Oito apartamentos e um sótão (5)

Terceiro direito

João e Maria já tinham tudo combinado para se divorciarem, quando o vírus os obrigou a adiar os planos, fechando-os dentro da mesma casa durante mais uns tempos. A família de Maria viu nisso um sinal de que Deus queria a reconciliação. A mãe de João, viúva recente, também louvara a quarentena, porque tinha uma verdadeira paixão pela nora, ao ponto de culpar o filho pelo divórcio – talvez tudo isto o fizesse pensar, talvez se perdoassem um ao outro, porque há muito quem pense que um divórcio resulta necessariamente de uma culpa.

Depois de um namoro apaixonado, o casamento fora um passo tão claro como um degrau. Subiram juntos. Ora, o casamento, como se sabe, é mortal, porque mata ou porque morre ou porque todos temos de morrer. Explicar o fim de um casamento pode ser tão simples como comentar um jogo de futebol depois de ter terminado. Nem sempre é assim, no entanto.

No caso de João e Maria, houve como que um desgaste de material, um bocado de estuque que caiu, um ligeiro problema de humidade no canto mais fundo do corredor, pequenos desencantos que vão alastrando até atingir os alicerces. Os especialistas e os autores de frases ou de livros de auto-ajuda diriam que tinha de ser assim, porque não estavam feitos um para o outro ou porque não souberam trabalhar a relação, criar o diálogo, manter a chama viva. Todas essas frases foram ditas por alguns amigos e, por momentos, chegaram a ser sentidas por ambos.

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O problema é a CIA

Protestar pela Bielorrússia ou pela Venezuela (eleições aldrabadas), pela Coreia do Norte (eleições? o que é isso?) ou por Hong-Kong (violação de acordos) é ingerência. Protestar contra o Trump e o Bolsonaro é, obviamente, solidariedade com os explorados povos dos EUA e do Brasil.