No princípio era o Verbo

Joana Belo

Parece que o governo decidiu facilitar o uso de “contratos verbais” (não reduzidos a escrito), alargando o prazo e o âmbito da sua utilização.
O que até aqui se aplicava apenas aos sectores do Turismo e da Agricultura, com prazos contratuais máximos de 15 dias, passa a aplicar-se a qualquer ramo de actividade, desde que tenha irregularidades na produção. E o prazo passa de 15 para 35 dias, mantendo um limite de 70 dias por ano.
Esta é, como toda a evidência o demonstra, uma medida de carácter social-democrata, genuinamente socialista. Tal, aliás, como a que aumentou para 180 dias o período experimental dos outros contratos, os que ficam escritos numa folha de papel e que, como também toda a gente sabe, têm contribuído para a desflorestação, para as alterações climáticas, o buraco do ozono e o degelo das calotes polares.
Neste cenário, as pernas dos banqueiros alemães não apenas tremem, como começa a notar-se aquele odor muito familiar a quem já mudou fraldas.

história sintética da Galiza

bandeira da Galiza, ceibe e socialista

texto retirado do meu livro o crescimento das crianças, Profedições, 1998

O reino da Galiza tinha já sofrido diversas invasões. Como nas lembranças sociais de Victoria, nas de Pilar há também uma memória social que as repete. Mas, ao contrario que no caso de Victoria e os seus pares. Porque para Victoria, a Conquista é uma bênção que permite que um povo Nativo, seja primeiro um Reyno, depois um Estado e República independentes, autónomo. O que, como Pilar, a sua família e os seus pares, sabem que não é assim na Galiza. A Galiza é Celta, é Romana, é Sueva, é Visigótica, é Castelhana, é Lusa, é Espanhola, é autónoma, como Estado parte do Estado Espanhol, entre os séculos antes de Cristo e o dia de hoje. Quando a dita autonomia permite que a língua galega seja também língua oficial, em conjunto com a Castelhana. E a lei Galega, não o Estatuto de Castelão (1931) nunca aprovado na II República que o meu amigo Ramón Pinheiro defendeu até a sua morte. Uma lei directa, própria, sempre subordinada a lei geral do Estado Espanhol e às leis específicas que o Estado central, assina como Yo, el Rey. Embora saibam Victoria e Pilar, ou não saibam, que a Monarquia Espanhola é comum para os dois Reinos, o do Chile até 1818, e o da Galiza até hoje. Porque a invasão Napoleónica a Espanha, alastra ao Rei Fernando VII ao seu cativeiro de Paris, onde muito bem fica, faz-se revoltar ao Reyno de Chile que aderia á Coroa e á pessoa do Rei, e causa o seu afastamento de dita Madre Pátria, porque já não há proprietário, o Monarca. O que serve para basear a Independência na hoje América Latina, o que serve para começar os levantamentos contra os direitos

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A vara socialista

Estão em toda a parte. Do partido para o governo. Do governo para as empresas .Das empresas para os negócios. Dos negócios para a corrupção. Da corrupçao para arguido. De arguido para a prescrição. Ou para as escutas ilegais. Ou para a obtenção de prova de forma ilegal. Para a impunidade!

 

Passados uns tempos, com a calmaria e os holofotes virados para outros que tais, aí voltam eles, bem acomodados em empresas públicas, ou em funções de poder que os protegem, colocam camarada ali, estrategicamente, familiares acolá e tudo volta ao mesmo.

 

Varas deles, muitos, com muita experiência, tanta, que às vezes nem se percebe como falam ao telefone a pedir "recuerdos". A família dá o nome, as propriedades estão em nome dos filhos ou em off-shores, os advogados são os melhores, o negócio já conta com a eventualidade de se distribuir algum.

 

São demitidos de funções por perderem a credibilidade e a seguir aparecem como banqueiros, quando o negócio bancário é, por definição, um negócio de confiança. Mas com eles tudo perde o valor, tudo perde o sentido, tudo é possível.

 

São tantos os casos que vieram a público sobre gente com funções governamentais e de Alta Gestão, que se começa a perceber porque não há condenações.

 

A economia  desacelarava !

Manifesto pelo fim da divisão na carreira IV ou o cavalo que não quer beber

E estamos de volta com a questão do Luís: Trabalho Igual, salário igual?

 

Ponto de ordem à mesa: quando digo que na profissão docente não faz sentido a divisão porque o conteúdo funcional da profissão é sempre o mesmo, estou a pensar no conjunto de tarefas que cada trabalhador tem que fazer e não na sua qualidade. Isto é, estou a pensar nas aulas que um professor tem que dar e não na sua qualidade. Isso fica para a avaliação.

 

Sou da opinião que a trabalho igual deve corresponder salário igual e aqui distingo trabalho de função – sou (imaginem como sou ultrapassado) da opinião que uma mulher tem o direito a ganhar tanto como um homem, desde que execute as funções com o mesmo nível de qualidade de um homem. Imaginem só.

 

Portanto, levando isto para o campo da docência, se fosse possível medir a produtividade (já lá vamos) então sim, o dinheiro deverá ser a resposta à qualidade desse trabalho – estou de acordo com isso: os melhores ganham mais, os menos bons ganham menos. Os maus são colocados fora porque com a vida das nossas crianças não se pode facilitar.

 

Mas, há aqui uma dúvida que não consigo esclarecer: como se mede a "tal" produtividade num professor?

Pelas notas dos alunos? Pelo número de horas que trabalha acima do horário estabelecido (outra modernidade)? Pelos alunos que passa? Pelos pais que recebe? Pelos exames que faz para mostrar que ainda sabe umas coisas?

E só para ajudar à confusão, imaginem a minha turma do 5ºano: somos 9 professores a trabalhar com eles – vamos imaginar que famílias, sociedade, etc.., não influenciam em nada o processo educativo: onde é que termina o meu trabalho, a minha influência e começa a de outro professor?

 

Freinet

Dizia o Freinet que não se pode dar água a um cavalo que não tem sede – como quer o meu caro Luís avaliar a minha produtividade se eu tiver um aluno que simplesmente não quer aprender?