Durão Barroso, vacinas e marxismo cultural

É o exemplo acabado de um político de carreira. Quando batia, na década de 70, doutrinou-se em marxismo cultural e foi dirigente do MRPP, extrema-esquerda a sério, maoista. Na década de 80, tornou-se social-democrata, no sentido PPE da coisa, e rapidamente chegou ao governo de Cavaco Silva. No início dos 90 já era ministro dos Negócios Estrangeiros, o ministério perfeito para fazer amigos e entregar currículos, e por ali ficou, sereno, até ao final do cavaquismo.

Uns anos de oposição depois, chegou a primeiro-ministro, mas por curto período de tempo. A sua guerra era outra, e foi como mordomo da fabricação de uma que se lançou numa imparável carreira internacional. Começou na Comissão Europeia, de fraca memória, que liderou durante o desastre que foi a resposta da União à crise das dívidas soberanas, essa que se revelou um enorme sucesso de vendas para a entidade empregadora que se seguiu na vida de Durão Barroso: o Goldman Sachs.

Não me vou alongar sobre o Goldman Sachs. Quem não sabe que pergunte ao Google, senão nunca mais saímos daqui. Está lá tudo, fácil e sem necessidade alguma de fakes. E Barroso é chairman do Goldman Sachs International. Função que passará a acumular com a de presidente da Aliança Global Para as Vacinas, para a qual foi nomeado, por unanimidade, pelo conselho de administração. O que é bastante oportuno, na medida em que as vacinas, e respectivas farmacêuticas, vão estar em forte alta nos mercados internacionais. E se há quem perceba de mercados internacionais, é o Goldman Sachs.

Vejam bem o que o marxismo cultural faz às pessoas. Num dia estás a colar cartazes e a ler o livro vermelho do Mao, e, quando dás por ti, pagam-te milhares por palestras, tens passe vitalício para o Bilderberg e estás em simultâneo no Goldman e na ONG dos Gates, em plena pandemia. How revolutionary is that?

Comments

  1. Filipe Bastos says:

    Ah, o Mordomo Burroso. O poster boy da venalidade da pulhítica.

    Há anos adaptei o poema que lhe deu o feliz epíteto; na altura o pior cenário parecia ser ele vir de Bruxelas para Belém:

    LÁ VAI O CHERNE!

    Sigamos o cherne, meus caros!
    Apanhemos o avião para Bruxelas
    Digamos não! a um país de ignaros
    Digamos sim! às europeias gamelas.

    Que saudades do cherne desconhecido
    Calado e anónimo aspirante ao poder
    Tomávamos o seu silêncio por medido
    Afinal só não tinha nada para dizer…

    Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
    Ilustre reformado de uma Comissão lerda
    Com as mãos ainda calosas da ordenha,
    Putativo candidato a Presidente desta m…

    Depois apareceu a Goldman Sachs, e percebemos que Belém seria magra gamela para tão anafado cerdo.

    Tal como o Guterres, o Constâncio e outros, o Burroso provém do país adequado. Portugal é o viveiro ideal para os grandes tachistas internacionais: pequenino, anódino e corrupto, mas pertence aos clubes certos – UE, OCDE, NATO, etc.

    O mais divertido? Os tugas que têm ‘orgulho’ nos êxitos destes mega-chulos. É como a carneirada ‘orgulhosa’ da mama do Ronaldo ou do Mourinho. Até em otários damos cartas.


  2. Oportunismo a sério é assim mesmo. O que é preciso e cavalgar a onda que estiver a dar. O resto que se lixe.

  3. Fernando says:

    A Comissão Europeia não geriu mal a crise que falsamente chamaram e chamam de “dívidas soberanas”.

    A Comissão Europeia geriu a crise exactamente como os europeístas queriam, ou seja, criou uma crise desnecessária para que a ideologia neoliberal-austeritária fosse aprofundada na Europa, coisa que já estava a acontecer pelo menos desde o Tratado de Maastricht.

    João Mendes ao chamar crise das “dívidas soberanas” está a difundir propaganda enganosa, para alguém que aparenta estar insatisfeito e é crítico dos poderes que nos desgovernam não devia…

  4. esteves ayres says:

    Agora conte a história da aquela senhor que foi do CC do PCP e que foi par o PSD.. Lembra-se ou quer que eu faça um desenho.. E já agora, para os que gostam de saber a verdade o Barroso foi expulso do MRPP( não era do CC era militante da FEML), e a outra senhora a tal Zita Seabra que saiu do PCP porque queria “viver a vida” !

    • Rui Mateus says:

      Certeiro Aires. As meias verdades são msis prejudiciais que algumas mentiras.

      • esteves ayres says:

        Esta gente nunca fala no partido deles – passam os anos todos a dizer mentiras sobre o PCTP/MRPP – a comunicação social na sua maioria faz o mesmo, e depois dizem que o fascismo esta à porta- sendo eles os principais responsáveis – dos Venturas…

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