Para que serve um conselho de turma?

A greve é o recurso dos desesperados cujos argumentos razoáveis são constantemente ignorados. Os professores, procurando resolver um (e apenas um) dos seus múltiplos problemas, resolveram recorrer a uma greve que afecta as reuniões de conselho de turma de final de ano lectivo.

O Ministério da Educação, fazendo jus à sua natureza de instituição intrinsecamente anti-educativa, resolveu impor serviços mínimos, de maneira a que um conselho de turma se realize desde que estejam presentes mais de metade dos professores, contrariando o espírito e a lei com a ajuda de um colégio arbitral cujo contributo para a imoralidade é gigantesco.

Embora o título seja algo redutor ou mesmo enganador, quem quiser saber qual é a importância dos conselhos de turma na vida dos alunos – repita-se: dos alunos – deverá ler a reportagem do Público –  Conselhos de turma são “uma tábua de salvação” para muitos alunos”. Quem não quiser saber, continuará a fazer comentário político na televisão ou escreverá patetices nas caixas de comentários também deste vosso blogue.

Comments

  1. Alexandre Velhinho says:

    Até a atribuição de um grau de doutoramento pode ser realizada sem que estejam presentes todos os membros do júri que avalia o trabalho do doutorando ao longo de vários anos

    Mas os sindicatos de professores querem fazer-nos crer que a avaliação de um estudante do ensino secundário necessita imperativamente da presença da totalidade dos docentes que acompanharam o aluno ao longo do ano lectivo.

    Ninguém diz que as reivindicações dos professores não devam ser ouvidas, mas um pouco mais de seriedade nos argumentos utilizados tornariam mais credíveis posições que, deste modo, mais não parecem ser do que estritamente corporativas.

    • António Fernando Nabais says:

      Muito obrigado. Se ainda não leu a reportagem do “Público”, já sabe qual é a minha opinião sobre o seu comentário. Os júris de doutoramento, pelos vistos, não são exemplos a seguir.

    • Bento Caeiro says:

      “O Ministério da Educação, fazendo jus à sua natureza de instituição intrinsecamente anti-educativa, resolveu impor serviços mínimos, de maneira a que um conselho de turma se realize desde que estejam presentes mais de metade dos professores, contrariando o espírito e a lei com a ajuda de um colégio arbitral cujo contributo para a imoralidade é gigantesco.”

      Que argumentário!

      Habituaram-se a pensar em bando e a movimentarem-se em rebanho e já não conseguem pensar por si.
      Querem turmas pequenas e também querem mais do que um professor por turma. Por negligência, comodismo, tornaram-se ineficientes. Mas isso pode trazer-lhes grandes e graves problemas: quando o lobo entra no redil e mata algumas ovelhas, as restantes poderão morrer de susto.
      Quanto ao grau de dificuldade dos exames dos finais do secundário, pretensamente para testar e avaliar o percurso escolar do aluno, se não fosse triste até dava para rir – daí serem cada vez menos as reprovações.
      Contudo, mesmo assim, é preciso actuarem em bando.
      Levaram ao extremo o desenvolvimento social e mental: só adquirem identidade, se em grupo. Coitados.
      No meu tempo, isto chamava-se insegurança, pelo medo de errar e de assumir as responsabilidades. Por isso o serviço militar obrigatório continua a ser tão importante.
      Para mim não seriam serviços mínimos, seria requisição civil.
      As greves, algumas, porquanto atitude de pressão negocial, poderão ter razão de ser, contudo outras – tais como esta, pelo seu enquadramento geral – são puro acto de extorsão.

      • António Fernando Nabais says:

        “escreverá patetices nas caixas de comentários” ou chamem-me Zandinga.

        • Nascimento says:

          O desenvolvimento mental do quadruple facho é digno de Nota Máxima! O catita até admite umas grevezitas…mas,ao domingo e depois da missa Xo pra barraca cão 🐶.

      • Paulo Marques says:

        “Por negligência, comodismo, tornaram-se ineficientes”

        O PISA está cheio de comunas, só pode.

        “As greves, algumas, porquanto atitude de pressão negocial, poderão ter razão de ser”

        Ainda estou à espera que os amantes da TINA apontem uma. Mas, imagino, que sejam só greves individuais, que é para não serem cobardes.

        “Levaram ao extremo o desenvolvimento social e mental: só adquirem identidade, se em grupo.”
        Diz quem tem tanta segurança na sua identidade que sente-se obrigado a lamuriar-se dia sim, dia sim, do quanto é assaltado pelas lutas pela igualdade e pelo quanto investe no conceito da pureza racial da Europa.

      • Bento Caeiro says:

        A ideologia totalitária fascisante, como são o estalinismo, o nazismo, o sionismo, por natureza, produz rebanho, porque os seus elementos são levados a só existirem porquando estão em grupo. São assim as organizações juvenis, próprias de partidos como o PCP, Mocidade Portuguesa, Juventude Nazi, URSS e outras; visam criar rebanho pronto a obedecer ao dono, tal como acontece com os militantes comunistas, nazis, chavistas e outros.
        Esperar-se-ia que gente com alguma formação pudesse afastar-se deste paradigma, contudo, pelo que se observa, antes pelo contrário: actuam em rebanho, a mando de sindicatos enquadrados por partidos, que assim pretendem levá-los a votar neles.
        Também, sendo sector que não produz riqueza – fazendo apenas despesa – e vive exclusivamente da receita produzida por outros, julgam-se com direitos que os restantes cidadãos não possuem.
        E, apesar de mal-preparados para as funções que deveriam exercer – pela forma como vão parar ao ensino: escolas que formam professores que formam professores que formam prof… – têm-se por espertos e sempre prontos a ensinar o que a escola não lhes ensinou e muito menos a vida (atitude de chico-esperto).

        Mas lá lamurientos são, e de que maneira?!!!

        Como poderá o ensino melhorar, observando os exemplos que esta gente dá?

        • Paulo Marques says:

          Quem tanto repete a TINA (e muito mais além no reaccionarismo), queixar-se dos outros serem rebanho é para rir. Só falta vê-lo a defender as “aulas” de empreendedorismo para cair no chão.

          “E, apesar de mal-preparados para as funções que deveriam exercer ”
          Pois, só é pena o PISA, mas quando aparecer o resultado de cinco anos de Crato, a culpa há-de ser dos comunas. Porque é sempre, como dizia o senhor de bigode.

        • Bento Caeiro says:

          O Manel Macaco – fraco do miolo, coitado, já morto, repetia, das conversas que ouvia, somente o seu fim.

          Ouvindo alguém contar que teria visto a Maria a tomar banho na tina, desatava a gritar pelas ruas “Ela Tina, Ela Tina, Ela Tina.

          Estando na taberna e passando uma barata, alguém dizendo, Barata, Pisa, de igual forma o Manel Macaco, desatava a berrar pela rua abaixo, “Barata Pisa, Barata Pisa, Barata Pisa”.

          Mas o Manel, Macaco, pela forma como andava, morreu, só não saberia o mesmo que, afinal, sempre é verdade que os pobres de espírito serão agraciados e ressuscitou.

          • Paulo Marques says:

            E factos, continua a zeros, depois da declamação de amor por eles.

          • António Fernando Nabais says:

            Paulo Marques, o Bento é só entretenimento.

    • Ivo Barroso says:

      Alexandre Velhino, “omnis comparatio claudicat” (“Toda a comparação claudica”).
      A sua comparação com um Júri para apreciar uma Tese não é feliz, pois compara coisas diversas:
      uma coisa é 4 a 7 Professores avaliarem exactamente o mesmo trabalho científico, para obter o grau de Mestre ou de Doutor.
      Coisa muito diversa é um Aluno ter várias disciplinas, leccionadas por vários Professores ao longo do ano; e estar em causa, em vários casos, saber se o Aluno passa de ano ou se fica “retido”.

    • Ferpin says:

      Está confuso. É a lei que diz que tem que estar todos. Diz a dita lei que é tão importante estarem todos que so se pode faltar às mesmas com atestado médico. Isto, até ao dia em que para lixae uma greve arranjou uns juízes que disseram que basta 50% +1.

  2. Professora says:

    Finalmente, um jornal de referência apresenta um artigo esclarecedor sobre educação. No entanto, para algumas mentes formatadas, pelos vistos, isso não interessa nada, o que pensam é o que é.
    Sou professora e sei do que falo quando o assunto é da minha área, porque foi no que me formei e em que me especializei. Mas não me atrevo a dar palpites sobre outras áreas profissionais que não domino. Contudo, não há gato-sapato que não tenha mestrado e doutoramento sobre o ensino, que lhe foi conferido só por andar numa escola que já nem tem nada a ver com a atual. Já cansa!

  3. Alexandra says:

    O M E suspendeu a lei que obriga à presença de todos os professores nos Conselhos de Turma.
    Mas não é só quando está declarado o Estado de Excepção ou o Estado de Sítio que as leis podem ser temporariamente suspensas?

    • Bento Caeiro says:

      É, pois!

      “O Estado de Sítio” – só que é o Sítio do Pica-Pau Amarelo.
      A seguir vai ser convocado o Conselho de Guerra das doninhas e as escolas vão ser todas cercadas e tomadas pelos papagaios.

      Esta, deve ser “stora”? Eheheheheheheheheheheheh.

      Estamos, mesmo, entregues à bicharada!

      • Branca says:

        E o Bento o que é? Um papagaio ou o Melga Mor? Não dá uma para a caixa mas anda sempre a comentar em todo lado. É essa a sua profissão? Pelos vistos há cada vez mais comentadores profissionais dos artigos de jornais e de blogues que tentam limitar a liberdade de pensamento e actuação dos outros. Estão contra os professores claro porque sabem que esses não vão atrás das suas balelas!

        • Bento Caeiro says:

          “a liberdade de pensamento e actuação dos outros.”

          Branca de nome e em cérebro. Caso contrário não produziria asneiras desta natureza. Ao afirmar o que acima se reproduz, revela precisamente que seria isso que pretenderia: condicionar o pensamento dos outros – conheço o género, mas daqui não leva nada.
          Por mim pode dizer o que entender, é livre e tem o direito de o expressar e, eu, tenho o direito e o dever de – não aceitando – contestar e opor-me ao que se diz, tal como o faço aqui. Mas isto a Branca não sabe – as suas limitações não atingem. Deve ser daqueles que, básicos de idéias e pensamentos, dizem: “temos de respeitar todas as opiniões … e blá blá blá.”

  4. Tempos says:

    Já participei em conselhos de turma sem a presença de 3 professores. Faltas justificadas com atestado médico e propostas de classificação deixadas antecipadamente (em envelope fechado). E não foram só uma ou duas vezes. Não vi, nessa altura, ninguém preocupado!
    Ainda, neste ano escolar, participei num conselho de turma sem a presença de dois professores. A sua não presença devidamente justificada. A reunião aconteceu, as classificações foram ratificadas pela direcção e a pauta afixada. Não vi qualquer preocupação com a situação, antes preocupação em “que terminasse o mais rápido possível” para irmos embora…
    Mudam-se os tempos… mudam-se as vontades!

    • Branca says:

      Essas situações de que fala são legais. Se não está contente com isso queixe-se ao ministério da educação, proponha a mudança da lei.

      • Tempos says:

        Argumentos? É capaz de apresentar?!
        E educação?!

      • Luís Lavoura says:

        Hmmm… Portanto: é legal realizar-se um conselho de turma em que um professor falta por motivo de estar doente, mas é ilegal realizar um conselho de turma se um professor falta por estar em greve?
        Se a lei está feita assim, então está muito mal feita, pois oferece um benefício injustificado a quem faz greve em relação a quem está doente.
        Se fôr assim, se a lei de facto já hoje permite que se realizem conselhos de turma com professores ausentes, então acho que o Ministério tem toda a razão em exigir que eles se realizem quando o motivo da ausência dos professores é apenas… o terem decidido estar em greve.

        • Paulo Marques says:

          Se for como diz, o Ministério não tem razão em exigir coisa nenhuma porque o Ministério não decide que leis são para ser cumpridas ou não.
          O que é diferente de dizer que tem razão em exigir que as regras sejam diferentes (e se for essa a situação não falta quem concorde), mas isso não compete ao executivo.

  5. Luís Lavoura says:

    Então se o conselhor de turma são uma tábua de salvação para muitos alunos, façam os senhores professores o favor de lançar essa tábua de salvação aos alunos, deixando-se de greves cobardes (*) e realizando os conselhos de turma!

    (*) É cobarde um professor não cumprir as suas obrigações sem chegar a realizar greve (e sem perder o seu dia de salário por essa via), refugiando-se atrás do outro colega que fez greve. O que os professores estão a fazer é uma greve cobarde, em que um só professor faz greve e dessa forma evita que os restantes trabalhem, sem que esses restantes tenham que eles próprios fazer greve.

    • Mr José Oliveira Oliveira says:

      O nível dos dislates aqui produzidos ultrapassa, confesso, as minhas piores expectativas. Da ignorância mais crassa, mas com convicção, até ao lixo ideológico mais rasteiro, tudo serve para atacar a classe docente, os educadores deste país. Recusam compreender que a greve mais forte jamais feita por muitos milhares de profissionais, só é possível porque a tutela se esforçou arduamente para isso. Declarou GUERRA à classe docente que é a melhor maneira de resolver o conflito das promessas não cumpridas. Logo, aos professores não resta alternativa. Que mensagem passariam ao país, se fossem roubados, humilhados, chantageados e nada fizessem? Os professores apenas exigem o que é seu e condições de trabalho, e não vão desistir, creiam. José Oliveira, dirigente do STOP

      • António Fernando Nabais says:

        Maria José Oliveira, esta caixa de comentários está cheia de gente capaz de explicar a um cirurgião como se usa um bisturi.

  6. Morde a esquerda, canito, morde. says:

    Manter os alunos reféns ?

    https://youtu.be/qs35t2xFqdU

    • Bento Caeiro says:

      Alunos, pais e os professores que querem trabalhar. Mas que se lixem esses todos; e, então os meus direitos pela presença? Caramba já ando há tantos anos nisto! Se até os dinossauros adquirem direito a estar em museus, porque não tenho eu o direito de dar uns saltinhos na carreira?!!!

      • António Fernando Nabais says:

        Há professores que querem trabalhar? Ó Bento, qualquer dia ainda o apanho a fumar!

        • Bento Caeiro says:

          Então não sabia que ainda andam por aí alguns professores que querem trabalhar? Por incrível que pareça, é verdade, existem e eu trabalhei com alguns. Mas, infelizmente, muito condicionados pela atitude de uma grande número – os campeões dos direitos adquiridos.

          • António Fernando Nabais says:

            Não sabia, pois não. Obrigado, Bento, por voltar a esclarecer o mundo. Quando puder, mande a morada dos que não trabalham.

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