Suspender a democracia por 6 meses

Manuela Ferreira Leite fez a proposta há uns anos. Boris Johnson conseguiu-o ontem. Tempos e razões diferentes mas com o mesmo princípio. Levar a cabo o que alguns imaginaram, independentemente da vontade dos restantes, sem oposição nem contraditório. Há uma palavra para isto. Depois das areias assentarem, como podem pedir novamente o voto, sabendo-se que este conta quando calha? O populismo não cresce nas hortas. Mas este estrume fortalece-lhe as raízes.

Comments


  1. Também me lembrei por estes dias de Manuela Ferreira Leite mas por outros motivos:
    “Os hemofílicos têm direito a tratar-se se PAGAREM”!

    No entanto neste momento o governo gasta 2 milhões de euros num medicamento para uma bebé a toda a união das DIREITAS está caladinha que ratos de esgoto.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Ao que julgo saber, o dinheiro apareceu por que o povo português decidiu ser solidário com a criança.
      Se o governo, sabido que há mais casos semelhantes fez marcha atrás no seu silêncio inicial, só lhe ficará bem.


      • Eu só estou a criticar os partidos de direita que, tendo votado contra a criação do Serviço Nacional de Saúde, e sabendo nós como, no governo de Passos e Portas deixaram morrer vários doentes com Hepatite C, com a desculpa que o medicamento era caro, não virem agora revoltar-se violentamente contra a aplicação do medicamento mais caro do mundo, falando, por exemplo em despesismo, quando, tal como refere, ainda por cima, houve um peditório que reuniu dinheiro para o tratamento.

        Deviam vir dizer que se deveria deixar morrer os bebés! não o fazendo, o seu silêncio é pura hipocrisia. Mas vêm desviar o assunto falando dos quartos de banho das escolas.

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Estou de acordo consigo, completamente.
          Só pretendi chamar a atenção para o facto dos 2 milhões de euros – tanto quanto sei – é uma dádiva dos portugueses e não sei, com toda a sinceridade, se o governo teria colaborado com aqueles pais. Acredite que pelo que vejo – dinheiro para bancos falidos e gamados não falta…mas há sempre impossibilidades orçamentais para outros fins bem mais importantes – tenho sérias dúvidas.

          • paasa says:

            Os tratamentos estão a ser pagos integralmente pelo SNS. Os pais que recolheram os 2 milhões têm agora que decidir o que vão fazer com essa soma.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Caro(a) paasa.

            Repito o que escrevi:
            Ao que julgo saber, o dinheiro apareceu por que o povo português decidiu ser solidário com a criança.

            Se o governo, sabido que há mais casos semelhantes fez marcha atrás no seu silêncio inicial, só lhe ficará bem.

            Logo, se o tratamento está a ser pago pelo SNS, então fez marcha atrás, caso contrário o povo não tinha contribuído. E fazendo marcha atrás, fez muito bem.

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    É, sem dúvida, a aplicação da lei da rolha, a tal que Garrett acusava Costa Cabral quando este mandou fechar jornais….
    Contudo se forem a votos estas figuras continuam a ter a preferência dos votantes. Desígnios…

    Entretanto, em Portugal, o MP pede a dissolução do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas.
    Não tendo qualquer preferência sindical, acho muito estranho que saia uma determinação destas que, com o que se tem visto até agora, mais parece uma caça às bruxas salazarista.
    Espero compreender o motivo que leva o MP a formular tal pedido, mas até lá, constato que as determinações de Boris Johnson, os desejos de Manuela Ferreira Leite e a posição deste governo, dito socialista, encaixam uns nos outros…

  3. Dora says:

    A fake news é tramada. E é repetida tantas vezes que se acaba por pensar que é verdade.
    Em relação a Manuela F Leite, a senhora disse essa fase de forma irónica, salvo erro no governo de maioria absoluta de J. Sócrates.
    Bem sei que a ironia não é o traço de personalidade da senhora, mas neste caso, usou-a. Claro que o pessoal achou estranho, estava distraído e usou a declaração em sentido literal.

    • Ana A. says:
    • j. manuel cordeiro says:

      Fake news? Essa agora.

      Ela disse:
      “Eu não acredito em reformas quando se está em democracia”

      E a seguir acrescentou:
      “Não sei se, a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois, então, venha a democracia”

      Isto parece-me ter pouco de ironia.

      https://www.jn.pt/nacional/interior/lider-do-psd-sugere-6-meses-sem-democracia-1046189.html

      • Dora says:

        Oiça o vídeo, sem interferência da CSocial.
        Claro que o que a senhora disse foi uma de ironia em relação ao governo de Sócrates.
        Se a ironia é um atributo que reconheçamos a MFL? Não.

        Mas isto é ironia. E isto digo eu que nem nunca apoiei a senhora, excepto nos debates e posições contra o neoliberal totó Passos Coelho.


    • Ironia? Ah Boa!

      Então o PSD e o CDS certamente que também estavam a ser irónicos quando votaram contra o Sistema Nacional de Saúde!!

      Ou estavam também só a ser irónicos quando disseram que iam devolver todo o rendimento aos professores mas depois meteram o rabinho entre as pernas e fizeram o contrário quando o Costa disse que se demitia!

      Chamar de “fake news” às contradições políticos é que é “fake news”!

      • Dora says:

        A frase da senhora tem de estar contextualizada no tempo.

        E não tem nada a ver com as situações que mencionou.

        Passos Coelho quando disse que não iria retirar quaisquer subsídios de férias ou aumentar impostos, sendo que depois o fez e foi além disso, não estava a ser irónico. Estava a ganhar eleitores e votos, o que é diferente.

        O mesmo se está a passar agora em vésperas de eleições. Promete-se tudo e mais alguma coisa. Não chamo a isto ironia. É outra coisa.

        Coitada da ironia!

        • Dora says:

          Se ouvirem bem o vídeo, imparcialmente, o que a senhora está a ironizar é sobre o conceito de democracia do governo de J. Sócrates, querendo dizer que não era democrático e que só conseguia governar/reformar fora dessa “democracia.”

          Já o referi, sai-lhe mal a ironia. E a prova disso é que quase toda a gente tomou isto no sentido literal.

          Até parece que com este pormenor estou a defender MFL. Logo eu!

        • Ana A. says:

          Mas convenhamos: todos os políticos falam em reformas, neste ou naquele sector, logo, parece que as reformas são compatíveis com a democracia, desde que se respeitem as regras democráticas.

          O que MFL diz é que não acredita em reformas em democracia, etc. etc…

          Faz lembrar aquela expressão: “de que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal”!

          E a mim sinceramente não me parece nada ser irónica a sua posição.

  4. Dora says:

    Ana A.,

    “O que MFL diz é que não acredita em reformas em democracia, etc. etc…”

    O que convém ler bem é a que “democracia” se refere MFL. Pelo contexto, refere-se à “democracia” do gov. de J. Sócrates. Um governo de maioria absoluta e do animal feroz, se bem me recordo…..

    Mas esta é a minha leitura e já não consigo explicar melhor a ironia/ má ironia da coisa.

    • Ana A. says:

      Pois, o busílis da questão é a “democracia” das maiorias absolutas…tão ao gosto dos partidos do centrão! Mas pertencendo ela a um desses partidos devia sentir-se confortável com a situação!

      Quanto às leituras da ironia, cada cabeça sua sentença! 🙂

  5. Dora says:

    Konigvs,

    O paradoxo é o que MFL aponta ao gov. de Sócrates em relação às políticas da altura do PM.
    E para mostrar esse paradoxo, segundo ela, recorreu a esta ironia que é tão mal feita que dá para as interpretações que se seguiram e que ainda hoje vingam.

    A senhora é da área financeira e, pelo que se constata, não tão ligada às figuras de estilo (ou de estalo, sei lá).


    • Antes de ter sido Ministra das Finanças (e do défice de 7% com orçamentos retificativos e receitas extraordinárias) a senhora até foi…. Ministra da Educação!!!

      • Dora says:

        Pois foi.
        E tinha uma apetência tão grande pela pasta que, como boa ministra das Finanças (ao jeito de Centeno), criou um exame/avaliação para passagem ao 8º escalão.
        Daí ter sugerido que a senhora não tem muito jeito para figuras de estilo. Já para figuras de estalo….

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