Só sei que ninguém sabe

Não tenho o hábito de me informar sobre o vírus da moda, porque não tenho instrumentos e capacidade para saber se a informação distribuída pelos meios de comunicação social ou pelo governo é fidedigna, para não falar na multiplicação de opiniões completamente díspares sobre curvas e contracurvas, testes e infectados, mortos e curados.

Como sou um frequentador assíduo das chamadas redes sociais,

(rede também tem um sentido piscatório. Não chego a saber se sou pescador, se peixe)

tenho assistido, no entanto, a um debate, que digo eu?, um combate entre os que afiançam que Rodrigo Guedes de Carvalho arriou fortemente na ministra da Saúde e os que garantem que Marta Temido goleou o entrevistador. Uma análise muito leviana e suficiente permitir-nos-á perceber que os que elogiam o jornalista são da oposição ao governo; os outros são apoiantes do governo ou, no mínimo, adversários da oposição ao governo, que a política tem matizes que a razão desconhece.

Ou seja: os comentários à entrevista têm a mesma parcialidade e a mesma profundidade que é usada pelos histriões que participam naqueles programas em que hominídeos passam a horas a gritar que é ou que não é penálti, sendo evidente para ambos que é e que não é.

Tenho tendência para não gostar de ministros, confesso. O ministro é, já há muitos anos, uma espécie que me desagrada. Pode ser que muitos justos paguem por alguns pecadores, mas tenho a minha dose de ministros que só podem dar mau nome à função. Se algum dia for convidado para ministro (e já deve ter faltado mais), terei de recusar, porque não quero ver o meu nome associado a funções tão desprestigiantes.

Ser jornalista foi um dos sonhos da minha louca juventude, mas, por uma vez, o jornalismo teve o bom senso de não me chamar. Ao fim destes anos todos, apesar de preferir jornalistas a ministros (preconceitos, que quereis?), o entusiasmo esvaiu-se, porque os jornalistas desapareceram, esmagados ou comprados pelo negócio.

Os meus conhecimentos são parcos mesmo na minha área de formação. Nas outras, nem parcos são, coitados. A Epidemiologia é uma das muitas áreas que ignoro, ao contrário dos frequentadores das redes sociais, profundos conhecedores da morte íntima do vírus.

Neste momento em que vivemos a História, ainda não podemos fazê-la. Um dia, saberemos se houve mortos escondidos ou se houve exagero de uma oposição sempre à procura do mínimo erro.

Até lá, a existência de tantas paixões em torno de uma entrevista ajuda-me a manter a decisão de não a ver. É comodismo? Sim. Por isso é tão cómodo.

Comments

  1. Democrata_Cristão says:

    Mas o empregado do laranja canal, poderia ter feito outra coisa ?
    Que é que diria o Balsa Mamão e a quadrilha do PPD que andam mortinhos para que a coisa corra mal, bandidos.

    • beirão says:

      E esta, hein! Como se toda a gente não soubesse que a SIC está absolutamente dominada por canalha socialista. Não é Ricardo Costa que manda naquilo?
      E vem-me este avençado do Largo do Rato trocar as tintas, invertendo a verdade das coisas.

      • abaixoapadralhada says:

        “E vem-me este avençado do Largo do Rato trocar as tintas, invertendo a verdade das coisas.”

        Eu quero lá saber quem é o papagaio que é o director

        O dono do laranja canal é o Balsa Mamão, fundador do Partido do Marcelo Caetano Recauchutado, chamado na altura PPD, depois PPD/PSD e agora Partido Social Democrata

      • Democrata_Cristão says:

        Beirão

        Avençado é a tua prima

  2. César P.Sousa says:

    Um jornalista que não consegue perceber a diferença entre uma
    entrevista e um interrogatório,não pode ser “alguém” na SIC.
    O Rodrigo teve uma noite infeliz.Vestiu a pele de Torquemada
    e arremessou de uma forma violenta,estúpida e malcriada algumas perguntas á atarantada mas simpática ministra.
    Há pessoas que quando são colocadas em patamares mais elevados ,se trantornam da melancia e se estatelam na merda.
    Aquele ar de “trombalazana” de quem nunca soube o que era
    um sorriso começa a cansar. O Sigmund Freud talvez possa explicar.
    Cumprimentos e ..ponham a outra máscara.

    • beirão says:

      Para esta criatura esquerdalha, os jornalistas tem o dever de ser fofinhos a fazer perguntinhas a membros do governo socialista, pois o respeitinho é muito bonito; e, cuidado, juizinho: de contrário, lá ensinava Jorge Coelho, quem se mete com o ps, LEVA!
      A malta leva com cada tonto!

      • César P.Sousa says:

        O Jorge Coelho é uma besta quadrada igualzinho a ti.
        Há apenas uma diferença : -É muito mais inteligente do que tu.Ele é o rei do queijo ,e tu éso rei dos idiotas.

      • abaixoapadralhada says:

        Olha la beirão do cavaquistão

        Vai lamber o cu à mumia de Boliqueime

  3. Rui Naldinho says:

    … e depois há aquela parte da entrevista em que o jornalista pergunta:
    – A Senhora Ministra acha a Igreja Católica uma instituição?

    Ao que a Ministra, admirada, retorquiu:
    – Sim, acho!

    Quando ouvi a pergunta fiquei incrédulo.
    Como? A propósito de quê aquela pergunta?
    Qualquer estudante de liceu que se preze, sabe o que é uma Instituição. Igrejas, Centrais Sindicais, Conf. Patronais, Santa Casa da Misericórdia, … e também sabe o que é um Órgão de Soberania. Forças Armadas, Parlamento, PR, Tribunal Constitucional, …

    Há quem venha pressionado da redação e se espalhe à grande.
    Isto é o que dá a paranóia jornalística do Protagonismo.

  4. João Paz says:

    “Neste momento em que vivemos a História, ainda não podemos fazê-la” Uma Excelente publicação, mais uma, António Fernando Nabais. Há só um pequeno senão a apontar-lhe da minha parte e esse senão é precisamente a sua frase que copiei e que encima este comentário. È que, a meu ver,, por acção ou por omissão estamos SEMPRE a fazer história, a fazer política no sentido mais nobre do caso. Ninguém é dono da verdade, ninguém é especialista em tudo e no seu contrário como muitos e, em particular, a esmagadora maioria dos que fazem comentários pagos nas televisões parecem pensar mas isso não pode NÃO DEVE fazer com que abdiquemos do nossso direito de usar o cérebro (pior ou melhor todos o temos, usando-o melhor ou pior todos o DEVEMOS USAR).
    Claro que DEVEMOS tentar estar o melhor informados possível antes de emitirmos opinão mas isso não nos liberta de , dentro das nossas limitadas possibilidades, participarmos no debate que continuamente faz história. Isso não pode DE TODO ser reservado aos ESPECIALISTAS.
    Que há “paixonite clubista” a mais e objectividade a menos è, para mim, um facto que relevo e que é justamente apontado por si no seu artigo .
    Agradeço-lhe , mais uma vez, o seu excelente artigo mas pareceu-me ter interesse em fazer o reparo que faço.

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