Não foi só a ministra…

Na semana passada, a ministra da cultura respondeu que ia tomar um drink quando lhe perguntaram sobre… cultura. Nesta atitude, vemos refletida a postura de todo o governo: Não trata do que tem a tratar com os portugueses e preocupa-se em demasia ao agradar os outros. Neste caso, foi utilizado um anglicismo.

Mas não pensem que isto foi o mais grave. Se este governo não fosse tão incompetente, diria que foi um momento infeliz. Mas não, é apenas mais uma para juntar às outras.

Ainda hoje, em mais um dia de incêndios, o Presidente da República esteve na praia, tirando até fotos com grupos de jovens. Como é óbvio, não houve distanciamento possível entre os jovens. Não os condeno. Apenas me envergonha ter um país que aceita ter um Presidente que se sujeita a estas figuras. Os portugueses revoltam-se mais com um Presidente do outro lado do Atlântico que chama a uma doença resfriadinho do que com o próprio Presidente que diz que se contenta com o reduzido número de vítimas de um acidente de comboio. Isto apenas prova que pouco importa ser ou não ser, importa apenas parecer. E desde que haja uma palavra amiga e umas palmadinhas nas costas, está tudo bem. O povo português gosta desta chantagem psicológica. Aliás, é o maior cúmplice.

A ministra foi tomar um drink. O Presidente foi à praia. E a democracia? A democracia deve estar de férias em Cancun, visto que nunca mais volta. E a ética deve estar pelas Maldivas. Além de termos um Estado cada vez mais autoritário, temos um Estado sem rumo.
Se a ética e a democracia não andassem na boa vida a beber caipirinhas, não tínhamos de ver uma injeção de 15 milhões na Comunicação Social que se tornou na propaganda socialista. Também não tínhamos um partido que deveria fazer oposição a juntar-se ao governo para acabar com… momentos de se escrutinar o trabalho do governo. Não víamos pessoas a ser proibidas de estar com x número de pessoas, de ir a certos eventos e depois ter de aguentar ver um partido que poderá fazer a sua festa com umas modestas 100 000 indivíduos. Não tínhamos obrigado os portugueses a sustentar empresas falidas. Não tínhamos uma ministra da saúde mais preocupada em mostrar que não há fragilidades no SNS do que com a vida de uma criança, ao dizer que um médico não agiu como médico do SNS. Não tínhamos um governo que nomeia para a procuradoria europeia a segunda classificada de um concurso internacional em vez da primeira. Não tínhamos um governo que pretende censurar o que se escreve nas redes sociais. Ventura falou em acabar com “bandalheira” e todos se revoltaram, e bem. Este governo fala em “monitorizar discurso de ódio” e já é excelente. Basta uma troca de palavras para o povo ficar manso.

Bem, deixem lá. O que importa isto? Temos a Champions em Lisboa e começou já hoje. Quando a democracia e a ética voltarem, avisem. As férias devem estar muito boas.ministra-da-Cultura-1-9999x9999-lt

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    De facto esta Ministra da Cultura não passa de uma incompetente. Aliás, a generalidade dos Ministros e Secretários da Estado da Cultura, neste país, foram sempre personalidades irrelevantes, mesmo que no plano pessoal possam ter tido alguma relevância. Sem dinheiro, apenas com o inconformismo, não há nada a fazer, a não ser mesmo beber uns copos.
    Há coisas que são perceptíveis até para a um cego, surdo e mudo. Para este governo e o da direita que lhe antecedeu, a cultura não é um produto de primeira necessidade. Logo, gastar dinheiro com gente que usa a cabeça para pensar e por norma, está sempre no contra, para eles, governantes, é “dinheiro mal empregue”.
    Quando ao PR, o Ti Célito, acho piada a direita queixar-se dele, depois de o lá terem colocado. Vai daí, o homem vai de novo ser reeleito sem o meu voto, como aconteceu da última vez, e a direita virá de novo choramingar baba e ranho contra o actual Presidente, como se tivesse sido eleito por uma qualquer Geringonça presidencial. Haja decoro, por favor!
    No que respeita à CS e ao dinheiro em publicidade institucional paga de forma antecipada por este governo, só lhes posso chamar otários. Ao governo, claro. Comigo os jornais, rádios e televisões não levavam nada, mesmo que dessa forma. Querem sobreviver? Desenmerdem-se! Peçam aos patrões. Mas alguma vez a CS em Portugal foi auto sustentável, no plano económico financeiro? Nunca. Toda ela dá milhões de prejuízos. Cheia de dívidas à banca. Não foi a pandemia que lhes trouxe os prejuízos. Quando muito agravou-os.

  2. xico says:

    Não há nada no currículo da ministra que a habilite para aquele cargo, e o seu exercício está pejado de momentos infelizes. Se ao menos soubesse geografia… é que a sul do Sado só o Algarve, e Évora fica a Norte da foz daquele rio.

  3. Paulo Marques says:

    Não tínhamos? Então tínhamos que governo, a fazer o quê?


  4. Tanta incompreensão!
    Pois se não havia um paneleiro assumido no governo, poderia evitar-se ter um simbolo gay na governação do país?!

  5. Larota says:

    Ao menos o outro dizia logo : –Não há dinheiro ainda não percebeu ?
    Não se aguentou até ao fim.

    • POIS! says:

      Pois sim!

      Não há dinheiro, não se aguentou e interrompeu-se a função. Estas histórias do mundo da prostituição são sempre muito tristes!

    • Paulo Marques says:

      Hoje em dia temos que esperar que o império primeiro crie o programa de financiamento e depois que o financie para saber se há dinheiro. Senão ainda se faz a figurinha de Itália esta semana, que pediu ajuda que nem tem capital, nem se sabe como e quando terá. Em piores condições do que os mecanismos que já existem, mas a eurofilia é isto.

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