
As negociações sobre a nova Política Agrícola Comum (PAC) da UE decorrem há mais de dois anos e a sua conclusão durante a presidência portuguesa é um dos grandes objectivos da ministra da Agricultura Maria do Céu Antunes. Porém, ao quarto dia das negociações do trílogo (entre negociadores do Parlamento Europeu, o Conselho dos Estados-Membros e a Comissão da UE) ocorridas na semana passada, estas foram interrompidas sem acordo.
A principal razão deste falhanço foi a recusa do Conselho (governos nacionais) em se mover no que toca à questão da sustentabilidade, ou seja, quanto à percentagem das ajudas directas aos agricultores destinada aos regimes ecológicos, que o Parlamento Europeu queria que chegasse aos 30% e os governos fixaram em 20% – inicialmente queriam 18%. – não tendo sido possível fechar os 25%.
Note-se que já a exigência do Parlamento Europeu de 30% é demasiado baixa para a urgente mudança de rumo na relação com a Natureza.
Significa isto que os governos europeus querem deixar pendurados os agricultores que apostam na agricultura sustentável e estão-se nas tintas para o Pacto Ecológico Europeu e para os seus bem sonantes objectivos de protecção climática e ambiental.
Em Junho, os Ministros da Agricultura voltarão ao tema; ao serviço dos grandes exploradores da fertilidade da terra e da mão-de-obra quasi escrava.
Resta fazer figas para que o PE não se deixe ir na conversa.









Para quando a luta pelo aumento de preços dos produtos agricolas?
Há que cuidar da natureza e dos tadinhos dos trabalhadores agrícolas..
E, como diz o camarada, quem vier a seguir que pague quando não crescer nada.
Pois pode estar descansadinho!
Que V. Exa. não perde pela demora. Mas não pelas melhores razões.
A agricultura de base capitalista está a rebentar com os recursos e com os ecossistemas. Aqueles a quem chama depreciativamente “tadinhos” (tadinho é V. Exa., mas da cabeçorra, como todos nós já sabemos há muito, mas adiante…) nada vão beneficiar da tendência para a alta de preços que vai acompanhar a cada vez maior escassez. As multinacionais irão embolsar totalmente as rendas que daí resultarão.
Oh Ana. Bem sabes que o PE não manda nada aqui como em outros dossiers. Limita-se a colocar o carimbo do OK nas decisões já tomadas por outrem. O PE só serve para legitimar e dar cobertura pseudo-democrática à burocracia europeia.