Uma semana ovo-lacto-vegetariano (desculpem-me o meu checo)

Estive uma semana em Praga, numa formação, pois estou a fazer voluntariado numa terra checa chamada Karviná, e toda a alimentação foi vegetariana ou, para ser mais preciso, ovo-lacto-vegetariana. Isto num restaurante à frente de outro chamado Meat Vandals. É brincar com o menino!

Gostava de conseguir não consumir produtos de origem animal, mas obviamente nunca o irei fazer. No entanto, os ditos ativistas deveriam alterar a sua forma de passar a mensagem. De que vale haver um vegan, se há outros 10 a comer carne todos os dias? Seria mais importante todos reduzirmos na carne de forma moderada. E são dados como os da imagem que nos deveriam fazer repensar conscientemente.
Eu não vou deixar de comer carne, ovos, nem nada disso. Se calhar, estou errado, mas continuarei a estar. Porque sou boa pessoa, mas não o suficiente para deixar as minhas francesinhas e os cachorros de madrugada.

Comments

  1. dragartomaspouco says:

    “deixar as minhas francesinhas ”

    Comida de bimbo !

  2. Rui Naldinho says:

    Quanto às francesinhas, estou de acordo. Então se forem do “Santiago”, do “Lado B” ou do “Barcarola”, é comer e chorar por mais. Até mesmo umas bifanas da “Conga”.
    Já no que toca a cachorros, mesmo os que se comem numa salsicharia ali para os lados da Praça dos Poveiros, ou na Av. 5 de Outubro, lembro-me sempre de Bismarck:

    ” Os cidadãos não poderiam dormir tranqüilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis.“ — Otto Von Bismarck

    • Rui Naldinho says:

      Tudo isto na Invicta, claro.

      • Francisco Figueiredo says:

        Se gostar da francesinha picante, aconselho a francesinha do Café Nelma, no cruzamento da Rua do Bonjardim com a Rua do Paraíso. É excelente.
        Os cachorrinhos da Av. 5 de Outubro são excelentes também, mas neste momento, estava com a minha mente naqueles cachorrões de roulotte. Parece que não há nada disto aqui pela República Checa. 😀
        Abraço!

        • Rui Naldinho says:

          Boa estadia e bom regresso.
          Abraço

        • Rui Naldinho says:

          Já agora. Lembro-me bem do Café Nelma. Comi lá algumas vezes. Por ali também havia um restaurante pequenino, estava quase sempre com a porta fechada, tinha de se reservar, onde se comia muito bem. Tudo receitas portuguesas. Da alheira com grelos às pataniscas de bacalhau com arroz malandro de tomate.
          Fica mais acima do café Nelma.

          • Francisco Figueiredo says:

            Terei de investigar isso. É perto de minha casa
            No entanto, a minha estadia na República Checa, em Karviná, será até junho. Obrigado!
            Abraço!

  3. xico says:

    As populações não morrem à fome por míngua de alimentos cultivados ou criados. Morrem à fome por causa da guerra e do desequilíbrio na distribuição. O que a Terra produz atualmente chegava para matar a fome da sua população se a distribuição chegasse a todos. E carne tem mais proteína que batatas. O problema está no desperdício e na criação de carne intensiva. A criação de animais e a agricultura sempre foram complementares e deviam continuar a sê-lo. Sem o fomento da criação de gado de forma extensiva, a gestão florestal será um problema pior do que o actual. Uma coisa é criticar a forma como se produz carne, outro é dizer que é moralmente errado comer carne. Quanto ao Bismarck, a forma como se fazem as Leis tiram-me o sono, já a forma como fazem as salsichas é para o lado que durmo melhor!

  4. Paulo Marques says:

    Há activistas para todos os gostos, mas que a produção industrial de carne assusta, assusta, a quantidade de químicos, condições higiénicas e desperdício energético são preocupantes. Mas sabem bem e dão pouco trabalho a preparar…

  5. Filipe Bastos says:

    Também como carne com muito gosto, mas reconheço que, das formas como hoje a produzimos e nas quantidades em que hoje a consumimos, é moralmente indefensável e ecologicamente insustentável. Sê-lo-á cada vez mais.

    É como o carro: nada como o conforto, paz e conveniência de ter carro próprio, mas nos moldes actuais torna-se inviável para as cidades e para o planeta. Só com uma grande mudança, mas há mamões que não abdicam da mama.

    Talvez num futuro relativamente próximo este modo de vida, estes pequenos e nocivos luxos, tudo isto pareça estranho e primitivo. Se até lá não rebentarmos com o que resta.

  6. Luís Lavoura says:

    De que vale haver um vegan, se há outros 10 a comer carne todos os dias? Seria mais importante todos reduzirmos na carne de forma moderada.

    Muito bem dito, muito correto.

  7. Luís Lavoura says:

    Só fui uma vez à Chéquia, e foi há muitos, muitos anos. Mas recordo que foi dos sítios onde melhor comi na minha vida. Não refeições completas de faca e garfo, mas sim sanduíches e quejandos. Têm excelentes enchidos, queijos, cerveja e pão, muito melhores que na Alemanha.

    • Rui Naldinho says:

      Falou bem (escreveu com conhecimento de causa). E quem fala assim não é gago! 😃

    • xico says:

      Fui duas vezes à República Checa, também há muitos anos, e sempre comi muito bem. Foram sempre refeições completas de faca e garfo., Sempre em sítios diferentes e em cidades diferentes. A cerveja sempre do melhor. Talvez a única coisa vegan que comi, neste caso bebi.

  8. POIS! says:

    Pois cheira-me…

    A que ainda estamos no primeiro capítulo do grande embate do século:

    Kafka vs. Von Figueiredeck! A não perder!

  9. Rui Naldinho says:

    O Von Figueiredeck em matéria de culinária está ao nível de um José Quitério, o ex crítico de gastronomia do Expresso. Presumo eu, pelo gosto, a desvendar. Típico tripeiro de gema, passe o bairrismo. Essa é a minha alma de Portista, ainda que não o seja na aficion clubista.
    Como dizia e escrevia André Jordan, golfista e empreendedor luso brasileiro na área do turismo:
    “Portugal não tem o espectacular repertório museuológico, nem a monumentalidade de França e Espanha. Mas tem uma gastronomia regional e uma predisposição para bem servir o turista, muitos pontos acima dos outros concorrentes.
    Somos como as boas sogras. Cativamos os genros ou as noras, pela barriga. Pode não ser a melhor escola. Mas dá para desenrascar. Afinal aquilo para o qual estamos infelizmente fadados. A sobrevivência.
    Mal por mal, é melhor isso, apesar de tudo, do que vivermos confinados num campo de refugiados, como o de Lesbos.

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