O proxeneta conservador

Na América alucinada de Donald Trump, as anedotas sucedem-se. E como já vale quase tudo, o proxeneta Dennis Hof garantiu ontem a nomeação republicana para as eleições intercalares no estado do Nevada. Proprietário de vários bordeis – legais no Nevada – Dennis Hof integra ainda o elenco do reality show Cathouse, que retrata o dia a dia num bordel no Nevada, e é o autor do livro “The art of Pimp”, que traduzido para português dá qualquer coisa como “A arte do Chulo”. Não admira que tenha ascendido politicamente na era da trampa. 

Nada me move contra a prostituição, desde que devidamente legalizada e regulamentada, como acontece no Nevada, ao contrário daquilo que acontece em países como Portugal, onde a prostituição é ilegal mas pode anunciar nos classificados de qualquer jornal, como se nada fosse. Mas é no mínimo hilariante, ver um tipo como o proxeneta Hof ser a escolha de um partido que se diz conservador. Ainda que nada disto surpreenda: a queda para eleger chulos, no seio do Partido Republicano, é a grande tendência desde o final de 2016.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Ao João Mendes nada o move contra a a prostituição legalizada, claro, mas entretanto vai insultando os empresários do ramo (“chulos”) e tratando de dizer que não deveriam ter direitos políticos, ou então, enfim, que não podem militar no partido que lhes apetece.
    Se ao João Mendes nada o move contra a prostituição legalizada, então deveria deixar de a estigmatizar ou de a insultar.

    • João Mendes says:

      Deixar de a estigmatizar ou de insultar algo implica um comportamento continuado, o que não é o caso. Sou 100% favorável à prostituição como actividade económica regulamentada, tal como sou 100% a favor da liberdade de expressão ou do uso de um tom satírico nas minhas publicações. Lamento se feri os seus sentimentos conservadores. É a vida!

      • Luís Lavoura says:

        Eu não sou conservador, precisamente por não o ser é que não gosto de comentários vindos de esquerdistas mas que cheiram a moral conservadora.

      • Sandra A says:

        Concordo plenamente com o comentário do Luís Lavoura.

  2. Antonio Medeiros says:

    João Mendes:Gostei demais de sua exposição deste facto, mas sou totalmente contra prostituição de qualquer forma.Duvido que uma pessoa filho de uma mulher destas acções tenham uma grande mentalidade como a tua,que admiro bastante teus comentários.Também devemos perceber que muitos que a condenam são fregueses da coisa. É triste! Cretinos são estes que estimulam e vivem deste dinheiro e ambiente sujos.

  3. Miguel Cardoso says:

    Eu compreendo a indignação, afinal de contas em Portugal estamos habituados a que quem nos chula seja de esquerda. Quanto a este chulo está em linha com outros personagens hilariantes que gravitam à volta do Trumpster, quem sabe até não houve troca de favores. Pode ser até que ajude a abrir a mentalidade bafienta do partido republicano, se não pelo menos ajuda, como tantas outras coisas no Trumpster, a revelar a hipocrisia de muita gente, democratas e republicanos por lá e socialistas de todos os géneros por cá.

    • João Mendes says:

      Claro, Miguel Cardoso, quem nos chula é sempre de esquerda. Toda a gente sabe que os banqueiros deste país, mais os empresários que corrompem políticos e outros decisores públicos são todos uns grandes comunas. Enfim…

  4. Ana Moreno says:

    O que mais me move contra a prostituição é a triste miséria dos homens que precisam de pagar para obterem sexo. E “os empresários do ramo”, são os chulos, mesmo. Outros que tais.

    • João Mendes says:

      Ana, então e as mulheres que precisam de pagar para obter sexo? Também existem prostitutos, nos classificados do JN 🙂

      • Ana Moreno says:

        Oi João, sabes que era para escrever que “idem para as mulheres”? É o mesmo, lógico!!!
        A única razão por que, afinal, não escrevi isso, foi por achar que falar na mini-minoria das mulheres que pagam, ao falarmos no fenómeno em geral, parece assim como falar nos crimes que têm sido cometidos por refugiados ao falarmos nos refugiados em geral. É falacioso por tão minoritário. Hoje mesmo está um caso a ser julgado que é um rastilho para xenofobismo: http://www.tagesschau.de/inland/prozess-kandel-101.html

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