Hipocrisia política e especulação imobiliária – II

Há pouco tempo surgiu numa rede social a foto de António Filipe, deputado do PCP, num hospital privado, agora são os negócios imobiliários de Ricardo Robles, o fenómeno não é um exclusivo português, Varoufakis na Grécia ou Pablo Iglésias em Espanha estiveram recentemente debaixo de fogo.
Obviamente que alguém de esquerda pode ter gostos e hábitos de vida caros, da mesma forma que é totalmente legítimo um político de direita utilizar serviços públicos, mesmo que os critique ou coloque em causa a sua natureza. Isso nem se discute, não podem nem devem ser discriminados os cidadãos por qualquer orientação política, a própria Constituição o proíbe inequivocamente.
O problema coloca-se ao nível político, quando surge a hipocrisia. Não é possível aceitar que Pablo Iglésias aponte o dedo a um adversário político por comprar uma habitação por 600 mil Euros e depois adquirir pelo mesmo valor um imóvel para si. No caso de Ricardo Robles não está, pelo menos para já, em causa qualquer ilegalidade, ao que se saiba. Mas não se pode apontar o dedo à especulação imobiliária e ser-se ao mesmo tempo um especulador. Mesmo que agora diga que decidiu colocar o prédio para arrendamento, a verdade é que o mesmo esteve à venda por mais de 5 milhões de Euros, quando o vereador eleito pelo B.E. gastou menos de 700 mil Euros entre compra e restauro. Se isto não é especular, então definam o que é especulação…
Volta e meia o pessoal de esquerda gosta de reclamar alguma superioridade moral, que não tem. Por vezes é tramado, são apanhados em contrapé, enredados na sua hipocrisia. Nada tenho contra o B.E. para lá das posições políticas, mas têm apontado o dedo ao turismo, à Lei Cristas que possibilitou a reabilitação destes prédios, que antes caiam aos poucos, em ruínas, porque ninguém os queria. Criticam os senhorios por fazerem contratos a termo, exactamente o que fez o vereador Robles com um contrato a termo de 8 anos, ou realizarem mais-valias como tentou, a diferença neste caso é que não apareceu comprador, mas a promoção do imóvel, inequivocamente afirmava que o “prédio era ideal para arrendamentos de curta duração”. Olha o que digo, não olhes o que faço, o velho ditado popular serve como uma luva neste caso.