Marcelo Rebelo de Sousa, o 1º de Maio e a direita trauliteira

MRS

Ainda sobre as comemorações do Dia do Trabalhador, aqui vai um excerto do decreto presidencial (Presidente da República = Marcelo Rebelo de Sousa) que renova o estado de emergência para a sua terceira e última fase. A renovação foi aprovada com os votos do PS, PSD, BE, CDS e PAN, as abstenções do PEV e do Chega, e os votos contra do PCP, IL e Joacine Katar Moreira.

O decreto, que não está sujeito a aprovação parlamentar, é da exclusiva responsabilidade de uma pessoa: Marcelo Rebelo de Sousa. Não vou transcrever o que está escrito na imagem, parece-me claro e o destaque é objectivo, mas vou dizer isto: resumir esta situação a uma cedência do governo ao PCP e à CGTP não é apenas um absurdo. É, apenas e só, mais um exercício de manipulação da direita trauliteira do costume, ancorada nos observadores e no Twitter.

Quer isto dizer que fui a favor da celebração que se realizou no passado dia 1 de Maio? Não, não fui. Seria a favor de uma celebração mais comedida, com menos figurantes e que não fosse usada como arma de arremesso ou demonstração infantil de poder. Acho até que a cerimónia, e todo o ruído que se gerou à volta dela, foi prejudicial aos interesses da minha área política, mas também aos interesses da esquerda conservadora e da própria CGTP. E os populistas da nova extrema-direita ficaram muito gratos por mais esta oportunidade de ouro de dar largas à demagogia, aldrabar mais alguns incautos e subir nas sondagens.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Sem um número do mortos por Covid 19 que nos transformasse num país de derrotados, “fodidos de raiva, eles acabaram por se virar para o 25 de Abril, e por fim, para o 1.° de Maio”. Alguém tinha que levar com as culpas.
    Não vou dizer que estou 100% de acordo na forma como a CGTP/ PCP festejou o dia do trabalhador. Talvez alguma“parcimónia”, não fizesse mal nenhum. Mas não me choca a celebração por si, uma vez que foram salvaguardadas as questões sanitárias.
    Mas o problema desta gente não é o coerência nas decisões governamentais. Nem sequer a saúde pública. Isso são tretas. O problema desta gente é mesmo a raiva que a CGTP lhes faz.

  2. esteves ayres says:

    Hipocrisia por a parte de todos aqueles . que não escreveram uma só linha sobre aqueles que foram obrigados pela Policia e GNR a serem impedidos, e a não poderem circular fora do concelho.
    Uma vez mais, um golpe do P”C”P/Intersindical e seus aliados, com apoio do governo do PS de Costa (e não só)!!!
    VIVA o 1º MAIO!
    Nem fascismo nem social-fascismo!

  3. Jose Graca says:

    Direita trauliteira é como a vizinha Espanha ou o grande vencedor, são palavras que andam sempre juntas significando nada.

  4. JgMenos says:

    Não tem toda a razão!
    Um exercício de ordem unida, executado com rigor, é um bom exemplo de procedimento anti-pandémico.
    Acresce que, sendo executado por gente que na maioria não trabalha há muitos anos, seria grande crueldade recusar-lhes este tão simbólico trabalho anual.

    • Paulo Marques says:

      Vês como sabes alguma coisa? O 1º de Maio é mais uma concessão menor para conter os trabalhadores do que outra coisa, basta ver a história do dito.

      • Fred Caramelo says:

        Olhe, já ganhei o dia, vê, se, desculpe, Senhor Paulo Marques? E eu, caramelo sem valor, ao lado de tanta sapiência e erudição, que pensava que o 1.º de Maio era mesmo outra coisa. Muito agradecido!

    • Fona Cunda says:

      “ Um exercício de ordem unida, executado com rigor…”

      Como tu percebes de tropa ó JPCruz. Deve ter sido do tempo em que trabalhaste nos estabelecimentos fabris das Forças Armadas.
      Vai-te melga!

  5. Abstencionista says:

    Bem, bem, esteve a UGT que “celebrou” através da internet.
    Foi um sucesso!

    Imaginem … mensagens de todos os dirigentes sindicais a “celebrar”.
    O ceo da UGT, o tal que apoia o Ricardo Salgado,(mas não apoia o Costa), até estava com a cara inchada de satisfação.
    Que sucesso!

    Para estas manifestações para que são precisos os trabalhadores?
    Trabalhadores esses que, se fossem convocados, não enchiam sequer um elevador…vá lá, um monta cargas.

    P.S. Nestas coisas sou apologista do “ou há moralidade ou comem todos”: 25 de Abril, 1º do Maio, 13 de Maio, 10 de Junho e, se lá chegarmos em confinamento, a data mais importante de todas, o 1º de Dezembro, só devem ser comemoradas em casa.

  6. fernando tavares says:

    E que tal ler o Artgº 4 da Lle 20-A/2020

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