Hipocrisia política e especulação imobiliária – II

Há pouco tempo surgiu numa rede social a foto de António Filipe, deputado do PCP, num hospital privado, agora são os negócios imobiliários de Ricardo Robles, o fenómeno não é um exclusivo português, Varoufakis na Grécia ou Pablo Iglésias em Espanha estiveram recentemente debaixo de fogo.
Obviamente que alguém de esquerda pode ter gostos e hábitos de vida caros, da mesma forma que é totalmente legítimo um político de direita utilizar serviços públicos, mesmo que os critique ou coloque em causa a sua natureza. Isso nem se discute, não podem nem devem ser discriminados os cidadãos por qualquer orientação política, a própria Constituição o proíbe inequivocamente.
O problema coloca-se ao nível político, quando surge a hipocrisia. Não é possível aceitar que Pablo Iglésias aponte o dedo a um adversário político por comprar uma habitação por 600 mil Euros e depois adquirir pelo mesmo valor um imóvel para si. No caso de Ricardo Robles não está, pelo menos para já, em causa qualquer ilegalidade, ao que se saiba. Mas não se pode apontar o dedo à especulação imobiliária e ser-se ao mesmo tempo um especulador. Mesmo que agora diga que decidiu colocar o prédio para arrendamento, a verdade é que o mesmo esteve à venda por mais de 5 milhões de Euros, quando o vereador eleito pelo B.E. gastou menos de 700 mil Euros entre compra e restauro. Se isto não é especular, então definam o que é especulação…
Volta e meia o pessoal de esquerda gosta de reclamar alguma superioridade moral, que não tem. Por vezes é tramado, são apanhados em contrapé, enredados na sua hipocrisia. Nada tenho contra o B.E. para lá das posições políticas, mas têm apontado o dedo ao turismo, à Lei Cristas que possibilitou a reabilitação destes prédios, que antes caiam aos poucos, em ruínas, porque ninguém os queria. Criticam os senhorios por fazerem contratos a termo, exactamente o que fez o vereador Robles com um contrato a termo de 8 anos, ou realizarem mais-valias como tentou, a diferença neste caso é que não apareceu comprador, mas a promoção do imóvel, inequivocamente afirmava que o “prédio era ideal para arrendamentos de curta duração”. Olha o que digo, não olhes o que faço, o velho ditado popular serve como uma luva neste caso.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    A hipocrisia continua… Manifestamente míope…

    • António de Almeida says:

      Sim, hipócrita é uma palavra que só aplica à malta de direita, quando toca à esquerda são uns santos. Perceba que não condeno a especulação, para mim é legítima. Já o vereador Robles que a condena e diz combater, pratica-a…

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        António Almeida.
        Não aceito que me venha com a conversa da direita ou da esquerda, sobretudo quando veladamente me acusa de ter preferências.
        Volto a explicar-lhe – esperando que faça um esforço para tentar perceber – que, para mim, a raiz do problema não está na esquerda ou na direita. Sou altamente crítico dos Robles deste país e muito mais, dos “caviares” que às segundas, quartas e sextas fazem cruzadas contra a especulação e às terças, quintas e sábados são neoliberais. Isto é gentalha.
        De igual valor são os outros políticos do quadrante da direita que procedem exactamente da mesma forma.
        Sou crítico de uns e de outros, pois considero que a especulação é uma ginástica lobby, que protege apenas uma minoria .
        Se o Sr. não condena a especulação, então deveria ficar contente por ter um “perigoso radical esquerdista” a confessar-se e a entrar no “seu reino”.
        Vá, ao menos seja agradecido e complacente para com as “ovelhas tresmalhadas”…

        • ZE LOPES says:

          Não diga ao Almeida para ser “complacente com as ovelhas” que ele, com a perspicácia que demonstra, pode pode entender outra coisa…Nestas coisas, os mal-entendidos….

        • António de Almeida says:

          Não condeno a especulação, mas daqui em diante, qualquer posição do vereador Ricardo Robles sobre habitação, vale tanto quanto um discurso de Cicciolina sobre moralidade… Por mim, quanto mais tempo o BE o mantiver, melhor. Nem sei bem qual o pelouro na CML, espero que o Medina lhe dê a habitação, os humoristas agradecem e aumenta a boa disposição no país.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Mas depois de ler muita coisa do que, por aqui, o António Almeida tem “postado” e pela ausência de críticas semelhantes sobre elementos de outros sectores políticos, em situações semelhantes, fico com a opinião que em termos de moralidade, poderá pedir meças à Cicciolina …
            O Sr. é mestre em defender … por omissão e ter sempre um dedo acusador apontado aos seus inimigos, pois a sua postura não se coaduna com o cultivo de adversários.
            Por estes lados também andou, em tempos, um outro “justiceiro implacável”, um tal Paulo Vieira da Silva.
            O estilo, era exactamente o mesmo

          • António de Almeida says:

            Acaba de escrever um erro monumental, não tenho inimigos…

          • ZE LOPES says:

            “vale tanto quanto um discurso de Cicciolina sobre moralidade”? Mas o que é isto? Onde é que vai a liberdade individual? Já não conta, se for a Cicciolina?

            Afinal V. Exa. revela ser muito pouco tolerante em relação à “moral” alheia! Ou melhor, acha que “a sua moralzinha é melhor do que a da sua vizinha”?

            Além do mais: a senhora já não pode mais, na sua vida, mudar de ideias se quiser?

            Almeida: se o Robles defender para os outros o mesmo que para si em matéria de habitação, e tentar (digo tentar porque os lobbies liberalotes se encarregarão de lhe tentar “fazer a folha”) dar passos nesse sentido, não há hipocrisia nenhuma!

            Mais um exemplo: defendo o aumento das receitas e mesmo das contribuições para a Segurança Social se for necessário, como penso, consolidar o Sistema nacional de Saúde. Agora não me chame hipócrita por não ir a correr á Repartição de Finanças pagar sozinho a diferença!

            Aliás, em matéria de hipocrisia é difícil bater V. Exa. Por várias vezes aqui tem perorado pelo excesso de carga fiscal mas, quando se fala de quais os serviços públicos que se devem extinguir (SNS, Marinha, Força Aérea, Regimento de Comandos, escolas públicas, GNR, etc.) foge com o rabo à seringa!,

  2. Paulo Marques says:

    E se eu tivesse comprado dólares em Novembro estava a concordar com Trump e se apostasse que o Brexit não ia causar nenhum colapso estava a concordar com xenófobos… ou então, não.

    • António de Almeida says:

      Nada a ver, olhe na bancada do Sporting podem lá estar o Daniel Oliveira e o Mário Machado e sabe uma coisa? Durante o jogo dou comigo a concordar com ambos, viva o Sporting…
      (Só critiquei um hipócrita)

      • ZE LOPES says:

        Ainda bem que falou do Sporting como unificador de desavindos políticos! Acho que, realmente, o grande exemplo dos seus dirigentes se tem estendido aos adeptos, o que é louvável!

        Meste caso do desporto já estou de acordo com V. Exa. Defendo que federação alguma, e muito menos o Estado, se deve armar em regulador. Se alguém pagou, e outros receberam, para que um jogo ou dois de Andebol corressem pelo melhor, é um negócio perfeitamente legítimo. O estado não se deve meter nisto! É o mercado desportivo a funcionar!

        • António de Almeida says:

          No nosso ADN sportinguista não consta corrupção, que deve ser punida com descida de divisão e prisão do(s) agente corruptor e corrompido. Mas não vou discutir futebol aqui e muito menos consigo. O meu clube atravessa um período difícil que discutimos entre sportinguistas, para bem do nosso clube.

          • ZE LOPES says:

            Em relação ao ADN, não comento. Não me pronuncio sobre questões de “pedigree” por falta de conhecimentos sólidos de genética. No entanto sempre pensei que seria um negócio natural entre pessoas dotadas de vontade individual agindo num mercado livre. Perdoe-me a ingenuidade!

            Fico mais uma vez admirado pelos poderes esotéricos de V. Exa! Adivinhou imediatamente o meu clube! Não disse qual é, para não ser indelicado. Agradeço penhoradamente!

            Aconselho-o é a aplicar o mesmo raciocínio do comentário ao assunto do post: o problema do Robles deve ser tratado entre Bloquistas, para bem do seu partido!

            Sim, porque isto de malas de dinheiro é assunto que não é para todos. Apenas uma Elite Raínha dos Animais está preparada para o discutir entre si, para bem do seu Clube. Os outros cidadãos nada têm a ver com isso!

      • Paulo Marques says:

        O meu exemplo envolve lucro, tão especulativo como RR. Qualquer dia ainda vamos ouvir que a esquerda, para ser coerente, devia ter o dinheiro debaixo do colchão e não na banca.
        O seu exemplo… é uma analogia para outro artigo qualquer.

        • António de Almeida says:

          Porque não há-de a esquerda investir? Ora essa. Não se pode é ser advogar o veganismo e depois ser proprietário de talhos, com a desculpa que vendo mas não consumo…

          • Paulo Marques says:

            Em quê, pode-se saber? Na habitação, já se viu e em fundos e na bolsa, afinal gostam do casino, em criptocoiso, afinal não gostam do estado forte, no negócio, afinal acham que o mercado é livre e não é viciado, em certificados da bolsa, afinal a dívida é para ser paga, no euromilhoes, afinal gostam da eurolândia, e por aí adiante.

  3. José Peralta says:

    António Almeida

    O “já sente leite “lá”, pelo rego” – os eleitores do Rio à dúzia só numa morada – a compra das acções a preço de favor do BPN pela a múmia cavacal e filha, e a sua venda antes do colapso do Banco, que deixou milhares sem as poupanças de uma vida, e a “múmia” a rir-se – a escritura da moradia (o “sarcófago”…) da “múmia”, na Coelha que não se encontra, e ele, “não me lembro, não me lembro !” – o negócio do abate de 2.600 sobreiros – os inúmeros militantes PSD recentemente envolvidos em corrupção, cobardemente ostracizados pelos seus pares, porque “os de agora”, não têm nada a vêr com isso…

    Etc., etc.,………………………………………e etc.

    https://www.sns.gov.pt/sns-saude-mais/oftalmologia/

    https://www.dgs.pt/planeamento-de-saude/hospitais/redes-referenciacao-hospitalar/rede-de-referenciacao-hospitalar-de-neurologia.aspx

    De nada ! Por quem é ! Não tem nada que me agradecer…

    Desejo-lhe as melhoras…se ainda fôr a tempo !

    • José Peralta says:

      https://www.dn.pt/poder/interior/o-advogado-portugues-que-escreve-em-site-de-fake-news-9644994.html

      António de Almeida

      E, já agora, não quer comentar esta notícia falsa de um advogado português, e a campanha suja contra o B.E. que ele protagoniza ?

      Vale tudo, quando a direitalha está só com a cabeça, fora do cano de esgoto, e teme que alguém de boa vontade lhe ponha um pé sobre, a empurre, e feche a tampa, não é ?

      • António de Almeida says:

        Só critiquei um hipócrita, para já não apontei qualquer acto ilícito…
        Actos ilícitos são casos de polícia, hipocrisia é uma questão política. Teimam em defender o vereador Robles, porque vos custa acreditar que na esquerda não são todos virgens impolutas. A superioridade moral que apregoam é uma falácia…

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Ao contrário de si que defende por omissão, ninguém defende ninguém. Pelo menos eu não defendi ninguém nestas linhas e noutras.
          Tenho muita coisa escrita sobre estes actos que configuram corrupção de lobbys que correm da direita à esquerda. Uma vergonha apadrinhada pela classe política.
          O que não gosto mesmo é de hipócritas e de hipocrisia.
          Depois de tudo o que escreveu e das omissões na “banda” que defende, só lhe posso dizer que se quer criticar um hipócrita, ponha-se em frente a um espelho e fale para a imagem.

        • José Peralta says:

          António de Almeida

          E a propósito de hipócritas… quererá comentar ? “Ele” agora, é “chefe” de um partido ! Partido “em cacos”, é certo, mas “ele” é dos tais que, agora anda todo alvoroçado, tentando “regenerá-lo”… E no seu “alvoroço” também não se escusou a mandar “bitaites” sobre especulação !

          Mas… quando era presidente da Câmara Municipal do Porto…

          Não ! Não fazia especulação ! Fazia…implosão…

          https://www.esquerda.net/opiniao/como-se-faz-um-canalha/53323

  4. mdlsds says:

    Essa história que, parece deu caso, do deputado do PCP num hospital privado, continua a não estar ao alcance do meu entendimento. Se calhar devo alguma coisa à Inteligência. Ter condições para procurar a saúde no privado invalida que se deixe de lutar, estando na política, por aquilo que é de direito de todos os outros, que são muitos: um serviço nacional de saúde condigno?
    Os meus amigos tratam-me por comuna porque sabem em quem voto, trabalho para um império privado alemão desde sempre, há muitos anos que tenho um seguro de saúde pago pelo patrão, o tal capitalista alemão, e aos mesmos anos me trato e consulto num grande grupo privado de saúde. Isto faz-me ter ainda mais consciência da diferença, de que se eu não tivesse aquele seguro pago tinha uma assistência ineficaz. Faz-me ter a certeza de que a luta por um SNS decente deve ser feita. Eu ter conforto não significa não sentir empatia por quem não tem.

    • Ana A. says:

      Muito lúcido o seu comentário!
      Concordo plenamente, apesar de eu não ter dinheiro para a saúde privada, fui tratada de um cancro em 2010 no SNS. E sei que apesar das deficiências do SNS a Saúde Privada, neste caso ter-me-ia feito um manguito! E por isso, temos que lutar para que o SNS esteja na 1ª linha tanto em escolha como em qualidade!

      • mdlsds says:

        Ana, numa situação dessas, sem poder pagar uma Fundação Champalimaud, como a maioria dos portugueses não pode, o SNS seria sempre a única e a melhor escolha. Os privados servem os seguros de saúde para consultas e exames de rotina e até um limite. Estão a substituir o básico que o Estado não providencia. Por isso a luta pela saúde não pode mesmo cair. Ainda que eu tenha, presentemente, o tal conforto, há milhares que não têm. Basta saber estar no lugar dos outros, nem que seja por um instante.

    • António de Almeida says:

      E naturalmente tem direito a usar o seu seguro de saúde. E concorde consigo ou não, tem direito a lutar pelo SNS em que acredita, tem tanto direito à sua opinião como qualquer outra pessoa. O que faria de si hipócrita seria defender a inexistência da possibilidade de seguros de saúde e utilizar um. Não critiquei António Filipe. Mas considero Ricardo Robles um hipócrita, porque ataca a especulação imobiliária e especula, porque critica o alojamento local e tinha nas características do prédio a descrição “ideal para estadias de curta duração”. Ah não vendeu e tal, desculpas, só não vendeu porque não apareceu comprador, o prédio esteve à venda por 5,7 milhões de Euros. Tinha realizado um investimento inferior a 700 mil euros, se isto não é especular, definam então o conceito…

      • mdlsds says:

        Não criticou mas comentou como estando na mesma linha do agora sucedido com Robles: “há pouco tempo” e “agora”. Tenho e uso um seguro de saúde porque alguém o paga e é por isso uma regalia, se assim não fosse talvez não pudesse ter. E hoje tenho, mas outros não têm e amanhã posso não ter, por isso defendo e acredito mesmo na importância do SNS. Como defendo o ensino público e o respeito por todos os trabalhadores, um mercado de arrendamento mais justo também. O que se soube agora sobre Robles só tem a importância que tem porque é de facto anormal, daí atribuírem à esquerda a tal elevada moral. Se não, era só mais um igual a tantos outros a roubar, como temos vindo a ver nos últimos anos, achando que essa é a normalidade.

        • António de Almeida says:

          Mesmo que não concorde com as suas posições, terá todo o direito a defender o que acredita, as suas convicções. Respeito-a por isso. Poderá não o saber, mas já tive boas e longas conversas ao jantar, que se prolongaram, com pessoas que pensam diferente de mim. Adversários políticos não significa inimigos políticos.

      • ZE LOPES says:

        Já pensou alguma vez por que razão há “seguros de saúde” e não “seguros de doença”? É simples: é que as seguradoras não querem nada com doentes. Querem é segurar gente com saúde. As doenças ficam para o Estado.

        Mais uma vez acertou ao lado! Já ouviu alguém de esquerda alvitrar a proibição dos seguros de saúde? Eu não!

        Mas uma coisa é existirem seguros de saúde voluntários e outra é torná-los, expressamente ou na prática, obrigatórios!

        Olhe bem para os espelhos lá de casa, deve ser por aí que anda o “Hipócrita”. Sim porque V. Exa acusa Robles de uma prática que considera completamente natural e legítima! É o mercado a funcionar! A “Mão Invisível”.

        Não me diga que quer transformar o Bloco de Esquerda na entidade reguladora que tanto abomina!

  5. Antonio Costa says:

    O Robles é um santinho, como toda a merda do Bloco de Esterco e seu apoiantes. Badamerda para a esquerdalha!

    https://www.publico.pt/2018/07/29/politica/noticia/dono-de-cafe-de-alfama-conta-como-foi-despejado-por-ricardo-robles-1839455

    • ZE LOPES says:

      Nada a dizer! Em matéria de esterco, V. Exa. revela-se um verdadeiro especialista. Direi mais: em matéria de esterco V. Exa. é “peixe na água”! E quão difícil deve ser nadar nessas circunstâncias!

  6. Miguel Santos says:

    Robles tentou vender a casa por 10x mais que a comprou. Isso é inegável.
    Tem todo o direito a ser especulador, porque só compra quem quer.
    Não tem legitimidade em criticar os especuladores, quando ele próprio faz parte dessa equipa.

  7. ZE LOPES says:

    DIATRIBES DE ALMEIDA, OU, O LIBERTEIRO MORALEIRO & JUSTICEIRO VOLTA A ATACAR

    Por acaso, até fiquei um tanto admirado por V. Exa. ter insistido no assunto Robles. Mas, como diz o povão lá na minha terra “Jumento esfomeado, se vir pasto, não o larga”(Nota 1).

    Sei que a ideologia liberteira estava mais próxima de uma religião que de uma ideologia propriamente dita. Não estava à espera é que a coisa já estivesse institucionalizada em termos da existência de Papas, Cardeais, Bispos, Cónegos e padrecos moraleiros como é o caso de V. Exa.

    E começa logo mal, trazendo a lume a consulta a que o deputado António Filipe supostamente recorreu num hospital privado. É certo que V. Exa., com a manha que lhe é caraterística, diz numa resposta que “não o criticou”…É coerente com as suas liberteiras entradas de leão e saídas de sendeiro, sempre a evitar debater as questões difíceis ou mesmo a pensar. No fim, tudo se reduz a umas bocas caraterísticas de tasca à hora do fecho.

    Se V. Exa voltou a citar o assunto é porque lhe dá importância. É ou não? Ora bem! Vamos lá!

    O deputado António Filipe, bem como grande parte dos cidadãos deste país, a começar por mim, defendem que a medicina e a saúde não devem ser um negócio mas sim uma obrigação do Estado, para que todos a ele tenham acesso sem discriminações. O problema é que o Estado, infestado que está na área do poder por liberteiros e liberalotes de todos os matizes, idolatrados por V. Exa., não assegura todos os cuidados de que os cidadãos necessitam e mais, tem ampliado sistematicamente o financiamento ao setor privado. Por isso, alguns dos cuidados só são possíveis, em tempo útil, no setor privado. Já experimentou tentar obter cuidados dentários no setor público? É difícil! Resultado, não há outra alternativa senão recorrer ao privado! Posso passar por hipócrita, mas entre isso e uma cárie, desculpe lá!

    Se, para uma pessoa de esquerda, recorrer ao setor privado (note-se ainda que existe ainda um subsetor de saúde, a ADSE, que é estatal mas funciona basicamente por acordo com o setor privado) é hipocrisia, então, perdoe-me V. Exa mas quem o vir a si algum dia num hospital público lhe deve chamar todos os nomes! Dir-me-á V. Exa. que a tal tem direito e até paga impostos…Pois! Lá está! Por esse raciocínio, a hipocrisia fica sempre toda para a gente de esquerda! Os liberteiros estão sempre coerentes & limpinhos!

    Agora vamos ao caso Robles: o vereador sempre defendeu a intervenção reguladora do Estado no mercado de arrendamento, bem como a revogação das lei Cristas que incentivou o regabofe da especulação imobiliária. Mas, como o Estado está capturado por tipos que pensam como V. Exa., ou seja, que o mercado deve funcionar por si, sem regulação, nada foi feito! E agora vem a ser apelidado de hipócrita por um indivíduo como V. Exa. por ter defendido que o Estado interviesse contra os seus próprios interesses e, não tendo acontecido, por ter agido de modo como V. Exa., Sr. Almeida, considera natural e completamente legítimo!

    Afinal não será que o Hipócrita anda lá em casa de V. Exa. a povoar os espelhos?

    Vou dar-lhe mais um exemplo: sou a favor da proibição de diversas formas de jogo, mesmo sociais. Note-se: não sou contra o jogo em si, se for para fins de natureza social. Considero a atividade de jogo inserida naquilo a que se chama “fiscalidade voluntária”. No entanto, considero que a modalidade de apostas em acontecimentos facilmente manipuláveis deveria ser pura e simplesmente proibida, porque favorece a corrupção e mata a verdade desportiva, quando as apostas a isso se referem. Defendo a proibição porque considero não ser eficaz a simples regulação.

    No entanto, aposto de forma muito moderada, até em conjunto com amigos, no PLACARD (não aposto “on-line” mas estaria disposto a fazê-lo nas plataformas legais em Portugal). Sou então, segundo V. Exa. um retinto hipócrita!. Não gosto dos jogos de casino, nunca joguei. Imagino! Se pusesse uma ou duas moedas numa “slot-machine” logo se ouviria uma Almeidal voz por todo o Universo: HIPÓCRITA!

    Pois, nada disso! Eu não manipulo apostas. Para mim, um resultado desportivo é um dado mais ou menos aleatório. Mas sei que redes poderosas o fazem. Por isso, se alguém avançar para a proibição terá o meu total aplauso! Duvido é que avance: há lobbies muito poderosos que o impedem!

    Lembro aqui algumas tiradas anti-esquerda de V. Exa., onde classificou várias vezes gente do Bloco de ser de origem extremista por, entre outros, “defenderem a luta armada”. Pois! Se se cruzar com algum militante da organização e ele não agir em relação a V. Exa. em conformidade, não hesite de o apelidar de hipócrita. Seja coerente!

    (Nota 1) Não sou eu que digo! É o povão! Na minha terra! Também existe a variante “Burro esfomeado não larga a palha”, mas essa, disseram-me, é mais da sua.

  8. António de Almeida says:

    Volto a referir que não critiquei António Filipe, mas critico e muito Ricardo Robles. Seria o equivalente a vermos alguém apontar o dedo à prostituição em nome da moral e bons costumes, para depois chegarmos à conclusão que afinal dirige um prostíbulo. O resto já é habitual em v. exa, proibir, regular, etc… Por mim prefiro liberalizar, são pontos de vista…

    • ZE LOPES says:

      Não é equivalente não senhor! No caso de Rpbles não há “moral” nem “bons costumes”. Há é falta de intervenção do Estado como regulador! O Robles não é padre para vir pregar moral! Como V. Exa., por mais que o negue, está a fazer!

      Já agora: a legalização da prostituição é apenas um problema de liberdade pessoal? Resume-se a tal? Tomara eu que assim fosse! O problema é muito mais complexo! Não se fica por duas ou três patacoadas no meio de conversa liberteira de tasca à hora do fecho.

      Olha! Acabo de ouvir os AC/DC a tocar “Higway To Hell” na Rádio Renascença! Lá embora denunciar a tremenda hipocrisia ó Almeida! Está à espera de quê?

      Fica registado que V. Exa., no caso do jogo, preconiza a liberalização de toda a atividade criminosa. Nada deve ser proibido, ora essa! Regulação para quê? Manipulação de resultados? É tudo legal! Limitam-se a ser mais espertos que os outros cidadãos!E a ganhar legitimamente muita massa! A não ser que sejam do Bloco de Esquerda. Aí o caso muda de figura!

      Já agora: para quando a denúncia da hipocrisia dos esquerdistas que continuam a ter eletricidade em casa enquanto denunciam o roubo que são as rendas da “vaca leiteira” chamada EDP? Ou que continuam a lavar-se apesar do roubo generalizado que são os preços da água nas concessionadas aos privados? Hipócritas! Se calhar até compram coisas no Continente dos capitalistas Azevedos!

      A propósito, diga lá ao seu idolatrado João Miguel Tavares se, na sequência do artigo “O especulador Robles” já tentou escrutinar os negócios especulativos das imobiliárias da SONAE, ou se isto é só receber o ordenado que a mesma lhe paga ao fim do mês?

      • Paulo Marques says:

        “Há é falta de intervenção do Estado como regulador!”
        E isso mede-se economicamante, além de se ver à vista desarmada, mas convém não governar por achismos.

  9. Luís Lavoura says:

    [a] Lei Cristas que possibilitou a reabilitação destes prédios

    Eu não vejo em que é que essa lei possibilitou fosse o que fosse relacionado com reabilitação.

    A imensa maior parte das casas reabilitadas já estava vazia, devoluta. Aquilo que causou a reabilitação foi a nóvel possibilidade de realizar grande lucro, vendendo a estrangeiros ou arrendando a turistas.

    A Lei Cristas impossibilitou explicitamente o despejo de inquilinos idosos – que são a grande maioria daqueles que tinham contratos de arrendamento blindados.

    A única coisa que a Lei Cristas possiblitou e que terá favorecido algumas reabilitações foi o despejo de inquilinos comerciais, que ocupavam os rés-do-chão de muitos edifícios. Mas as reabilitações abrangidas por tais casos serão certamente uma minoria.

    • Paulo Marques says:

      “A Lei Cristas impossibilitou explicitamente o despejo de inquilinos idosos”
      Até hoje, e só alguns. Não me lembro da data, mas expira brevemente com as consequências expectáveis.

      • António de Almeida says:

        Na verdade para revogar a Lei Cristas, basta maioria simples, algo que a geringonça dispõe. A não ser que o PS considere que afinal a mesma não é assim tão má…

        • Paulo Marques says:

          Não fosse o PS um partido neoliberal que se recusa a tocar na TINA.