xonofobia?

            O que o Estado deve fazer, isso sim, é actuar no sentido de levar os responsáveis perante a JUSTIÇA. Neste caso, como noutros, nomeadamente nos crimes de colarinho branco, nos casos de corrupção, etc. Ou também acha que a “sociedade” é que é culpada de tudo o que são crimes? A lei existe, o que é preciso é que as intituições funcionem e a façam cumprir, e os cidadão, por outro lado, lutem para que a mesma se cumpra – PARA TODOS.

            O ensino não é para ensinar “valores”. O ensino é para ensinar a ler, escrever e contar, numa primeira fase, e depois, numa segunda fase, ensinar as matérias científicas e técnicas que compõem os respectivos “curricula”. Se fizer isso, cumpriiu cabalmente a sua missão. Se for além disso, está a extravasar. Se roubar tempo a esta missão/obrigação (como agora faz) para “doutrinar” e “educar” as crianças, está nitidamente a pisar terreno pantanoso. Ou quer substituir algo que critica (seminários, Mocidades Portuguesas, Escuteiros) por algo similar só que de matriz ideológica mais de acordo com o VOCÊ e alguns outros como você pensam? E quem lhes deu o direito de fazer isso?

            E quem iria decidir qual a orientação ideológica das matérias ensinadas? E com que direito/justificação?

            Enfim, é este precisamente o problema, e o que leva a aberrações como o facto de muitas crianças andarem mais bem instruídas sobre o “racismo” ” e a “xenofobia” (males de que o nosso país, no dizer de algumas pessoas padece – mais um dos “problemas” do primeiro mundo com que nos tentam adormecer) do que com as questões da ortografia, por exemplo, sobre as quais tanto se lhes dá, uma vez que dão erros a torto e a direito – mas a si, aparentemente, essas questões também não preocupam, desde que não haja livrinhos cor-de-rosa e azuis para ensinar a ler e a escrever, e sejam reservadas uma horas por semana (roubadas ao ensino das matérias que realmente contam) para doutrinar as criancinhas sobre os direitos das “minorias” (como você mesmo diz: “diferenças culturais e sociais, raciais, de género, das tendências sexuais, etc, etc).
            Outra curiosidade é a doutrinação falar sempre em “direitos” e nunca falar em “deveres”).

            Acho até inacreditável que você escreva “No processo de socialização das crianças, a Escola tem uma componente cada vez mais importante enquanto, proporcionalmente, a dos seus pais/ambiente familiar vai diminuindo …/…. É na Escola que as crianças aprendem grande parte dos modelos a seguir para o resto da sua vida”.

            Apresenta isto como sendo bom e desejável. Eu digo-lhe que isto é simplesmente lamentável, e representa a demissão e a falência da família – que é, desde sempre o alicerce da sociedade. Curiosamente, a indisciplina na Escola Pública nunca foi um problema tão grave como agora, em que se ensinam tantos “valores” na mesma. Se calhar porque andam a ensinar os valores errados.

          • Caro Fernando Manuel Rodrigues,
            parabéns pela sua resposta.

            Rui Silva

    • Obrigado pelo seu comentário, cujo conteúdo, absolutamente surreal, não comento. Só para lhe dizer que não viu bem, ou não compreendeu a entrevista da Teresa Fragoso. Ela mesmo no final explica o que fez: atuou por pressão das redes sociais e para as acalmar.

  10. JgMenos says:

    ‘mal da política educativa pré-escolar de um estado, dito democrático e de direito, se ela tiver como “verdade” a ditada por um humorista e não por uma Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género…’

    Ora aý está a grande ambição esquerdalha: o reconhecimento de que há quem possa DITAR a verdade.

    Pois eu digo a quem quer que seja, pessoa ou comissão ou assembleia ou politicamente correcto:
    vá ditar a verdade para o raio que o parta!

    • Antonio Vaz says:

      “Pois eu digo a quem quer que seja, pessoa ou comissão ou assembleia ou politicamente correcto: vá ditar a verdade para o raio que o parta!”
      E. pelos visto ainda tem todo o direito de o dizer mesmo apesar de se apresentar como um coitadinho, vítima de uma democracia dominada pelos PC onde os “politicamente incorrectos” são silenciados: infelizmente, numa “sua” perfeita democracia, eu seria mesmo silenciado!
      Tirando isso: conhece algum estado que não imponha a sua “verdade” (eu, ao contrário de V. uso as aspas quando me refiro à verdade de um estado… precisamente porque acho que qualquer estado a usa de acordo com a sua conveniência, podendo ela ser a verdade ou não!). Se julga que a prorrogativa de usar a “verdade” é um exclusivo («ambição») da “esquerdalha”, o que é que quer que lhe diga? O mesmo que poderia acerca da imposição de “verdades” por parte de regimes “politicamente incorrectos”?
      Mas enfim, esta foi apenas uma divagação à margem… não é/era/será, sobre o meu centário inicial que era dirigido ao J. Norberto Pires

      • JgMenos says:

        Eu não sou vitima de nada, idiota!
        À verdade dos outros contraponho a minha se me dá na gana de o fazer.
        É com a minha verdade que vivo e se vivesse com a verdade dos outros é que seria vítima.

        • Antonio Vaz says:

          «Eu não sou vitima de nada, idiota!»
          E eu não disse que V. era vítima mas o idiota sou eu – vá lá acima e leia com atenção… se precisar de ajuda para perceber o que disse, não se acanhe, diga-o!

    • Paulo Marques says:

      Já quando é para ditar a “verdade” de que o mercado funciona, que os esquerdistas são todos preguiçosos à viver à custa do estado ou que os monhés são todos terroristas, o JgMenos aplaude de pé e faz vénias.
      Se a hipocrisia pagasse imposto, os direitolos já tinham pago a dívida mundial inteira.

      • Fernando Manuel Rodrigues says:

        Portanto, você justifica um preconceito com outro preconceito?

        Com isto deixa implícito, na minha opinião, que reconhece que ninguém tem o direito de perorar sobre o que deve ser a educação. Está, portanto, a dar razão a quem está contra, deixando, à laia de desculpa, uma justificação canhestra.

        Mal… muito mal.

        • JgMenos says:

          Vai jogando com o dicionário,
          De ditar passou a perorar…e vai daí sentencia que ‘está, portanto…’
          Típica treta esquerdalha!

        • Paulo Marques says:

          Eu lá vou perder tempo com raciocínios elaborados com fanáticos… é mais fácil apontar a hipocrisia, e nem assim percebem.
          Claro que há muita gente que pode e deve falar sobre a educação, mas também, como no resto, há gente que devia ter a inteligência para estar calada porque a indocrinação clubística não chega – por isso é que também não discuto muito sobre educação, pouco sei além da minha experiência pessoal e das terríveis esperiências com a mercantilização em qualquer lado.

  11. ” Não, o Ricardo Araújo Pereira (RAP) não «passou a ser, tal como muito outros, um perigoso ideólogo do mais perigoso que existe» mas apenas a ser um Ser Humano que quiçá, por estar lá, algures no topo, acaba por cometer algumas gafes… “.

    A minha previsão é que com o tempo o RAP como pessoa inteligente que é vai percebendo que a teoria que lhe ensinaram não bate muito certo. Ele já tem chocado algumas vezes com a Teoria do Politicamente Correcto que decorre da aplicação da Teoria Critica (TC – ver Marxismo Cultural . Escola de Frankfurt). Tenho a sensação que o RAP vai acabar como humorista anti-esquerda . A mudança ainda não se deu abertamente por 2 razões:
    1) O processo demora algum tempo.
    2) Em Portugal o humor que dá dinheiro a ganhar é o humor de esquerda.

    Rui SIlva

  12. Nefertiti says:

    Pedro Bacelar de Vasconcelos pela actuação enquanto governador civil de Braga tornou-se um dos raros heróis cívicos portugueses,

    Norberto Pires é um fala-barato radical e extremista. parte do ovo no oveiro da serpente.

  13. Nefertiti says:

    Bem divertida certa intervenção aí para cima de Fernando Manuel Rodrigues.

    Em defesa da naturalidade da diferença de géneros afirma em longos lençóis de texto ter dado a mesma educação a filho e filhas, mostrando a prole sempre interesses diferenciados por géneros.

    E, de repente, afirma que a mãe impediu o filho de usar cabelo comprido. Escreve tanto em defesa de uma tese e denuncia-se freudianamente fazendo-a ruir com uma frasezinha perdida.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Uau… O facto de a mãe ter contrariado uma pretensão do menino (a mim era-me indiferente, confesso), não o tendo deixado usar cabelo comprido, é contradição do que eu disse? Agora percebo o seu conceito de “sexismo”. Basta uma coisinha, uma coisinha só, ainda que até seja ao contrário (não foram as meninas que foram contrariadas, foi o menino, e numa situação de somenos) para “provar” a sua tese. Já agora, que grande preconceito ficou provado?

      De facto, há certos pais agora que em nada contrariam os filhos, deixando-os fazer o que lhes der na veneta. Mas em minha casa não foi assim. Foram contrariados quando assim entendíamos que devia ser. Chama-se a isso educação, um conceito um tanto ou quanto estranho nos tempo que correm, em que qualquer tabefe é logo considerado “violência”.

      Devolvo-lhe portano a auto-denúncia “freudiana”. Quem se denunciou com a sua intervenção fo a menina (digo menina por causa do nome que usa, porque não sei o seu sexo, só o seu género – é do género “infantil”.

      Mas não seja por isso. Continue a ler-me que vai continuar a divertir-se.

      • Fernando ,
        cuidado não pense mais, foi invocada a Vaca Sagrada ( e interpretado por feminista). Temos que aceitar, quem somos nós para por em dúvida tão douta opinião…

        Rui SIlva

    • Gostei dos “galões incontestáveis” da eminencia freudiana.

      Rui SIlva

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Já agora, e para esclarecer, a “prole” não mostrava interesses diferenciados “por géneros” (suponho que queria dizer sexos, géneros têm as palavras). Mostrava interesses diferenciados “por pessoa”, por individualidade. Cada um dos meus filhos tinha (e tem) uma personalidsade muito forte, e cada um seguia os seus interesses. Por vezes eram comuns, muitas vezes eram diferenciados.

      Porque uma das preocupações que sempre tivemos foi criar seres pensantes e individuais, que se guiassem pela própria cabeça e não alinhassem em “carneirismos”.

  14. Nefertiti says:

    Não tenho qualquer dúvida quanto ao sexo do Fernando e do Rui. São senhoras. Vê-se por andarem aos pares, que quando uma vem aqui ao quartinho traz a outra atrás.

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