Uma das conversas que vem sempre à mesa, quando alguma das franjas mais radicais tem uma postura pouco democrática para o outro espetro, é sobre o que são os extremos. Para analisarmos isto, temos de perceber, antes de tudo, onde é que está o centro.
É bastante comum ouvir que não há extrema-esquerda em Portugal. Normalmente, quem o diz é a própria extrema-esquerda ou então uma esquerda que precisa de aliados para combater a ascensão da extrema-direita. Chega a ser enternecedor ouvir os argumentos “complexos” da extrema-esquerda, desculpando-se com a existência de movimentos ainda mais radicais. Obviamente, há extrema-esquerda em Portugal e é representada também pelos comunistas e pelos bloquistas. Atenção, lá por ser extrema-esquerda, considero que o Bloco tem forças democráticas dentro do Partido e que são suficientes para me fazer confiar muito mais nele do que no PCP. Esta é a esquerda, não só partidária, que usa exatamente as estratégias que detesta no seu adversário. Ora, estigmatiza o outro lado, chegando mesmo a pedir a ilegalização de um partido, mas considera inaceitável uma declaração vergonhosa sobre o seu, como foi no caso de Suzana Garcia. Considera-se a verdadeira esquerda, a única possível, considerando tudo o resto, até uma esquerda mais aproximada ao centro, algo que distorceu os “reais” valores. Citando Francisco Mendes da Silva, “É uma lei infalível da política: quando um adversário se aproxima de nós, é porque é um livre-pensador; quando um dos nossos se aproxima do adversário, é porque é um traidor.”. Tem uma visão única para a sociedade, como se de uma disquete se tratasse. Demonstra-se contra instituições que promovem a paz, mas fecha os olhos a células terroristas. No fundo, quase ninguém se assume de um extremo, tal como nenhum criminoso diz “Pronto, fui eu, fui eu que matei o puto. Para que prisão vou?”. [Read more…]







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