A dúvida

A leitura de uma entrevista ao historiador escocês Neill Lochery a propósito do seu novo livro “Porto, a entrada para o Mundo”, provocou-me uma enorme dúvida, daquelas que ficarão eternas porque assentam no pressuposto “e se…”.

Entre várias apreciações que têm a enorme vantagem de serem feitas por alguém que por ser estrangeiro, tem a
uma lucidez que o bairrismo não perverte, diz: “o que não deixa de ser fantástico é que, apesar dessa forte identidade e de as pessoas frequentemente dizerem “primeiro sou do Porto e só depois sou português” ou que o “Porto é uma Nação”, o sentimento de pertença a Portugal é enorme”.

Sempre achei que o “cimento” de uma nação é mesmo esse, o sentimento generalizado e enraizado de pertença. Além de factores territoriais, linguísticos, históricos e até genéticos (e também por força deles), uma pátria gera nos seus indivíduos uma ligação colectiva profunda que traz proximidade e solidariedade. Esta condição que mesmo intelectualmente contestável (obrigatoriamente) “a posteriori”, dificilmente se deixa apagar, distingue as nações dos países. Uma nação é, singelamente, algo de natural enquanto um país é uma construção artificial que pode ou não coincidir com uma nação. Será, provavelmente, esta a razão principal e estrutural pela qual a União Europeia nunca funcionará como algo mais profundo.

Portugal é um óptimo exemplo porque apesar do seu reduzido tamanho, encerra diferenças claras entre indivíduos das diversas regiões. Um nortenho (e mesmo entre nortenhos, também é possível constatar nítidos contrastes) é diferente de um alentejano que, por sua vez, é diferente de um algarvio. Mas e apesar do, assumido ou não, fervor bairrista, qualquer deles considera-se, essencialmente, Português. Quase como, “sou Português, apesar de ser tripeiro” ou “sou Português, apesar de ser alentejano”.

Mas nem todos são assim. Há várias regiões em que o sentimento de pertença é muito menor. Passando ao lado das especificidades insulares que geram outro tipo de (legítima) discussão, em Lisboa o sentimento nacional é encarado de forma, enfim, distinta. O princípio passa quase a ser “sou lisboeta, apesar de ser Português”.

A sensação perfeitamente perceptível é que a condição da nacionalidade é quase uma nódoa no estatuto sublime do lisboeta. O resto do País aparenta ser quase um estorvo que só causa problemas e que impede a “legítima” inclusão da capital no restrito grupo das cidades com “griffe” e “glamour”. Se não fosse o resto do País, Lisboa estaria, “naturalmente”, no mesmo nível de Londres, Nova Iorque, Paris, etc. De outra forma, o benf…, perdão, Lisboa é grande demais para Portugal.

O que não deixa de ser triplamente estranho. Desde logo porque ser lisboeta é quase uma artificialidade. Apesar desta ser uma discussão para outro momento, ser lisboeta, ancestralmente lisboeta, é uma raridade. Na verdade e predominantemente, não se é lisboeta. Está-se lisboeta.

Depois, e na senda do estranho, dado o manifesto e limitador centralismo, o resto do País é, basicamente, obrigado a fazer o que Lisboa decidir. Ou seja, se realmente fossemos menos (e não, não somos por talento e resiliência que nos é natural), a responsabilidade seria deles (lisboetas).

Por último, e, ainda, mais estranho, a completa falta de lucidez que essa petulância lisboeta demonstra. O absurdo está ao nível do nóvel fervor anti-racista que nem consegue perceber que é muito mais racista que o racismo que pretende combater. Também o lisboeta não percebe que é mais parolo que o parolismo do qual se pretende distanciar.

Enfim, chegado aqui e depois desta verborreia toda, finalmente, a dúvida. Houve um momento em que Portugal, por exclusiva responsabilidade dos Portugueses, conseguiu “controlar” o aumento da epidemia. E de repente, uma região, uma só, revelou um descontrolo muito próprio e que, felizmente, não era acompanhado pelo resto do País. Esse descontrolo causou directamente a nossa exclusão da retomada liberdade transfronteiriça. Aliás, há até um País (infelizmente, só um) que permite a entrada de Portugueses com excepção dos provenientes dessa região. As consequências económicas e sociais dessas proibições são avassaladoramente catastróficas.

E se o descontrolo em vez de ser em Lisboa, fosse no Porto, em Beja, em Coimbra ou em Faro? Como reagiriam a opinião pública, a comunicação social ou o próprio governo?

Comments

  1. João Paz says:

    “Enfim, chegado aqui e depois desta verborreia toda, finalmente, a dúvida.”
    Não era sem tempo!
    Depois de inúmeras verborreias de tendor nazi que nem sequer merecem (ou têm merecido) qualquer resposta a assumpção que não são mais do que diarreia mental ou , mais prosaicamente “VERBORREIA”.
    Ad quantum catilina abutera patientia nostra?

  2. João Paz says:

    Ah e, como os mais atentos por aqui sabem de sobejo, não sou lisboeta nem portuense embora adore essas duas cidades.

  3. Rui Naldinho says:

    Este texto, parecendo pretensioso, não o é. Já sei que a seguir virão os tubarões da moral normativa exercerem a sua justiça divina. Leva ele, o autor, levo eu e quem se lhes opuser. Durmo descansado.
    Explico-me:
    Discordo do que o autor escreve em quase tudo. Sou contra algumas generalizações feitas por ele, na velha dicotomia esquerda // direita. Em especial numa época em que as ideologias políticas caíram em desuso, com excepções das libertárias ou de género, cada uma pedindo para si, um “nicho de mercado”. Nem a direita escapa a isso como se depreende da Aliança, Iniciativa Liberal e Chega.
    Neste caso específico, sou a concordar com o que escreveu.
    E acrescento:
    Contrariamente a ele, que acha apenas um desempenho razoável do Estado e das suas estruturas, no combate à pandemia, numa primeira fase, relativizando-a, eu acho que fomos muito bem sucedidos. Nessa matéria o governo portou-se bem, até Maio.
    Portugal tem apesar de tudo um número de mortes invejável, olhando todas as circunstâncias demográficas e económicas do país, em comparação com outros países, apontados muitas vezes por nós, como exemplos a seguir. Nunca teve uma situação de rotura nos Serviços de Urgência. Sim, houve gente que não foi operada a outras maleitas. Mas a maioria, recusou-se pura e simplesmente a ir ao hospital. O meu sogro foi operado a um tumor ao intestino, em meados de Maio. Não recusou. Foi e veio de boa saúde. É óbvio, cuidados redobrados. Mas é para o que estamos.
    Quanto à actual situação que estamos a viver, eu faço uma crítica ao governo, corroborando em boa parte o que nos diz o autor. Critica essa que já vem do tempo da Geringonça. Coisa do que ele não gosta, mas eu gostei. Precisamente porque o Partido Socialista não é confiável.
    Em tempos disse à Catarina Martins, líder do BE. “ Tão importante como a recuperação dos rendimentos das famílias, era importante que os meios de fiscalização do Estado, do SEF, à ASAE, da Autoridade do Trabalho/ Inspeção de Trabalho à Autoridade Tributária e Aduaneira, etc, etc, estivessem à altura das suas responsabilidades neste período político. De preferência que Mário Centeno não coarctasse a contratação de técnicos com formação superior, adequada para estas funções, tão vitais para a nossa segurança e economia, que a impedi-las, um dia estaríamos na contingência de uma derrocada por falta de fiscalização. De certa forma o que nos está a acontecer tem tudo a ver com essa fragilidade.
    Na pretérita semana assistimos a uma série de eventos, acompanhados pelas televisões em directo, com a Autoridade do Trabalho, o SEF e a ASAE numa azáfama constante à procura de prevaricadores. Isto já sem falar na GNR e PSP.
    É nestes ambientes socialmente frágeis que a contaminação se torna mais violenta. Mas o governo e o PS estavam à espera de quê, para antecipadamente se munirem de todos os instrumentos jurídicos e administrativos, necessários para o combate ao aumento de casos de Covid 19, fruto do desconfinamento?
    Mais uma vez e sempre, já parece sina, os socialistas vão correr atrás do prejuízo.
    Apetece-me dizer-lhes:
    O barato por vezes sai-lhes caro!
    Invistam sim em serviços essenciais do Estado, em especial nas entidades de fiscalização, e deixem-se de tretas.
    Só estamos a pagar pela nossa incúria.

    • Elvimonte says:

      “SNS: Ficaram por realizar cerca de 540 mil consultas hospitalares e 51 mil cirurgias até abril”? (Polígrafo)
      – Sim.

      E também “2300 tratamentos oncológicos e 990 consultas de enfermagem”? (Polígrafo)
      Sim. O que demonstra como ” Nessa matéria o governo portou-se bem, até Maio.” (Rui Naldinho)
      E quanto a excessos de mortalidade não atribuíveis ao vírus?
      “Sim, houve gente que não foi operada a outras maleitas. Mas a maioria, recusou-se pura e simplesmente a ir ao hospital.” (Rui Naldinho)
      Mas conhece estudos que quantifiquem os excessos de mortalidade não atribuíveis ao vírus e que parecem resultar da disrupção da actividade normal dos serviços de sáude, dos efeitos da paragem forçada da economia, tanto em Portugal, como no Reino Unido, nos EUA e noutros países?
      “Hum… Agradeço a sua questão, mas já estamos a tratar de corrigir essa situação falsificando as certidões de óbito e atribuindo ao vírus todas as mortes. Por exemplo, aquele indivíduo que foi comido por um tubarão e do qual apenas se encontrou um braço, tendo este testado positivo ao vírus, na certidão de óbito figura como causa de morte o vírus, como é óbvio. Que outra causa se poderia invocar para a sua morte? Mas, deixe-me dizer-lhe, nos EUA o Trump é a causa de todas as mortes, muito embora isso ainda não figure nas certidões de óbito – afinal é ele o presidente. Dantes era o Sócrates o bombo da festa, agora é o Trump, que quem se mete com os jornalistas e com os aparelhos, leva.” (um Rui, não Naldinho, mas “Tadinho”).

      • Paulo Marques says:

        Exacto, é só uma gripezinha, desde que não se preste atenção que até pessoas que não tiveram sintomas podem ficar com danos pulmonares e cerebrais.
        Ou isso ou é culpa dos lagartos comedores de criancinhas, nunca se sabe.

      • Rui Naldinho says:

        Já tu, meu troglodita, achas mesmo que foi o governo que lhes coarctou o tratamento, e não a sua própria auto inibição com receio da pandemia?
        Os hospitais fecharam-lhes as portas e deixaram-nos morrer, foi?
        Já tu, meu troglodita, achas que só em Portugal, com o confinamento obrigatório, até Maio, houve restrições?
        Nos outros países, mesmo os mais desenvolvidos, não se passou nada disso?
        Já tu, meu troglodita, achas o Polígrafo um instrumento genuíno e verdadeiro, para dissecar dúvidas?
        Como se não soubéssemos todos ao que vêem?
        Como o número de mortes por Covid 19 é baixo, não satisfaz os seus desígnios políticos dos seus patrões, viraram-se para as consultas programadas. Se não fossem estas, inventariam outra questão qualquer.
        Já tu, meu troglodita, desconheces, que no Inverno de 2014//2015, morreram em Portugal mais de cinco mil pessoas de gripe. Era na altura PM, o Dr. Passos Coelho.
        Já tu, meu troglodita, achas que as pessoas morreram nessa altura de gripe, e não como aconteceu de facto, morrerem com insuficiências respiratórias agudas e pneumonias, a causa de morte mais comum no caso do Covid 19?
        Já tu, meu troglodita, estás a imaginar vitrines junto às portas das igrejas, das juntas de freguesias, cafés e mercearias, das nossas vilas e aldeias, cheias de editais a anunciar mortos?
        Já tu meu troglodita, achas os números de mortos por Covid 19, da Suécia, Bélgica, Holanda, Irlanda, Suíça, França, Espanha, Itália, normais para a época, isto para não ir a outros continentes, mas os nossos um drama terrível?
        Volta para as cavernas. Lá é que deves estar bem.

        • Elvimonte says:

          Aqui neste blogue os trolls de serviço, como noutro sítio qualquer, à falta de argumentos optam pelo insulto.

          Por isso, quando aqui comento envergo sempre a T-shirt vermelha de forma a poder sempre dizer:

          “Eh troll lindo! Eh troll…”

          • abaixoapadralhada says:

            Alentejano um dia, alentejano toda a vida !
            Muito soft este alentejano !

      • POIS! says:

        Pois muito bem!

        Que prosa admirável, só comparável à sublime variz poética de V. Exa!

        Força! Há que meter na ordem esses esquerdeiros Ruis qualquercoisa! Faz V. Exa. muito bem em impôr a nobreza da vetusta família dos Elvimontes de Esterco (apelido que, quiçá por louvável modéstia, V. Exa. se dispensa, muito injustamente, de usar).

        Muitas questões pertinentes levanta o douto comentário de V. Exa., mas muitas outras ficam por deslindar. Por exemplo, se um pescador das Caxinas cair ao mar e for devorado por um cardume de sardinhas e restar apenas a pele dos testículos infetada de covides, o que deverá constar da certidão de óbito? Não deverão as sardinhas ser testadas antes de entrarem na lota? E se forem parar á indústria conserveira? Poderemos vir a ter COVID enlatado?

        São questões como esta que deveriam estar a ser tratadas pelos nossos políticos e não discussões sobre se choveu em cima do Trump e qual a cor da chuva. Tudo para desviar atenções das questões ultrapertinentes que, felizmente, não escapam à arguta perspicácia de um Elvimonte de Esterco.

        Força!

        • Elvimonte says:

          Aqui neste blogue os trolls de serviço, como noutro sítio qualquer, à falta de argumentos optam pelo insulto.

          Por isso, quando aqui comento envergo sempre a T-shirt vermelha de forma a poder sempre dizer:

          “Eh troll lindo! Eh troll…”

          • Democrata_Cristão says:

            No teu caso chaparro, não é vermelha, mas encarnada !

          • POIS! says:

            Pois tá bem!

            Com um bocado de sorte até pode vir a ter uma carreira de sucesso. Por exemplo, no naipe de sopranos do Coro da Gulbenkian.

  4. abaixoapadralhada says:

    “A sensação perfeitamente perceptível é que a condição da nacionalidade é quase uma nódoa no estatuto sublime do lisboeta. O resto do País aparenta ser quase um estorvo que só causa problemas e que impede a “legítima” inclusão da capital no restrito grupo das cidades com “griffe” e “glamour””

    Que traumas têm os bimbos sobre Lisboa !
    Estou à vontade porque não sou nem gosto de Lisboa, mas começa a ser maçador, esta conversa dos parolos tripeiros sobre Lisboa

  5. Daniel says:

    Só disparates e generalizações, típicas de quem só está bem a criar conflitos e a arranjar problemas!…
    Sou minhoto e gosto do Porto e de Lisboa (e de todo o país) e não consigo perceber a necessidade de estar sempre a “bater” em Lisboa, como se no Porto (etc) não houvesse nada para criticar!…
    Alguém que generaliza toda a população de Lisboa de uma forma tão básica, provavelmente pouco ou nada conhece de Lisboa!…
    Também já era altura de perceberes a diferença entre Lisboa e Área Metropolitana de Lisboa.

  6. Luís Lavoura says:

    Portugal nunca conseguiu controlar a epidemia. O seu foco apenas se transferiu de uma região para outra.

    Dantes havia mais epidemia no Norte, pouca nas restantes regiões. Atualmente há mais epidemia em Lisboa, pouca nas restantes regiões.

    Ou seja, o Norte não é melhor nem pior que Lisboa. Apenas apanhou com a epidemia mais cedo.

    É como nos EUA, em que a epidemia começou em Nova Iorque, agora está na Florida e no Texas. A epidemia nunca foi controlada, apenas foi mudando de foco.

    • Paulo Marques says:

      Um R consistentemente à volta de 1 é uma pandemia controlada. Por pouco, mas controlada.
      O quanto cada escolha de desconfinamento é um benefício ou não é que já é discutível, desde que sem grandes certezas. Mas nada indica que não seja só em Portugal que não haja milagres.

  7. Filipe Bastos says:

    O Sr. Osório faz aos lisboetas o mesmo de que os acusa: mete-os todos no mesmo saco, como se viver em Lisboa ou ter lá nascido os tornasse todos cúmplices (ou beneficiários) da escumalha política que chula e desgoverna o país.

    Uma novidade para si, Sr. Osório: para muitos lisboetas Lisboa é parola; o Porto é apenas ainda mais parolo. E grita e chora e arma-se ao pingarelho mais que todo o resto do país junto.

    Devido ao eterno trauma da 2ª cidade, ou de julgarem sê-la, os tripeiros esquecem-se disto.

    Se Lisboa é petulante, parola, brega, o que for, então o Porto, cidadezeca de 200 e tal mil, torre desajeitada entre meia dúzia de pardieiros e ruas escuras, campeão da bola, da fruta e das putas, portento cultural que nos deu Fernando Rocha, fenómeno haute cuisine que deu ao mundo entranhas com feijão e uma sandes de linguiça, será o quê?

    Digo-lhe isto: se assim o Porto se calasse, por mim podia ser a capital. Do país, do continente, da galáxia.

    • Tás ca mosca? says:

      Contrariamente ao Fernando Rocha, que é do Porto, vocês deram-nos o José Castelo Branco, a Teresa Guilherme, a Manuela Moura Guedes, o Mustafá do Sporting, o André Ventura, e mais uma catrefada de mongolóides, de ambos os sexos, os quais escuso-me citar, para não ocupar todo espaço da caixa de comentários com as vossas estrelas mediática.
      Em todos os lugares há “aves raras”, incluindo no Aventar.

  8. Luís Lavoura says:

    uma região, uma só, revelou um descontrolo muito próprio

    Eu se fosse mauzinho diria que essa região foi a do Porto, que foi por onde a epidemia entrou em Portugal. Estava Portugal posto em sossego quando uns nortenhos decidiram ir fazer uns negócios a Itália e voltaram de lá infetados. Por causa deles o país inteiro, incluindo regiões que nenhuma culpa disso tinham, nomeadamente o Alentejo, o Algarve e as ilhas, tiveram que gramar com um fechamento que lhes arruinou a economia. Todo o país sofreu duramente por causa de uns nortenhos que, sem cuidado nenhum, foram passear aonde não deviam.

    Se os tipos do Porto tivessem ficado quietos, a esta hora estariam a vender mais sapatos. Quem tudo quer, tudo perde. E o pior é que lixaram, não somente a sua economia, mas também a do Algarve e da Madeira.

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