Aquelas coincidências do camandro

perto de 8000 milhões correspondem a operações ordenadas a partir do colapsado Banco Espírito Santo (BES), sendo que 98% dos fluxos de capital colocados em offshores em 2014 (o ano da derrocada do banco) ficaram omissos da base de dados.

As coincidências começam logo aqui. Havia um banco em vias de ser intervencionado e 98% das transferências do BES para offshores caíram no apagão. Sendo que 80% do apagão corresponde ao BES.

O “apagão” que se verificou no registo das transferências realizadas de 2011 a 2014 só ocorreu consecutivamente em três dos quatro anos nos ficheiros informáticos XML submetidos por dois bancos, o BES e o Montepio. O relatório de auditoria elaborado pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF) – que atribui os erros a uma “combinação complexa de factores tecnológicos” e considerou “improvável” ter existido mão humana no processamento parcial dos dados – referiu que os problemas aconteceram em três anos apenas em duas entidades financeiras.

Eis a coincidência explicada. Uma “combinação complexa de factores tecnológicos”. Com improvável intervenção de mão humana. Será, então, à mão divina a quem devemos apontar culpas? Na minha terra, o software ainda não nasce sozinho e há erros que vêm mesmo a calhar.

E o fisco, tão eficaz a lembrar-me que tenho uma factura para confirmar se o soro que comprei no supermercado tem receita médica ou não, deixa passar um buracão destes em três anos consecutivos?

Só tenho pena que estas coincidências tenham apenas incidência em possuidores de contas em offshores. Espero que o Bloco de Esquerda detecte esta desigualdade e que, prontamente, proponha uma lei para todos terem a sua conta fora de terra.

As citações são de uma notícia do Público.

Comments


  1. A alusão extemporânea ao BE era escusada…

  2. Ana A. says:

    É isto, e termos a ilusão de que temos poder de decidir, ou…vai tudo dar, mais ou menos, ao mesmo, com a diferença de que se pode mandar uns bitaites sem irmos parar ao Aljube!


  3. O Espírito Santo contribuiu decisivamente para o desenvolvimento e implementação do sistema informático das finanças, pelo menos na parte do tratamento dos offshores, o software ficou tão inteligente que faz as coisas sozinhas… Brutal, como os portugueses gostam de comer gelados com a testa e continuam a dormir o sono santo de cornos mansos com um conhecimento profundo do respeitinho.

  4. Morde a esquerda, canito, morde. says:

    Morde a esquerda, canito, morde.

  5. Paulo Marques says:

    Os computadores só fazem aquilo que lhes mandam, portanto ou apagaram os dados por negligência de especificação ou por comando directo.
    É que fazer uma folha de Excel com um interface mais amigável não chega para coisa nenhuma, há que considerar a segurança, a durabilidade, a consistência e por aí fora.

  6. Pisa ná fulô,pisa ná fulô says:

    Seria lapso.Factores psicológicos é que é.
    Há partidos em que não se toca nem com uma flor.
    Ponto assente.