Assédio moral será abjecto ou desagradável?

Tribunal Constitucional confirma assédio moral a empregada de corticeira

 

Aguarda-se, a qualquer momento, que João Miguel Tavares (JMT) escolha o adjectivo apropriado. Será que o assédio moral a que foi sujeita Cristina Tavares poderá ser qualificado como “abjecto”? Será vil ou aborrecido? Talvez amargo, talvez desprezível. Há a possibilidade de ser asqueroso, mas JMT poderá escolher enfadonho. O patrão de Cristina Tavares, autor do assédio moral, merecerá ser considerado antipático ou infame? No máximo, será displicente, nunca ríspido.

Repelente, nojento ou horrendo? Que exagero! Isso serve apenas para a quantidade pornográfica de horas que os funcionários públicos trabalham. E pornográfico vem, aliás, a propósito: porque são os funcionários públicos que, de horário imoral em riste, andam a fornicar os trabalhadores do sector privado, jamais os autores de assédio moral.

Os patrões que cometem assédio moral, coitados, são como os violadores que, no fundo, são vítimas da própria violação: explorar empregados é uma coisa que lhes acontece – iam a passar por ali e, de repente, estavam a explorar pessoas. Os empregados, aliás, estavam mesmo a pedi-las, porque não há nada que peça mais um assédio moral do que a condição proletária. «Iam agora ser proletários e não íamos explorá-los? Até parecia mal!», declarou, à nossa reportagem, um patrão mais afável, como diria JMT.

Felizmente, segundo JMT, temos o Chega, de onde nos chegam propostas jocosas, porque os seus militantes são pessoas chistosas, trocistas, divertidas, sempre prontas a brincar com ovários e testículos, mas seriamente preocupadas com coisas importantes, úteis, necessárias, essenciais, como retirar dinheiro aos mais pobres, porque só há uma coisa mais abjecta do que um indigente, um miserável, um pedinte, um necessitado: essa coisa é o número de horas semanais de trabalho de um funcionário público.

Chama-se Democracia e Estado de Direito

Assédio moral: corticeira condenada a pagar 31 mil euros a trabalhadora. Os mercados devem ter ficado irritadíssimos.

Mobbing: a forma moderna de Tortura

Nuno Gomes Oliveira*

Longe vai o tempo da escravatura, do feudalismo ou da inquisição, quando a tortura era genericamente aceite como método de obter confissões ou punir delitos ou simples suspeitas.
É certo que a Inquisição persistiu até 1904 e que de 1540 a 1794 os tribunais portugueses mandaram queimar vivas 1.175 pessoas e impuseram castigos a 29.590.
Em Portugal o último condenado à morte pela Inquisição foi o padre jesuíta italiano Gabriel Malagrida, Missionário no Brasil e pregador em Lisboa, que foi queimado no Rossio de Lisboa no dia 21 de Setembro de 1761 (80 anos antes da abolição definitiva, em 31/03/1821, há menos de 200 anos.)
A Revolução Francesa (1789-1799) trouxe significativos avanços no tratamento da questão, impondo às autoridades o respeito pela integridade física dos detidos e proibindo a tortura.

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Assédio Moral

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Ilídio dos Santos

A propósito da abordagem na Assembleia da República do tema “assédio moral no trabalho”, não posso deixar de levar o assunto à conta das liberdades da democracia.
A este propósito e porque raramente nos apercebemos da míngua da nossa liberdade, consubstanciada numa arquitectura democrática que nos sucumbe às teias do poder, quer ele seja público ou privado, entendo urgente desmascarar e corrigir os abusos perpetrados por segregadores entendimentos das relações em contexto laboral.

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A Ordem dos Farmacêuticos

é cúmplice. E isso é pena.

E que tal a Farmácia Barreiros ficar sem clientes?

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Ontem foi notícia o caso da Farmácia Barreiros, no Porto, como exemplo de assédio sobre uma trabalhadora que decidiu engravidar.

Se pior era possível, veja-se que a Farmácia sai com um comunicado (ligação para Facebook) onde afirma;

A mentira e a calúnia são de tal ordem que nem sequer existiu qualquer julgamento. Ninguém foi condenado. Existiu apenas e só um acordo, sem julgamento.

Pior que um idiota, só um idiota que nos chama idiotas. Claro que não houve condenação, houve um acordo, pelo qual de livre vontade, generosamente, num gesto magnânimo, o patrão, António Pereira Névoa, decidiu doar 56 000 euros a uma trabalhadora, retirar-lhe processos disciplinares  e pedir-lhe públicas desculpas. Só porque sim. Apeteceu-lhe.

O perfeito e moderno patrão do  séc. XXI, percebe-se ali pelos comentários, tem colaboradores que não trabalham, o trabalhador não existe no admirável mundo novo, limitam-se a garantir que é tudo mentira como bons colaboracionistas que são. É muito  boa pessoa, ajuda os pobrezinhos e deixa entrar cães na farmácia.

É sabido que as farmácias estão em crise, muitas têm encerrado. Nestas alturas parece-me que o mercado deve funcionar: perdendo esta clientes, evita-se o encerramento de outra. Tendo alguém que ir para o desemprego que vá quem colabora, não trabalha, e se calou perante as as humilhações de que foi vítima uma trabalhadora. É a vida.