Assédio moral será abjecto ou desagradável?

Tribunal Constitucional confirma assédio moral a empregada de corticeira

 

Aguarda-se, a qualquer momento, que João Miguel Tavares (JMT) escolha o adjectivo apropriado. Será que o assédio moral a que foi sujeita Cristina Tavares poderá ser qualificado como “abjecto”? Será vil ou aborrecido? Talvez amargo, talvez desprezível. Há a possibilidade de ser asqueroso, mas JMT poderá escolher enfadonho. O patrão de Cristina Tavares, autor do assédio moral, merecerá ser considerado antipático ou infame? No máximo, será displicente, nunca ríspido.

Repelente, nojento ou horrendo? Que exagero! Isso serve apenas para a quantidade pornográfica de horas que os funcionários públicos trabalham. E pornográfico vem, aliás, a propósito: porque são os funcionários públicos que, de horário imoral em riste, andam a fornicar os trabalhadores do sector privado, jamais os autores de assédio moral.

Os patrões que cometem assédio moral, coitados, são como os violadores que, no fundo, são vítimas da própria violação: explorar empregados é uma coisa que lhes acontece – iam a passar por ali e, de repente, estavam a explorar pessoas. Os empregados, aliás, estavam mesmo a pedi-las, porque não há nada que peça mais um assédio moral do que a condição proletária. «Iam agora ser proletários e não íamos explorá-los? Até parecia mal!», declarou, à nossa reportagem, um patrão mais afável, como diria JMT.

Felizmente, segundo JMT, temos o Chega, de onde nos chegam propostas jocosas, porque os seus militantes são pessoas chistosas, trocistas, divertidas, sempre prontas a brincar com ovários e testículos, mas seriamente preocupadas com coisas importantes, úteis, necessárias, essenciais, como retirar dinheiro aos mais pobres, porque só há uma coisa mais abjecta do que um indigente, um miserável, um pedinte, um necessitado: essa coisa é o número de horas semanais de trabalho de um funcionário público.

Comments


  1. Veja, ouça e subscreva este Canal do Youtube: https://youtube.com/c/SerLivre

  2. Rui Naldinho says:

    João Miguel Tavares, Camilo Lourenço, José Gomes Ferreira, Alberto Gonçalves, Rui Ramos, José Manuel Fernandes, Rodrigo Moita de Deus, entre outros que agora não me ocorrem, fazem parte do movimento “tea party” laranja. O próprio Pedro Passos Coelho estará mais próximo do centro do que eles. Ora, imaginar que o Passismo está ainda assim à esquerda desta gente, já me deixa receoso.
    Não, eles não são o Miguel Poiares Maduro, o Pedro Norton, o Pedro Marques Lopes, o João Taborda da Gama, o Pedro Mexia, todos de direita, mas que recusam misturar-se com gente como André Ventura.
    Com a crise social e económica que se avizinha, estes ideólogos da direita estão todos a afinar o discurso para ajudarem o PSD a derrubar o PS, por indecência e má figura. Isolar os partidos da Geringonça, comparado-os com o Chega, só pode ser mesmo para alguns néscios acreditarem. Trump também chamou socialista a Biden.
    O PS que se ponha a toques que vem aí a artilharia pesada laranja.

  3. Albino Manuel says:

    Para quem como eu sofreu assédio moral durante vário anos por conta de ums fufa, significa depressão e não pequena, distúrbios alimentares, pesadelos e uma enorme desconfiança de tudo e de todos. Para os que tiveram a infelicidade de passar pelo assédio moral, há um antes e um depois. Nunca mais tornarão a ser os mesmos. Há uma dor que fica connosco dia e noite.

    Escusam de me vir falar de igualdade de género e lgbtmerda.

    • Paulo Marques says:

      A sexualidade é um bocado irrelevante para o caso… Mas sim, quem pode explora o precariado.

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