Conservadorismo paramilitar europeu

Fotografia via Vice

Na Bulgária, estado-membro da União Europeia, existe um grupo paramilitar, que opera a partir de uma sucata em Yambol e que dispõe de um pequeno exército, sete tanques e um helicóptero para patrulhar a fronteira com a Turquia, com o objectivo de “caçar” migrantes. Em resposta à pergunta “O que é que fazem exactamente”, o líder do Movimento Nacionalista Búlgaro (MNB), Dinko Valev, responde sem rodeios: “Caçamos refugiados, na Bulgária é um desporto”. 

Seria de esperar, independentemente de quem estes cavalheiros “caçam”, que este tipo de prática não seria permitida numa União Europeia democrática, fundada no estado de direito. Porém, não só são publicamente homenageadosapresentados como heróis nacionais na imprensa nacional, detida por accionistas norte-americanos, como o próprio primeiro-ministro búlgaro, o conservador Boyko Borisov, já agradeceu publicamente o “contributo” do MNB, que não se inibe em afirmar que espanca alguns dos migrantes que caça, antes de os entregar à polícia, optando pelo silêncio quando a pergunta é “Já mataram alguém?”

Felizmente para ele, Boyko Borisov não é de esquerda. Lidera um partido conservador e nacionalista, que, dita o politicamente correcto, é de centro-direita. Como tal, foi acolhido pelo Partido Popular Europeu, onde cabe tudo e mais alguma coisa, dos falsos sociais-democratas do PSD à extrema-direita do Fidesz de Viktor Orbán. Claro que, qualquer pessoa de bem sabe isso, fascistas violentos conservadores fofinhos, como Orbán, Borisov ou Duda são uma bênção dos deuses, que desceram à Terra para nos salvar das agruras de uma sociedade livre e democrática e para combater as verdadeiras ameaças à segurança e à estabilidade do Velho Continente: o Tsipras da Grécia e os Estalines da Geringonça. E daí se um bando de grunhos com armamento militar se diverte a fazer caça ao homem, quando a esquerdalhada totalitária quer aumentar o salário mínimo e a tributação sobre as grandes fortunas?

Comments

  1. Miguel Bessa says:

    Continua a insistência em colar comportamentos extremistas com quem apenas não ache que a política de emigração deve ser portas abertas e que acha que deve ser quem chega a uma região mais evoluída socialmente que se deve adaptar!
    Para não se ser colado a estes extremos é preciso crer em tudo que o marxismo cultural manda.

    Ora as pessoas mesmo que concordem com parte e discordem com outra parte sentem se alienadas ao serem coladas a estes grupos de extremistas apenas porque não querem dormir com a porta de casa aberta ou porque não se revêm numa culpa coletiva do “homem branco” ou porque se os gays tem o direito a ser respeitados também os hetero o têm ou porque há minorias às quais a lei se aplica de forma diferente e são chamadas de nazi, xenófobas, homofóbicas por isso.

    Eu não quero que no meu país existam “no go zones”. Sou xenófobo? Ainda bem.

    • Paulo Marques says:

      Extremista, deter um exército privado que faz o que lhe apetece e ignora os direitos humanos? Claro que não, não é perigo nenhum e deve fazer toda a gente dormir descansada.
      Claro que a maior parte dos crimes violentos sempre foi e sempre será feita por conhecidos, mas o que são os factos face às cruzadas?

    • João Mendes says:

      Portanto o Miguel Bessa defende o direito a que milicias violentas possuam armamento militar e espanquem pessoas à revelia do estado de direito. Estamos esclarecidos.

      • Miguel Bessa says:

        E saber ler? Dava lhe algum jeito.

        Onde leu essa defesa? Fique pelo chamar nomes que pode ser que alguém acredite no “fascista, xenófobo, homofóbico”. Pois querer fazer crer que as pessoas escreveram algo que não escreveram apesar de tudo é mais difícil.

        Aquilo que eu disse e repito é que “Continua a insistência em colar comportamentos extremistas com quem apenas não ache que a política de emigração deve ser portas abertas e que acha que deve ser quem chega a uma região mais evoluída socialmente que se deve adaptar”. Onde lê que é feita uma defesa dos extremistas?! Eu esclareço: em lado nenhum!
        Aquilo que é feito por mim é a critica á associação (colagem, comparação e sinónimos) que a esquerda marxista cultural faz entre quem tem opiniões perfeitamente normais e verdadeiros extremistas!
        Achar que a política de emigração não deve ser portas abertas (não querer que existam no go zones) – normal.
        Ir caçar emigrantes – extremista.
        São coisas diferentes! Quando todos são Hitler ninguém é Hitler! Não perceber isto leva a alienação de quem tem opiniões normais – resultado Trump! Porque as pessoas são acusadas pelos extremistas de esquerda de serem isto e aquilo se não concordarem a 100% com a opinião mais radical possível, conclusão fecham os olhos para terem alguma normalidade! E sim, fronteiras e integração na cultura de quem recebe, é normalidade.

        PS. E aqui ainda só nos referimos à minoria “migrantes”, falta tudo o resto que vai das minorias raciais às minorias LGBtq+gduvrvjswrhbvshbjhsxbj, etc. Quem não concordar com tudo isso (por vezes até umas minorias são contra as outras de tanta “tolerância”) é catalogado.

        • Paulo Marques says:

          E onde é que leu “Continua a insistência em colar comportamentos extremistas com quem apenas não ache que a política de emigração deve ser portas abertas”? A única coisa que está no texto é que a Eurolândia está bem com grupos armados independentes, desde que de direita.

          • Miguel Bessa says:

            Releia as primeiras frases do último parágrafo!

          • ZE LOPES says:

            “Ora as pessoas mesmo que concordem com parte e discordem com outra parte sentem se alienadas ao serem coladas a estes grupos de extremistas(…)”

            Herr Bessa: V. Exa. lembra-me aqueles que diziam “concordo que se matem judeus, mas não nas câmaras de gás. É horrível!”. Lá está: concordam com uma parte, mas discordam da outra. E não querem ser colados assim, sem mais nem menos, ao partido “socialista nacional alemão” (sic) (mais conhecido por Partido ZIna).

          • Paulo Marques says:

            Continua a não ser isso que lá está.

        • JgMenos says:

          Não se canse a explicar o que escreveu que é suficientemente claro.
          Na volta sempre terá a mantrologia esquerdalha em que sendo eles o zénite da humanidade tudo o que não lhes recite o breviário é extremo da direita.

          • Paulo Marques says:

            É claro que a direitola lê o que lhe apetece, isso é.

          • ZE LOPES says:

            Bem quer V. Exa. descolar lá da extrema-direitrolha, bem como o Ney Bessa, mas estão tão grudados ao lugar, assim pior que Araldite, que não conseguem mesmo!

            Não há mantra que os salve!

          • Miguel Bessa says:

            Zé Lopes tente passar do “xenófobo, homofóbico, fascista”!
            Desculpe-me. Já percebi que não consegue. Aquela frase é contextualizada com as a acusações a quem não concorda com o mantra do marxismo cultural! Você conseguiu tentar uma comparação completamente invertida.

            A única coisa de jeito que disse foi esse assumir envergonhado que o nazismo era socialista!

          • Paulo Marques says:

            Toda a gente sabe que os Nazis eram a favor da igualdade de género, da igualdade racial, da auto-determinação e de sindicatos – um verdadeiro exemplo socialista.

        • ZE LOPES says:

          Ó Xô Bessa, V. Exa. anda muito esquecidão! Quem inventou o termo “socialista nacional alemão” foi…V. Exa! Noutro post que por aqui andou. Ou há um batalhão de Migueis Bessas por aqui (lagarto, lagarto, lagarto!), ou então o caso pode ser mais grave: a arteriosclerose não perdoa, Xô Bessa. É melhor procurar um médico.

          Sim, até porque nunca usei aqui expressões como ” “xenófobo, homofóbico, fascista” em nenhuma resposta a V. Exa. Mais um sintoma!

          E não, não reconheci que o nazismo fosse socialista! Só se tivesse palas nos olhos como V. Exa!

          Mas creia que compreendo que a necessidade de se mostrar na ilusão de que lhe arranjem um tacho lá no “Mirone” é uma atividade dura. Vá lá então, tente distrair-se, olhe!, vá à pregação de domingo, que é dia de expulsão de demónios e outros milagres lá na Igreja Universal do Reino da Coelha. O Apóstolo Passos regressou e está à sua espera!

    • Adão says:

      Apesar do Conservadorismo não ter rigorosamente nada a ver com as doutrinas totalitárias os comunas tentam desesperadamente relaciona-las.
      Apesar do Fascismo e do Nazismo serem primos directos do Comunismo , em Portugal os comunas fazendo uso da técnica de “estimulação contraditória” (técnica estudada por Pavlov) para fazerem parecer que o Conservadorismo é uma ditadura.
      O conservadorismo nem é sequer nenhuma ideologia política.
      Eu neste contexto posso dizer que o Conservadorismo é aquilo que impede que o Comunismo se instale na sociedade, reduzindo-a a um rebanho de indigentes explorados por uma casta de aristocratas políticos iluminados que sabe melhor que nós próprios como devemos pensar, viver, agir etc.
      Daí o ódio que o comuna nutre pelo Conservadorismo.
      Hoje em dia o comuna devido à folha de serviços negra do Comunismo já não diz que defende o Comunismo. O que ele procura diariamente é destruir a nossa Sociedade rotulando o conservadorismo do pior que pode , e para isso acusa-o daquilo que ele próprio é.

      Adão (ip:82.223.14.245)

      • Paulo Marques says:

        O conservadorismo não, o reaccionarismo tem muito. E quando se fala em retroceder a sociedade em todos os níveis até ao século XIX, não esperem palminhas.

      • Nascimento says:

        A tua sociedade é mais pederasta.Vais à missa e aproveita lambes a beiçolas dos padrecos.Disso já tu gostas.

    • Nascimento says:

      Dormiste alguma vez de porta aberta?Tu?Merdas como tu vivem debaixo da cama!Dá nojo.Vais morrer cheio de Medo 😱!

  2. Luís Lavoura says:

    O que este movimento búlgaro faz é aquilo que a polícia deveria fazer por ele – policiar as fronteiras.
    Aliás, ordeiramente, entrega os imigrantes ilegais que captura à polícia. Não lhes limpa o sebo, entrega-os à polícia.
    Portanto , o que este movimento faz é, em última análise, repôr a legalidade que, sem ele, ficaria ferida.
    É claro que a existência de movimentos paramilitares é indesejável. Porém, enquanto esses movimentos se limitarem a fazer cumprir a lei, tudo bem.

    • João Mendes says:

      Ordeiramente, montada nos seus tanques de guerra.

      Não lhes limpa o sebo? Como pode estar assim tão certo disso, se eles assumem que espancam alguns?

    • Nascimento says:

      Eu até entregava a tua Mãe numa qualquer fronteira em 39/45😁.Desde que fosse de forma Ordeira 😈!És um bom canalhazito.

  3. Rui Naldinho says:

    A camisolinha do rapazinho do meio é esclarecedora, quanto ás intenções da corja. Acresce-lhe aquele ar troglodita, muito comum nestes grupos.
    Dizem para aí que “uma imagem vale mais do que mil palavras”.
    Sem menosprezo para o artigo do João, acho que o fotógrafo consegue ser ainda mais expressivo.

    • E. Monteiro says:

      “A camisolinha do rapazinho do meio é esclarecedora” e tem por contexto 5 séculos de ocupação islâmica da Bulgária. Pois.

      • Rui Naldinho says:

        Já estou a imaginar Angolanos, Moçambicanos, Cabo Verdianos, isto para não nos alargarmos à Commonwealth, América Latina, etc, a fabricar camisolas com os negros ou os indios a dar um chuto nos brancos, ou nos “caras pálidas”.

        • E. Monteiro says:

          O que não deixa de ser curioso é o facto dos ocupados nunca terem expulso os ocupantes a “fabricar camisolas”, mas sim com exércitos, armas automáticas, balas, morteiros, mísseis e bombas, quando os tiveram em número suficiente. Os angolanos, os argelinos, os moçambicanos, entre outros, assim o demonstraram. E o que não teriam feito os índios se tivessem o dobro da população “invasora” e as mesmas armas, muito embora não envergassem essas camisolas imaginárias que apregoa?

          Mais revelador do que uma mera camisola seria um rosto tapado por um passa-montanhas a encimar um camuflado, empunhando uma das mãos uma faca e a outra uma cabeça humana acabada de decapitar.

    • João Mendes says:

      A fotografia não foi escolhida ao calhas, Rui. Não podia concordar mais contigo!

  4. E. Monteiro says:

    Talvez convenha acrescentar que o Império Otomano – desfeito no decurso da 1ª GM – ocupou a Bulgária, entre outros países, durante cerca de 5 séculos e que os ódios gerados por essa ocupação islâmica ainda se encontram muito vivos no substrato cultural búlgaro. Principalmente no que se refere aos turcos e na generalidade, no que se refere aos muçulmanos.

    • João Mendes says:

      Certo. Mas isso não lhes dá o direito de possuir um exército privado e aplicar a sua própria lei. Estamos na União Europeia, não no Afeganistão ou no Iraque.

      • E. Monteiro says:

        Parece que na Bulgária continua a aplicar-se a lei relativa à imigração ilegal. Portanto, tem toda a razão quando afirma que estão a “aplicar a sua própria lei”. Causa-me estranheza que um “bando de vigilantes” possa ter um “exército privado” auto-financiado. Isso é de argumento de filmes da série B. Provavelmente o exército não passa disso mesmo: um bando de vigilantes.

        E sim, estamos na União Europeia, cujo parlamento reúne uma semana por mês, durante apenas três dias, em Estrasburgo, pese embora o pesadelo logístico, os custos e ineficácia que isso acarreta. E não, não estamos no Iraque e na Líbia que a dita União ajudou a destruir. Se bem que se possa sempre encontrar oportunidades inéditas. Por exemplo, como existem mercados de escravos correntemente na Líbia, talvez seja possível “contratar” nesses mercados a mão de obra necessária para operar uma empresa de lanifícios, de vestuário, sei lá… Com custos muito competitivos relativamente a outras alternativas. Já pensou?

    • Paulo Marques says:

      E quando é que os sérvios, croatas e demais etnias podem começar a espancar austríacos? Ou os índios a expulsar os americanos, os escoceses aos ingleses ou os aborígenes aos australianos? Ou os palestinianos a fazer os dois aos israelitas?


  5. Sim, João Mendes, a nossa Joana Lopes tb já tinha chamado a nossa atenção para esse cenário de terror, que me gelou o coração :

    http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/2018/09/cacar-refugiados.html


  6. ….e vamos compor a alma de inquietações que nos tolhem apreciando como a harmonia é possível entre povos e gente diferente :

    ( Catrin Finch » UK — Seckou Keita » Senegal )

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