Padres polacos queimam livros da saga Harry Potter

“Onde se queimam livros, acaba-se a queimar pessoas.” Heinrich Heine

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    A Polónia e a Hungria voltaram ao tempo da Santa Inquisição. Um, queima livros. Outro separa o ímpio do puro.
    Vivemos tristes tempos.


  2. ….tempos sombrios e inquietantes, sim, de que uma minoria tem consciência nestes dias de tanta alienação e entretenimento.

  3. Ricardo Almeida says:

    Tenho curiosidade em saber o que os motiva… ou talvez não.
    A única diferença entre o Harry Potter, Senhor dos Anéis ou Guerra dos Tronos e qualquer outro texto religioso, é que os primeiros estão assinados e identificados. De resto são todos livros de ficção, imaginados e escritos por humanos e para humanos.
    Aliás, basta fazer o seguinte exercício: se Tolkien tivesse escrito a sua trilogia à 2000 anos atrás e tivesse deixado o manuscrito anónimo perdido numa gruta qualquer (que era um pouco de esperar numa altura em que a esperança média de vida eram 30 anos e uma unha mal-cortada era garantia de gangrena e tétano) e, tal como a bíblia e o corão, alguém o tivesse encontrado uns anos depois, garanto que hoje teríamos templos e igrejas dedicadas a Frodo, Aragorn e Legolas por essa Europa afora. Às crianças diriam que se se comportassem bem recebiam uma prenda do Gandalf na manhã do aniversário de Bilbo Baggins. Caso contrário recebiam uma visita do Gollum. As pessoas boas quando morriam iam passar a eternidade no Shire e as más para Mordor. Semelhanças com qualquer religião humana são coincidências?
    Ora acontece que o Harry Potter também seguem esta estrutura, que é também similar ao que acontece na bíblia (o que cimenta a ideia de que realmente é tudo fruto da imaginação humana e nada mais). Cá para mim os padres estão apenas com medo da competição.


    • Tirando o livro do Génesis que é uma recolha das lendas e mitos da Mesopotâmia, todos os restantes livros da Bíblia têm os seus autores conhecidos desde Moisés e não foram encontrados em grutas, mas deixados à comunidade por quem os escreveu, conhecido e identificado. O Corão foi escrito por Maomé que o não deixou em grutas. Como desconhece o que a civilização ocidental deve à ficção de que fala, percebe-se que não reconheça o verbo haver ou a redundância do atrás. Quanto aos padres polacos, são somente tão estúpidos como quem se julga esperto por não ir em ficções e se enche de certezas. Quem escreveu Harry Potter ou o Senhor dos Anéis, conhece a Bíblia e o Corão pelo que não se trata de coincidências.

      • Ricardo Almeida says:

        Ou seja, está apenas a afirmar que os religiosos afinal ainda são mais burros do que aqui assumi.
        E que eventualmente as obras que referi se irão tornar religiões daqui a uns anos também. Bravo.
        Não sei se era suposto impressionar-me com esse argumento, mas o efeito foi exactamente o oposto.
        Ora, se alguém me passar um molho de pregaminhos para os braços e me disser que na noite passada escrevera a história depois de uns litros de vinho azedo, se eu acreditar que algo dali é factual, a culpa é minha.
        No mundo, qualquer ilha que fique isolada do resto da civilização por tempo suficiente depressa cria o seu sistema religioso. Se houvesse alguma coerência ou validade por trás do conceito divino, seria de esperar que após estes anos todos, pelo menos algo de consensual tivesse surgido. No entanto, cada dia que passa nascem mais e mais religiões, exactamente ao contrário do que se esperaria num mundo cada vez mais ligado. Umas brotam das que já existem, como os Jeovás e os Adventistas do 3º dia e sei lá que mais, outras são mais radicais e reinventam a roda, como os scientologistas, satanistas e etc. Mas no fundo é tudo é mesma coisa: pessoas demasiado preguiçosas e cobardes para tentarem entender a natureza por elas próprias. Facilitistas que preferem comer aquela gosma já mastigada pelas igrejas do que fazer o esforço de pensar pelas próprias cabecinhas.
        Ao menos a J.K. Rowling é honesta ao afirmar que o Harry Potter é fruto da sua imaginação, coisa que os bêbados pré-medievais que escreveram a bíblia e o corão não tiveram a decência de fazer. Até porque o Harry Potter e o Senhor dos Anéis foram responsáveis por milhões de mortes e guerras sangrentas ao longo dos últimos séculos. Não? Devo estar a fazer confusão com outras obras de ficção..


        • “Muito melhores que vinho são as tuas carícias; mais forte que todos os odores é a fragrância dos teus perfumes. Os teus lábios destilam doçura, ó minha noiva; há mel e leite sob a tua língua, e o aroma dos teus vestidos é como o aroma do Líbano.”
          Que grande bebedeira tinha o fulano que escreveu isto. Difícil explicar bebedeiras destas a quem confunde cosmogonias com descrições factuais ou ficcionais. E por favor, tire as pregas dos pergaminhos, não vá a cobardia (ou a estupidez) tropeçar nelas…

  4. Julio Rolo Santos says:

    É a “Santa Inquisição” dos tempos modernos. Com os extremismos a surgirem um pouco por todo o lado e o armamento bélico cada vez mais sofisticado e acessível já não sei se amanhã ainda estamos vivos.

  5. ZE LOPES says:

    Queimam, e fazem muito bem! É compreensível! Vejam lá que a pérfida autora desses pasquins inventou uma história de um colégio onde há muita criança e nem um só padre! Pode lá ser!