Dono da noite

O Carlos diz-nos que há uma palavra em inglês parecida com beer para féretro. Está a delirar, pensamos nós. Larga isso. Deixa-te dessas coisas, não tens idade para essas aventuras. O Zé começa a procurar no telemóvel. E encontra: bier. Ou seja, cerveja em alemão, mas com o inconveniente da inicial minúscula. Afinal, por incrível que pareça, o Carlos tem razão. Frequentemente. Ainda bem. Gosto dele. Muito. Cheguei a casa e, perante o meu desafio, a Sofia lembrou-se logo do féretro. YES! A minha sorte é estar rodeado de gente inteligente. Por falar em inteligência, há muitos anos, avisei que “uma noite não é nada” era, com o soldado desconfiado dos GNR, a melhor canção portuguesa de sempre. “De quem é isso?”, perguntavam-me. Não me lembro. Era puto e filho único. Mas reproduzia a melodia na guitarra e cantava, armado em Né Ladeiras, Adelaide Ferreira ou Concha, expondo o meu excelente falsete. Sou amigo, aliás, muito amigo, do excelente pianista do sonho azul. De nada me serviu . A culpa é minha. Podia ter perguntado. Horas e horas de amizade e cumplicidade e não chegámos lá.  Hoje, ao falar com o Tripa sobre qualquer coisa relacionada com futebol (acho que os 1-5 ao Famalicão lhe fizeram azia), pimba, apareceu-me nos Marshall. Que maravilha.

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Portugueses, agradeçam ao PAOK!

Esta semana foi bastante animada. Uma semana em que eu acabo a dizer “que é impossível este Governo bater mais no fundo”. O impressionante, e que é de dar mérito, é que nos conseguem sempre surpreender.

Foi notícia por todo o país a presença de António Costa na comissão de honra na candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica. Gostei de ver que apenas uma situação foi capaz de expor o lixo que temos na nossa política. Por incrível que pareça, eu não acho que um político não se possa envolver no futebol. Não me parece correto limitar essa liberdade. É lançar suspeitas para uma certa área, neste caso, o futebol. António Costa não integrou a comissão de honra de um simples candidato, integrou a lista de um dos maiores devedores à banca que há em Portugal. O Primeiro-Ministro que os portugueses escolheram gozou com a cara destes mesmos, ao apoiar alguém com responsabilidade em enormes dificuldades que muitas famílias passaram e passam. Mas este raciocínio parece muito complexo, quando tens um lugar para defender. Da esquerda à direita, tivemos pessoas a defender o PM e alguns em silêncio. Sim, porque defender o povo português contra a corrupção é bonito, menos quando me pode afetar para sempre. André Ventura é exemplo disso.

O mais bonito no meio disto tudo, foi ter sido Luís Filipe Vieira a retirar o Primeiro-Ministro da comissão de honra.

Tudo isto é bastante confuso, mas há certezas que ficam. Há uma enorme promiscuidade entre o PS e o Benfica de Vieira, com o consentimento daqueles que não querem enfrentar instituições tão poderosas. A esquerda não quer perder o poleiro e por isso assiste tranquilamente a estes tiques anti-democráticos. O principal partido de direita, o PSD, é um tentáculo do PS e não é capaz de fazer oposição séria. Esta falta de representação dos interesses do cidadão leva a revoltas que se refletem no crescimento de um partido sem ideias, o Chega.

Os portugueses continuam a achar isto normal e correm o risco de um dia acordar a pensar no tempo em que era possível mudar isto. Enquanto um ministro dizer de forma inocente que tem uma aversão ao azul revoltar mais do que este despotismo da classe política, estamos mal. São estas coisas que me fazem quase querer desistir de Portugal. A diferença está no quase.

Por isso, obrigado PAOK por teres derrotado o clube que tanto mal faz ao meu país. Em 2023, é a nossa vez. (Não escondo que me ri baixinho, devido à confiança que tenho no atual país)

«experiência, capacidade, carisma e sentido de Estado não lhe faltam»

Contudo, falta-lhe o mais importante. Falta-lhe saber que “agora facto” NÃO “é igual a fato (de roupa)”.