Teoria da diversidade política

A natureza política é composta por espécies que se cruzam habitualmente de forma endogâmica, com pontuais dissidências. Observando outros ecossistemas, sabemos que a variedade é fundamental para a preservação de uma espécie saudável, sem problemas de consanguinidade e liberta de malformações.

É, portanto, um favor que se faz à classe política não lhe oferecer uma maioria absoluta. Fica mais resistente às pragas e ervas daninhas. Se uma maioria simples já gera casos graves de nepotismo e de acentuada queda de vergonha na cara, imaginem-se estes seres libertos do travão parlamentar, mesmo que frouxo como na legislatura que agora terminou.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Diríamos que na cultura popular “o casamento entre primos dá filhos malucos”. Tudo por causa dos cromossomas, dizem.
    Na vida política este tipo de ligações carnais tem-nos dado acima de tudo uma noção de “casta”. Não sei se é por António Costa descender duma casta superior, os brâmanes, mas nesta legislatura o PS fez uma recuperação “épica”, face ao poder perdido no período da Troika.
    Se é perceptível a “olho nu” que o PSD é composto por espécies que se cruzam de forma endogâmica dentro do poder económico e financeiro, também é perceptível que o PS não podendo entrar nesses domínios tão facilmente, há excepções, claro, tente sobreviver de forma endogâmica no aparelho de Estado. Este tentação é transversal a todos os partidos, mas os socialistas têm uma máquina infernal.
    Como o nosso poder económico nunca foi verdadeiramente autónomo e sustentável, viveu sempre de subsídios e apoios comunitários, quando não de esquemas fraudulentos, dominar o aparelho de Estado é fundamental para se ascender socialmente, enriquecer se possível, e em última instância perpetuar-se no poder.

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