A corrupção é um fogo que também mata

Foto Reuters

Daphne Caruana Galizia, a jornalista que liderava a investigação dos Panama Papers em Malta e que acusou de corrupção o primeiro-ministro daquele país, foi recentemente assassinada por meio de um explosivo colocado no seu veículo. As dúvidas sobre o interesse das autoridades maltesas em esclarecer este assassínio são tais, que o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, declarou na cimeira do Conselho Europeu da UE: “Solicitei a investigadores internacionais que clarifiquem este caso gravíssimo e inadmissível para a UE”. “Possivelmente existem em Malta ligações, interesses, pessoas que sabiam”.

Galizia revelou que a mulher do primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, era beneficiária de uma conta offshore no Panamá e que terá recebido avultados montantes transferidos pela filha do presidente do Azerbaijão, supostamente como luvas para um negócio de abastecimento de energia.

Repetidamente, Galizia denunciava, no seu blogue, casos de corrupção, negócios de droga, prostituição e contrabando de petróleo, revelando uma ilha em que pulula a máfia italiana, milicianos líbios, gestores europeus à cata da mais baixa taxa de imposto para os seus astronómicos rendimentos, multimilionários russos, chineses e do Golfo, que compram, por 650.000 Euros, o passaporte maltês para aproveitarem o clima favorável. O clima? Não o atmosférico, entenda-se. Para empresas estrangeiras, o clima é de tal modo benéfico, que em cada ano 5.000 novas ali se alojam, com uma representação de fachada, para quase não pagarem impostos. São já 70.000 empresas – 8.000 das quais são italianas e muitas delas altamente duvidosas – e 580 fundos de investimento a operarem em Malta. Tudo isto pela mão de Joseph Muscat, líder do “partido trabalhista” de Malta, e sob o olhar deliberadamente ceguinho da UE. [Read more…]

Por muito menos se desenharam grandes teorias da conspiração

Foto: Hélio Madeiras@Diário de Notícias

No passado Domingo, e agradeço que alguma alma caridosa me corrija se estiver a proferir alguma alarvidade, Portugal bateu o recorde do Guiness de ignições num único dia, com 523 incêndios a deflagrar um pouco por todo o país.

O número é impressionante, o resultado devastador, e as mortes que daí resultaram aprofundaram ainda mais o revoltante luto em que vivemos mergulhados desde o início deste Verão, que não parece ter fim. Amanhã, prevê-se nova subida nos termómetros nacionais e o risco volta a ser elevadíssimo. [Read more…]

Uma versão alternativa, chanfrada e pouco criteriosa da história do mundo

Digamos que tem a sua piada.