A talibã Carmo Afonso


A propósito da defesa dos Talibã feita por Carmo Afonso há uns dias.
Todos conhecemos os crimes dos americanos (cujo interesse pelos Direitos Humanos no mundo é zero), a sua responsabilidade na criação dos Talibã e a forma como apoiam regimes igualmente execráveis como o da Arábia Saudita. Todos conhecemos a forma como o ocidente tem tratado o resto do mundo há centenas de anos.
Todos sabemos que a vida da maioria dos afegãos e em especial das afegãs continuou a ser o inferno na Terra durante o domínio americano.
Mas Carmo Afonso acha que, para vincar as responsabilidades do ocidente, tem de defender os Talibã. De romantizar o seu percurso de vida até à chegada ao poder. De relativizar os seus crimes. De compará-los aos trabalhadores da serra do Caldeirão.
Carmo Afonso reconhece-lhes valores. Porque, no fim de contas, “não houve atrocidades”.
Não houve atrocidades – lembrem-se sempre disto.
Para além de tudo, Carmo Afonso é incoerente. Muito incoerente.
Ouvi falar dela pela primeira vez quando participou na tentativa de ilegalização do Chega. Gostei do que li, na sociedade portuguesa não há lugar (não devia haver) para projectos políticos que não respeitam a Constituição e que têm como objectivo destruir a democracia.
Mas pelos vistos, a tolerância que Carmo Afonso exibe perante os Talibã não é suficiente para o Chega.
Afinal, “não se consegue resumir a humanidade à partilha dos nossos valores, mesmo que se trate de direitos humanos. Existe quem não queira viver nesse crivo. Qual a legitimidade para impor os nossos valores ou mesmo uma democracia?”
Então, se em Portugal há um conjunto de pessoas que se revê num Partido racista, xenófobo, homofóbico, anti-democrático, qual é a legitimidade de Carmo Afonso para querer impor os seus valores decentes a pessoas que não são decentes?
“Existe quem não queira viver nesse crivo”. As palavras não são minhas. São de Carmo Afonso.

Comments

  1. JgMenos says:

    «Gostei do que li, na sociedade portuguesa não há lugar (não devia haver) para projectos políticos que não respeitam a Constituição e que têm como objectivo destruir a democracia.»

    O objectvo de destruir a democracia está no preâmbulo da Constitução, e toda a cambada o sabe e por isso a defendem.

    O país é toda uma farsa!
    Sempre transparece que entendem a democracia como caminho para o pensamento único.

    • Paulo Marques says:

      Não há maior democracia do que ter um líder único invés de comissões de trabalhadores!

  2. antero seguro says:

    Mas, quem é afinal, a Carmo Afonso? Todos temos direito a dizer barbaridades.

  3. POIS! says:

    Pois, ficamos então a saber que…

    “para já não houve atrocidades”. Não???

    Parece-me que estamos em presença, no mínimo, de uma verdadeira talibanana.

    • POIS! says:

      Segundo as últimas notícias…

      Não há atrocidades. Apenas uma execuçãozita ou outra, certamente por motivo de copos, gajas ou futebóis.

  4. Filipe Bastos says:

    Como já perguntou o antero, quem é a Carmo Afonso?

    Que nos interessa o que ela diz ou o que deixa de dizer?

    Que temos a ver com isso, em que é que isso nos afecta? Em que é que afecta quem ou o que for, além da Carmo Afonso?

    Tudo bem que, de vez em quando, todos precisamos de assunto e de alguém em quem malhar. Estava à mão a Carmo Afonso. Seja. Mas é fruste e merdoso este fazer de conta que todos conhecem ou valorizam a irrelevante figura, quanto mais o que esta disse.

    90% das ‘redes sociais’ são isto: fulano/a disse X. Que vergonha! Beltrano disse Y. Que fúria! Sicrano disse Z. Que maravilha!

    Bardamerda.

  5. Paulo Marques says:

    Há uma diferença entre impor valores de fora, gerando rejeições cada vez mais forte ao longo de 150 anos, e com grande culpa na paragem no tempo, e impor por dentro por negação dos existentes.
    E se o romantismo é exagerado (e a falta de atrocidades), também é um exagero considerar os Taliban homogéneos, e achar que lutam todos pelos mesmos – um dos grandes erros das últimas décadas, que tornaram inevitável a derrota.

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