Aquilo que os professores não reivindicam

Sempre que os professores reclamam, o espaço da opinião pública e publicada incendeia-se, chamando privilégios a direitos, anunciando ao mundo a incompetência docente ou lembrando que há quem esteja pior, numa mistela de afirmações sem provas ou vazias de argumentação.

Por variadíssimas razões, que vão de um estranho complexo de inferioridade ao excesso de trabalho, os professores são pouco reivindicativos ou, no mínimo, mal reivindicativos, porque ou aceitam com demasiada facilidade factos consumados ou porque escolhem mal o momento de algumas batalhas (normalmente, desistem).

A mais recente reclamação dos professores refere-se ao tempo de serviço que este governo, alegadamente socialista, não quer repor na totalidade, depois de os professores terem trabalhado todo o tempo. É como se, no final de um dia de trabalho, dissessem ao leitor que só lhe pagariam uma das oito horas que já tinha trabalhado. A comparação, de qualquer modo, peca por defeito, porque os professores nem sequer exigem o dinheiro que perderam.

O mundo dos comentadores, dos célebres aos anónimos, dizia eu, indigna-se facilmente com os protestos docentes. Gostaria de aproveitar o dia de hoje para fazer uma pequena lista de reivindicações que os professores não fazem, mesmo que defendam a sua justeza. Se deveriam reivindicar? Com certeza, mas isso é outra questão.

Assim, os professores não reivindicam

  • a reposição dos rendimentos sonegados ao longo dos últimos anos, em nome de uma dívida pública que serve para pagar interesses privados;
  • ajudas de custo para deslocações ou alojamento. Pode haver leitores distraídos que não saibam, mas aqui vai: os professores, independentemente de viajarem quilómetros ou de ficarem alojados longe de casa, não recebem um tostão por isso, pagando essas despesas do próprio bolso e, portanto, ganhando menos quanto mais longe é o local de trabalho. Outros profissionais com formação superior a desempenhar funções igualmente importantes têm direito a carro da empresa, a viagens e refeições pagas, a alojamento. Os próprios deputados têm várias ajudas de custo, sendo que alguns, como se sabe, chegam a dar moradas falsas;

  • salários justos compatíveis com a importantíssima função que desempenham em qualquer sociedade que se queira minimamente civilizada;

  • a reposição de um horário de trabalho que não obrigue os professores a passar tempo desnecessário na escola;

  • a recuperação das horas de redução lectiva para desempenho de cargos de coordenação ou de orientação de estágio nas escolas;

  • a reactivação da formação contínua, elemento fundamental para profissionais que precisam de estar a par do estado da arte no que respeita à sua área científica, à didáctica ou à pedagogia;

  • uma reflexão profunda e célere acerca da formação inicial, o que implicaria pensar sobre o acesso aos cursos superiores e sobre o funcionamento dos estágios pedagógicos (reduzidos a breves simulacros, com o único objectivo de não pagar o trabalho dos professores estagiários);

  • uma verdadeira diminuição do número de alunos por turma, tendo em conta que isso é fundamental para a qualidade das aprendizagens;

  • a necessidade de haver nas escolas mais técnicos superiores (psicólogos e assistentes sociais, por exemplo) e funcionários não docentes;

  • o fim das quotas na avaliação do desempenho docente e a criação de um verdadeiro sistema de avaliação. Desde os anos 80, a chamada avaliação de desempenho é apenas um instrumento cujo objectivo é o de conter custos salariais, nomeadamente através das referidas quotas;

  • a recuperação de uma escala razoável para que os escolas possam funcionar melhor, o que passaria, por exemplo, pelo fim dos mega-agrupamentos;

  • o fim do processo de municipalização e o concomitante reforço da autonomia das escolas (porque a municipalização das escolas é a morte da autonomia das escolas);

  • a recuperação da eleição das direcções das escolas no sistema anterior ao dos conselhos gerais, com a participação de toda a comunidade escolar;

  • a necessidade de um pacto educativo que implique uma verdadeira participação dos professores, funcionários altamente especializados na sua área cujos contributos são frequentemente ignorados. Esse pacto educativo deve, ainda, ficar a salvo de caprichos partidários ou ministeriais (como, por exemplo, a alternância entre introduzir ou extinguir exames, sem uma reflexão séria).

Tudo isto deveria, repita-se, ser reivindicado pelos professores, teimosa e continuamente, mas, entre profissionais cansados, sindicatos manietados e associações esvaziadas, a voz dos professores, atacados por ignorantes atrevidos, não é ouvida, ou porque há afonia de quem (não) fala ou surdez de quem deveria ouvir.

Face a isto tudo, que continua e, muito provavelmente, continuará por reivindicar, pedir que o tempo de serviço (tempo efectivamente prestado) seja reposto na totalidade é muito pouco e nem sequer corresponde a um mínimo exigível. Como estou a escrever mais ou menos na qualidade de professor, deixo apenas implícita a resposta mais mal educada possível a quem se indigne com esta pequena reivindicação.

Comments

  1. Bento Caeiro says:

    Eu cidadão, me confesso: sou um daqueles que o Nabais menciona.
    O Nabais e o funcionalismo público falam muito em direitos, mas eu pergunto: porque razão, sendo pagos pelas funções e pelo trabalho que executam, hão-de adquirir direitos?
    Que reivindiquem um melhor pagamento por aquilo que fazem, eu até compreendo, mas direitos? Depois a vitimização. Nunca quem se faz de vítima foi respeitado e os professores e funcionários públicos não são excepção a este facto – aliás, também muito comum entre os políticos. Menos alunos por turma, mais apoios, mais isto e aquilo. Comecei por estudar as primeiras letras numa turma com 40 alunos e, posso garantir, que não aprendemos menos – antes pelo contrário – que os actuais alunos.
    Mas em muitas coisas estou de acordo, uma delas: que a municipalização é a morte das escolas.
    Mas depois vêm questões como, outros profissionais têm isto e aquilo e nós (eles) não. Também outros profissionais das empresas privadas não têm isto e aquilo e, em relação aos funcionários públicos, não têm mesmo nada. Mas são eles que estão em actividades que gerem a riqueza que, arrecadada pelo Estado, vai pagar aos professores e ao funcionalismo público.
    Depois vem a sobrevalorização. Esquecendo que desempenham uma função que escolheram ou para a qual foram empurrados pelas circunstâncias – não interessa – que tendo o seu valor, não se sobrepõe a nenhuma das outras. Claro que aqui estamos no domínio da presunção e da vaidade; e esta, tal como a vitimização, gera negação, inimizades e, porventura, má-vontade.
    Finalmente, os professores são o reflexo do que tem vindo a acontecer desde há longo tempo no campo do ensino; situação para a qual muito têm contribuído, mormente com as suas estruturas associativas de natureza laboral.

    • Paulo Marques says:

      Só falta dizer que o trabalho liberta, porque é que os trabalhadores hão-de ter direitos?

    • António Fernando Nabais says:

      Bento Caeiro, um de nós é um caso perdido.
      Todos os trabalhadores têm direitos. Os professores são trabalhadores. O salário não é o único direito dos trabalhadores.
      Reclamar direitos é a reclamar aquilo a que se tem direito (o que não deveria acontecer, por ser um direito), o que é diferente de vitimização. Estando eu convencido da justeza das minhas reivindicações, dispenso o respeito de quem não me respeita por estar a reivindicar aquilo que considero justo. Pouco me importa que simpatizem com a minha causa (se os que lutaram por direitos e causas se tivessem preocupado apenas com a simpatia alheia, não teriam lutado – as mulheres não teriam direito a voto, por exemplo).
      O Bento aprendeu as primeiras letras numa turma de 40 alunos? O Bento e muitos outros, é verdade. Alguns até iam descalços para a escola e passaram fome, conseguindo aprender o mesmo. Vamos defender turmas de 50 alunos, a proibição de calçado e a prática da subnutrição? Vamos, pois!
      A diminuição do número de alunos por turma e a necessidade de mais profissionais nas escolas são importantes para os alunos, não são um direito dos professores, mesmo que devam fazer parte do pacote de reivindicações de uma classe docente responsável e preocupada com as condições de aprendizagem.
      A ideia de que os funcionários públicos não geram riqueza faz parte de algo que não chega a ser uma ideologia: é só uma visão tacanha da sociedade. Os professores, como muitos profissionais, são, muitas vezes, obrigados a viajar ou a arrendar quartos sem direito a ajudas de custo. Isso quer dizer que os professores pagam para ir trabalhar. Mais ainda: isso acontece aos professores que ganham menos, o que transforma um salário baixo num… salário ainda mais baixo. De qualquer modo, isto não faz parte das reivindicações dos professores, mas não deixa de ser mais uma das muitas maneiras que faz com que os professores financiem o próprio patrão.
      O resto é tresleitura ou dificuldades de leitura. Já noutra caixa de comentário lhe expliquei, mas volto a tentar. Escrever sobre os problemas dos professores não é o mesmo que dizer que não há mais problemas no mundo: há quem esteja muito pior do que os professores. Escrever sobre os problemas dos professores é só escrever sobre os problemas dos professores.
      Os professores, no entanto, correspondem a uma classe fundamental numa sociedade moderna, como muitas outras, com certeza, especialmente dentro da administração pública (o que não é o mesmo que dizer que os privados não são importantes, que uma pessoa tem de explicar tudo). Não se trata de presunção ou de vaidade, porque não me sinto mais ou menos do que ninguém por ser professores, estou a referir-me à importância da profissão, mas, mais uma vez, o Bento não percebe, porque é vítima de preconceitos e, portanto, de falta de reflexão. Mais uma vez, estou-me nas tintas para a negação ou para a inimizade de quem não quer perceber. Os professores devem dizer o que pensam mesmo que isso implique reacções adversas, do mesmo modo que devem corrigir um aluno mesmo que não goste de ser corrigido.
      Os professores têm culpas, sem dúvida, mas é por não serem suficientemente reivindicativos, organizados e consistentes. Este nosso laxismo tem permitido que a Educação tenha estado a ser dirigida por gente tão informada como o Bento Caeiro.

      • Bento Caeiro says:

        O senhor Stor, como é óbvio, leva a brasa à sua sardinha, contudo, com tal empenho que ainda não viu que a sardinha já está queimada.
        Como é óbvio – não entende, porque não lhe interessa – professores e funcionários públicos, por mais empenhados e produtivos que sejam, não criam riqueza: aquela que permite ao estado pagar-lhes – são apenas despesa.
        A questão das turmas de 40 e mais alunos – cheguei mais tarde a estar em turmas de 60 – serve apenas para salientar a vossa atitude: comodista, mesmo preguiçosa, ineficiente (caso da disciplina) face a certas realidades, que apenas querem alterar para vosso benefício e descanso. Aliás, o que muitos previram quando foram criadas as fábricas de professores. É sempre o mesmo: estatuto, estatuto – na minha terra diz-se caganeirice!
        Quanto à importância da profissão, outra idéia errada: as profissões são todas relativamente importantes; há, é as menos importantes e parasitárias, como é o caso dos pontapés-na-bola. E todas elas terão os seus problemas – umas mais que outras. Se até os pontapés-na-bola se querem matar uns aos outros?
        Profissão fundamental? Há tantos fundamentais! É conforme a época e as modas.
        Por outro lado o Stor persiste em não entender ou em o não o querer entender, sobre a questão dos direitos – que tanto preza. A atitude da aquisição de direitos nasce precisamente porque ao trabalhador não lhe era pago o que lhe seria devido e então como forma de compensação, em perspectiva – do confronto movimento sindical/empresariado – nascem os direitos. Estes, como prémio, pela garantia de permanência nas fábricas e empenho e, muito importante, bom comportamento. Daí a minha objecção à mentalidade dos direitos. A luta, essa, deveria ser orientada noutro sentido – mas também com os sindicatos que têm, não vejo como o poderão fazer. Por isso, continuam e vão continuar a bater-se pela gorjeta – problema vosso, sempre prferi ser bem pago.

        Quanto ao respeito – outro tique, mas esse é característico da sociedade portuguesa: “o respeitinho é muito bonito”, e a luta por ele ainda maior – daí sermos um país de senhores doutores e engenheiros e de estudantes de cursos da treta a mostrarem-se vestidos de urubus a vangloriarem-se da sua futura importância (um grande número deles fui encontrá-los em call center e em caixas de supermercado – é a vida!). Voltando ao respeito: apenas respeito o direito que cada um tem de possuir as suas idéias e de colocar as suas opiniões, reservando-me o direito de, não concordando, as rebater e, sendo caso disso, de as combater – por palavras e acções.

        Leia “A Fogueira das Vaidades”, do escritor recentemente falecido Tom Wolfe, e vai ver que aprende alguma coisa.

        • Paulo Marques says:

          “A atitude da aquisição de direitos nasce precisamente porque ao trabalhador não lhe era pago o que lhe seria devido e então como forma de compensação, em perspectiva – do confronto movimento sindical/empresariado – nascem os direitos. Estes, como prémio, pela garantia de permanência nas fábricas e empenho e, muito importante, bom comportamento. ”

          A aquisição dos direitos nasceu porque milhões perderam muito sangue, suor e lágrimas para que houvesse um mínimo de decência nas condições de trabalho. As vantagens económicas foram um bónus não previsto, mas as explicações existem para quem se importa, mas de quem mede a riqueza em défices não se espera muito
          O “nem de esquerda, nem de direita” blairista prefere que tudo fique como está porque ainda tem o seu, mas depois não se queixe quando o caos chegar à Europa que ninguém o avisou.

          • Bento Caeiro says:

            Fui bem claro ao referir que “do confronto movimento sindical/empresariado – nascem os direitos.
            Ora se o Paulo apenas desenvolve aquilo que eu disse, porque razão dá a entender que assim não é?
            Quanto à questão do Caos.
            Mas, amigo Paulo, a Europa – se não o Mundo inteiro – está a precisar do Caos, de uma Terra, com muito menos gente e com outros hábitos e comportamentos, que mais não faz que a conspurcar. A humanidade precisa de uma lição e muito rapidamente – doa a quem doer.
            Está ver como eu me queixo e vejo os seus avisos?

          • Paulo Marques says:

            Da maneira como escreveu, pareceu-me que estava a menosprezar a brutalidade da luta de há 100-150 anos. Se não estava, peço desculpa.
            A terra tem mais do que recursos para toda gente e mais, desde que utilizados com responsabilidade – podemos estar melhor tanto com mais, como com menos, é preciso é fazer muito mais por isso. E quanto mais tarde se começar, mais vai custar, mas o ser humano é assim.
            Independentemente disso, a questão era sobre o desperdício económico. O ambiente é uma faceta, certo, mas sem mudar a visão sobre o que é realmente o aproveitamento da capacidade produtiva, isso será uma das coisas que será sempre visto como um custo que ninguém quer pagar.


  2. Compreendo perfeitamente a “realidade” do bento caeiro. Professores para quê? É óbvio que a ele, os professores não ensinaram nada!

    • Bento Caeiro says:

      Eu até fui professor, mas não da treta e do bem estar e do comodismo. Quanto ao que diz dos professores, pode crer que, com a maior parte deles, não aprendi nada: então no ensino superior, muitos do que lá foram colocados por partidos, nem ao nível do aluno médio estavam. Tal como não estão um grande número dos, agora, saídos, das fábricas de professores que formam professores que formam professores que for…

      • António Fernando Nabais says:

        Professores colocados por partidos no ensino superior? Deve ter andado numa universidade de vão de escada. Muitos professores de agora não estão ao nível de um aluno médio? Como provar isso ou o contrário? Não interessa, porque, de qualquer modo, o Bento Caeiro está nas caixas de comentários como o pessoal que bebe uns copos num café enquanto resolve os problemas da humanidade.

        • Bento Caeiro says:

          Isso só mostra a sua ignorância. Aliás como se vê pelo seu articulado. Mas vou dizer-lhe, grande número de professores colocados nas universidades pós 25 de Abril – ainda não havia universidades da treta e vão de escada como a que o Stor frequentou – foram lá colocados pelos partidos (do PCP, o maior número). As grandes sumidades que estavam nos seus exílios e voltaram para nos transmitir a sua sabedoria. Felizmente que, com o tempo, foram sendo afastados – mas eu ainda apanhei com alguns destes sábios.
          Quanto à forma como estou, só lhe digo: já ultrapassei o momento – se é que alguma vez lá estive – de ir na conversa de queixinhas, com atitudes de quem tudo lhes deve e ninguém lhes paga. Até porque o Stor apenas luta pela gorjeta: um direitinhos por favor.
          Contudo, não esqueça, estendendo a mão, não é gorjeta é esmola.

          • António Fernando Nabais says:

            Cada cavadela, cada minhoca! A Universidade de Coimbra é uma universidade de vão de escada? Entre outros, fui aluno de Vítor Aguiar e Silva, magnífico professor, que efectivamente, num dos estúpidos exageros do 25 de Abril foi afastado, tendo regressado a tempo de me dar aulas, para meu benefício e de todos os que puderam ser alunos dele. Insisto: o Bento não sabe ler. Nunca se contraria um maluco ou um ignorante: sim, estou a pedir esmola, porque nenhuma das reivindicações a que aludi faz sentido. Vá passando por aqui, que as caixas de comentários são democráticas.

  3. Antonio Medeiros says:

    Sr. Antonio: Não sou professor, mas admiro aqueles que me ensinaram e tenho enorme gratidão por eles e aprovo totalmente seu artigo.

  4. Anabela Fontes says:

    Bento Caeiro,
    Os professores pertencem ao “Partido do Estado” que já faliu este pais 3 x.
    O Partido do Estado para se manter no poder ( e ter margem de manobra para se entreter com a corrupção da qual vamos tendo conhecimento da ponta do iceberg ) tem que manter uma função publica imensa e seus dependentes a votar neles.
    Para isso criam-lhes estes infinitos “direitos” que mais ninguem tem, à custa dos operários da “funcão privada”.
    Isto chegou ao ponto de o “Partido do Estado” garantir o direito a serviços de de saúde privados(ADSE) ao funcionários públicos e obrigar os privados á saude publica(SNS)!
    Mas está tudo bem, a populaça acha tudo normal. E sabem porquê ? Porque não sabem articular duas ideia seguidas a não ser futebol. E sabem porquê ? Porque o sistema de ensino não faz mais que Emburrecer o zé povo.
    Por isso é preciso continuar a garantir a “Educação” na mão do estado para que a formação em “imbecililidade” continue a dar os bons frutos que vamos vendo.
    Viva o pais mais atrasado da Europa.

    Anabela Fontes

    • António Fernando Nabais says:

      É acabar com essa corja dos professores e entregar o dinheiro todos aos banqueiros… Espera! Isso já foi feito!

    • Bento Caeiro says:

      O surpreendente na atitude dos campeões pelos direitos – isto é, a exigência do benefício por estar e ter estado, do Stor (olha o estatuto) Nabais, só difere do comportamentos dos banqueiros pela grandeza, quando estes se apropriam do que pertence a todos nós, os cidadãos. Aliás, como está implícito nas palavras do Stor – porquê entregar o dinheiro aos banqueiros se tinham os professores e, julgo, funcionários públicos para o receberem. Por coincidência, ou não, é isso mesmo o que defendem as suas estruturas sindicais, logo que suspeitam que há alguma folga – também queremos.
      Contudo, atenção, não parece que assim seja e, pelo andar da carruagem – pelo crescente endividamento – pode sair-lhes o tiro pela culatra, pois já não haverá mais dinheiro para DESPESA.

      • António Fernando Nabais says:

        Muito bem, cuidado com o estatuto. E, sim: eu defendo que o dinheiro entregue aos bancos deveria ter sido entregue aos professores. Até defendo que toda a riqueza produzida no mundo deve ser entregue aos professores. Chama-se iliteracia, Bento.

      • Paulo Marques says:

        ” pois já não haverá mais dinheiro para DESPESA.”

        Esse nunca faltará num país em que a austeridade é a via política e tudo o resto é dispensável.

  5. António Fernando Nabais says:

    Um dia, quando o Bento Caeiro aprender a ler, poderemos voltar a debater. Quando se informar sobre o financiamento da ADSE, também poderá perceber. Até lá, não voltarei a perder tempo a responder-lhe, porque é tempo perdido.
    Parece-me que não leu “A Fogueira das Vaidades” e está a querer fazer um trocadilho com o título. Não caia nisso, que há sempre alguém que já leu o livro que não lemos
    e dizemos que lemos. Já li o livro e já vi o filme. Vá lá fazer os TPC. Cumprimentos do Stor.

  6. Anabela Fontes says:

    Não concordo consigo em relação à importância da profissão Professor.
    Penso que é realmente importante.
    Por isso mesmo o ensino não devia ser “função pública”, pois torna-se numa ferramenta de controlo mental do rebanho.
    Só com ensino livre de ideologia de Estado poderemos aspirar a uma Sociedade de Pensamento Livre.
    Uma ponto agravante é que o Partido do Estado tem que “comprar ” os votos da FP ( onde se incluem os professores) e para isso está disposto a subverter a etica e moral ( o velho slogan : fazemos o que for preciso), e a FP na busca dos “direitos só para eles” à custa dos outros, está disposta a tudo, mesmo à lá Graucho Marx ” Se os meus principios morais não lhe agradam, não há problema pois arranjo outros ”

    Anabela Fontes

    • António Fernando Nabais says:

      Claro, só existe ideologia no Estado e na função pública. Nos privados, é a absoluta pureza, o pensamento livre. Temos pena: não há tratamentos para o seu problema.

    • Mónica says:

      Cara “Anabela Fontes”: Ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah!!! Hihihihi 😀 😀 😀

      • Bento Caeiro says:

        Pelo que se vê, a intervenção da Anabela provocou um orgasmo à Mónica.

        • Mónica says:

          O Bento lá sabe o que sente quando vem ao Aventar. Talvez deva mudar o seu nome, porque de “bento” tem muito pouco. Quanto à emoção em si os vossos comentários não têm qualidade para provocar isso, de facto.

    • Paulo Marques says:

      “Por isso mesmo o ensino não devia ser “função pública”, pois torna-se numa ferramenta de controlo mental do rebanho.
      Só com ensino livre de ideologia de Estado poderemos aspirar a uma Sociedade de Pensamento Livre.”

      Há maior controlo mental do rebanho do que a TINA, que não acerta uma meta ou métrica em país nenhum? De resto, não faltaram séculos de ensino privado a demonstrar o que é “pensamento livre”, e o resultado é que tanta gente ainda pensa que o mundo é plano.
      Se o estado não faz por garantir direitos mínimos, acha que os vai garantir quem? As empresas que despedem grávidas e doentes que são pagos em iogurtes e despejam lixo tóxico para o Tejo?

  7. Anabela Fontes says:

    Esta minha ultima contribuição era obviamente em resposta ao ultimo post de Bento Caeira.

    Anabela

  8. Anabela Fontes says:

    É delicioso ver um sábio professor que mais não, tem que usar a “Falacia do Espantalho”, quando era suposto ter argumentos reais.
    Enfim os mais reivindicativos que são sempre os mais fraquinhos…

    Anabela Fontes

    • António Fernando Nabais says:

      Que outra falácia poderia usar, tendo em conta os contendores?

    • Bento Caeiro says:

      Anabela, como é óbvio, não nego a importância da profissão de professor, nego é a atitude do somos fundamentais e, como tal, mais relevantes. Fundamental e relevante é, também, o canalizador quando tenho em casa uma fuga de água que me inundou a casa toda.
      E tem toda a razão, quanto aos mais fraquinhos. As grandes empresas estão cheias disso: quanto menos competentes e empenhados profissionalmente, mais exigentes; não sendo por acaso, que são estes que, para fugirem ao trabalho, vão para os sindicatos. Nos quais, como sabemos, continuam a fazer e a receber pelas suas diversas antiguidades: serviço, carreira, categoria.

      • António Fernando Nabais says:

        Outra coisa, ó Bento: não sou sindicalizado. Desculpe mais esta desilusão. Prossiga, prossiga.

  9. Anabela Fontes says:

    Vê como você quando quer pensa um bocadinho e chega quase lá.
    Mas falta-lhe o quase, e sabe qual é ? Eu explico para o sr. professor não precisar de usar a parte de cima:
    O Estado é que faz as leis . E isso faz toda a diferença…

    Anabela

    • António Fernando Nabais says:

      O atrevimento da ignorância e a submissão aos preconceitos são realmente fascinantes. Obrigado pela ilustração, cara Anabela!

    • Paulo Marques says:

      “O Estado é que faz as leis .”

      O estado português não faz leis, transcreve-as. Se são cumpridas ou não, na eurolândia é para o lado que a Alemanha está virada.

  10. Anabela Fontes says:

    Não amue quando o contradizem. O sr.professor tem pouca capacidade de encaixe.
    Olhe q isso é tipico dos meninos da mama…

    Anabela

  11. Anabela Fontes says:

    Concordo.

    Anabela

  12. Catarina Oliveira says:

    Realmente, abaixo os funcionários públicos – médicos, enfermeiros, polícias, etc. – esses chupistas lamechas que, no fundo, no fundo (fundamentalmente?), não são necessários. Dão jeito, vá. Mas não são fundamentais. Esses e os maiores lamechas e encostados de todos, os professores, a começar por aqueles que os ensinaram a ler e a escrever. Fora com essa praga! Sempre se evitava ler certas enormidades. ;-P Vá… venha de lá esse fel de escravo capataz. (António Nabais, desculpe uma eventual brutidade excessiva nesta sua casa, mas as capacidades de encaixe e de diplomacia ficam francamente comprometidas no final do ano lectivo)

  13. Mónica says:

    Coitadinhos do Bento e da Anabela! Tenho pena deles, a sério. Terem de vir para o Aventar libertar as suas postas de pescada, porque ninguém os ouve, nem quer saber das suas teorias. Realmente a solidão dos nossos dias é um cancro. As pessoas terem de vir para os blogues e jornais comentar com longos textos de onde nada se aproveita para assim conseguirem ter o único momento do mês em que alguém lhes liga. Chuinf chuinf

    • Paulo Marques says:

      “Terem de vir para o Aventar libertar as suas postas de pescada, porque ninguém os ouve, nem quer saber das suas teorias. ”

      A Mónica não devia abrir os horizontes, porque se sair deles fica aterrada como o mundo só pode piorar muito antes de voltar a melhorar.
      Ou seja, antes fosse, mas não falta quem não perceba para que serve um estado soberano e qual é realmente a alternativa.

    • Bento Caeiro says:

      Solidão é coisa que não me assiste. Até porque, por uma noite basta ir pelos sítios onde tu e as tuas amigas param para vir acompanhado – palavra que nunca vi nada tão fácil. No meu caso, o isolamento é mais necessidade para descanso do putedo que por aí pára.

      • António Fernando Nabais says:

        Bento Caeiro, posso garantir-lhe que os seus comentários não serão apagados, havendo sempre a possibilidade de, um dia, o menino ir parar a tribunal se alguém quiser ter esse trabalho. Já se sabia que não tinha capacidade de argumentação, verifica-se que não tem educação e ficaremos a saber se tem vergonha na cara. Quando não se bebe chá em pequenino…

        • Bento Caeiro says:

          Estou a ver o stor, tal como os da sua laia, só vê para um lado e, para o que lhe convém. Não gosta que lhe digam que a vossa luta não tem aceitação entre o cidadão, que a vossa profissão desliza para a mediocridade profunda, repleta de gente que não tem um mínimo de vocação para o exercício da função; e, por isso não viu os “coitadinhos do Bento e da Anabela” pronunciados pela Mónica – pudera, da mesma tribo.
          Quanto às suas ameaças, meta-as onde o stor sabe.
          Também se vê quem não tem capacidade de argumentação… Não gosta do contraditório? Problema seu – tiques totalitários, provavelmente ideológicos e partidários – problema seu, mas se me afectarem, passam a ser também meus e respondo e actuo sempre em conformidade – tal como esta questão dos direitos pela presença.
          De uma coisa o posso informar, a antiguidade mais longa que terá e, não precisa de a reivindicar, dar-lhe-á – sem sombra de dúvidas – direito … à morte.

          • António Fernando Nabais says:

            Ó Bento, se alguma vez de dedicar ao tiro, avise, que o sítio mais seguro, quando começar a disparar, é em frente ao alvo!

          • Mónica says:

            Contraditório e falta de educação não são a mesma coisa! A falta de educação do Bento Caeiro vem facilmente à tona e com toda a facilidade estala o verniz atrás do qual se esconde. Quanto às ditas senhoras de que fala, se calhar são mais verdadeiras e válidas que vossa excelência. Gabo a paciência do António Fernando Nabais para aturar estas atitudes e a calma com que procura explicar os factos. Mas lá está, são características normais nos professores! Em resposta ao machismo-revanchismo da associação com prostituição deixo um ditado inglês muito antigo: ” You can lead a horse to water but you can’t make it drink.”

          • António Fernando Nabais says:

            Mónica, permita-me deixar aqui uma vénia ao seu comentário. É uma pérola.

  14. Bento Caeiro says:

    Tive oportunidade de dizer ao stor Nabais que a única coisa que reconheço aos outros é o direito de terem as idéias e expressarem as opiniões que entenderem; reservando-me eu o direito e o dever de não as aceitar, rebater e mesmo combater – por palavras e actos.
    Como vê – para si e para a Mónica – tal atitude exclui respeitinhos pelas idéias ou opiniões, vernizes, chazinhos, educações, subserviências políticas e religiosas, politicamente correcto – o bando hipócrita de alienados pertencente a esta confraria, gosta muito de falar em educação, machismo (estão sempre com a boca cheia de macho), feminismo, géneros (presumo, que serão alimentícios) e mais o que queira incluir nestas hipocrisias sociais.
    Só me interessa a verdade das coisas e a justiça social, e esta, como tal impede-me de aceitar as lutas que alguns empreendem pela obtenção de privilégios, em detrimento e, porventura, às custas dos outros – provocando, como tal, ainda mais injustiça.
    Por último, se eu fosse ao stor, não me punha à frente do alvo, nem mesmo à minha vista. Sou atirador desde os 16 anos de idade e muito bom atirador – do género, onde ponho a vista ou a mira ponho a bala.
    Mas, se quiser falar de armas, apesar de não estar no país do Trump, também o podemos fazer.

    • António Fernando Nabais says:

      Ó Bento, não sei se sou um fraco ou se é o Bento que é irresistível. Talvez um pouco de cada coisa e eis-me arrastado para esta nossa caixa de comentários. Aquilo do tiro era uma metáfora, mesmo uma imagem, pronto. Assim sendo, e não querendo pôr em causa os seus dotes, aproveito para lhe dizer que o Bento só acerta no alvo quando pratica tiro. Percebeu? Entretanto, imagino o orgulho que os seus pais sentiriam se soubessem que o seu Bentinho usa a palavra “putedo” quando se aborrece com um conjunto de raparigas de quem discorda. Até me vêm as lágrimas aos olhos só de pensr nisso, acredite.

    • Paulo Marques says:

      “Só me interessa a verdade das coisas e a justiça social, ”

      Excepto a justiça social das mulheres (e mais, se fosse pesquisa, mas temos todos mais que fazer). Não havia melhor maneira de dizer que a Mónica não introduziu nada de produtivo, pelo contrário? Por outro lado, bem vindo aos blogs, callha a todos – só os lorpas como nós é que se irritam, pelo menos dentro do nível civilizado que se vai mantendo em média por aqui.

      É que dizer que não faltam mulheres facilmente enganáveis por homens confiantes, sendo evidentemente verdade, é completamente irrelevante. Aplicado a um contexto em que as mulheres são sempre postas em causa por exercerem a sua liberdade, é completamente insultuoso, insensível e transmissor de uma enorme misoginia. São adultas para serem como lhes apetecer e você não é pai delas para dizer o contrário. Nem se os homens fossem diferentes; que não são, embora os detalhes variem.

      • Bento Caeiro says:

        Santa Hipocrisia
        Vim dar uma passada pelo sítio e que vêem meus olhos surpresos, um amplo churrilho espalhado pelo passeio.
        O Stor Nabais fazendo referências às putativas obrigações educacionais e morais dos meus pais, às falhas da sua amada cria, aqui mostradas.
        Vejam lá que o seu amado mancebo, até chamou de putedo ao putedo que por aí anda!
        Os seus pais não lhe disseram e ele, que professores de moral e religião não teve, coitado, que agora – tal como o sexo desapareceu e por género (como as nabiças) se tornou – putedo a livre passou?
        Que ignorância tal fulano mostrou, então não sabe que, como aqueles que nossas mãezinhas e paizinhos da Confraria do Politicamente Correcto acham que são – como o Marques tão bem mostra -, haverá de engolir as palavras e as verdades e cuspir veneno e fel, como se fora mel?
        Santa paciência, que os Deuses lhes valham, porque aos filhos do homem já há muito tempo lhes vem faltando.

        • António Fernando Nabais says:

          O Bento é fofo e irresistível e um campeão do politicamente incorrecto. Grande Bento! E um “churrilho” será um pequeno churro? Abracinho bom.

          • Bento Caeiro says:

            CHURRILHO: Jacto de merda, desarranjo intestinal, grande caganeira.
            Mal que ataca, fundamentalmente, gente muito ciosa da sua alegada importância. Como, por exemplo, os estudantes das universidades e politécnicos da treta que se passeiam, por aí, vestidos de urubus e em praxes idiotas, mas que depois vão parar a caixas de supermercados e aos call centers.

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  1. […] está: ou não sabe ou está a mentir. Os professores reclamam a reposição do tempo de serviço e não a reposição do dinheiro que lhes foi sonegado, como a muitos outros, devido às falcatruas pe…, esse gigantesco esquema global que serviu para entregar dinheiros públicos a entidades privadas […]


  2. […] são constantemente ignorados. Os professores, procurando resolver um (e apenas um) dos seus múltiplos problemas, resolveram recorrer a uma greve que afecta as reuniões de conselho de turma de final de ano […]


  3. […] professores têm sido roubados por todos os governos e, na minha opinião, protestam pouco e mal, permitindo que se lhes veja o cu. O governo prepara-se para manter o roubo de tempo de serviço, […]

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