Para que se saiba

“Tenho defendido Antoine Deltour, Edward Snowden e Hervé Falciani e posso dizer firmemente que Rui Pinto pertence a este clube restrito de ‘whistleblowers’ mais proeminentes deste século”.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Seria estranho que o advogado de um hacker viesse para a praça pública dizer que ele era um criminoso.
    Mas em todo o caso, há limites para a actividade de defesa.
    Um advogado de defesa terá o direito de defender o seu constituinte, mas tem o dever de não semear cinismo e evitar as lavagens ao cérebro.
    Quando se mistura voluntariamente o crime com o objecto do crime, estamos perante prestidigitadores e não advogados, que deveriam existir para fazer luz em casos obscuros.

  2. Ana Moreno says:

    Discrepamos, Ernesto…É impossível ser um whistleblower a sério, por via “legal”; E o que nos revelam tem valor superior. Mas esteja descansado que, ao contrário dos tubarões que ele denunciou, e esses sim, que nos prejudicam a todos com os seus negócios escuros, o rapaz não sai disto sem castigo.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Cara Ana.
      Pois… Já reparei 🙂
      Mas olhe que eu não tenho nada que ficar preocupado.
      Não tenho segredos na minha caixa de correio 🙂 e, relativamente aos potenciais tubarões de que fala, creia que a minha rejeição é, no mínimo, igual à sua. Reitero apenas a minha convicção daquilo que, para mim, configura um crime (chamo-lhe crime e, ao criminoso pilha galinhas, pelo facto de estar claro que ele tentou extorquir dinheiro sob identidade falsa) e misturar este fulano com Assange a mim, pelo menos, choca-me, pois conheço o percurso de um e outro.
      Se ele sair com castigo, é apenas a aplicação da lei.
      Se, no material roubado houver crimes e eles não forem julgados, aqui me terá a lutar contra a decisão.
      Mas de uma coisa pode estar certa: nunca me verá elevar um ladrão.

      • Ana Moreno says:

        Tudo bem, Ernesto, é uma questão de perspectiva. Eu acho que ao colocar-se num lado da balança uma tentativa, errada, sim, mas que Rui Pinto nunca chegou a levar até ao fim e do outro lado a sua contribuição para descobrir fugas ao fisco, lavagens de dinheiro, corrupção e outros crimes da alta finança, que de outro modo nunca seriam descobertos, há que usar de benevolência. O rapaz já vai ser castigado para o resto da vida, pois há quem o queria matar. Não lhe queria estar na pele.
        Mas cada um vê à sua maneira e, no fim, o caso vai decorrer como tiver de ser 🙂

  3. Nuno M. P. Abreu says:

    Gostaria apenas de fazer quatro perguntas a Ana Moreno:
    1. Sendo certo que,por dever deontológico, o advogado não pode proferir opiniões que prejudiquem o seu cliente, é intelectualmente honesto, usar os louvores que lhe faz como argumento?
    2. Por outro lado, será William Bourdon um personagem acima de qualquer suspeita quer na sua actividade profissional quer na sua intervenção politica onde apoiou incondicionalmente Hollande que confessou ter enganado os seus eleitores e na sua vida privada as suas sucessivas companheiras?
    3. Tendo sido Rui Pinto pronunciado por vários crimes deve ser imediatamente ilibado sem estar sujeito a qualquer julgamento por pressão da opinião publica porque ele descobriu outros criminosos, passando a vigorar em Portugal a lei de: “Quem rouba a ladrão tem cem anos de perdão?”
    4. Porque razão, depois de ter acesso a documentos privados, e vendo neles eventuais indícios de crimes ele procurou, em primeiro lugar, os criminosos para os chantagear, contratando mesmo um advogado para transformar uma extorsão num pretenso contrato laboral, acedendo até encontrar-se com ele numa estação de serviço em vez do respectivo escritório como é corrente?

    • Ana Moreno says:

      Olá Nuno,
      conforme escrevi no comentário acima, é impossível ser whistleblower e fazer tudo na legalidade. Ao denunciar as manigâncias de tubarões corruptos, os whistleblowers estão a fazer um serviço público. Foi pelo Football Leaks que a fuga ao fisco de Ronaldo foi descoberta (e ele está a saborear a sua pena em liberdade); se o Rui Pinto e outros não o denunciassem, ninguém o faria e os muitos milhares em impostos íam à vida (como continuam a ir).. Acha isso preferível? Eu não; por isso há que ser benevolente ao avaliar essas intromissões em contas alheias de altos milionários. Que foi aliás o que a União Europeia acabou de fazer, concedendo aos whistleblowers uma protecção especial.
      Quanto à tentativa de extorsão, ele não avançou com ela até ao fim, já confessou que o que fez foi um erro e explicou dizendo que foi uma forma de ver até onde a Doyen iria. Foi um miúdo, sempre com as rotações em alta, que se meteu com os patifes da Doyen porque tinha informações importantes sobre ilegalidades. Não deixa de ser mal feito, mas não menos há que o louvar pelo serviço público que prestou. Coisa que passa a segundo plano.
      O que me admira são os brados justiceiros em relação a um Rui Pinto e a calmia bonacheirona em relação a um Ricardo Salgado.

  4. Nuno M. P. Abreu says:

    Cara Ana:
    Entendo o Aventar, apesar do pouco tempo que com ele convivo, como um espaço de debate e não propriamente uma feira de ideias onde cada um tenta vender a sua sem interagir com as outras.
    Estive ligado à advocacia durante uns anos e desisti dela exactamente por, como afirmou Aníbal Pinto, a fronteira entre a ética e a corrupção ser muito ténue. Fui trabalhar para um multinacional alemã e quando pude isolei-me numa pequena quinta a tratar de animais, campos e dos meus netos. Neste momento estou com o neto do meio a discutir a noção do estético e se o belo será objectivo, como afirma Platão, ou subjectivo, como refere Kant. Isto só para lhe dizer que os meus interesses nesta discussão são apenas um problema de consciência, de dizer aquilo que me parece certo e justo.
    Ora, para que o Aventar seja uma espaço de debate, há que responder às questões que cada parte coloca, e neste post a Ana não o faz, levantando apenas aspectos genéricos e subjectivos.
    Digo porquê.
    Na comunidade jurídica internacional, o termo whistleblowe refere-se “a toda pessoa que ESPONTANEAMENTE leva ao conhecimento de uma AUTORIDADE informações relevantes sobre um ilícito civil ou criminal”.
    Obviamente, nessa perspectiva, Rui Pinto não é um whistleblowe . Ele não obteve informações e espontaneamente as entregou a uma autoridade. Ele obteve-as e tentou usá-las em seu proveito. Só após se ter apercebido que havia caído numa armadilha, tentou dela sair dizendo ter sido uma criancice.
    Quando foi avisado que poderia ter cometido um crime, fugiu.
    Que haja gente que espontaneamente se prontifica a denunciar crimes merece o meu total apoio e penso mesmo que essa gente deveria ser recompensada.
    Mas quanta informação Rui Ponto publicitou sem qualquer indicio de ilícito criminal e cuja relevância respeitava apenas a uma luta clubística?l
    Se quer saber também eu detesto Ricardo Salgado, ou Duarte Lima. Aliás aconselhei o meu neto a incluir no seu trabalho, e ele fê-lo, a comparação entre um corrupto de 1885 que comprou um palácio nos campos Elísios e uma serie de obras de arte, com Duarte Lima que tem à venda a sua casa por 2 milhões de euros e as suas obras de arte por 4. Duarte Lima, oriundo de uma família pobre fez o curso de direito graças à caridade de uma família rica da sua aldeia transmontana. Passados poucos anos era um dos donos disto tudo.
    Não tento convence-la.Tento apenas ter uma noite tranquila. Durma bem também.

    • Ana Moreno says:

      Caro Nuno, o Aventar é um espaço de debate e a prova é que tem autores de várias orientações e os comentários abertos, sem controle prévio. Portanto, ainda bem que cá veio ter, espero que continue.
      Quanto ao assunto, pode ser que eu já esteja convencida de que neste assunto as opiniões já foram todas ditas e repetidas, os argumentos esgotados e portanto o debate chegou a um ponto sem saída. O que não é problema nenhum, certo? Pelo meu lado, a tolerância faz parte de um convívio saudável e de uma sociedade aberta. Não faço a mínima ideia qual é a luta clubística a que o Nuno que se refere. Com base no que li sobre Rui Pinto – na sua maioria fontes alemãs prestigiadas – as denúncias feitas por ele e por outros desconhecidos do Football Leaks já tiveram consequências importantes em termos de processos judiciais a máfias do futebol. Não sou eu, Ana Moreno, que apelida o Rui Pinto de whistleblower; é o Spiegel: Interview with Football Leaks Whistleblower Pinto http://www.spiegel.de/international/world/interview-with-football-leaks-whistleblower-rui-pinto-a-1251121.html
      Isso a mim chega-me para também o apelidar como tal.
      Quanto às suas perguntas, a meu ver não nos levam a lado nenhum, pois a questão aqui não são aspectos particulares, é mesmo a avaliação do caso na sua totalidade, complexidade, amplitude e alcance – é exactamente essa a minha argumentação.
      Eu não percebo tanto rigor justiceiro contra um rapaz (que fez asneira, sim) que entre outras coisas, ajudou a descobrir que Ronaldo defraudou o fisco espanhol em 14,76 milhões de euros. É a relação das coisas que me falta, na intransigência.
      Mas Nuno, acho que devemos também relativizar as nossas opiniões no sentido de tolerarmos as outras; Com base nos dados que tenho, cheguei a uma posição; o Nuno, com base nos seus dados, chegou a outra. Não creio que nem o Nuno, nem eu, mudemos a que temos, pois já trocámos os nossos argumentos. Agora aguardemos o resultado de toda esta história tranquilamente, acho eu de que 🙂 Uma boa noite e até à próxima

  5. Julio Rolo Santos says:

    Rui Pinto é um “criminoso” como muitos o apelidam mas, finalmente, alguém já se comeca a aproveitar dele para tirar proveito das suas denúncias. Aguardem e verão o que ai vem.

  6. Nuno M. P. Abreu says:

    Cara Ana:
    Em processo civil podemos ter, generalizando, quatro peças processuais: a petição, a contestação, a réplica e a tréplica. No caso em debate a Ana para além da petição e da réplica utilizou outro post colocando-se em vantagem formal.
    Aproveitei-me disso para esclarecer, agora sim, da minha parte, definitivamente este tema.
    Desculpe a minha franqueza, mas a Ana revelou neste debate ser “ntelectualmente corrupta”. Na verdade, o corrupto financeiro não se importa de usar meios menos lícitos para atingir o seu desiderato. A Ana não se importa de se agarrar a informações pouco idóneas para impor a sua verdade.
    Desde logo o título do seu primeiro post: “Para que se saiba”. E cita uma afirmação subjectiva, opinativa, do advogado de Rui Pinto que é pago para isso mesmo: defender o seu cliente. “Para que se saiba” o quê? Que o representante de Rui Pinto, pago a peso de ouro, diz que Rui Pinto é o máximo? Trata-se de um testemunho isento que alguém, intelectualmente honesto, deva ter em muita conta?
    Agora, neste post, diz-lhe que, para si, para classificar Rui Pinto como um whistleblowers, basta-lhe um título de um jornalista numa entrevista. Ricardo Salgado também diz que nada fez de ilegal. Limitou-se a não dar conhecimento que Manuel Pinho era um avençado seu. Os corruptos intelectuais ou financeiros atingem os seus objectivos selecionando criteriosamente os seus contactos as suas relações, as suas fontes. Não procuram cumprir princípios éticos. Procuram ganhar. Dinheiro ou “razão”.
    A Ana não reparou que, naquela entrevista, as justificações que Rui Pinto dá estão em contradição com a opinião sobre os mesmos, apresentadas por Aníbal Pinto, anterior advogado daquele, agora, também, arguido no processo? Contrariamente ao que diz Rui Pinto, que afirmou que quis ver até onde a Doyen ia, Aníbal Pinto afirma que foi contratado para elaborar um contrato de prestação de serviços e, quando deu por ela, viu que aquilo revestia aspectos de chantagem, criminosos, e que por isso abandonou o processo? Na sequência disso Rui Pinto não se apresentou colaborando com a justiça, fazendo entrega dos documentos indiciadores de possíveis crimes, mas fugiu para fora do pais, para os utilizar a seu belo prazer, só sendo encontrado três anos mais tarde.
    Cara Ana: Há necessidade de por de parte um eventual interesse ideológico e procurar a verdade. Nada impede que Rui Pinto possa ser considerado na Alemanha, na França ou na Bélgica um whistleblowers. Ele não cometeu nenhum crime na ordem jurídica daqueles países e é possuidor de informação que pode ser relevante para eles.
    Mas o mesmo não aconteceu em Portugal. Ele, alegadamente, há quatros anos, cometeu ilícitos criminais, tanto no acesso a informação como na utilização que dela fez, não com a intenção de colaborar com a justiça, mas sim em proveito próprio. Nesse sentido, em Portugal, não pode ter o estatuto de um whistleblowers
    Cara Ana. Num pais democrático a luta ideológica não passa pelo incumprimento das leis. Passa pela alteração das mesmas. A batalha pelo incumprimento é característico da Nova Ordem Social, de Mário Machado, ou de um MRPP de Arnaldo de Matos que deu à luz Ana Gomes que, como ela própria diz, está na politica “para partir a loiça toda”. Ainda há dias afirmou saber que há gente criminosa infiltrada na justiça, sem indicar quem. Num pais civilizado como diz Montesquieu “liberdade é poder fazer tudo o que as leis permitem”. Tão só.

  7. Ana Moreno says:

    Caro Nuno, de tudo o que diz, se a consequência que tira é que me revelei “neste debate ser “ntelectualmente corrupta”, pois será a sua visão, paciência.
    Avaliamos este assunto de forma diferente, não precisamos de nos julgar um ao outro. Eu mantenho a minha visão de que neste caso está mais em jogo do que o estrito que Rui Pinto possa ter feito; o Nuno acha que não. Tudo bem.

  8. Nuno M. P. Abreu says:

    Cara Ana. Todos nós somos, geneticamente. intelectualmente corruptos. Os nosso pensamentos resultam de reacções biológicas produzidas em células que são intrinsecamente egoístas. O meio onde vivemos e onde somos cultivados, cria em cada um de nós os referidos marcadores somáticos. O papa Francisco jamais poderá aceitar que Jesus Cristo não foi concebido com um cromossoma Y transportado pelo arcanjo vindo dos céus que o implantou no útero de Maria e que, ao invés, tal cromossoma foi ali implantado por José, o marido.
    O nosso dever, em cada caso concreto, é tentar ensinar as nossas células a encontrar o bem estar na procura de uma verdade que possa destronar uma outra verdade que havíamos aceite como definitiva. É, como dizia Sartre, tentar alterar um pouco aquilo que fizeram de nós. Quando o homem conseguir que o seu sistema biológico se satisfaça mais do que proclamar verdades em procurar uma nova verdade síntese das anteriores atinge o seu estagio máximo de desenvolvimento e torna-se-á divino.
    Se a Ana se perguntar a si própria, será que nos argumentos contrários aduzidos não existirá uma realidade sobre que também me deva debruçar, verá que terá a mente mais aberta e crescerá em humanidade.
    São os votos de um velho que, de qualquer forma, pede desculpa se a magoou.

    • Ana Moreno says:

      Olá Nuno, tudo bem, já percebi que o Nuno aprofunda os temas e não pretende magoar. Só que o seu grau de aprofundamento quase vai parar a um plano em que tudo é, e não é, de tão analítico e filosófico. Plano esse que eu abandonei com esforço mas definitivamente, há várias dezenas de anos, depois de uma fase fortemente solipsista. Por isso não sou a pessoa indicada para debater a esse nível – eu informo-me para acompanhar o que vai acontecendo e valorizo acima de tudo o activismo cidadão empenhado, em prol de causas comuns. É esse o meu campo. Cá vai um abraço Nuno e até à próxima!

  9. Nuno M. P. Abreu says:

    Cara Ana:
    Não vou naturalmente falar-lhe em Rui Pinto. Mas depois de ler o seu último post, estava a almoçar, e uma questão a bailar-me no alto do cocuruto: porque raio induzo alguém com quem dialogo a pensar que sou solipsista quando me não sinto nem “um empirista radical nem um idealista extremo”
    Ó Ana! Eu sou um homem de causas. Trabalhei nos primeiros anos da independência de Moçambique, de 75 a 79, com Aquino de Bragança o “submarino” de Samora Machel e que com ele morreu a 19 de outubro de 1986, no acidente do Tupolev. Foi ele que, num belo dia, me aconselhou a regressar a Portugal, face as diabruras praticadas pelos grupos dinamizadores da Frelimo, que bramiam slogans mas eram vazios de senso. Disse-me : numa revolução há muitos pratos bons que caem do loiceiro e se partem, Você não tem estômago para isso. Vim embora.
    Mais tarde, na Hoechst fazia a ponte entre a Comissão de Trabalhadores afectos ao PCP com o Administrador da empresa que morreu há dias, Wolfgang Kemper. Conseguimos que sempre que a empresa tivesses lucros a partir de um determinado montante fosse pagos a todos os trabalhadores o décimo quarto e mesmo o décimo quinto mês.
    Hoje coopero, graciosamente ,com a junta de freguesia onde nasci. Publico mensalmente uma revista que conta a sua história passada e presente e procura aculturar a população em termos gerais. Vou falar com a população para contar a sua história. No mês de Março contei a história do primeiro tesoureiro da junta pós vinte e cinco de Abril eleito pela CDU que vive sozinho, separdado da mulher, gerindo um pequeno negócio onde não entra diariamente mais de uma dezena de pessoas. Relato,por outro lado, a história de sucesso de uma empresária da freguesia que foi despedida com recurso a um estratagema vergonhoso e montou a sua pequena pizaria. Depois de ter passado uma hora ouvindo-a, escrevi a história e enviei-a para a poder criticar. Respondeu-me com este email que me deixou satisfeito com a vida: “SR Nuno bom dia, está muito muito bem, você está de Parabéns, escreve lindamente e de forma sentida, dá gosto ler”
    Neste momento juntamente com o meu neto que cursa História, estamos a preparar a história de Três Teresas, que afinal, tal como nos mosqueteiros, são quatro, figuras de mulheres fundamentais no inicio da fundação do Reino. Teresa de Leão, a mãe de Afonso Henriques, Teresa Afonso, a sua neta, rainha de Flandres e introdutora dos têxteis em Portugal, Teresa Sanches, sua bisneta, também conhecida como Beata Teresa, e Teresa GiI, sua penta neta, amante de Sancho, filho de Afonso X, o Sábio, nascida na minha freguesia. Personagem quase desconhecida em Portugal,deixou toda a sua fortuna aos seus vinte empregados, aos pobres de Valhadolide, e uma verba para fundar um mosteiro em Toro, o mosteiro de Sancti Spiritus onde está depositada. Recentemente foi exumada, as suas vestes recuperadas e passaram a pertencer ao património cultural de Espanha. Um medico que que tem o seu consultório no Edifico Teresa Gil, situado na Rua Teresa Gil, em Valhadolide quis saber quem era aquela mulher que dera nome a uma das ruas mais antigas da cidade, datando de 1326. Fez dela a biografia.
    Cara Ana. Não sou de modo algum um solipsista. Gasto o meu tempo colaborando com os meus netos que vivem com os pais e comigo de quem sou o motorista, o consultor e muitas vezes o cozinheiro. Adoram os meus camarões panados receita que trouxe de Moçambique. Trabalho para a freguesia onde nasci, apesar de viver distante dela. E sobra-me tempo para tratar de quatro cães, quatro ovelhas, dois agarponis, e duas dúzias de galinhas. Solipsista eu?
    Abraço, Ana.
    PS.Para além do tempo para a acção tem de haver tempo para a meditação.

  10. Ana Moreno says:

    Que vida interessante. Boa, Nuno.
    Mas há um engano, eu não lhe chamei solipsista a si; disse foi que eu passei por essa fase, em que coloquei em causa uma verdade objectiva exterior, colocando, com isso, tudo em causa. Queria com isso responder-lhe que não me coloco aprofundadamente no plano de “perguntar a si própria, será que nos argumentos contrários aduzidos não existirá uma realidade sobre que também me deva debruçar, verá que terá a mente mais aberta e crescerá em humanidade.” Informo-me com material fiável, analiso os argumentos em cima da mesa, e decido o que me parece e pronto. Foi tudo. Um bom resto de dia 🙂

    • César P.Sousa says:

      Ana Moreno..! Estou absolutamente pasmado com a sua infinita capacidade , ponderação,e paciência para discutir “gravitação quântica em loop” com “Ernestos” e ” Abreus” .
      Estas personagens,repletas de tiques elitistas,que substituem as sandes de coiratos por “camarões panados”para se “armarem aos cucos”,não merecem a sua bonomia e condescendência.É gentinha que tresanda a chanel,e inveja de não poder “brincar aos pobrezinhos” como faziam as senhoras
      da familia Salgado na herdade da Comporta.
      Tenho esperança que as revelações do Rui Pinto façam mossa
      nalguma da ladroagem que tem andado a roubar o dinheiro dos meus impostos.Se ele tentou recolher algum dinheiro da Doyen
      aplique-se o princípio :-“Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão”.De resto já percebeu com certeza o que leva esta gentalha a defender a todo custo a N’Drangheta Lusitana , e manter o Rui Pinto silenciado.
      Cumprimentos

      • Ana Moreno says:

        Olá César, bom, fez-me rir; quanto ao assunto em causa, concordamos a 100%; também “Tenho esperança que as revelações do Rui Pinto façam mossa nalguma da ladroagem que tem andado a roubar o dinheiro dos meus impostos”. E há que ter presente as dimensões que estão em causa e as manigâncias desses actores que se esgueiram por entre as malhas que os reguladores teimam em não apertar, para bem dessa máfia e para tremendo mal nosso.

        Quanto à sua avaliação dos outros comentadores, não concordo; valorizo as pessoas que estão com seriedade e sinceridade na vida e parece-me ser aqui o caso – mesmo discordando claramente neste assunto. Camarões panados são bem deliciosos e lá por isso não se é logo elitista ou se tem inveja da família Salgado, César… 🙂

        • Nuno M. P. Abreu says:

          Só hoje voltei casualmente aqui e dei com um decreto de César. E como violar a lei de César, da lugar a leões e Coliseu, venho aqui penitenciar-me.
          Quando andava no secundário e aparecia algo mais complicado costumávamos dizer: Isso para mim é grego. Por isso, seguindo o conselho de Cristo lhe digo : “Ἀπόδοτε οὖν τὰ Καίσαρος Καίσαρι καὶ τὰ τοῦ Θεοῦ τῷ Θεῷ ακόμη και ανόητος” que numa tradução googliana será mais ou menos isto: A César o que é de César ao espírito o que é do espírito, mesmo de tolos.
          Ó Ana, eu falei em camarões porque estive uns anos em Moçambique e lá serviam-nos os camarões como como tremoços a acompanhar a 2M ou a Laurentina as cervejas moçambicanas A primeira 2M tinha esse nome em homenagem a Marie Esme Patrice Maurice, Conde de Mac-Mahon que foi Presidente da França na Terceira República Francesa. Uma das praças principais da cidade era a praça Mac-Machon onde trabalhei. A outra Laurentina homenageava o nome da cidade.
          Sinto muitas saudades ao falar nisto e sempre que faço uma pequena extravagancia preparo camarões e revivo a terra onde me nasceram os filhos. Que os camarões eram ali servidos como aperitivo é do conhecimento corrente, Só os Césares do alto da sua majestática iliteracia desconhecem. Uma reportagem do DN de há poucos anos, contava:
          “Sentado na esplanada do restaurante Piri-Piri, em Maputo, Manuel Teixeira recorda o tempo em que pedia uma cerveja Laurentina ou uma 2M e os empregados lhe traziam um prato de camarões para acompanhar. Eram os nossos tremoços», diz. .
          PS. No Continente recorrentemente aparece um gabão da argentina, 20/30 – esta referencia quer dizer que cada quilo tem de 20 a 30 camarões – a 9,5 euros o quilo. O preço do bife ronda os 10, talvez que uma vez por outra uma eventual permuta não seja assim tão pretensiosamente elitista. Boa noite

          • Ana Moreno says:

            Olá Nuno, não vai acreditar, mas em miúda conheci tudo isso que refere – claro que não bebia cerveja :-), mas comia e como camarão. Na praça MacMahon trabalhava o meu avô, nos caminhos de ferro. 🙂 Pronto, fico-me por aqui quanto a dados pessoais :-).


  11. “Ernestos ” e “Abreus” são pessoas íntegras e de boa formação e cultura , já deu para os termos entre nós como tal, essa a minha opinião, Lamento os termos em que foram aqui criticados repletas, isso sim de tiques ressabiados !..
    ….desculpe a franqueza, César Sousa, estamos entre amigos, senti assim ao ler o seu comentário .
    …”.não havia nexexidade” : )

  12. César P.Sousa says:

    D. Isabela
    Fiquei com a sensação que o seu “ralhete” tem muito de reacção corporativa em defesa dos príncipes do AVENTAR.
    Será ???
    Cumprimentos


  13. Negativo, D. César P.Sousa !

    Cumprimentos

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