A ameaça de uma Teocracia Evangélica no Brasil: uma análise introdutória


/u/Taurusan

Nota prévia: este trata-se de um post feito no sub-reddit /r/Brasil, pelo utilizador /u/Taurusan, acerca da lógica de poder de algumas igrejas evangélicas no Brasil.

Templo de Salomão - 5

Templo de Salomão São Paulo – sede mundial da IURD

Edit: Talvez o termo mais adequado seja “teocracia informal ou tácita”, no sentido de que não é plenamente institucionalizada, mas é praticada.


Nesse texto, pretendo expor de forma introdutória como há uma ameaça real e já em curso de formação de um Estado Teocrático no Brasil em que o executivo, legislativo e o judiciário (a nível municipal, estadual e federal) ficariam sob controle de pastores ou membros de igrejas evangélicas e que suas decisões seriam fundamentas a partir de uma lógica religiosa e submetidas às diretrizes de suas respectivas igrejas. O texto se subdivide em:

  1. “A Intenção”, onde demonstro que os evangélicos (particularmente a Igreja Universal) têm um plano de tomada de poder com tendência antidemocrática;
  2. “Os Meios”, que expõe as ferramentas que esses grupos religiosos dispõem para a tomada desse poder;
  3. “As Estratégias” para isso, focando na dimensão política apenas.

Antes de expor a análise, é necessário esclarecer que por se falar em “evangélico” aqui se entende principalmente denominações pentecostais (como a Assembleia de Deus) e neopentecostais (Universal do Edir Macedo, Mundial do Valdemiro Santiago etc.). Evangélicos de missão (ou históricos) como luteranos, presbiterianos, entre outros são relativamente distintos em termos de doutrinas, perfil sociocultural e relação com a política quando comparados com neo/pentecostais (embora tenha ocorrido uma “pentecostalização” dessas denominações nas últimas décadas. Nota-se isso principalmente entre batistas).

A INTENÇÃO

Começamos a exposição pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do Edir Macedo, porque ela é a principal personagem dessa história. É a que tem as intenções mais claras de tomada de poder, é uma das mais organizadas politicamente (a que iniciou uma atuação evangélica mais estruturada na década de 1990), com maior poder econômico e midiático, além de ser o grupo neopentecostal com mais fiéis no país.

Em 2008, Edir Macedo (em coautoria com Carlos Oliveira) publicou o livro “Plano de poder – Deus, os cristãos e a política”. No livro, Macedo afirma que Deus tem um plano político para os fiéis da IURD e para os evangélicos que sejam seus aliados: governar o Brasil.

Macedo diz que a “obra não se propõe à incitação de um regime teocrático. Até porque o Estado brasileiro é laico e a liberdade de crença é assegurada constitucionalmente”. Porém, nesses últimos quase 10 anos desde a publicação do livro, o que não falta são exemplos de violações à laicidade do Estado por parte de políticos evangélicos e, entre eles, de políticos ligados à Universal. Da mesma forma, a liberdade de crença assegurada constitucionalmente parece não existir nos discursos e ações de pastores da Universal quando se trata de religiões afro-brasileiras, de espíritas, ateus etc. Portanto, esta afirmação de Macedo não condiz com a realidade e é de esperar que a obra é sim uma incitação a um regime teocrático.

Além disso, na própria obra há diversos trechos que deixam isso claro. Macedo afirma que os cristãos devem participar do “projeto de nação idealizado por Deus para o Seu povo”. “[A Bíblia] não se restringe apenas à orientação da fé religiosa, mas também é um livro que sugere resistência, tomada e estabelecimento do poder político ou de governo […]”. Usando de um discurso maniqueísta bastante comum no meio neopentecostal (quem não está conosco está com o diabo), Macedo diz que “Existem os agentes do mal, que são aqueles que fazem oposição acirrada em vários sentidos — inclusive, ou principalmente, na política — aos representantes do bem”. Também afirma que “A potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer que seja o escalão, municipal, estadual ou federal”.

Quanto a outras denominações evangélicas, mesmo que não tenham – pelo menos, não de forma tão clara e organizada – um plano de poder como o da Universal, não escondem a intenção de estabelecerem uma nação regida pela moral cristã evangélica. Contudo, como essas outras igrejas (principalmente a Assembleia de Deus, maior denominação evangélica do país) tomam a Universal como modelo político a ser seguido, não é de se estranhar que outras denominações ou lideranças façam algo semelhante no futuro.

Algumas fontes dessa seção: 1, 2, 3.


Algo próximo a isso foi o artigo de opinião – publicado na Folha de São Paulo, em 2014 – intitulado “Antes pedintes, hoje negociadores”, do pastor Robson Rodovalho, fundador da Igreja Sara Nossa Terra e ex-deputado federal. Falando em nome dos evangélicos de forma geral e fazendo referência à candidatura à presidência do Pastor Everaldo, mas também como intenção futura dos evangélicos na política, ele menciona a “clara mudança de posição do segmento evangélico como ‘player’ do jogo político”, possuindo, agora, influência e controle para dar as cartas, definir as regras do jogo.


Uma última coisa a se mencionar é que essa intenção de domínio dos evangélicos num caráter antidemocrático, que vise impor a moral cristã ao Brasil está além de textos panfletários. Essa intenção está visível numa dimensão mais popular e abrangente, já inculcada na mentalidade dos fiéis e que pode ser melhor entendida a partir de uma expressão comum no universo evangélico: “O Brasil é do Senhor Jesus Cristo” (e suas variantes “tal cidade/estado é do Senhor Jesus”, “Feliz é a nação cujo o Deus é o Senhor”, sendo esta última um salmo). Essa expressão de “posse” de um território a determinada divindade e, consequentemente, a determinada religião, se sustenta, em parte, em uma característica inerente ao cristianismo e que tem sido uma das principais motivações para quase toda investida teocrática na história: o imperativo de converter todos ao cristianismo.

Assim, vemos tal expressão ser dita por lideranças, como Silas Malafaia, nesse twitter, nesse, ou nesse vídeo do Instagram.

No banner do Twitter do Marco Feliciano.

Há até um ministério evangélico que traz esse termo: Ministério o Brasil é de Jesus.

Há também o caso das várias placas, totens, outdoors espalhados pelo país e que já geraram muita polêmica e disputa judicial. Por exemplo, em 2006, a prefeitura de Sorocaba instalou um totem com esses dizeres na entrada da cidade a pedido do então vereador e pastor Carlos Cézar da Silva, da Igreja do Evangelho Quadrangular.

Outro exemplo, na cidade de Leme/SP.

Já teve até prefeito que publicou decreto entregando a “chave da cidade ao Senhor Jesus Cristo”.

Até na música essa ideia está visível. O termo “O Brasil é do Senhor Jesus” intitula a canção de dois artistas gospel populares, Mattos Nascimento e a banda Voz da Verdade. Por sua vez, do músico Sérgio Pessoa, há “Desta Cidade Jesus Cristo é o Senhor”. Na canção de Mattos Nascimento, ele diz querer “Ver o presidente, o governador Se curvando à Deus, o nosso senhor”. Na da Voz da Verdade, é dito que “Jesus comanda este país de terra e mar” e proclama “Jesus Cristo na nossa bandeira”.

OS MEIOS

Os meios, as ferramentas para a instalação de uma teocracia evangélica no Brasil partem, particularmente, dos vastos poderes religioso, político, econômico e midiático dessas denominações.

  • Poder religioso / abrangência demográfica

Segundo o censo de 2010, 22,2% da população brasileira se declara evangélica. Um censo mais recente do Datafolha, de 2013, mostra que esse número já cresceu para 29%, sendo que 22% são neo/pentecostais. Portanto, há cerca 60 milhões de neo/pentecostais no Brasil.

Análises do perfil socioeconômico também mostram que estes milhões se encontram nas camadas mais pobres e menos escolarizadas do país, geralmente em contextos em que o poder público está totalmente ausente de suas vizinhanças e vidas. Somando-se a isso o fato de que uma estratégia de conversão comum no universo neo/pentecostal é atrair pessoas em situações de crise emocional, financeira, de saúde etc., o evangélico típico é um indivíduo de perfil manipulável e mais propenso a ser radicalizado. E considerando a participação política desses indivíduos, sabe-se que “eleitores evangélicos votam em seus pares, seus irmãos e pastores”.

Portanto, dezenas de milhões de brasileiros abertos à manipulação e radicalização prontos para votarem e apoiarem o que seus pastores sugerirem.

  • Poder econômico

Não é necessário se estender muito aqui, o poder econômico dessas igrejas é bem reconhecido. As principais lideranças religiosas neo/pentecostais são milionários e bilionários. Talvez, o que deixe mais claro, de forma sucinta, a dimensão desse poder é justamente o valor das riquezas das principais lideranças evangélicas do país divulgadas pela Forbes.

Vale ressaltar que Edir Macedo, por meio do grupo Record, também é dono de 49% de um banco, o Banco Renner.

  • Poder midiático

Mais uma vez, essa é outra dimensão de poder dessas igrejas bastante conhecida para qualquer brasileiro. E, também aqui, é a Universal que se destaca. Ela é dona da Rede Record, a segunda maior emissora no Brasil; o canal de notícias Record News; o jornal Folha Universal (circulação de mais de 2,5 milhões); a Rádio Record de São Paulo (que comanda um pool de outras 30 emissoras de rádio), a Rede Aleluia que possui 68 emissoras próprias; selos musicais. A Igreja Internacional da Graça de Deus, de R.R. Soares, ocupa o horário nobre da rede Bandeirantes, todas as noites, e conta também com uma concessão de televisão, a RIT (Rede Internacional de Televisão), que conta com 8 emissoras e mais de 170 retransmissoras. A Igreja Mundial do Poder de Deus, de Valdemiro Santiago, é dona da emissora Rede Mundial. A Igreja Apostólica Renascer em Cristo, de Estevan e Sônia Hernandes, opera várias emissoras de rádio em São Paulo e um canal de televisão, a Rede Gospel. Seria possível mencionar muitas outras igrejas, mas ficaremos apenas nessas.

Porém, a influência midiática das lideranças evangélicas tem ido além das tradicionais rádio e TV. Silas Malafaia, do ministério Vitória em Cristo, ligado à Assembleia de Deus, por exemplo, possui mais de 1 milhão e 300 mil seguidores no Twitter, além de 300 mil seguidores em seu canal no YouTube. Marco Feliciano, também ligado à Assembleia, tem meio milhão de seguidores no Twitter.

Fonte: 1

  • Poder político

Os evangélicos adentram a política nos anos 1980 e, desde então, só crescem em números e influência. Nos governos do PT, eles passam a ganhar papel de destaque nacionalmente e, no governo Temer, uma República Evangélica começa a ganhar seus contornos.

A força desse grupo se encontra particularmente no legislativo (municipal, estadual e federal), contudo, a tomada de cargos do executivo está em ascensão e é uma de suas estratégias políticas recentes, como será visto adiante. Em nível federal, a representação legislativa mais evidente deste grupo é a Frente Parlamentar Evangélica, conhecida popularmente como Bancada Evangélica. São 198 deputados e 4 senadores¹. Portanto, quase 40% dos deputados federais no Brasil pertencem à bancada Evangélica.

Lista de alguns prefeitos evangélicos mais significantes: Marcelo Crivella (Rio de Janeiro/RJ), Anderson Ferreira (Jaboatão dos Guararapes/PE), Dr. João (São João do Meriti/RJ), Edinho Araújo (São José do Rio Preto/SP), Fabiano Horta (Maricá/RJ), Marquinho Mendes (Cabo Frio/RJ), Max Filho (Vila Velha/ES), Washington Reis (Duque de Caxias/RJ).

Ministros da República evangélicos: Ronaldo Nogueira de Oliveira (M. do Trabalho), Marcos Antônio Pereira (M. da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), homem de confiança de Edir Macedo. Vale ressaltar que a Secretária de Políticas para as Mulheres, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, é uma Evangélica, a Fátima Pelaes (ela já disse que, por conta de suas convicções religiosas, é contra o aborto mesmo em casos de estupro).

Em termos partidários, destaca-se o Partido Republicano Brasileiro (PRB), porque ele é o braço político da Igreja Universal. O Ministro Marcos Pereira e o prefeito Crivella são desse partido. No entanto, a Assembleia de Deus (ou, pelo menos, algumas alas dessa denominação com muitas ramificações) também pretende criar seu partido, o Partido Republicano Cristão (PRC), que já tem mais de 300 mil assinaturas coletadas e pretende concorrer já às eleições 2018. O coordenador político da convenção das Assembleias de Deus, pastor Lélis Marinhos, diz que a principal bandeira da nova sigla será a família, “Aquela chamada tradicional, com o princípio básico bíblico da família hétero”.

¹ Alguns desses parlamentares renunciaram por terem sido eleitos prefeitos em 2016 ou estão afastados para exercerem cargos públicos. Há parlamentares que não são evangélicos, mas católicos. Há também aqueles que apesar do apoio de igrejas evangélicas, não são vinculados a elas.

Fontes: 1, 2

  • Adendo: Poder de coerção

Essa teocracia vem sendo gradualmente instalada no país por meio de atuação política e pressão popular, contudo, a possibilidade de criação de organizações evangélicas policialescas, paramilitares ou similares é possível, embora – por enquanto – ainda pareça pouco provável. Alguns indícios:

Gladiadores do Altar

“Em frente ao Templo de Salomão, jovens fardados e alinhados batem continência em sincronia. Embora carreguem consigo a disciplina de militares, trata-se de outro tipo de soldado: aqueles que lutam em nome da Palavra de Deus. Eles fazem parte do projeto chamado “Gladiadores do Altar”, que surgiu no final de ano passado e tem como objetivo preparar integrantes do grupo Força Jovem Universal (FJU) para colaborar no futuro como pastores.” Fonte

E o vídeo que viralizou há um tempo.

Considerando que esse projeto/organização vem da Universal, a com a intenção e meios mais claros, é preocupante.

“Traficantes evangélicos”

É, contudo, entre os traficantes do Rio de Janeiro que a possibilidade de uma milícia evangélica parece mais real. Isso ocorre porque há indícios de que criminosos estejam atuando com base na orientação de lideranças religiosas com o objetivo de aumentar a influência sobre comunidades carentes. Vídeos que circularam este ano mostram a ação de alguns desses traficantes (que teriam se convertido ao neopentecostalismo quando cumpriam pena em presídios) obrigando sacerdotes de religiões afro-brasileiras a destruírem seus próprios templos:

Vídeo 1, vídeo 2.

Fontes: 1, 2, 3, 4

AS ESTRATÉGIAS

A professora da UFF, Christina Vital, que se dedica às relações entre evangélicos e política, em entrevista para a Folha de São Paulo, expõe algumas estratégias políticas recentes do evangélicos no intuito de estabelecer seu poder sobre o país:

  1. Uma estratégia eleitoral de ocultação da identidade evangélica dos candidatos,
  2. assumir cargos do executivo, com foco na presidência,
  3. e assumindo a presidência, chegar ao Supremo Tribunal Federal.

Quanto à primeira estratégia, ela diz: “[…] eles adotaram um jogo de visibilidade e ocultação da identidade evangélica dos candidatos. Crivella não se registrou na Justiça como bispo Crivella, diferente do que fez o pastor Everaldo [candidato presidencial do PSC em 2014]”.

Quanto às segunda e terceira, ela afirma “[…] desde pelo menos 2014, há um investimento de importantes lideranças evangélicas em torno de unidade para ocupação dos Executivos”.

“No nosso livro que será lançado, o pastor Everaldo falou claramente na estratégia de assumir a ‘cabeça’, falou exatamente a palavra ‘cabeça’, em uma referência à importância da ocupação da Presidência, que é por onde passa a indicação para o Supremo Tribunal Federal. A gente acompanha o crescimento de mobilização de juízes evangélicos ou sensíveis à causa evangélica na Associação de Juristas Evangélicos”.

“[…] conseguir chegar à Presidência da República é importante para eles como estratégia para barrar no Supremo Tribunal Federal temas de minorias -como a pauta gay- que travam embate com esses religiosos”(Folha).


E nessa estratégia de chegar à presidência é que entra Jair Messias Bolsonaro:

Os evangélicos já ensaiaram a candidatura própria para presidente em 2014 com o Pastor Everaldo, no entanto, não teve muito sucesso. Isso está para mudar com o novo candidato dos evangélicos para 2018: Bolsonaro.

Bolsonaro, apesar de católico, é membro da Bancada Evangélica (há outros católicos também), assim como seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro. Porém, ano passado, Bolsonaro-pai foi batizado por ninguém menos que o Pastor Everaldo nas águas do Rio Jordão. Uma demonstração simbólica de aproximação com o eleitorado evangélico e com a alta cúpula (na época) dos políticos evangélicos.

Retomando a Christina Vital, ela diz que “A possível candidatura presidencial de 2018 em torno do Bolsonaro é talvez mais representativa de um movimento de unidade de diferentes denominações”. Essa unidade está um pouco abalada hoje em dia, já que Bolsonaro saiu do Partido Social Cristão (PSC), partido dominado por lideranças da Assembleia de Deus. Outros grupos político-religiosos já demonstraram interesse em tê-lo, um deles, o PRB da Universal, que o sondou no início do ano. Contudo, ele parece querer ir a um partido evangélico em que tenha mais comando político. Porém, apesar dessa unidade abalada, ele ainda é visto como candidato dos evangélicos e com chances concretas de ganhar.

E há uma declaração de Bolsonaro que deixa muito claro qual é sua opinião sobre a relação Estado/religião e quais suas intenções caso seja eleito Presidente da República. No início deste ano, ele disse:

– Deus acima de tudo. Não tem essa historinha de estado laico não. O estado é cristão e a minoria que for contra, que se mude. As minorias têm que se curvar para as maiorias.

A eleição de Bolsonaro seria a “cereja do bolo” nesse longo sonho de controle político da nação por parte dos evangélicos mais fundamentalistas, de se tornarem players do jogo político no país. Essa frase deixa clara a possibilidade da implementação de uma teocracia no país, apoiada por milhões de brasileiros radicalizados e um grupo cheio de poder político, econômico e midiático.

Algumas considerações finais

Mesmo que Jair Bolsonaro não ganhe as eleições presidenciais de 2018, a ameaça teocrática não acaba por aí, virá outro candidato em 2022, assim como em 2020, mais prefeitos (e vereadores) evangélicos fundamentalistas serão eleitos. Esse projeto de poder vai muito além de Bolsonaro, embora ele seja no momento uma peça essencial para concretizá-lo.

Por último, umas semanas atrás, vi aqui no sub alguém comentar isso: “Pessoal se preocupa (ainda que tenha uma ponta de razão) com a possível ditadura militar enquanto a teocracia evangélica está em curso, com um plano de poder muito melhor organizado, e ninguém combate por medo ou receio de perder muitos votos nas periferias” (/u/mtgr19877).

Isso é verdade. Se você se preocupa, acha possível uma ditadura militar no Brasil, uma teocracia evangélica é muito mais provável, porque ela já está em curso, é abertamente declarada e a cada ano se torna mais e mais real. É uma bomba prestes a explodir e destruir o que há de liberdades civis, políticas no Brasil… em nome de Deus! Essa é a maior ameaça antidemocrática nesse país.

Comments

  1. JgMenos says:

    De há muito o Estado descura o seu dever de denunciar e penalizar essa horda de vigaristas.

    • ZE LOPES says:

      O quê? O Estado a intrometer-se assim na vidinha dos cidadãos? Oh, diabo! Só se for um estado esquerdalho…

      • António Fernando Nabais says:

        É isso mesmo, Lopes! Este menos faz parte dessa alcateia de comunas que quer o Estado a meter o nariz em tudo. É o esquerdalhamento nauseabundo!

  2. Rui Naldinho says:

    Há muito que os agentes económicos brasileiros e estrangeiros, com interesses instalados no Brasil, perceberam o quão difícil será impor a sua agenda liberal, num pais tão desigual e tão pobre, como é o caso do Brasil. Sim, o Brasil é pobre. A Islândia é rica. Um pais é rico quando os seus habitantes têm uma vida digna. Não quando têm muitos recursos naturais na mão de meia dúzia.
    Destruir os vínculos e ligações do PT ao eleitorado, com as associações perigosas de Lula à corrupção tem sido o seu papel. Dilma Rusef estava aparentemente fora de qualquer circuito. Então por quê a destituição? E toda a propaganda anti PT?
    Incapazes de mudar o sentido de voto, segundo as sondagens, como se eles próprios, não tivessem um historial interminável de corrupção ao longo da História do Brasil, por ex: O PMDB e o PSD lá do sítio, Lula ao pé deles é um pigmeu, tentam através de todos os meios ir ao cerne da questão. Minar a frágil democracia do Brasil. O regresso do velho regime oligárquico, explorando o calcanhar de aquiles dos cidadãos brasileiros. O misticismo, a bruxaria e por fim a religião. Aí o comum brasileiro, muitos deles analfabetos, cedem aos ditames do Senhor, da fé cega na palavra de um qualquer Bispo Dirceu.
    Digamos que nada disto é novo, mas imaginar o regresso à idade das trevas, mesmo na América do Sul, não estava nos meus prognósticos

  3. Rui Naldinho, para mim é dificil acreditar que seus conhecimentos sobre a situaçao do Brasil sejam tão profundos, gostei demais de seus comentarios.. Antonio Medeiros

    • Rui Naldinho says:

      António, basta ler o que anda aí na net e na comunicação social. Há vária informação, sobre isso, ainda que por cá estejamos um pouco desfasados dessa realidade.
      O insuspeito Papa Francisco, já feio mostrar a sua preocupação acerca do crescimento dos evangélicos no Brasil em detrimento do catolicismo.
      Estudos cuja credibilidade desconheço, apontam para que em 2040, o número de evangélicos supere o de católicos, no Brasil.
      Nos EUA as coisas também se colocam, se bem que noutra perspectiva um pouco diferente.
      Agora, só de imaginar uma figura como a de Edir Macedo como Presidente do Brasil, deixa-ma atónito.

  4. Eu Mesma says:

    No meio disto tudo, a agravante do crescimento dessa seita em Portugal, e o facto da sede da Rede Record Europa ser por cá. E posso dizer, por experiência própria, que lá dentro são tudo menos evangélicos e fazem tudo menos jornalismo…

Trackbacks

  1. […] Temer e os seus sabujos corruptos querem privatizar a floresta da Amazónia. Trata-se de uma área superior a 45 mil quilómetros quadrados, até agora intocada, que será aberta à exploração de empresas de mineração, com impactos incalculáveis na biodiversidade do pulmão do mundo e, por conseguinte, na qualidade de vida de toda a espécie humana. Apesar do recuo, forçado pela forte contestação que se gerou em torno da decisão do presidente brasileiro, o ataque contra a maior reserva natural do mundo continua. Pobre Brasil, entregue a corruptos e ayatollahs neopentecostais. […]

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