Massacre na Azambuja

Matar animais por satisfação pessoal é cruel, desumano, abjecto. Tenho para mim que existe uma linha que nos separa, humanos normais que cumprem mínimos de decência, dessa subespécie de homens e mulheres das cavernas que matam por um qualquer prazer sádico e doentio. Uma linha vermelha que separa a civilização da barbárie.

Massacrar animais não é caça. E se não é crime, talvez esteja na hora de legislar sobre o assunto, sem perder muito tempo. Porque a caça tem um propósito, ao nível do controle populacional, que, ao contrário de que alguns fazem crer, desempenha um papel fundamental na manutenção da biodiversidade. Mas isto não foi caça. Isto foi um massacre brutal, perpetrado por subgente hedionda que se regozijou com o resultado da matança.

O problema, contudo, vai muito para lá deste massacre. A diferença entre este episódio é tantos outros, que acontecem todos os anos, é que este foi apanhado na teia das redes, porque os psicopatas que o perpetraram sentiram necessidade de exibir a sua total ausência de humanidade, ética ou moralidade. Porque num país onde a Guarda Florestal foi extinta, e substituída por um organismo ineficiente e subfinanciado, onde a fiscalização, transversalmente, é uma anedota, e onde o dinheiro compra tudo, incluindo a dignidade e a espinha dorsal de muito boa gente, já nada disto surpreende.

Um dia, as gerações do futuro olharão para nós e sentirão vergonha. Vergonha daqueles que mataram por prazer. Vergonha daqueles que se divertiram a ver matilhas de cães em fúria a despedaçar animais selvagens. Vergonha pelos animais confinados em aviários sem condições, esfolados para casacos de vaidade assassina ou torturados para cosméticos. Vergonha dos touros cobertos de bandarilhas, para gáudio dos entusiastas do martírio animal. Vergonha dos canis equiparáveis a laboratórios de experiências macabras do III Reich, onde cães e gatos são transformados em zombies de quatro patas, raquíticos e sem esperança, condenados a uma vida de “trabalho que liberta”. Ou à morte asfixiante num incêndio. Ou ao abandono num saco ou num balde do lixo. Foda-se, humanidade. Será que não conseguimos melhor que isto?

Comments

  1. Albano de Campos says:

    Subscrevo na integra a sua análise João Mendes.
    Este massacre ultrapassou tds os limites da crueldade humana para com os animais !
    Foi mera violência gratuita, 1 atentado vil e soez á biodiversidade.
    Tanta preocupação internacional, mobi-summit em Portugal, td em prol do verde, e depois aparece cerca de 2 dezenas de jagunços cagões, armados em valentões a gozar o panorama e c/ tds nós. Por sua vez, é revoltante saber q o Estado foi cúmplice nesta barbárie, uma vez q foi por causa do projecto de ali instalar uma central fotovoltaica.
    O imprestável ministro do Ambiente, apanhado c/ as calças na mão, apressou-se logo a lavar as mãos, armado em Pilatos, suspendendo a licença por 30 dias.
    30 DIAS ??
    Este ministro, tal como o Cabrita, têm q ser imediatamente exonerados dos respectivos cargos.
    1 é uma ameaça de segurança para e c/ pessoas, o outro (ainda pior)uma ameaça para c/ pessoas (veja-se o caso do prédio Coutinho), ambiente, fauna/flora, rios, etc…
    Agora q o crime foi perpretado, impõe-se q seja criada legislação q previna e proíba q tal volte a acontecer e q akeles q desobedecerem sejam severamente punidos c/ pena de prisão efectiva. Mais, q essa lei seja criada em 30 dias, tantos quantos foram os dados à suspensão da licença prá instalação da famigerada central fotovoltaica.
    Não deixa de ser revoltantemente irónico, q esta ,alegadamente energia limpa, fike pa sempre suja de sangue e lembrada pelo massacre de animais, pinheiros, eucaliptos, sobreiros, etc…
    Por este preço q se fod@m as energias limpas q só servem pa encher cús e panças de monopólios, ministros e governos !
    Este enojante episódio faz lembrar akela famosa piada do “inteligente”, q nos anos 80/90, vendeu a TV pa poder comprar 1 DVD.
    Parece td verde à superfície e/ou por fora, mas por dentro e debaixo tá td manchado a vermelho !!

  2. Tal & Qual says:

    Qual exonerado qual Karaças…
    Mata-se já o Ministro e a família toda!

  3. Pimba! says:

    Era preciso arranjar uma “solução” para os animais que viviam nos 700 hectares que foram limpos de arvoredo para montar a “tal” central fotovoltaica…
    Quase que poderia dizer que me admiro como é que tanto animal conseguia viver no que resto arborizado da Quinta da Torre Bela… é mesmo muito pouco.
    Lembremos que até 2019 era um paraíso de colinas de avoredo luxuriante selvagem, que albergava espécies únicas no Mundo. Arrase-se para plantar painéis solares, pois no Tugal näo há planícies sem árvores a crestar ao sol.

    O meu bisavô foi guarda florestal dessa quinta, e se visse isto, esfolava os assassinos vivos! E os donos da quinta logo a seguir!

    • joao lopes says:

      os donos da quinta permitiram que aquilo acontecesse,pela ganancia do dinheiro(os painéis solares são importantes,mas não vamos acimentar Portugal para dar dinheiro a gulosos,há limites para tudo),depois os caçadores tem um triste historial em Portugal,vivem da arrogância e da ganancia doentia pelos tiros,quais Rambos.Saõ eles próprios a lançar perdizes e codornizes de aviário,para a matança,e por ultimo o poder politico que permite que isto exista…sem nada ser ao menos fiscalizado.


  4. Engraçado… O presidente escumalha, o primeiro-ministro escumalha (e todo o resto da escumalha no “governo”) e a escumalha parlamentar passaram o ano de 2020, desde 13 de Março, a massacrar Velhos e Velhas e todos os restantes animais que desse jeito, e num um único ronco se ouvi por estes lados!

    • POIS! says:

      Pois não, não ouviu. Mas isso é porque V. Exa. está a dormir. Experimente deixar a gravar e vai verificar que o ronco se ouve perfeitamente a centenas ou milhares de quilómetros. Porque é V. Exa. que acha que ninguém o atura?

      Um destes dias o seu vizinho até telefonou para a NASA porque pensava que estavam a lançar satélites lá ao pé de casa. E a coisa não ficou por aí! Na Síria recolheram aos abrigos. Na Argentina uma manada de vacas morreu por efeito da vibração. Na Austrália choveu gosma durante mais de dez horas! E tudo isto durante uma simples sesta de V. Exa.

    • Paulo Marques says:

      Quem massacrou a peste grisalha foi quem decidiu que estavam bem era em lares sem controlo nenhum, estes apenas deram a coisa como resolvida.


      • Nada disso boçalito…

        • POIS! says:

          Pois temos de render uma sentida homenagem!

          Ao vozinhaazerodecibolos que, na modéstia de desnecessários decibéis, não deixa por mãos alheias a eloquência com que defende fundamenta e aprofunda a sua filosofia prática política, acentuando com fervor a necessidade de correção dos desvios da Humanidade, ao mesmo tempo que devora pernas de frango compostas por sobras de tofu embrulhadas em penas de andorinha do Pacífico.

          É de Vultos como este que é feito o progresso da Humanidade! O nosso sentido, agradecido e penhorado obrigado.

        • Paulo Marques says:

          Claro que não, fecham às centenas por ano por causa do marxismo cultural.

  5. JgMenos says:

    Privar os veados e os javalis de percorrerem o parque de energias renováveis autorizado pelo mesmo organismo de Estado que agora diz protegê-los é só por si uma maldade sem nome.
    Ainda se os matassem em 10 caçadas; mas numa só!
    Tantos tiros numa só caçada, tantas explosões, deve ser uma enorme pegada de carbono!

    Como caçada é uma vergonha, quanto ao mais é a histeria do costume.

    • anticarneiros says:

      Como sempre, só dizes merda, nazi serodio

    • POIS! says:

      Pois é!

      Realmente é uma maldade privar V. Exa. de percorrer o parque de energias renováveis. Ou melhor, V. Exa. até pode tentar, mas é arriscado porque pode acabar no meio de uma dezena de cacadas vergonhosas (raisparta! Onde é que meteram a cedilha? Estes teclados chineses!).

      E não há, ao Menos, um organismo que o proteja! Francamente, Sr. Ministro do Ambiente! Está a hibernar ou quê?

      • POIS! says:

        O verdadeiro problema é, aliás, o de V. Exa. poder passar completamente despercebido no meio dos veados. Dos javalis já nem tanto, a não ser que se quisesse dedicar à sua atividade de procura de cogumelos. Aí já não digo nada!

    • Paulo Marques says:

      Como se fossem todos da propriedade, ou não pudessem ser deslocados, ou, ou…
      Corajoso com quem não se pode defender e fraco com quem faz o que lhe apetece, como sempre.

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