No princípio era o Verbo

Joana Belo

Parece que o governo decidiu facilitar o uso de “contratos verbais” (não reduzidos a escrito), alargando o prazo e o âmbito da sua utilização.
O que até aqui se aplicava apenas aos sectores do Turismo e da Agricultura, com prazos contratuais máximos de 15 dias, passa a aplicar-se a qualquer ramo de actividade, desde que tenha irregularidades na produção. E o prazo passa de 15 para 35 dias, mantendo um limite de 70 dias por ano.
Esta é, como toda a evidência o demonstra, uma medida de carácter social-democrata, genuinamente socialista. Tal, aliás, como a que aumentou para 180 dias o período experimental dos outros contratos, os que ficam escritos numa folha de papel e que, como também toda a gente sabe, têm contribuído para a desflorestação, para as alterações climáticas, o buraco do ozono e o degelo das calotes polares.
Neste cenário, as pernas dos banqueiros alemães não apenas tremem, como começa a notar-se aquele odor muito familiar a quem já mudou fraldas.

Comments

  1. JgMenos says:

    Os contratos de trabalho haveriam de ser feitos no notário e ter estatuto de penhora sobre o capital pelo montante de pelo menos 10 anos de salário actualizável segundo a inflação…

    • Bento Caeiro says:

      Grande Menos, que saudades que eu já tinha de ti. Mas não é que o Menos – pela ironia – até está cheio de razão.
      Por muito que custe a muita gente, até porque no passado já foi assim, ser-se-á pago pelo trabalho feito em determinado período; à semelhança do que é feito e nos moldes de uma prestação de serviço.
      Vínculo contratual, de tipo emprego para a vida, será cada vez mais raro e tenderá mesmo a acabar.
      Como uma vez me disse um médico: habituem-se! Porque direitos, para além do pagamento por aquilo que se faz – o único a que se tem direito -, nem pensar.

      • Paulo Marques says:

        Espero que os dois se habituem a trabalhar à jorna a ser pago a 180 dias, se entretanto a empresa não falir para abrir outra ao lado. Sem birra, porque é uma sorte terem trabalho e, como se sabe, o trabalho liberta.
        Adoecem? Engravidam? Familiares doentes? Têm um falecimento na família? Um acidente que vos impede de trabalhar 12h por dia? Votam em quem questiona qualquer decisão de Bruxelas? Paciência, não recebem nada que é para aprenderem a serem melhores escravos.

        • Bento Caeiro says:

          Paulo, as empresas não são instituições de apoio social, isso compete a outras entidades.
          No fundo, com tanto conversa sobre independência, o que muita gente gostaria era de estar e viver às custas dos pais, da família e, quando aqueles já não vão na conversa e a ideologia pende para aí, do sacrossanto Estado, o paizinho de muita gente. Surpreendentemente, muitas empresas também sofrem disso, veja-se as parcerias PP; que certos partidos, como o PCP e o BE, também gostariam de ter com o Estado. Chama-se a isto: mamar no Estado – tal como os funcionários públicos e os professores gostam..

          • Paulo Marques says:

            As empresas nem responsabilide social ou ecológica têm, quanto mais.
            Não, o que a esquerda gostava era de parar o empobrecimento de 4 décadas causados por desemprego estrutural de 10% e subemprego de 20% (médias europeia). Esses funcionários públicos que tanto critica, olhe, tantos deles que foram ganhar mais para o privado estrangeiro!
            “As outras entidades” não ajudam nada, caso ainda não tenha percebido, porque a austeridade seca tudo. Viver da família não é uma escolha, é uma necessidade para muitos – os yogurtes não pagam renda nem deslocações.
            Se não percebeu, percebe quando a crise rebentar e estiver muito mais gente falida de um dia para o outro do que há 11 anos.

  2. Bento Caeiro says:

    “Se não percebeu, percebe quando a crise rebentar e estiver muito mais gente falida de um dia para o outro do que há 11 anos.”

    Na minha terra diz-se: “rabeias rabeias, mas vais lá”. Tal como acontece aqui com o Paulo.
    Contesta as afirmações, mas depois acaba por confirmar o que antes se disse; porque , na verdade, Paulo, o grande problema é esse. Sob a ilusão – que já começou a esmorecer – de que agora estava tudo bem e era só exigir, os sindicatos e partidos como o PCP e BE (apenas para garantirem os seus votos) desataram a fazer as suas exigências, não se importando com o caminho que isto poderá tomar. Claro que, nessa altura, serão todos a pagar – os que agora querem a reposição do que foi tirado a todos e os outros, que não tiveram qualquer reposição.
    Quanto às empresas e ao papel das mesmas na sociedade. É óbvio que uma das suas funções é criarem riqueza para o País, mas veja o que acontece: 19 das 20 que estão no PSI (bolsa) têm a sua sede fora de Portugal. Aqui os governos terão de intervir para que essa riqueza fique onde é criada, mas não se exija nem se pense que as empresas se poderão ou deverão substituir ao Estado e às suas instituições.
    Óbvio que, por este falhar – não havendo um Estado Social Forte – as pessoas procuram a sua segurança por outros lados: como benefícios junto às empresas e sistemas assentes em antiguidade, que também mostram a sua pouca capacidade empreendedora.
    Nisto, também o sistema de ensino tem muitas culpas. Também o que se poderá esperar de professores que afirmam que a sua preocupação é fazerem felizes os alunos. Sabendo nós que, de uma forma geral, feliz sente-se o aluno que não estuda e, mesmo assim, lá vai passando.

  3. Paulo Marques says:

    “por confirmar o que antes se disse;”
    Isso é um problema entre si e a economia, eu não concordo com nada desses disparates.

    “Sob a ilusão – que já começou a esmorecer – de que agora estava tudo bem ”
    Pois, o PS já voltou ao discurso dos amanhãs que cantam da reforma da eurolândia. Está quase, está quase! Ai afinal a esquerda tinha razão e não houve (nem é legal haver) fim da austeridade nem recuperação? Também não? Está é porque estamos como devemos estar, então. Substituímos a progressão na carreira com a regressão para todos (sem alterar a lei) e tá resolvido.

    “É óbvio que uma das suas funções é criarem riqueza para o País”
    ?!?!?!? Como a Altice e a EDP?

    “Aqui os governos terão de intervir para que essa riqueza fique onde é criada”
    Mau, então sair do Euro é necessário ou não? Ou talvez eleger um governo de extrema direita, com esses ninguém se mete.

    “mas não se exija nem se pense que as empresas se poderão ou deverão substituir ao Estado e às suas instituições.”
    Voltamos ao mesmo, a europa e os seus acólitos discordam, a saúde e as pensões são para privatizar, perdão, plafonar e enfiar no mercado especulativo enquanto se subcontracta aos colegas.
    Sem falar que o controlo monetário e financeiro já à muito não é do estado, mas isso é muita areia.

    “Nisto, também o sistema de ensino tem muitas culpas.”
    De os preguiçosos trabalhadores nacionais serem tão elogiados no estrangeiro? Têm, sim senhor.

    “feliz sente-se o aluno que não estuda ”
    Feliz sente-se o aluno que decora na véspera e já não se lembra no dia seguinte de coisas que até são interessantes. Fala quem só quis saber, e muito, de história depois dos 30. Feliz ficam as empresas, que já não dão formação interna aos seus processos próprios e específicos para ter a desculpa de que não pessoas qualificadas e que o estado devia pagar pelos naturais e inevitáveis custos de adaptação.

    • Paulo Marques says:

      Resumiu agora bem agora o Pedro Marques Lopes. Parafraseando, “Eu concordo com o Rumo Europeu. Mas isto não vai funcionar”.
      Argumentar contra quem não vê a idiotice da contradição é uma perda de tempo, mas enfim…

      • Paulo Marques says:

        Ou isso ou sociopatia.

        • Nascimento says:

          É tudo junto. Mas o Bentinho é facho. Só isso. E nem vale de nada disfarsá-lo. É só chamar o boi pelo nome.O linguajar destes nojos é sempre o mesmo.Só lhes dá troco” civilizado”,quem estiver para perder tempo com gente dessa estirpe. É que são cobardes. São aqueles que após o 25 de Abril foram votar na mãozinha com medo que se lhes cheirasse o chulé e o ranço que tinham de anos de apoio ao REGIME! Regime hoje que eles adoram sob a capa de DEMOCRÁTICO! Mas, é como a cebola, e neste caso do Bentinho, nem é preciso descascar muito! O bicho é mesmo facho.Só isso. Por mim é badamerda e largueza pró animal.Não há meias tintas.